Dia 5 de dezembro tem lutas por todo o país, apesar da traição da cúpula das maiores centrais

Assembleias, trancamentos de rodovias e manifestações mobilizaram trabalhadores de várias categorias

27 de junho de 2016

Fala Toninho: “O pedido de impeachment de Carlinhos e as eleições 2016”

27/6/2016 - Ganhou destaque na imprensa e nas redes sociais na semana passada o embate em torno do pedido de impeachment contra o prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT). Com direito a empurra – empurra na galeria da Câmara, entre partidários do PT e da oposição, o pedido acabou sendo arquivado, mas acirrou a disputa para as eleições deste ano.

Na onda do processo de impeachment da presidente Dilma, o MBL (Movimento Brasil Livre) surpreendeu e apresentou um pedido de afastamento de Carlinhos em razão do atraso de repasse ao Instituto de Previdência dos Servidores Municipais. Isso foi o mote para o PSDB e os partidos do chamado “Centrão”  tentarem desgastar o já combalido governo Carlinhos.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), líderes do MBL na região foram doadores de campanha de rivais de Carlinhos.

Falsa polarização
O episódio é uma demonstração da tentativa de polarização das eleições municipais que ocorrerão em outubro. Mas novamente o que assistimos é uma falsa polarização, pois tanto o PT, como o PSDB, e outros partidos como o PMDB, PRB e PV, que já anunciaram pré-candidatos ao Paço Municipal, na prática representam um mesmo projeto de poder, que serve apenas aos interesses dos poderosos, em detrimento das necessidades dos trabalhadores e da maioria do povo.

O fato é que as eleições municipais deste ano não passarão ao largo da grave crise política instalada no país. PT, PSDB, PMDB, PRB, enfim, os mesmos partidos que estão afundados nos escândalos de corrupção e são responsáveis pelos ataques aos direitos dos trabalhadores e às condições de vida do povo, estarão cinicamente nas eleições apresentando candidatos às prefeituras e câmaras, com falsas promessas e muita demagogia.

A coordenação regional do PT já teria definido o discurso a ser adotado na campanha para a reeleição de Carlinhos. A ideia seria alegar que os casos de corrupção no país envolvem todas as principais siglas. Dá vergonha alheia! De fato a maioria dos partidos está atolada em corrupção, mas daí dizer que isso seria uma espécie de justificativa ou atenuante é a comprovação da degeneração definitiva do PT.

Seguindo resolução nacional, os petistas também não descartam reeditar uma aliança com o PMDB. Apesar de publicamente chamá-los de “golpistas”, para reeleger a qualquer custo os mandatos do partido, vale tudo.

Por sua vez, o PMDB vai tentar “capitalizar” o governo Temer. Uma piada. Não bastasse o histórico fisiológico deste partido, que faz qualquer coisa pelo poder e por cargos, o governo interino é a temeridade que estamos vendo. Formado por “notórios corruptos”, Temer já perdeu três ministros em pouco mais de um mês e pretende concretizar a qualquer custo o que Dilma tentou, mas não foi capaz de concluir: um brutal ajuste fiscal, avançando em ataques como as privatizações e as reformas da Previdência e Trabalhista, que vão piorar ainda mais as condições de vida do povo.

Já o PSDB quer retomar a Prefeitura que já governou por quatro mandatos. Demagogicamente, tentarão se mostrar como os defensores da moral e da ética, um discurso que não se sustenta. O PSDB é o fiador da atual política do PDMB de Temer, fazendo parte do governo e defendendo medidas como a proposta de ampliação das terceirizações no país. Compartilha, inclusive, dos mesmos escândalos de corrupção. Quem não conhece o esquema do Aécio?

PV e PRB que anunciaram pré-candidatos em São José também terão de manobrar bastante para se desvencilhar da responsabilidade na atual crise política. O PRB é um dos fieis aliados de Eduardo Cunha no Congresso. Nas últimas eleições foram financiados por empreiteiras da Lava Jato, tendo vários políticos envolvidos na operação. O PV, cuja pré-candidata participou de todos os governos do PSDB em São José, também está envolvido na Lava Jato.

Pré-candidato do PRB faz pose ao lado de Eduardo Cunha

Eduardo Cury (PSDB), de São José, com Cunha, Bolsonaro, MBL e cia

A indignação dos trabalhadores e a falta de credibilidade nas instituições precisam reverter em ação contra todos esses políticos e partidos afundados neste sistema corrompido e que funciona apenas em benefício dos interesses dos poderosos e corruptos.

O PSTU é o único partido que tem defendido o Fora Temer - Fora Todos Eles. Não queremos Temer, mas também não queremos a volta de Dilma ou a permanência de figuras como Cunha, Renan, Aécio e esse Congresso de picaretas. É preciso por todos para fora! Por isso, defendemos que em outubro possam ocorrer eleições gerais para todos os cargos, de presidente da República a prefeito e vereadores. O povo tem o direito de revogar o mandato de quem quiser.

Em São José dos Campos, ou em Jacareí onde o cenário é semelhante, é preciso acabar com a falsa polarização entre PT e PSDB e seus partidos aliados. Todos eles estão metidos na corrupção e defendem a política de ajuste fiscal para jogar nas costas dos trabalhadores e do povo o custo da crise econômica.

Nas lutas e nas eleições, os trabalhadores precisam construir uma alternativa classista e de esquerda, para fortalecer a mobilização em defesa dos direitos e por uma cidade voltada aos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo.

Toninho Ferreira é presidente municipal do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal

Zé Maria desafia esquerda a chamar greve geral pelo “Fora Temer”

27/6/2016 - Em debate polêmico realizado no início deste mês com representantes da esquerda, o presidente nacional do PSTU, Zé Maria, fez um desafio à esquerda.  “Se todos nós somos contra Temer, por que não nos unimos pra lutar e botar pra fora esse governo, a reforma da Previdência e o ajuste fiscal?".

O debate ocorreu na mesa de encerramento do 2° Salão do Livro Político, que contou com representantes de alguns dos principais partidos de esquerda do Brasil para debater a atual conjuntura política nacional.

A mesa foi composta por Zé Maria (presidente do PSTU), Luiz Araújo (presidente do PSOL), Valter Pomar (Diretório Nacional do PT), Jamil Murad (PCdoB) e Edmilson Costa (Executiva Nacional do PCB). O debate foi mediado por Jorge Breogan, da Editora Sundermann.

Luiz Araújo, do PSOL, caracterizou o impeachment votado na Câmara como um golpe institucional. “A deterioração da situação econômica do país fez com que motivasse setores da elite e da classe média com uma pauta conservadora, com uma pauta moralista, a ir pra rua”, explicou.

Para Walter Pomar, do PT, o golpe não é só contra Dilma e o PT. “Visa retomar a lucratividade do capital e visa também restringir a democracia. Fazer o capitalismo brasileiro voltar ao normal de ser”, disse.

Polarização social 
Zé Maria, que representou o PSTU, apresentou uma visão oposta sobre as razões da atual crise. Para ele, o Brasil vive uma das maiores crises econômicas de sua história e que, por isso, a burguesia tenta preservar seus interesses e realizar uma grande ofensiva contra a classe trabalhadora, seus direitos e o patrimônio público do país.

Mas Zé Maria discordou que o país vive uma onda conservadora, uma correlação de forças desfavorável para a luta dos trabalhadores. Ele lembrou as inúmeras greves e lutas de resistência que tomaram o país a partir de junho de 2013. “Esse processo não recuou, ele se aprofundou de outras formas. Segundo o Dieese, temos mais greves no Brasil em 2013, 2014, 2015 do que nós tivemos nas mobilizações dos anos 1980 no Brasil. Passaram de duas mil greves por ano”, disse.

Não teve golpe 
Discordando frontalmente da tese de que houve um golpe contra Dilma, Zé Maria explicou que a ruptura da classe trabalhadora com o governo do PT tem relação direta com o estelionato eleitoral vergonhoso de Dilma. “O PT disse que se o PSDB ganhasse as eleições iria tirar a comida da mesa do pobre, que iria privatizar as estatais e atacar os direitos dos trabalhadores. Mas em dezembro, antes de tomar posse, ela criou uma regra para o seguro desemprego que simplesmente retirou a possibilidade da parcela mais pobre da classe trabalhadora de ter acesso a esse direito no momento em que o desemprego aumentava”, explicou.

Os ataques contra o PIS, os cortes de verbas na saúde e na educação levaram os trabalhadores a não defenderem o governo Dilma. “A classe operária e os setores mais pobres da população, antes do impeachment, queriam ver o governo do PT pelas costas, porque se sentiram traídos por ele”, disse.

Para ele, o PT não foi derrotado pela direita com um golpe, e lembrou que o velho PT de luta foi derrotado há muitos anos, quando esse partido resolveu fazer aliança com os empresários e abriu mão de fazer a transformação que a classe trabalhadora pedia. “O que assistimos em todo o ano de 2015, e agora em 2016, foi uma luta política entre dois blocos que expressam interesses da burguesia brasileira. Um deles encabeçado pelo PT, outro pelo PSDB”.

Governando com a direita 
Outra polêmica levantada por Zé Maria foi sobre a lenda de que o PT sempre enfrentou a direita raivosa. Para o dirigente, isso não seria verdade. “A direita estava dividida, uma parte da direita sempre odiou o PT. Mas outra parte da direita estava dentro do governo do PT. Quem é Kátia Abreu? É uma representação da esquerda brasileira? Joaquim Levy, Paulo Maluf, Collor de Melo, Renan Calheiros, Eduardo Cunha?”, questionou em meio a aplausos.

Também lembrou que o programa econômico de Dilma em seu segundo mandato é exatamente o mesmo que Temer apresenta hoje. “Não era fazer a reforma da Previdência com idade mínima pra se aposentar? Não era fazer um ajuste fiscal que eliminasse investimentos públicos?”, questionou.

Polemizando novamente com a maioria dos palestrantes, Zé Maria disse que não é verdade que a burguesia retirou o PT do governo porque aplicou uma política econômica que produziu algum avanço para os pobres. “Afinal o pró- prio Lula disse que os empresários nunca ganharam tanto dinheiro como em seu governo. Falou ou não falou isso?”, disse.

Greve geral 
O dirigente do PSTU defendeu que a solução da classe trabalhadora “é botar pra fora Temer e todos eles, porque são todos eles que querem aplicar nesse país esse programa econômico que garante essa ofensiva do empresariado”, explicou.

“Se todos nós somos contra Temer, por que não nos unimos pra lutar e botar pra fora esse governo, a reforma da Previdência e o ajuste fiscal? Por que não nos unimos todos? A CUT, CSP-Conlutas, CTB, PCdoB, PSTU e PCB e vamos convocar uma grande Greve Geral contra a reforma da Previdência, o ajuste fiscal e pra botar pra fora Temer? Isso nos une, a volta de Dilma não”, desafiou.

Matéria publicada originalmente no jornal Opinião Socialista 519

23 de junho de 2016

Punição aos responsáveis pelo massacre de Oaxaca! Toda solidariedade aos professores mexicanos!

23/6/2016 - Desde o último domingo, dia 19, correm o mundo as cenas da brutal repressão aos professores que lutam contra a reforma educacional no México. As forças policiais do governo de Enrique Peña Nieto investiram contra manifestantes na cidade de Nochixtlan, no estado de Oaxaca, matando pelo menos 10 pessoas e deixando outras dezenas feridas e desaparecidas.

Vídeos e fotos veiculados pela imprensa mexicana e nas redes sociais mostram o uso de armas com munição letal e até mesmo disparos efetuados de um helicóptero. A ordem, segundo a Telesur, foi contundente: “atirem para matar”.

O ataque teve início por volta das 8 horas da manhã de domingo durante bloqueio do acesso a Oaxaca. Segundo a população de municípios próximos, o ataque foi brutal e feriu crianças, mulheres e civis que nem participavam das manifestações. O Hospital de Nochixtlan foi cercado por policiais que impediram a entrada de feridos que buscavam atendimento. O acolhimento dessas pessoas se deu em uma Paróquia, com paramédicos e voluntários. No ataque, morreram lideranças do movimento e secundaristas, que já tiveram os nomes confirmados.

A população local se revoltou contra a violência e ameaçou incendiar a fazenda do prefeito Hermínio Chávez Cuevas, que permitiu a ação repressiva da polícia. Antes mesmo dos graves acontecimentos de domingo, centenas de intelectuais, religiosos, estudantes, ativistas e organizações de direitos humanos assinaram um documento que condenou a brutal repressão que vem sendo exercida pelo governo mexicano contra os professores que denunciam o desmonte e a precarização da educação pública.

Peña Nieto implementou a reforma da educação em 2013, como parte de um conjunto de onze reformas neoliberais propostas em seus primeiros meses de mandato. A controversa lei impõe avaliações obrigatórias dos professores, a fim de determinar quais candidatos serão escolhidos para preencher cargos abertos na rede pública de ensino em todo o país. A denúncia de movimentos, como a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação), é de que o processo serve apenas como justificativa para demissões em massa.

A repressão brutal do Estado não é novidade no México, principalmente a manifestantes do setor da educação que é muito forte e ativo no país. Em 12 de dezembro de 2011, a polícia assassinou dois estudantes que protestavam contra as condições da escola para professores de Ayotzinapa, em um tiroteio que deixou mais de 20 feridos.

No dia 26 de setembro de 2014, estudantes da escola rural para professores Raúl Isidro Burgos, de Ayotzinapa, na cidade de Iguala, estado de Guerrero, viajavam em ônibus e foram atacados por policiais e grupos paramilitares. O saldo foi de seis mortos e até hoje 43 estudantes ainda estão desaparecidos.

No México, as relações do Estado com o narcotráfico são escandalosas, bem como as reiteradas violações dos direitos humanos, inclusive de mulheres. A impunidade das forças policiais também é gritante. Tudo sob a conivência e política imperialista dos Estados Unidos.

Todo apoio e solidariedade! Essa luta é de toda a classe trabalhadora!
Uma frase que estampava faixas nas manifestações em 2014 contra o desaparecimento dos 43 de Ayotzinapa, “nos tiraram tanto, que nos tiraram o medo”, ainda tem validade. Os protestos não cessaram desde domingo e contam com grande apoio da população.

Está marcada uma marcha para 26 de junho. É preciso que haja uma forte solidariedade internacional aos professores mexicanos para que esse crime não acabe impune e para que esta reforma possa ser derrotada. A luta dos professores do México é uma luta de toda a classe trabalhadora.

Punição aos responsáveis pelo massacre de Oaxaca!
Liberdade aos presos políticos!
Abaixo a contrarreforma da educação do governo Peña Neto!





Com informações agências de notícias e CSP-Conlutas

22 de junho de 2016

Desnacionalização: Câmara aprova MP que autoriza empresas estrangeiras controlarem 100% das companhias aéreas nacionais

22/6/2016 - A Câmara dos Deputados votou nesta terça-feira, dia 21, a chamada MP do setor aéreo (714/16), que alterou o Código Brasileiro de Aeronáutica e, entre outras medidas, elevou o limite para a participação estrangeira no capital das companhias aéreas nacionais. De 20% o limite passou para 100%. Ou seja, empresas nacionais poderão ser totalmente controladas pelo capital internacional.

A MP original, editada ainda pelo governo Dilma (PT), já ampliava a participação estrangeira no capital das empresas aéreas de 20% para até 49%. Mas na sessão de ontem, com aval do governo Temer, o líder da bancada do PMDB, Baleia Rossi, ampliou para 100% essa possibilidade. A alteração foi aprovada por 199 votos a 71.

A medida agora precisará também ser aprovada no Senado e posteriormente ser sancionada pela presidência da República.

Avanço da desnacionalização
Na prática, a MP aprovada ontem vai resultar na desnacionalização total do setor nos próximos anos, significando a entrega para o capital internacional de um setor estratégico. Num país com as dimensões continentais como o Brasil, as empresas áreas cumprem um papel de integração nacional, bem como tem a ver também com a segurança e soberanias nacionais.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a lei permite que empresas estrangeiras só podem ter controle sobre 25%, no máximo, de uma companhia área. É o mesmo limite existente no Canadá. Na União Europeia, o limite é 49%.

A desculpa esfarrapada dos privatistas e entreguistas é que a medida vai socorrer as empresas brasileiras que estariam registrando resultados negativos e principalmente irá baratear o preço das passagens em razão da “concorrência”.  Uma falácia.

Na prática o que costuma ocorrer é a extinção de rotas pelas empresas e a elevação de tarifas. Inclusive, o que também ocorre muito no setor é a formação de cartéis, quando as empresas combinam entre si um valor padrão.

As quatro principais companhias aéreas do Brasil (Tam, Gol, Azul e Avianca) já têm participação estrangeira, o que deve se ampliar ainda mais.

É preciso barrar a ofensiva privatista e de desnacionalização
O avanço da privatização e da desnacionalização iniciadas com força ainda no governo de Fernando Collor segue sendo uma política dos governos desde então. A entrega de empresas públicas e a abertura do capital de empresas nacionais é um processo que avançou sobre vários setores, como na Petrobras, aeroportos, portes, rodovias, entre outros, seja nos governos do PSDB, PT ou do agora interino PMDB.

Com a crise econômica, a saída da burguesia para garantir os lucros dos banqueiros e empresários é avançar nos ataques aos direitos trabalhistas, reformas como da Previdência, a redução dos serviços públicos, o avanço das privatizações e das desnacionalizações.

Fora Temer! Fora Todos Eles!
O governo Temer, apesar de toda a crise política e dos escândalos de corrupção, tem pressa para aplicar esse ajuste fiscal e com base no apoio dos picaretas do Congresso segue tentando avançar com esse ajuste. Porém, a classe trabalhadora não está derrotada. Greves, ocupações de fábrica, manifestações pelo Fora Cunha, Fora Temer, contra o machismo, demonstram que há muita indignação e disposição de luta.

O povo trabalhador e a juventude desse país não querem nem Dilma e nem Temer. É preciso unificar as lutas, generalizá-las, rumo a uma grande greve geral para botar abaixo esse governo e esse Congresso Nacional. Exigir eleições gerais já e construir uma alternativa dos trabalhadores, um governo socialista formado por conselhos populares.



Com informações agências de notícias





Bolsonaro vira réu no STF por apologia ao estupro: merece cadeia e cassação!

22/6/2016 - Demorou. Ainda é pouco. Mas saiu. Nesta terça-feira, dia 21, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou duas denúncias contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ) e o tornou réu por acusação de incitação ao estupro e injúria.

A acusação contra Bolsonaro foi apresentada pela vice-procuradora-geral da República Ela Wiecko, com base em uma declaração do deputado. Em 2014, em uma entrevista ao jornal ‘Zero Hora’, ele reiterou uma fala sua feita no plenário da Câmara em 2003, de que não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) “porque ela não mereceria”.

Uma fala absurda e repugnante, própria deste reacionário machista, homofóbico e defensor da ditadura militar e da tortura.  É dele também frases como “A ditadura errou em torturar e não matar" ou ainda “mulher tem que receber menos que homem porque engravida”.

O fato é que Bolsonaro não falou no calor da discussão como agora tenta se defender covardemente com medo de uma punição. Falou publicamente mais de uma vez, porque simplesmente é o que pensa e defende. Esse canalha acredita que um homem pode estuprar uma mulher que escolha ou que ele entenda ser “merecedora” do estupro.

O relator do caso, ministro Luiz Fux, considerou que Bolsonaro não pode ser protegido pela prerrogativa de imunidade parlamentar, já que o que o parlamentar disse não tem nenhuma relação com a atividade que exerce na Câmara.

“A frase do parlamentar tem potencial para estimular a perspectiva da superioridade masculina em relação às mulheres, além de prejudicar a compreensão contra as consequências dessa postura. O resultado de incitação foi alcançado porque várias manifestações públicas reiteraram essa manifestação (de Bolsonaro)”, defendeu Fux.

O ministro citou frases de apoiadores de Bolsonaro que, na internet, saíram em sua defesa na ocasião. “Essa p… não defende bandido que tem que dar uma estupradinha nela?”, dizia um das mensagens. Outra, mais explícita, pontuava: “Eu estupraria Maria do Rosário, mas com os dedos, porque com aquela cara, nem com viagra”. As manifestações foram colhidas pela defesa da deputada.

Acompanharam o relator os ministros Luiz Edson Fachin, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Apenas o ministro Marco Aurélio Mello votou contra.

Se condenado, Bolsonaro poderá ser preso por até seis meses, além de pagar multa.

“A decisão do STF levou mais de um ano para ser apreciada, mas não deixa de ser uma boa notícia. Porém, é pouco, muito pouco”, avalia Janaína dos Reis, da direção nacional do MML (Movimento Mulheres em Luta).

“Bolsonaro tem de ir para a cadeia, pois é um incitador do estupro de mulheres e da tortura, bem como precisa ter o mandato cassado, junto com Cunha, Feliciano e outros reacionários e corruptos. Precisamos ir às ruas para por todos eles para fora”, afirmou Janaína.


Com informações agências de notícias

17 de junho de 2016

Temer e o teto para os gastos públicos: o golpe de misericórdia na saúde e educação

17/6/2016 - Não é segredo para ninguém a precariedade da saúde e educação públicas, ou dos serviços públicos em geral, no Brasil. Mas, se depender da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada esta semana pelo governo Temer a situação vai piorar. E muito.

Cinicamente apresentada como uma medida para controlar a dívida pública e retomar o crescimento, a PEC é um dos maiores ataques aos serviços públicos e direitos constitucionais dos brasileiros dos últimos tempos. A proposta institui um teto para os gastos públicos por um período de 20 anos, a partir de 2017, e estabelece que as despesas do governo não poderão ter crescimento acima da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do ano anterior.

Denominado de “Novo Regime Fiscal”, a nova regra valeria para a União, Legislativo, Tribunal de Contas da União, Judiciário, Ministério Público e a Defensoria Pública da União. Gastos com saúde e educação também serão submetidos ao teto, assim como os gastos com a Previdência Social e com a folha de pagamentos da União.

Congelamento dos gastos e investimentos 
Na prática, a PEC propõe congelar por 20 anos os investimentos e os gastos, o que resultaria em um sucateamento ainda maior dos serviços públicos, com redução de recursos destinados inclusive a áreas essenciais como saúde e educação.

A PEC chega ao ponto de estabelecer que caso o Poder Executivo extrapole o teto, o mesmo ficará proibido de conceder reajuste ou qualquer benefício aos servidores no ano seguinte. Um absurdo ataque! Ficariam proibidas também medidas como a criação de cargos, mudança de estrutura de carreiras e realização de concursos.

Atualmente, os gastos com saúde e educação estão constitucionalmente vinculados à receita líquida do Governo Federal. O gasto com saúde precisa obedecer o percentual mínimo de 13,2% da receita líquida. Os estados e o DF devem investir o mínimo de 12% de sua receita, enquanto os municípios devem aplicar pelo menos 15%.  Com Educação, a Constituição prevê um gasto mínimo de 25% das receitas tributárias de Estados e Municípios - incluídos os recursos recebidos por transferências entre governos - e de 18% dos impostos federais – já descontadas as transferências para Estados e Municípios.

A PEC proposta pelo governo Temer vai acabar de vez com isso. Áreas como da saúde, que tem uma carência histórica de investimentos, acumulando graves problemas, vai piorar em um momento que o país volta a lidar com doenças como dengue, zika e H1N1.

O verdadeiro rombo das contas públicas
Segundo números do Banco Central, a dívida bruta do Brasil somou R$ 4,03 trilhões em abril deste ano, o equivalente a 67,5% do Produto Interno Bruto (PIB).  Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles tentam alegar que os gastos públicos estão concentrados em um suposto déficit da Previdência, nos gastos com saúde, educação, mas a origem da sangria dos recursos do país é outro.

Somente em 2015, o país pagou apenas de juros da dívida pública R$ 501,8 bilhões. O Brasil gasta praticamente metade do que arrecada com os encargos da dívida, que só cresce. Com os juros abusivos de 14,25% ao ano, os mais elevados do mundo, essa dívida é impagável e vai drenando os recursos e as riquezas produzidas pelos trabalhadores brasileiros.

A redução de gastos proposta por Temer visa retirar dinheiro de áreas sociais para continuar financiando esse sistema de pagamento da Dívida, que só beneficia os grandes bancos e especuladores internacionais.

A prorrogação e ampliação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) ocorrida na semana passada também tem o mesmo objetivo. A PEC que prorroga a DRU até 2023 amplia de 20% para 30% o percentual que pode ser desviado pelo governo, agora não só o federal, mas os estaduais e municipais, da receita para outros pagamentos, em geral para a Dívida Pública.

Greve Geral para derrotar o ajuste fiscal e por Temer para fora
Por alterar a Constituição, a PEC do teto dos gastos públicos tem uma tramitação mais longa. Terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por uma comissão especial, pelo plenário da Câmara dos Deputados, tendo de ser aprovada em dois turnos por três quintos dos deputados (308 votos) e, ao final, terá de passar por dois turnos no plenário do Senado - com aprovação, novamente, de três quintos dos senadores.

Diante da crise econômica e política, a burguesia espera que Temer implemente o mais rápido possível o ajuste fiscal e medidas como a criação deste teto dos gastos, as reformas da Previdência e Trabalhista, entre outros ataques.

Mas, o governo interino é fraco. Essa semana, Henrique Alves (PDMB) pediu demissão após ter seu nome envolvido em delação da Lava Jato. É o terceiro ministro que cai em pouco mais de 30 dias de governo.

É preciso intensificar as mobilizações que já ocorrem pelo país pelo Fora Temer. Mas não para que Dilma volte, pois a petista se pudesse teria aplicado as mesmas medidas, como chegou a anunciar que faria uma nova Reforma da Previdência e a prorrogação da DRU.

É preciso lutar pelo Fora Temer, Fora Todos Eles, Eleições Gerais já. Acima de tudo, precisamos construir uma forte greve geral para derrotar o ajuste fiscal e construir uma nova alternativa dos trabalhadores para o país.

16 de junho de 2016

49 de Orlando: não esqueceremos

16/6/2016 - Após o massacre ocorrido em Orlando (EUA), em uma boate LGBT, no último sábado, dia 11, em todo o mundo vem ocorrendo vigílias pelas vítimas do ataque e manifestações contra a LGBTfobia e o discurso de ódio.

Nesta quarta-feira, dia 15, em São Paulo, centenas de manifestantes se reuniram no vão do MASP, na Avenida Paulista, em um protesto contra o massacre homofóbico.

Em suas falas, os manifestantes denunciaram a LGBTfobia e o discurso de ódio, que mata e vitima milhares de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais em todo o mundo.

Depois das intervenções, o ato seguiu em silêncio pela Avenida Paulista até a Praça do Ciclista. Sinalizadores de fumaça nas cores da bandeira LGBT foram acendidos. Ao final, foram lidos um a um os nomes de todas as vítimas. Após cada um deles, os manifestantes gritavam: "Presente!". Ao final, um último grito: "49 de Orlando, presentes! Hoje e sempre!", seguido de uma salva de palmas.

Também já ocorreram manifestações no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Todos com a presença da militância do PSTU que tem prestado solidariedade às vítimas e também denunciado a situação dos LGBTs no país. O Brasil é campeão mundial de assassinatos LGBTfóbicos. Somente em 2015, foram 318 mortes. Defendemos medidas como a criminalização da LGBTfobia, a lei de identidade de gênero, entre outros.

Por todas as vítimas de Orlando!
Basta de assassinatos de LGBTs!
Pela criminalização da LGBTfobia já!

Ato em Belo Horizonte

Ato no Rio de Janeiro

Ato em SP

Ato em SP



Delação escancara corrupção e relata propina a políticos do PMDB, PT, PSDB, PP, DEM e PCdoB. Basta! Fora todos eles!

16/6/2016 - A delação de Sérgio Machado, divulgada nesta quarta-feira, dia 15, é mais uma bomba em meio à grave crise política instalada no país. O ex-presidente da Transpetro admitiu ter arrecadado e repassado propina a dezenas de políticos de partidos como o PMDB, PT, PSDB, PP, DEM e PCdoB. Somente o PMDB teria se beneficiado com mais de R$ 100 milhões.

Machado foi presidente da Transpetro entre 2003 e 2015, por nomeação do PMDB, e é tido na Operação Lava Jato como um dos operadores deste partido no esquema de corrupção da Petrobrás. Mas ele também já foi senador pelo PSDB, na época do governo FHC, quando também atuou para repassar propina a Aécio Neves e outros deputados tucanos.

Em mais de 400 páginas, a delação escancara os esquemas de corrupção que são práticas comuns no sistema político brasileiro, em todas as esferas de governo: federal, estaduais e municipais. Segundo relatou Machado, o padrão de propina seria uma cobrança de 3% no governo federal, de 5% a 10% nos governos estaduais e de 10 a 30% nas contratações envolvendo municípios.

A delação tem requintes de cinismo. Segundo Machado, a Petrobrás é “a madame mais honesta dos cabarés do Brasil”, por ser “um organismo estatal bastante regulamentado e disciplinado”. Segundo ele, outras empresas e órgãos públicos adotam práticas “menos ortodoxas”. Dentre os outros órgãos , ele cita o DNIT, as companhias Docas, os bancos oficiais tais como Banco do Nordeste, Funasa, FNDE e DNOCS.

A delação de Machado revela que a distribuição de propinas não conhece ideologia, envolvendo políticos do DEM ao PCdoB, dos quais vários caciques pemedebistas com o próprio presidente interino Michel Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros, José Sarney, Henrique Alves e Edison Lobão, e outros como o tucano Aécio Neves, Jandira Feghali (PCdoB), Ideli Salvati (PT), entre outros.

O pedido de Temer a favor de Chalita
O ex-presidente da Transpetro afirmou que Michel Temer pediu dinheiro de propina para a campanha do seu então aliado político Gabriel Chalita, na eleição de 2012. Segundo o delator, a conta de R$ 1,5 milhão foi empurrada à Queiroz Galvão, uma das empreiteiras mais comprometidas no esquema de corrupção na Petrobrás. Temer já havia sido citado por outros delatores, mas esta é a primeira vez que ele é diretamente acusado de pedir dinheiro ilegal para campanhas.

O esquema de Aécio
Na delação, outro destaque, são as afirmações de Machado em relação ao senador tucano Aécio Neves. Segundo o executivo, o tucano foi o candidato que recebeu a maior parcela de cerca de R$ 7 milhões arrecadados de forma ilegal à época do governo FHC, para eleger o maior número possível de deputados federais do PSDB. Machado disse que o montante bancaria a campanha de 50 candidatos à Câmara. Aécio abocanhou R$ 1 milhão.

Basta! Fora todos eles! Eleições Gerais já!
Chama a atenção que no esquema escancarado pelo delator, não haveria cartel, nem fraude nas licitações da estatal.  O pagamento era em dinheiro vivo ou “doações legais”. O esquema consistiria em ameaças e chantagens contra as empresas de que não haveria novos contratos para aquelas que não pagassem propinas ou mesmo que seriam excluídas da lista de companhias que poderiam ser contratadas pela estatal.

Como o PSTU sempre afirmou não existe “doação” de campanha, e nem mesmo há diferença entre doações supostamente lícitas ou ilícitas.  Empresas não fazem doação. Fazem empréstimos para cobrarem depois com juros de agiotas. É uma relação promíscua, que varia entre doações “legais” e Caixas 2, mas o que acaba prevalecendo é a intervenção do poder econômico e privado não só nas eleições, mas também no funcionamento das instituições do Estado. Por isso, tamanho esquema de corrupção que tem vindo à tona, envolvendo praticamente quase todos os partidos, políticos e governantes.

A cada dia se faz mais necessária a luta dos trabalhadores e da juventude para por todos para fora!

Sem mobilização, tudo pode acabar em pizza. Diante da ameaça do pedido de prisão feito pela Procuradoria Geral da República contra a cúpula do PMDB, no Senado, todos os picaretas, do PT ao PMDB e PSDB, se uniram para evitar o xilindró. Não é à toa. Todos têm rabo preso. Já são 12 os senadores investigados na Operação Lava Jato com inquéritos em tramitação no STF. Haveria mais de 30 senadores com a corda no pescoço com os desdobramentos da delação de Marcelo Odebrecht.

Fora Temer! Fora Todos Eles! Eleições Gerais já!

O PSTU defende eleições gerais já, para todos os cargos, sob novas regras, onde envolvidos em casos de corrupção não possam participar, haja tempo igualitário de TV entre todos os partidos, sem qualquer tipo de financiamento privado, além de mandatos revogáveis e fim dos privilégios e altos salários. A antecipação das eleições para todos os cargos coloca em discussão a possibilidade da revogabilidade dos mandatos. O povo elegeu e tem todo o direito de trocar quem quiser.

Contudo, não se trata de acreditar que as eleições vão resolver a situação. Diante de tamanha crise, que não é só política, mas também econômica e social, somente a classe trabalhadora, nas ruas e nas lutas, poderá construir uma nova alternativa para este país.

O Brasil precisa de um Governo Socialista dos Trabalhadores. Um governo que não seja atrelado aos empresários, banqueiros e corruptos, mas que seja baseado em Conselhos Populares, onde os trabalhadores, nas fábricas e nos bairros, de forma democrática, possam decidir os rumos do país.

15 de junho de 2016

Eduardo Cunha a um passo da cassação

15/6/2016 - A Comissão de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, dia 14, o pedido de cassação do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha. Foram meses de manobras e negociatas que protelaram a decisão. Desde novembro do ano passado, Cunha fez de tudo e mais um pouco para impedir a votação.

Até o último momento tinha-se dúvida da aprovação do relatório e, de fato, o resultado foi apertado, por 11 votos a 9, com dois votos definidos de última hora, da deputada Tia Eron (PRB) e Wladimir Costa (SD).

Não fosse a forte rejeição de Cunha e a forte pressão popular o resultado com certeza teria sido outro. Afinal, o que não falta no Congresso Nacional são políticos com o “rabo preso”, envolvidos em denúncias e processos por corrupção.

Aliás, vale lembrar que Eduardo Cunha integrou por muito tempo a base do governo petista. Mesmo na presidência da Câmara e já alvo de denúncias de corrupção, Cunha conseguiu manter-se no cargo graças a um acordão com o PSDB e o próprio PT.

O afastamento de Cunha foi aprovado na Comissão de Ética com base na acusação de quebra de decoro parlamentar por manter contas secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobrás no ano passado. Segundo o relatório, trustes e offshores foram usados pelo pemedebista para ocultar patrimônio mantido fora do país e receber propina de contratos da Petrobrás.

Entretanto, esta não é a única acusação na folha corrida de Cunha. Há outras denúncias, sendo que ele já é réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal.

A decisão da Comissão de Ética não foi o único revés do deputado. No mesmo dia, Cunha e sua esposa, a jornalista Claudia Cruz, tiveram os bens bloqueados pela Justiça, em uma ação civil por improbidade administrativa, que independente de outras decisões, pode resultar na cassação dos seus direitos políticos por dez anos.

A decisão agora estará nas mãos do plenário da Câmara e Cunha já anunciou que irá recorrer junto à Comissão de Constituição e Justiça.

A aprovação da cassação na Comissão de Ética da Câmara surpreendeu o governo Temer e, longe de significar o fim da crise política, pode aprofundá-la ainda mais. Muitos temem que Cunha para se safar, quando não houver mais manobras, pode optar por uma delação premiada, o que poderia agravar perigosamente a crise política.

A aprovação do relatório pela cassação de Cunha é uma importante vitória da mobilização que criou uma forte pressão nos últimos meses, mas é ainda apenas o primeiro passo.

É preciso que os trabalhadores, a juventude e a população sigam pressionando e atentos. Se baixarmos a guarda, Cunha e todos eles se safam. Além do mais, apenas a cassação do mandato de Cunha não basta. Este corrupto tem de ser preso e obrigado a devolver todo o dinheiro que roubou.

A mobilização precisa avançar inclusive para exigir a prisão e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores e para colocarmos para fora todos eles, desde Dilma, Temer, Renan, Aécio e todos os corruptos do Congresso.


13 de junho de 2016

O arco íris foi manchado pelo vermelho sangue

13/6/2016 - Por Wilson Honório da Silva

Daqui a 16 dias, celebraremos os 47 anos da Rebelião de Stonewall, símbolo e marco da luta contra a LGBTfobia e a organização dos movimentos. Então, não há acaso nenhum que o maior massacre deste tipo nos EUA tenha ocorrido dentro de um lugar frequentado por LGBTs.

O já muito conhecido fundamentalismo criminoso, assassino e opressor do Estado Islâmico (que os sírios lamentavelmente conhecem de perto) encontrou num LGBTfóbico (que se disse enojado e agredido por um beijo entre gays que viu na rua) a parceria perfeita para mais um genocídio motivado pelo ódio à diferença, o horror à diversidade e o pavor de que todos e todas tenham o direito de viver livremente.

Sabemos que os 50 mortos e dezenas de feridos de Orlando têm uma dimensão trágica e impactante. Contudo, também sabemos que eles, lamentavelmente, irão “apenas” acelerar a macabra contagem que cerca a vida de LGBTs: a de mortos por dia.

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registradas 604 mortes no país, segundo pesquisa da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU). Só em 2012, foram feitas 3.084 denúncias de violência contra LGBTs no Disque 100.

Como constatado pelo GGB, em 2014 ocorreram 326 assassinatos no Brasil, um de nós que tomba a cada 27 horas (lembrando que no caso de negros, o dado é ainda mais macabro: um a cada 23 minutos).

Nos EUA, a barbárie que vimos hoje também ecoa no dia a dia. Em 2014, houve 1.017 ataques contra LGBTs (18,6% dos crimes de ódio). Mundo afora, assassinatos, perseguições, penas de morte, tortura, estupros corretivos e horrores similares fazem com que os jovens, homens e mulheres que perderam suas vidas de forma tão violenta, aterrorizadora e inaceitável em Orlando se juntem a inúmeros outros que sofreram uns tantos outros horrores.

Uma atualização. Li agora que a boate tava tendo uma "noite latina" e, consequentemente, a enorme maioria dos mortos já identificados é de latinos, um setor cuja opressão é histórica nos EUA e as mortes trágicas na travessia da fronteira é um prenúncio disto.

E não é de hoje. Ardemos nas fogueiras da Idade Média. Fomos mortos para o mundo através de lobotomias e uma psiquiatria perversa no século 19. Fomos encarcerados e obrigados a trabalhos forçados, seja na Inglaterra de Oscar Wilde ou na Cuba, de Reinaldo Arenas. Fomos marcados pelos triângulos rosas nos campos de concentração nazista. Fomos caçados como bruxas medievais pelo Macartismo. Etc. Etc. Etc.

Mas resistimos. Nos organizamos. We survived and will survive. E é isto que apavora fundamentalistas (de toda e qualquer religião), bolsonaros, cunhas, trumps, le pens e a canalhada toda. E é possível que muita gente interprete a matança de Orlando como mais um sinal do avanço destas garras brancas, aparentemente héteros e masculinas sobre o mundo.

É, sim, mais um sintoma da doença que se espalha pelo mundo alimentada pela ganância de 1% de endinheirados. E inegavelmente algo como o que ocorreu em Orlando causa uma revolta e uma indignação que exigem respostas imediatas e medidas ainda mais urgentes pra que coisas como estas não voltem a acontecer.

E digo mais. Se depender deles, acredito que cenas de horror tendem a se intensificar. Não porque a direita e os conversadores estão nos pisoteando numa marcha implacável ou tem mais e mais visíveis cães de guarda. O cheiro fétido da barbárie que exalou de Orlando e chega até nós é prova de que a situação é grave.

Mas, se depender deles, como disse. E isto não é novidade. É a essência da história da burguesia. O crime da escravidão, os cubículos do telemarketing (lotados de LGBTs, negras e mulheres invisibilizados por trás da voz ao telefone), o quarto-senzala-de-empregada, a dupla ou tripla jornada, os milhões de terceirizados e precarizados sem direitos e salários de forme etc. etc. são provas cruéis de como a burguesia desde sempre sabe que para explorar mais, tem que oprimir ainda mais.

Pressionados pela crise econômica e sem pestanejar na disposição de fazer com que os “de baixo” paguem por ela, além de superexplorar os(as) que são historicamente marginalizados(as), os canalhas ainda alimentam a divisão da sociedade (e principalmente da classe trabalhadora) por fronteiras raciais, de gênero, orientação sexual etc., sabendo o quanto isto contribui para minar nossas lutas e debilitar a unidades entre os oprimidos e explorados. Tenta fazer na cabeça das pessoas o que faz com os muros e cercas de arame farpado que envergonham as fronteiras da Europa, para barrar a maior onda de imigrantes e refugiados desde a II Guerra.

Por isso, como escreveu Marx, em 1870, em relação ao racismo e à xenofobia na Inglaterra, a burguesia, mesmo aquela que se diz “democrática”, não mede esforços nem meios para alimentar preconceitos, discriminações e contaminar corações e mentes de jovens, trabalhadores, mulheres, negros(as), indígenas etc. com um “antagonismo” que “é mantido vivo artificialmente, e é intensificado pela imprensa, o púlpito, os jornais cômicos, em resumo por todos os meios à disposição das classes dominantes. Este antagonismo é o segredo da impotência da classe trabalhadora inglesa, apesar de toda sua organização. É o segredo pelo qual a classe capitalista mantém seu poder. E essa classe é plenamente consciente disso”.

É daí (pra não falar da ação direta das forças de repressão em todos os seus formatos, inclusive as paramilitares, milicianas etc.) que brotam caras como o de Orlando. Desnecessário dizer que a forma de massacre é lamentavelmente típica da pra lá de adoentada sociedade norte-americana. Mas, seu ato abominável e imperdoável tem raízes na podridão de um sistema degenerado que gera excrescências como o Estado Islâmico, os supremacistas brancos dos EUA, os seqüestradores e estupradores de crianças como de Boko Haram na Nigéria.

Mas, esta é apenas uma ponta da polarização que cada vez mais intensamente caracteriza o mundo. Há muito aprendemos a lutar e resistir. Carregamos no nosso sangue -- o mesmo que com freqüência doentia jorra nos becos escuros, nas boates atacadas, nas esquinas mal iluminadas etc. -- o ousado pioneirismo de Magnus Hirschfeld, que criou, em 1897, o Comité Científico-Humanitário para lutar contra o Parágrafo 175, que criminaliza a homossexualidade na Alemanha.

Temos em nossas veias a coragem de Oscar Wilde, que se agarrou à sua dignidade e poesia mesmo quando preso. Temos a ferocidade glamorosa de esfuziante Madame Satã. Temos as garras de uma Angela Davis. Somos obstinados como Safo. Seguimos o ciclo que transcende os gêneros de Oxumaré. Temos a disposição de luta e consciência da trans negra Marsha P. Johnson, que esteve na linha de frente de Stonewall. Temos a explosão criativa do genial Paulette do Dzi Croquetes e a audácia (mesmo que sempre cercada de dor e melancolia) das pioneiras do jazz e blues 'Ma' Rainey e Bessie Smith;

Estamos fartos. Pensando em Orlando, ficamos furiosas, indignados, tristes... Mas, lamentavelmente, na mesquinharia do capitalismo isso praticamente faz parte de sermos quem somos, vivermos como vivemos, da forma que queremos ser. E algo com que nossos algozes não contam ou sempre tentam reprimir e sufocar é que não nos dobramos.

Não estamos dispostos a voltar pro guetos. Não viveremos com medo. Não queremos cura. Aliás, não temos cura mesmo: somos tão fortes que nenhum vírus pode nos exterminar. E não também não serão tiros e bombas que o farão.

As reações ao massacre (que ainda tem muito a ser apurado no que se refere à intervenção da polícia) mundo a fora demonstram que temos força. E aliados. Mulheres, como estamos vendo no Brasil, tomam as ruas, desafiam o patriarcalismo que as quer “lindas, recatadas e do lar”; escracham o machismo que as quer violentar e assediar.

Negros e negras, de forma muito especial, fazem as periferias e quebradas ferverem a cada um dos seus que é assassinado; norte-americanos ganham as ruas pra que ninguém se esqueça que “vidas negras importam”, levantam seus punhos como Panteras, libertam seus crespos como se rompessem correntes e retomassem o tortuoso fio de nossa História e erguem seus blacks, esticando com garfos os fios que unidos e entrelaçados gritam: Black Power.

E sabemos que é possível e necessário se aliar aos demais trabalhadores pra mudar o mundo. Que podemos sonhar com liberdade e temos a ousadia de construí-la contra tudo e todos. É por isso que acredito que a melhor homenagem que podemos prestar aos 50 mortos de Orlando e os tantos outros feridos, seus familiares, amores e amigos é reafirmar nossa disposição pra lutar.

Hoje, nosso arco-íris está manchado pelo vermelho sangue. Mas sou daqueles que acredita que ele ainda brilhará intenso não coberto, mas ao lado das bandeiras vermelho revolução.


Por Wilson Honório da Silva, historiador, membro da CSP-Conlutas do setorial LGBT e militante do PSTU

10 de junho de 2016

“Denunciar é fundamental e pode ajudar outras mulheres”, afirma advogada violentada em São José dos Campos

10/6/2016 - Passaram-se dez dias desde que a advogada N., de 25 anos, foi sequestrada e violentada, em São José dos Campos. Aos poucos, ela já retomou seu trabalho. Conta que decidiu voltar à rotina normal o quanto antes, mesmo em meio à agitação dos últimos dias com o inquérito iniciado após sua denúncia. “O apoio e solidariedade que tenho recebido foram fundamentais, me ajudaram bastante”, afirmou a jovem que também é militante do PSTU.

Nesta quarta-feira, dia 8, N. voltou à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), para fazer novo reconhecimento do criminoso que a atacou. Arnaldo Alves da Silva, 33 anos, já cumpriu pena pelo mesmo crime de estupro. A advogada fez o reconhecimento juntamente com outra vítima, de 17 anos, que também foi atacada por ele no mês de março.

“Conversamos lá na delegacia. Uma menina muito jovem, que também passou por esse horror. Fiquei emocionada. Ela disse que minha denúncia e o retrato falado levaram à captura desse criminoso e me agradeceu”, conta N.

“Falaram na delegacia que depois de mim, outra mulher, na mesma região onde ele me sequestrou, também foi estuprada por ele. Fico imaginando quantas outras mais ele não atacou”, disse a jovem, que apesar de tudo que vem enfrentando, tem demonstrado uma força e firmeza muito grandes.

Ela ressaltou a importância de as mulheres denunciarem o estupro e a violência machista. “Sempre defendi que as mulheres devem fazer o B.O e denunciar. Mas na hora, realmente é difícil. Num primeiro momento cheguei a ficar em dúvida. Tive medo. Você sabe que vai ter de expor tudo o que aconteceu para outra pessoa, ele me ameaçou, tirou foto dos meus documentos, disse que viria atrás de mim. Na hora você está tão fragilizada, não consegue raciocinar direito. Mas acabei reunindo força e coragem e fui à delegacia no mesmo dia”, contou.

“Fiz o que devia ser feito e todas devem fazer. Não podemos nos calar. É preciso combater o machismo e a violência. Ao denunciar você protege a si mesma e pode ajudar outras mulheres”, disse.

N. tem razão. Essa semana, a imprensa noticiou outro caso bárbaro. Em Bauru, uma menina de sete anos de idade tomou coragem para revelar que o pai tinha abusado dela, após ver na televisão a repercussão do caso do estupro coletivo da adolescente no Rio de Janeiro e as campanhas incentivando a denúncia.

Repercussão garantiu prisão de criminoso
Na maioria das vezes os casos de estupro e violência doméstica acabam engavetados, sem ir pra frente, por que os governos não têm uma política pública efetiva de combate à violência e proteção das mulheres. Os problemas são diversos. Não há número suficiente de Delegacias da Mulher no país, o funcionamento não é 24h, não há profissionais treinados para atender uma vítima de violência, as delegacias sequer têm estrutura para tocar um inquérito. Chega-se ao absurdo de nas próprias DDM ou delegacias de polícia as mulheres serem discriminadas e alvo do machismo.

O fato é que não existem investimentos por parte dos governos. Com Lula e Dilma, somado todo o investimento nos primeiros dez anos de governo do PT e dividido pelo número de mulheres no país, vemos que foi investido apenas o equivalente a R$ 0,26 para cada uma delas. Já Michel Temer nomeou para a Secretaria de Mulheres uma ex-deputada conservadora do PMDB que é contra o aborto até mesmo em casos de estupro. Tudo isso, aliado ao machismo institucionalizado e à cultura do estupro existente na sociedade, dificulta enormemente a luta contra a violência à mulher.

No caso de N., a denúncia e a batalha dada junto à DDM pela captura do estuprador garantiu outro desfecho. “Não fosse a repercussão do caso poderia ter sido muito diferente. Por isso, é preciso denunciar, procurar apoio em organizações de defesa da mulher, ir à imprensa, criar uma comoção para que a violência não fique impune”, afirma.

A jovem advogada considera ainda que a chamada cultura do estupro, que culpa e responsabiliza a mulher em casos de estupro, como ocorreu com a adolescente do Rio, é uma segunda violência que as mulheres sofrem e é um dos principais empecilhos para a denúncia.

“A culpa nunca é da mulher. Não existe roupa, lugar aonde ela possa ir, o horário em que sai. Nada disso causa o estupro. Meu caso é um exemplo. Estava com corpo todo coberto, saindo do trabalho, em plena luz do dia. Ainda assim fui atacada. Muitas estão em casa, com os maridos ou com parentes, e também são estupradas. Enfim, o estupro e a violência são frutos do machismo”, disse.

N. ainda tem muito pela frente. O inquérito está prestes a ser concluído e aí começará o processo. “Sei que terei de ir várias vezes ao fórum. Mas vai valer a pena. Esse estuprador não pode ficar solto e minha luta é para que ele fique preso por muito tempo”, disse. Ela destaca ainda as manifestações que tem tomado as ruas contra os casos de estupro e a violência à mulher. “Esse é caminho. Nós, mulheres, temos de nos unir e ir à luta. Juntas, fica mais fácil conseguir enfrentar a violência e o machismo”, concluiu.






9 de junho de 2016

Basta de racismo: a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil, destaca CPI

9/6/2016 - Mais uma vez, a política racista do Estado brasileiro e o extermínio da juventude pobre e negra são revelados por números e fatos. O relatório final da CPI do Senado sobre Assassinato de Jovens, divulgado nesta quarta-feira, dia 8, retoma o alarmante índice de homicídios de jovens negros no país e identifica os culpados: a política de segurança pública e o racismo institucionalizado no país.

A cada ano, são cerca de 23 mil jovens negros assassinados, o equivalente a 63 mortes por dia. Um a cada 23 minutos. A taxa de homicídios entre negros é quatro vezes maior à registrada envolvendo jovens brancos da mesma faixa etária.

A CPI tomou por base os números do Mapa da Violência de 2014, o mais recente feito a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, que contabiliza os homicídios de 2012: foram 30 mil jovens, de 15 a 29 anos, assassinados no Brasil, dos quais 77% foram negros.

Instalada em maio de 2015, a Comissão ouviu mais de 200 pessoas em 29 audiências públicas em vários estados, desde vítimas de violência, familiares das vítimas, professores universitários, pesquisadores, defensores públicos, secretários estaduais de Segurança e de Justiça, policiais e representantes de ONGs, entre outros.

Trecho do relatório afirma: o Estado brasileiro, direta ou indiretamente, provoca o genocídio da população negra: “A partir dos trabalhos desta CPI, somos sabedores que os homicídios da juventude negra estão de algum modo relacionados à ação ou omissão do Estado brasileiro. Seja pelo crescimento dos homicídios decorrentes de intervenção policial, muitas vezes nominados de autos de resistência; seja pela violência emergente do tráfico de drogas nas comunidades de baixa renda, resultado da ausência estatal; seja pelo racismo institucional que se infiltra nas instituições públicas e privadas. Como resultado, a população jovem negra vai sendo dizimada, com números que realmente se aproximam de uma guerra civil”.

Em outro trecho, o modelo atual de atuação policial é taxado de "falido": "O Relatório enfatiza que o ciclo completo de polícia, a carreira única, assim como a desmilitarização, não revela soluções por si sós. Todavia, asseveramos que o modelo atual está falido, não apura crimes, não sabe impedir atos de violência e promove a dizimação da população jovem, negra e pobre".

“Pesquisas e estudos confirmam o que já sabemos ser a realidade das periferias pelo país. Todos os dias, vemos as vidas dos filhos e filhas da classe trabalhadora serem interrompidas brutalmente simplesmente porque são negros”, atesta Raquel de Paula, militante do PSTU e do Movimento Quilombo Raça e Classe.

“Não podemos nos calar e aceitar o discurso da polícia e da mídia que tenta transformar os jovens negros em bandidos e, pior, justificar a barbárie policial e suas execuções sumárias, como no recente caso da morte de um menino de 10 anos”, afirmou.

“Existe no Brasil um racismo institucionalizado, que permeia todas as instituições, e uma crescente criminalização da pobreza que trata todo negro e pobre como bandido em potencial”, disse.

“A luta contra o racismo é uma luta de toda a classe trabalhadora. Precisamos fortalecer a luta pela desmilitarização da PM e pela criação de uma polícia unificada controlada pelos trabalhadores. E mais do que isso, combater os governos, como foi o Dilma e agora é o de Temer, que mantém esse Estado que patrocina o genocídio da juventude pobre e negra”, afirmou.

8 de junho de 2016

Renan, Cunha, Jucá e Sarney: Prisão já para todos eles!

8/6/2016 - O governo interino de Michel Temer (PMDB) mal começou e já ameaça acabar por WO. A revelação do pedido de prisão realizado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, e as investigações em curso fazem perguntar: quem vai restar?

Na tarde desta terça, 7, vazou o pedido de prisão de ninguém menos que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de Sarney.  Aprofunda-se uma crise já grave que atinge em cheio o governo Temer.

Pegue seu caderninho para não perder a conta. Primeiro, foi o braço direito de Temer, Romero Jucá, o homem que articulou os votos do impeachment de Dilma no Congresso e que agora ameaça passar uns tempos no xilindró. Depois foi o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, flagrado em conversas com Renan e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, manobrando na Justiça para safá-los da Lava Jato. As gravações de Machado, fruto de um acordo de delação premiada, inclusive, embasou os pedidos de prisão de Renan, Sarney e Romero Jucá, por tramarem a obstrução das investigações.

O ex-presidente teria pagado ao menos R$ 70 milhões do esquema de corrupção da Petrobrás para a liderança do PMDB. R$ 30 milhões para Calheiros, R$ 20 para Jucá e outros R$ 20 para Sarney. Edison Lobão (PMDB-MA) e Jader Barbalho (PMDB-PA) também teriam levado alguns trocos dessas tenebrosas transações.

Já o pedido de prisão de Eduardo Cunha, que vem bem tarde, se baseia em algo que não é segredo para ninguém: mesmo afastado da Câmara, o bandido continua manobrando para se safar no Conselho de Ética. Mais do que isso, Cunha vem colocando pupilos seus em postos chave do governo Temer.

Os pedidos de prisão que vieram à tona nesta terça já estariam no STF há três semanas, só aguardando decisão do relator da Lava Jato, Teori Zavascki, relator da Lava Jato.

Fora de controle
A dinâmica dos últimos dias indica um aprofundamento ainda maior da crise política que já toma por inteiro o governo Temer. A fila anda e não tem previsão de terminar: o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, foi acusado de receber grana da Lava Jato. A nova secretária da Mulher, Fátima Pelaes, além de ser contrária ao aborto e a outros direitos das mulheres, ainda é investigada num esquema de desvio de emendas parlamentares.

Nesse processo todo, o PSDB vem se desmascarando e provando cada vez mais que é tão ou mais corrupto que qualquer outro. O senador Aloysio Nunes, líder de Temer, disse que "não viu" nenhuma tentativa de obstrução da Justiça nas gravações que embasaram os pedidos de prisão. Fácil entender a posição de Aloysio, preocupado não só com o governo Temer, mas com sua própria plumagem. Neste dia 6, o STF abriu um segundo inquérito para investigar o senador Aécio Neves (MG), que ficou conhecido como "o primeiro a ser comido" após a gravação das conversas entre Machado e Romero Jucá.

Fica cada vez mais evidente que, longe de ser algo completamente instrumentalizada pela burguesia e os tucanos, a Lava Jato é expressão da crise política que está fugindo ao controle. As conversas gravadas por Machado, pouco antes da votação do impeachment, revelam uma articulação para safar os políticos e o então governo Dilma, incluindo o próprio Lula. O impeachment, ao invés de fechar essa crise, a aprofunda a cada dia.

Fora Temer, Fora Todos!
O governo Temer mal começa e já balança. É um governo mais fraco, repudiado e que tem diante de si uma tarefa inglória: aprovar as medidas exigidas pela burguesia e o imperialismo para a crise. Isso significa dar sequência ao ajuste fiscal do governo Dilma, o que inclui impor uma reforma da Previdência e trabalhista. Isso num contexto de aumento galopante do desemprego, que já atinge 11,2%, (números do trimestre encerrado em abril), o que significa 11,4 milhões de desempregados no país.

É possível e necessário derrubar esse governo, botar todos esses corruptos atrás das grades e impedir esses ataques. Os trabalhadores franceses estão dando agora um grande exemplo de luta. É preciso unificar as lutas, generalizá-las, rumo a uma grande greve geral para botar abaixo esse governo e esse Congresso Nacional. Exigir eleições gerais já e construir uma alternativa dos trabalhadores, um governo socialista dos trabalhadores formado por conselhos populares.

www.pstu.org.br

“São José em Dados”: uma cidade rica, mas para poucos

7/6/2016 - A imprensa deu destaque essa semana para um estudo divulgado pela Prefeitura de São José dos Campos sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município. Do total de 67 unidades de desenvolvimento na cidade, regiões formadas por um ou mais bairros e loteamentos, 30 delas têm o IDH considerado muito alto, 21 ficaram com IDH alto e 16 áreas classificadas como médio.

O IDH é um índice utilizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para medir e comparar o desenvolvimento de países, levando em consideração basicamente três fatores: saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (escolaridade da população) e renda municipal per capita. O número varia de 0 a 1, subdividido em faixas, sendo 1 o mais desenvolvido.

De acordo com o estudo, o IDHM médio de São José dos Campos é de 0,807, considerado muito alto (IDHM entre 0,800 e 1). Com isso, a cidade ocupa a 24ª posição no país e a 12ª posição no estado.

O ranking da qualidade de vida é encabeçado pelos bairros Aquarius, zona oeste, e Vila Ema, na região central, ambos com IDH 0,952. Na terceira posição aparecem empatados Urbanova (oeste), Vila Adyana (central) e Jardim Esplanada (oeste), com 0,932. O índice é semelhante ao de países ricos, como Noruega, Austrália e Suíça.

Na base da tabela, estão áreas com o IDH considerado médio, de 0,633: Banhado (central), Bairro dos Freitas (norte), Conjunto Habitacional São José e Sítio Bom Jesus (sudeste). O Pinheirinho, apesar de desocupado em 2012, também consta do estudo, com IDHM de 0,633, pois a pesquisa foi feita com base no censo demográfico do IBGE de 2010.

Uma cidade para poucos
O estudo revela uma discrepância na qualidade de vida em São José, mostrando a existência de bairros com índices semelhantes aos de países europeus e outros com indicadores iguais a de nações como Iraque. Ainda assim, São José não teria nenhum bairro com o IDH baixo ou muito baixo, o que pode indicar distorções do próprio índice do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Vários economistas e pesquisadores já apontaram as limitações e distorções que o IDH pode trazer, pois ao levar em conta apenas a renda per capita, escolaridade e expectativa de vida, o índice ignora outros fatores importantes para garantir a qualidade de vida, como questões como emprego, distribuição de renda, infra-estrutura, violência, etc.

“São José é uma cidade rica. Tem um PIB equivalente a R$ 28,1 bilhões, o oitavo do estado e o 21º do país. O PIB per capita é de R$ 43.643. Um valor altíssimo. Mas basta conhecer a realidade na periferia, nos bairros mais pobres, para ver que essa riqueza não reverte em serviços e benefícios à população trabalhadora e mais pobre do município”, avalia Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

“O fato é que pela política neoliberal aplicada pelos governos, seja como foi com Dilma ou é por Temer atualmente, ou ainda como foi com o PSDB ou o PT em São José, a lógica é aumentar a concentração de renda e a desigualdade social. Este é o resultado dos cortes que eles fazem nos investimentos sociais, nos serviços públicos, no sucateamento da educação e da saúde”, afirma Toninho.

"São José precisa de um governo dos trabalhadores, que coloque as riqueza da cidade a favor da maioria da população, e não a serviço de um punhado de empresários e poderosos como tem sido feito historicamente", disse.

6 de junho de 2016

Em São José, mulheres vão às ruas e dizem basta à violência machista

6/6/2016 - Dois atos levaram para as ruas de São José dos Campos, no último sábado, dia 4, o repúdio e a denúncia da violência machista que a cada dia vitima milhares de mulheres no país. Apesar do dia chuvoso, ocorreram atos pela manhã e à tarde no centro da cidade.

Com cartazes, faixas e carro de som, a manifestação organizada pelo Movimento Mulheres em Luta (MML), sindicato e PSTU chamou a atenção da população que passou próximo da Praça do Sapo, nos arredores do calçadão comercial, desde o início da manhã.

“Roupas não estupram. Lugares não estupram. Bebidas não estupram. Estupradores estupram” diziam alguns dos cartazes. “Mexeu com uma, mexeu com todas” era a frase formada por vários cartazes segurados por mulheres na manifestação.

Várias pessoas pararam para ouvir a fala dos presentes, que se revezaram no microfone do carro de som, denunciando o machismo existente na sociedade, a violência que mata, estupra, agride e assedia as mulheres. Os recentes casos dos estupros da adolescente de 16 anos do Rio de Janeiro e da advogada de São José dos Campos foram lembrados.

“Somente aqui no Vale do Paraíba, dados oficiais apontam dois estupros por dia. Mas sabemos que isso é subnotificado. A razão para isso é o medo, a vergonha, a negligência dos governos, enfim, a cultura do estupro existente na sociedade, uma cultura que absurdamente culpa a mulher e não o estuprador”, disse Janaína dos Reis, da direção nacional do MML.

Por todas elas
Já à tarde, aconteceu na Praça Afonso Pena a manifestação “Por Todas Elas”, convocada pelas redes sociais. O ato começou com intervenções artísticas e falas contra o estupro e depois seguiu em passeata até o Sesc, na Avenida Adhemar de Barros.

A manifestação reuniu cerca de 150 mulheres, a ampla maioria jovens. Várias levaram os filhos. No centro da praça, vários cartazes foram colocados no chão e denunciavam como a cultura do estupro afeta as mulheres no dia a dia. Roupas femininas manchadas de vermelho também representavam a violência.

 “Companheira, me ajude, que eu não posso andar só. Eu sozinha eu ando bem, mas com você ando melhor”, cantaram as manifestantes durante a passeata, repetindo uma das canções que já se tornaram símbolo das manifestações contra o estupro que estão ocorrendo pelo país.

Temer, inimigo das mulheres
Mas a denúncia não ficou apenas aos estupradores. Em ambos os atos, em cartazes e falas, foi lembrado que a negligência e convivência dos governos diante do machismo e falta de políticas de proteção às mulheres também são responsáveis pela violência machista. Cartazes traziam escrito “Temer, inimigo das mulheres”.

“Dilma, apesar de ter sido a primeira presidente mulher, cortou investimentos de programas de defesa das mulheres. Já Temer começou nomeando uma ex-deputada do PMDB, Fátimas Pelaes, como secretária especial de Políticas para as Mulheres. Não bastasse mais uma envolvida em denúncias de corrupção, a ex-deputada é uma reacionária que, por exemplo, é contra o direito de aborto em caso de estupro”, falou Toninho Ferreira, presidente do PSTU e suplente de deputado federal.

“No Congresso, temos figuras como Bolsonaro, Feliciano, inimigo das mulheres. Por tudo isso, na luta contra a violência às mulheres, também dizemos: Fora Temer, Fora Todos eles”, disse Toninho.























Artigo: Nossa luta é contra o estupro e a violência às mulheres

4/6/2016 - Por Janaína dos Reis

O caso do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro chocou o país. Não bastasse a brutalidade da violência, tudo foi postado nas redes sociais pelos criminosos, revelando o grau da barbárie machista que vivemos hoje no capitalismo. Esta semana, uma advogada de São José também foi violentada, comprovando que o estupro é uma tenebrosa realidade no país.

Dados oficiais revelam quase dois estupros por dia no Vale do Paraíba, mas a realidade é muito pior, pois os casos são subnotificados. Muitas mulheres não denunciam por medo, vergonha e por um motivo ainda mais grave: a cultura do estupro existente na sociedade, uma cultura que culpa a mulher e não o estuprador. Como se a roupa, o comportamento ou qualquer outra situação justificassem crimes hediondos como o estupro.

A culpa nunca é da mulher! Nenhuma mulher merece ser estuprada!

O fato é que o aumento da violência revela o grau da barbárie machista que vivemos, que leva à naturalização da violência sexual contra mulheres e a um machismo institucionalizado. A crise econômica tende, inclusive, a agravar essa crise social.

Por isso, é preciso que se diga: a violência contra a mulher não é apenas uma responsabilidade do agressor. Acima de tudo é dos governos que deveriam garantir políticas públicas para combater este tipo de situação e não o fazem.

Tanto o governo da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), quanto o governo interino de Michel Temer (PMDB), são omissos. Dilma fez um governo que cortou verbas e foi conivente com políticas contra as mulheres. Temer acabou de empossar para a Secretaria de Mulheres uma ex-deputada evangélica que é contra o aborto até mesmo em casos de estupro.

São necessários investimentos de pelo menos 1% do PIB para as políticas de combate à violência contra a mulher.

Basta de machismo! Basta desses governos que oprimem as mulheres trabalhadoras! Fora Temer, Fora Todos Eles!







Por Janaína dos Reis, dirigente do Movimento Mulheres em Luta e do PSTU SJCampos

Artigo publicado no jornal O Vale, de 4 de junho de 2016


5 de junho de 2016

Data marcada: centrais sindicais definem nova Greve Geral para 30 de junho

5/6/2017 - Reunidos na manhã desta segunda-feira, 5, em São Paulo, os dirigentes das centrais sindicais aprovaram o dia 30 de junho como data da nova Greve Geral contra as reformas trabalhista, previdenciária e as terceirizações.

Além da CSP-Conlutas, participaram da reunião a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CGTB, Intersindical, CSB e A Pública – Central do Servidor.

O calendário de mobilizações definido pelas centrais prevê ainda a realização de assembleias, plenárias e reuniões de 6 a 23 de junho para a construção dessa greve, além de atos e panfletagens no dia 20, como esquenta para o dia 30.

“A CSP-Conlutas defendeu uma greve de 48h, mas não houve consenso entre as centrais, o que achamos lamentável, mas nos somamos à convocação de uma grande Greve Geral no dia 30“, afirma Luiz Carlos Prates, o Mancha, que participou da reunião.

“Chamamos todos os nossos militantes, todos os nossos sindicatos e movimentos a ir às ruas preparar essa greve para botar abaixo as reformas e o governo Temer“, completa.

Uma nova reunião entre as centrais ocorre no próximo dia 7 para organizar a greve e as mobilizações neste mês de junho.

3 de junho de 2016

Se seguirmos o exemplo da França, Temer cai

3/6/2016 - Esta semana foi noticiado que Michelzinho, o filho de 7 anos do presidente interino Michel Temer, tem R$ 2 milhões em imóveis em seu nome. Garoto tão novinho e tão riquinho, cujo pai, na Presidência do país, não perde o sono com os milhões de pais e mães de família desempregados. Foi noticiado, também, que Lulinha, caçula do ex-presidente Lula, recebeu em sua empresa R$ 10 milhões que não se sabe bem a troco de quê.

A disparidade entre ricos e pobres no Brasil é uma das maiores do mundo. Em 2006, cerca de 5% dos mais ricos detinham 40% de toda renda do país. Em 2012, esses mesmos 5% passaram a abocanhar 44% da renda. Esse grau de desigualdade social continuou aumentando mesmo sob os governos do PT, ao contrário da propaganda enganosa do antigo governo.

Lula estava certo quando dizia que os ricos nunca ganharam tanto dinheiro como sob o seu governo. A verdade é que se destina ao pagamento de juros e encargos da dívida pública, em um ano, o equivalente ao gasto de 15 anos com o Bolsa Família. Ou seja, o governo paga a banqueiros e às pouquíssimas famílias ricas, em um ano, o que ele destina a 42 milhões de pobres em 15 anos.

Com a crise, para assegurar os lucros de banqueiros, empresários e dessa ínfima minoria de ricos e super-ricos, banqueiros, empresários e governos querem fazer os trabalhadores pagarem o pato. Vale tudo.

Demissões em massa
O desemprego subiu de novo. Segundo o IBGE, 1,5 milhões perdeu o emprego no último trimestre. Como se não bastasse, ainda tem o não pagamento de direitos, rebaixamento de salários, aumento de tarifas, cortes em educação, saúde e verbas sociais.

Aumentam a exploração de quem trabalha e o dinheiro de impostos que arrecadam, que saem também do bolso dos trabalhadores para pagar juros de agiota e remunerar os ricos detentores de títulos da dívida.

O governo Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estão propondo um teto de despesas, que implica num corte brutal de gastos públicos para aumentar ainda mais a fatia que vai para a dívida. Além disso, querem atacar as aposentadorias.

Enquanto isso, o estaleiro Inhaúma, que fica no bairro do Caju, no Rio de Janeiro, está prestes a fechar. Deu calote dos direitos nos trabalhadores e não pagou o que deve de PLR.

De um lado, um moleque burguês tem R$ 2 milhões em imóveis. De outro, milhões de trabalhadores que deixam o suor e o sangue no trabalho sendo explorados, ganhando pouco, estando a mercê do desemprego e ainda levando calote. E ainda tem o novo governo Temer (igualzinho o antigo da Dilma), esse Congresso e os patrões que querem atacar mais os debaixo, jogar a crise nas nossas costas.

Unificar as lutas e Construir a greve geral 
No estaleiro Inhaúma, os trabalhadores se revoltaram e pararam a produção passando por cima, inclusive, do sindicato da CUT e da CTB que estavam de conluio com os patrões. Sua greve é forte e radicalizada.

Mas os operários do Inhaúma não são os únicos em luta por esse país afora. Tem luta por todo lado: de operários, professores, condutores, estudantes. Só no Rio Grande do Sul, há quase 200 escolas ocupadas pelos secundaristas. No Rio, no Ceará e em São Paulo, também é forte a luta das escolas. Também está lutando muito o povo pobre da periferia, os setores populares, os negros, as mulheres, que vão às ruas contra a cultura do estupro. Que país é esse em que uma menina de 16 anos é estuprada por 33 homens e ainda é culpabilizada?

Precisamos unificar as lutas, tomar as ruas e construir uma greve geral, parar o país e botar pra fora Temer e todos eles! Precisamos também acabar com esta política econômica que tira dos pobres para dar aos ricos.

Esse governo é fraco e pode ser derrubado da mesma maneira que podemos, pela luta, derrotar o desemprego e o arrocho e fazer com que os ricos paguem pela crise.

Para fazer avançar a luta, temos de apoiar as propostas de ação da CSP-Conlutas e ter iniciativas de mobilização, de unificação das lutas e generalizá-las para derrubar Temer, mas não pra Dilma voltar. Afinal, Dilma lá estava querendo fazer o mesmo que Temer.

Por outro lado, entidades, sindicatos e assembleias devem exigir que a CUT e as demais entidades venham, efetivamente, construir a greve geral.

Se seguirmos o exemplo da França, Temer cai. “Fora Temer, Fora Todos eles!” Eleições Gerais já, com novas regras. Com nossa mobilização, podemos construir uma alternativa dos de baixo. Um governo socialista dos trabalhadores formado por conselhos populares.








Editorial do jornal Opinião Socialista 518 (adquira um exemplar com um militante)
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