Dia 5 de dezembro tem lutas por todo o país, apesar da traição da cúpula das maiores centrais

Assembleias, trancamentos de rodovias e manifestações mobilizaram trabalhadores de várias categorias

31 de maio de 2016

Palestra sobre governo Temer será adiada

31/5/2016 - Informamos que a palestra "A luta contra o governo Temer e suas reformas", que seria realizada nesta quinta-feira, dia 2, terá de ser adiada.

O palestrante, o companheiro Zé Maria, não poderá vir a São José, por compromissos de última hora.

Pedimos a compreensão de todos e gostaríamos de contar com a participação de todos na palestra que realizaremos em breve.

30 de maio de 2016

Estupro coletivo de adolescente escancara barbárie machista

30/5/2016 - Uma menina de 17 anos. Trinta homens. Um estupro coletivo filmado, fotografado e postado em redes sociais. Foi isso que aconteceu na sexta-feira, 20 de maio, no Rio de Janeiro. A garota foi encontrada nesta quarta, 25. Não precisamos entrar em detalhes aqui (imagens, comentários nojentos, descrição dos fatos). Isso já foi feito exaustivamente, principalmente pelos próprios agressores, e é preciso ter estômago forte para ver e ler. E acreditamos que o fato em si de uma adolescente ter sido estuprada por 30 homens já deva ser motivo de muita revolta e indignação.

A perversidade com que esses criminosos agiram não tem como ser medida. Submeteram uma mulher a uma violência brutal da qual ela, possivelmente, não se recuperará nunca mais. Depois, se vangloriaram da barbárie que cometeram, tripudiaram e completaram a ação com a divulgação do crime na certeza da impunidade. Até o momento, só dois dos homens tinham sido identificados. A coisa toda se agrava quando nos deparamos com comentários aprovando o estupro e humilhando ainda mais a garota.

A revolta que se transformou em reação, ainda bem, foi maior. O Ministério Público recebeu mais de 800 denúncias. Muitas, também, foram as ligações para o disque denúncia, sem falar no rechaço e na denúncia nas próprias redes.

Sem anular a responsabilidade dos criminosos, que devem ser exemplarmente punidos, temos de enxergar este fato no contexto de uma sociedade doente e não como um fato isolado. De um país em que a cada uma hora uma mulher é estuprada. De um país em que um deputado como Bolsonaro faz apologia aberta ao estupro e fica impune. Crimes como este e assassinatos contra mulheres, negros e negras das periferias e LGBTs acontecem todos os dias pela mão do Estado, seja diretamente pela polícia, seja pela disseminação da ideologia da opressão e pela impunidade e descaso completo com o tema, a começar pela falta de investimentos em políticas públicas mínimas.

Nós, mulheres, aprendemos, desde pequenas, que somos propriedade de alguém. Primeiro, do pai que nos dá ordens e controla nossas vidas. Depois, de um marido que nos dita regras e tem o direito velado de nos punir com agressões psicológicas e físicas. Junto com isso, a mídia dissemina a ideia de que somos objetos de consumo masculino e impõe um padrão a ser seguido. E, assim, se constrói o mito da inferioridade da mulher.

O machismo é parte essencial da sociedade capitalista: o capitalismo aproveita-se das diferenças para a impor uma condição de inferioridade à mulher e superexplorá-la. O machismo tem que acabar, é isso só vai acontecer com o fim desta sociedade de classes pelas mãos de homens e mulheres trabalhadores. Enquanto isso, porém, é preciso continuar combatendo todos os dias e não permitir que situações de opressão, das mais banais até as mais hediondas como esta, sigam acontecendo e passem impunes.

Por Luciana Cândido
www.pstu.org.br

25 de maio de 2016

Temer quer atacar a aposentadoria, férias, 13º salário e outros direitos. É hora da Greve geral, defende a CSP-Conlutas

25/5/2016 - Temer prepara mais ataques aos trabalhadores, o que vem sendo destaque na imprensa nos últimos dias. O jornal “Folha de S. Paulo” publicou matéria nesta terça-feira, dia 24, que afirma que “enquanto todas as atenções se voltam para as mudanças que o governo pretende fazer na Previdência, discretamente a equipe do presidente interino Michel Temer já desenha outra medida polêmica: a reforma trabalhista.”

O objetivo é flexibilizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), por meio principalmente dos acordos coletivos – o que significa retomar o que o governo Dilma tentou aplicar lá atrás como proposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: o negociado valer sobre o legislado. Ou seja, os acordos coletivos podem ser negociados sem que as leis trabalhistas prevaleçam.

Essa medida pode levar nossa classe a perder direitos históricos como férias, 13º salário, horas extras, ter salários reduzidos e o que mais o patrão desejar.

Ainda segundo a própria Folha de S.Paulo, "dessa forma, FGTS, férias, previdência social, 13º salário e licença- maternidade, entre outros, continuarão existindo obrigatoriamente, mas serão flexibilizados. Ou seja, as partes (empregadores e sindicatos da categoria) poderão negociar, por exemplo, o parcelamento do 13º e a redução do intervalo de almoço de uma para meia hora, com alguma contrapartida para os empregados. As horas gastas no transporte que contarem como jornada de trabalho — nos casos em que a empresa oferece a condução — também poderiam ser objeto de negociação”.

Essa ofensiva também daria base para que a regulamentação da terceirização, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda aprovação no Senado, siga em frente, o que permitirá a contratação de trabalhadores terceirizados nas chamadas atividades-fim das empresas, o que é proibido atualmente.

Para se ter uma ideia do que significa a fragilidade dos direitos no trabalho terceirizado, das 170 mil demissões que ocorreram na Petrobrás desde 2013, 85% são de empresas terceirizadas que prestavam serviço para a companhia, isto, além dos direitos reduzidos, jornada de trabalho extenuante e salários menores.

O atual ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB-RS), está discutindo a flexibilização do trabalho com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Filho, o mesmo que declarou em fevereiro deste ano que a justiça trabalhista precisa ser menos paternalista e que era necessário flexibilizar a CLT.

O empresariado já está alvissareiro com a notícia. O diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Alexandre Furlan, defende a necessidade das mudanças para aumentar a produtividade. “Simplesmente proteger o trabalhador, esquecendo a sustentabilidade das empresas, a competitividade e a produtividade no ambiente de trabalho, você não conseguirá avançar para uma relação de trabalho mais moderna”, declarou o empresário à Folha.  

O Brasil precisa de uma Greve Geral!   
“Para a CSP-Conlutas, é urgente e necessário discutir nas bases das diversas categorias as reformas trabalhista e da Previdência e organizar a Greve Geral. Temer tentará impor o que o governo Dilma sempre quis fazer e não conseguiu. A classe trabalhadora precisa estar preparada para defender seus direitos”, frisa o membro da Secretaria Executiva Nacional Atnágoras Lopes.

Atnágoras lembra que a ofensiva aos direitos dos trabalhadores faz parte de um ataque do capitalismo mundial: “Basta observarmos as lutas que vem sendo travadas por exemplo na França. Os motivos são os mesmos; se não organizarmos uma forte resistência, perderemos direitos”, ressalta.

A CSP-Conlutas, assim como está fazendo contra a reforma da Previdência, faz um chamado para que as centrais sindicais, CUT, CTB, Força Sindical, entre outras, saiam em defesa dos direitos trabalhistas.

“Chamamos essas centrais para que sejam coerentes com sua posição ao afirmarem estar contra mexer nos direitos trabalhistas e ajudem a convocar e organizar uma luta unificada dos trabalhadores rumo à Greve Geral em defesa dos direitos trabalhistas, previdenciários e da aposentadoria, assim como para derrubar o governo Temer e seus planos, e todos aqueles que tentarem implementá-los”, afirmou Atnágoras.


CSP-Conlutas

23 de maio de 2016

“Licença” de Romero Jucá é pouco: ele precisa ser cassado e preso. Fora Temer, Fora todos eles!

23/5/2016 - O governo de Michel Temer (PMDB) ainda não chegou a 15 dias de existência, mas nesta segunda-feira, dia 23, já caiu um dos homens fortes do novo “velho” governo. Romero Jucá anunciou seu licenciamento do Ministério do Planejamento, após divulgação de conversa em que ele sugere um acordão para travar a Operação Lava Jato.

O diálogo entre Jucá e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobrás), foi divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira e caiu como uma bomba no governo Temer.  A conversa aconteceu em março, semanas antes da votação do processo de impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados.

Na gravação, Sérgio Machado diz a Jucá que novas delações na Lava Jato não deixariam "pedra sobre pedra" e que seria necessário "montar uma estrutura" para que a investigação contra ele, Machado, não fosse remetida ao juiz federal Sérgio Moro. Segundo ele, o avanço da investigação complicaria outros do PMDB.

Jucá responde que a mudança do governo traria um quadro favorável. "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", afirma Jucá, no diálogo.

Na gravação que tem duração de mais de uma hora, os dois citam Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Aécio Neves e Lula, revelando que a intenção não era salvar apenas o PMDB, mas também o PSDB e Lula (PT) (confira trechos divulgados pela Folha).



Fora Jucá! Fora Temer! Fora Todos Eles! Eleições Gerais já!


Principal homem forte e articulador do governo do PMDB, Romero Jucá é um notório corrupto e, assim como Sérgio Machado, é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) em processos da Lava Jato. Aliás, nada menos que sete ministros, além do próprio Temer, são investigados pela Lava Jato.

Afastando Jucá, Temer quer estancar a crise e preservar seu mal iniciado governo que, carece de legitimidade e apoio popular, mas corre contra o tempo para aplicar a ferro e fogo o ajuste fiscal que Dilma começou, mas não conseguiu terminar.

Por isso, apenas a licença de Jucá do Ministério do Planejamento e sua volta ao mandato de senador não é suficiente. Jucá tem de ser cassado, preso e ter os bens confiscados. Mas não só ele.

Temos de botar pra fora Temer, Renan, Dilma, Aécio e todo esse Congresso de picaretas e derrotar o ajuste fiscal e os ataques aos trabalhadores. Fora Todos! Fora Temer! Eleições Gerais já! Greve Geral para por todos eles para fora e construir um governo socialista dos trabalhadores!



"Novo governo, velha política": governo Temer será tema de palestra no próximo dia 2 de junho na sede do PSTU

23/5/2016 - Em menos de quinze dias, o governo de Michel Temer (PMDB) já mostrou a que veio. O presidente interino tem anunciado uma série de ataques, que vão desde uma nova Reforma Previdência, privatizações, flexibilização dos direitos trabalhistas, criminalização dos movimentos sociais, entre outros. Temer quer avançar os ataques que Dilma começou, mas não conseguiu concretizar.

Mas se os ataques não demoraram, os podres desse governo também não. Com um ministério formado por corruptos notórios, como Romero Jucá (PMDB), inclusive vários investigados na Lava Jato, o governo Temer tem um verdadeiro "telhado de vidro", possui uma alta rejeição popular, em meio ao aprofundamento das crises política e econômica.

Para discutir o perfil deste governo, o que ele reserva aos trabalhadores e os desafios no próximo período, o PSTU realiza uma palestra em sua sede em São José dos Campos: "A luta contra o governo Temer e suas reformas".

A palestra será realizada no próximo dia 2 de junho, quinta-feira, às 18h30, com as presenças de Zé Maria, presidente nacional do PSTU, Ernesto Gradella, ex-deputado federal, e Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

Compareça!

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20 de maio de 2016

Com arrecadação em queda, governo Carlinhos vende ações da Sabesp

20/5/2016 - Sem alarde, o governo Carlinhos Almeida (PT) vendeu 3,2 milhões de ações da Sabesp controladas pelo município por R$ 71,9 milhões. A notícia ganhou destaque no jornal O Vale no último dia 14. Segundo a BM&FBovespa, a operação foi concretizada no dia 25 de fevereiro e cada ação foi vendida a R$ 22,14.

É um significativo ativo do município que foi para os cofres da iniciativa privada. As ações da Sabesp foram adquiridas durante a renovação do contrato com a empresa em dezembro de 2008, por 30 anos. À época, a Prefeitura de São José dos Campos passou a ser uma das maiores acionistas da Sabesp, com mais de R$ 150 milhões em ações.

A Prefeitura alega que a venda foi vantajosa para reforçar o caixa municipal que enfrenta queda na arrecadação. No dia 13 de maio, os papéis da Sabesp fecharam o dia valendo R$ 26,89.

Crise e contingenciamento
A venda de ações da Sabesp se soma a outras medidas, de busca de receitas e contenção de gastos, tomadas pelo governo Carlinhos em meio à queda na arrecadação municipal.

A arrecadação de São José dos Campos teve uma redução real de quase 10% neste ano, segundo balanço divulgado essa semana (16) pela Secretaria da Fazenda. As receitas correntes, entre janeiro e abril, foram de R$ 716 milhões, uma queda real de 9,8% em relação aos quatro primeiros meses de 2015, levando-se em conta a inflação medida no período.

Os principais tributos recebidos pelo município tiveram resultados negativos. Os repasses do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) tiveram recuo real de 9,2%, o IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores) teve redução real de 3,8% e o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) de 1,1%.

No início do ano passado, Carlinhos anunciou um contingenciamento de 7% nas chamadas despesas de custeio. Em setembro, a Prefeitura decidiu leiloar veículos oficiais, cortar horas extras do servidor municipal e reduzir a jornada de trabalho do funcionalismo. Esta última medida, porém, foi deixada de lado cinco dias após o anúncio diante da repercussão negativa.

Mas, como se diz popularmente, o buraco é mais embaixo. Houve cortes de convênios mantidos pela Prefeitura e tem havido constantes atrasos no repasse de verbas a fornecedores, que já resultaram em greves e protestos de funcionários terceirizados que ficaram sem receber salários das empresas. Nas UBS (Unidades Básicas de Saúde) faltam materiais básicos, como medicamentos e curativos.

Para o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal Toninho Ferreira, de fato, a crise econômica atingiu em cheio as receitas de estados e municípios. Porém, não se trata apenas dos efeitos da crise como algo externo.  “A situação é agravada por uma política que vem de muito antes, fruto de má gestão do dinheiro público, políticas de desonerações fiscais às empresas e do velho mecanismo da Dívida Pública”, opina Toninho.

“São José de fato tem um quadro melhor se compararmos com outras cidades, como o Rio de Janeiro, por exemplo, onde se chegou ao fundo do poço. Mas, aqui também se penaliza a população quando há falta de medicamentos básicos nas UBS, por exemplo, ou quando lembramos de casos como o escândalo do superfaturamento dos kits escolares”, disse.

“O problema é que a solução que os governos têm adotado, seja em nível federal, estadual ou municipal, é a velha fórmula de se desfazer de ativos, como essa venda de ações da Sabesp, privatizações, cortes nos serviços públicos e ataques aos trabalhadores municipais”, afirmou Toninho.

“Se há queda na receita, o governo que tome medidas como reduzir o custo da máquina, acabando com a farra dos cargos comissionados e privilégios, reduzindo os salários dos eleitos para que ganhem o mesmo que um operário especializado, a cota a que cada vereador tem direito, entre outras, que não sejam às custas do sacrifício da população”, disse.

“Se depender dos governantes, a crise será jogada nas costas do povo. Só com muita luta, como tem feito os servidores públicos em greves pelo país, a juventude mobilizada em defesa da educação pública, entre outras, pode derrotar essa política econômica que visa jogar nas costas dos trabalhadores os efeitos da crise”, concluiu Toninho.

Pedro Parente, ex-ministro de FHC e alvo da Justiça, é o novo presidente da Petrobrás

20/5/2016 - O governo interino de Michel Temer segue montando seus ministérios e as direções de bancos e empresas públicas com “a mais fina flor da burguesia”. Depois de reunir no primeiro escalão, nada menos que sete ministros alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a Lava Jato, nesta quinta-feira foi anunciado o presidente da principal estatal brasileira, a Petrobrás. Trata-se de Pedro Parente.

Ex-ministro de FHC, um dos governos mais privatistas da história, Parente é alvo da Justiça por despejar dinheiro público a bancos privados, através do antigo Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).

Engenheiro formado pela Universidade de Brasília (UnB), Parente foi três vezes ministro no governo Fernando Henrique Cardoso, comandando o Planejamento, Minas e Energia e a Casa Civil. Passou a atuar no setor privado e foi presidente da Bunge Brasil e da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA). Atualmente, ocupa a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, mandato para o qual foi eleito em março do ano passado.
 
Além de ministro de FHC com o nome sujo na Justiça por beneficiar bancos privados, Parente foi um dos principais defensores de Henri Reichstul, ex-presidente da Petrobrás (1999 a 2001), quando este teve um dos seus períodos mais sombrios como presidente da Petrobrás, em 2001. Para quem não se lembra, Reichstul foi o pai da famigerada tentativa de alteração do nome da Petrobrás para Petrobrax, símbolo da tentativa de privatização da companhia.

Foi também durante sua gestão que a empresa viveu dois dos seus episódios mais trágicos da história: o acidente da P-36 na Bacia de Campos, que resultou na morte de 11 trabalhadores, em março de 2001, e o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, em 2000. Na época do acidente da P-36, pressionado pelo movimento sindical e até mesmo pela classe política, Reichstul estava com a cabeça a prêmio e teve como um dos seus principais aliados e defensores justamente Pedro Parente, na época conselheiro diretor remunerado da Petrobrás.

Privatização sob o véu de uma “gestão profissional”
Em palestras ministradas por ele, não foram poucas vezes em que criticou a "ineficiência do Estado" e a "inatividade do funcionalismo", assim como não foram poucas vezes que defendeu o estabelecimento de metas rígidas, argumentos que sabemos serem utilizados por todos aqueles que defendem o Estado mínimo e o “deus mercado”.

Privatização que, lembremos, já está em curso desde o governo Dilma com a venda de ativos, a terceirização, a manutenção dos leilões de petróleo e o recente projeto de lei que aprofunda ainda mais a entrega do pré-sal ao estrangeiro ao tirar a exclusividade de operação da Petrobrás sobre o pré-sal, assim como sua participação (obrigatória) de ao menos 30% nos campos de exploração.

A estratégia de Temer, neste caso, é diferente daquela adotada por Dilma quando nomeou Aldemir Bendine como presidente. Ao menos na aparência. Por ter sido muitos anos atrás funcionário de carreira do Banco do Brasil, Bendine teve sua chegada celebrada por alguns setores do movimento sindical. Na época, chegou-se a afirmar que ele fortaleceria o caráter nacional da empresa.

Grande engano. Foi pelas mãos de Bendine que o governo implantou na Petrobrás a política de desinvestimentos, iniciando uma triste temporada de venda de ativos e tentativas de retirada de direitos, que levou a categoria a responder com uma das maiores greves de sua história – certamente a maior desde 1995. Foram 23 dias de greve contra o desinvestimento e os ataques aos nossos direitos.

Agora, sem cerimônia, Temer irá tentar impor para a Petrobrás não apenas a manutenção de todos os ataques iniciados no último governo, mas se possível aprofundá-los. Em todas as entrevistas dos ministros nomeados por ele, ficou nítida a intenção de agradar ao mercado com fortes ataques aos direitos da classe e ao patrimônio púbico do país.

O que fica de lição dos ataques que a categoria já vem enfrentando, e daqueles que certamente Temer tentará aplicar com ainda mais força, é a necessidade de enfrentar qualquer governo que insista em entregar o pré-sal e privatizar a Petrobrás.

Não importa a forma como os ataques são desferidos, não importa se a tentativa de privatizar a empresa é a conta-gotas ou numa tacada só. Em qualquer uma das alternativas, é preciso lutar. O que está em jogo não são apenas nossos direitos e empregos, são os maiores patrimônios deste país: o pré-sal e a Petrobrás.

Informações: Sindipetro-LP




19 de maio de 2016

Prefeitura de São José investe em “operação antipoeira”, uma medida paliativa e polêmica

19/5/2016 - Só quem mora em ruas que não são asfaltadas conhece bem os problemas enfrentados, seja na época do calor ou das chuvas. Quando não é aquele “poeirão” que torna o ar insuportável, é a lama na época das chuvas, que chega a impedir o tráfego de carros, ônibus e até bicicletas. Esta é uma triste realidade principalmente na periferia e é por isso que o asfalto costuma ser uma das principais reivindicações da população.

Em São José dos Campos, o governo Carlinhos (PT) lançou no final do ano passado a chamada “Operação Antipoeira”, um sistema que consiste na aplicação de um composto com óleo de xisto betuminoso em ruas e estradas de terra do município. O material imita a aparência de uma pavimentação convencional, mas não é asfalto.

Medida paliativa
Segundo a Prefeitura, as características do produto permitem que ele seja aplicado em locais com baixo volume de tráfego. São José seria a primeira cidade do estado a utilizar o método. Trata-se de uma alternativa de baixo custo, entre 20% e 40% mais barato que o asfalto convencional.

Em ano eleitoral, a Operação Antipoeira tem sido usada pelo governo do PT como um trunfo para centenas de famílias que moram em bairros sem infra-estrutura da cidade.

À primeira vista, o resultado pode parecer satisfatório, afinal, a impermeabilização que o material possibilita elimina a poeira e a lama. Entre continuar vivendo em meio ao pó e a lama, obviamente, que a população tem aprovado a obra.

Mas a realidade é um pouco mais complexa. Este tipo de asfalto tem durabilidade bem inferior à pavimentação comum e o uso do xisto ainda tem muita polêmica em relação aos impactos ambientais e à saúde.

"A extração do xisto recebe críticas quase que unânimes da comunidade científica, por ser um processo muito mais poluente que o próprio petróleo. Porém, ao mesmo tempo, é muito mais barato, sendo uma das principais fontes de energia hoje nos EUA, mas proibido em alguns países, como a França, por exemplo. O método de extração, chamado fracking, é bastante agressivo”, explicou o ambientalista e advogado Denis Ometto.

Entre os problemas causados, segundo o ambientalista, estão a contaminação de aquíferos, solo e lençol freático, grande quantidade de água necessária no processo, retirando-a dos ecossistemas locais, poluição por carbono 20% maior que a da extração de carvão, podendo ter relação até com terremotos, entre outros.

“Só a extração do xisto já causa um impacto gigantesco e o seu uso não deveria ser incentivado, principalmente pelo poder público”, opina Ometto.

“A Prefeitura diz que o óleo não é poluente, porque usam solventes leves e que o solo é preparado para receber o produto. Mas, isso não convence. Não está descartado que o composto possa causar contaminação no solo e penetrar até o lençol freático. Essa camada, com o tempo e com o tráfego de veículos vai se desgastando. E aí, na minha opinião, surge um outro problema. Com o desgaste, o composto vai se esfarelando aos poucos e gerando uma poeira mais nociva que a terra. A inalação pelas pessoas pode trazer efeitos nocivos em pulmões e vias respiratórias”, disse Ometto.

“Acredito que o uso do xisto betuminoso não é a solução para a poeira, porque é uma solução muito temporária, bem meia boca, e pode ter efeitos nocivos à saúde. A melhor solução seria a pavimentação com bloquetes sextavados, que, inclusive, não impermeabilizam o solo 100%, deixando a água da chuva penetrar na terra, como deve ser. Outra solução é o asfalto feito a partir de pneus reciclados, que já existe e é usado em alguns locais do país”, concluiu o ambientalista.

18 de maio de 2016

O exemplo que vem da França: trabalhadores vão às ruas novamente contra Reforma Trabalhista

18/5/2016 - A França vive essa semana uma nova onda de protestos, com bloqueios de estradas, greves e manifestações, organizados por sete sindicatos do país. Desde ontem estão ocorrendo protestos, que devem se estender até esta quinta-feira, dia 19. O alvo segue sendo a Reforma Trabalhista baixada pelo governo do presidente François Hollande.

Na terça-feira houve bloqueios de estradas em Caen, Lorient e Géant, assim como de vários pedágios em rodovias de diversas regiões do país. Os caminhoneiros também fecharam o acesso a pontos estratégicos de Bordeaux e Marselha, bem como os acessos à refinaria de Donges e os portos de Le Havre e Saint Lazare.

Estudantes de dezenas de colégios se uniram às paralisações e a diversas manifestações. Em Nantes, grande parte dos ônibus urbanos não circulou. Na Bretanha, um trem de alta velocidade foi bloqueado por pessoas nos trilhos. Em Toulouse, os sindicalistas bloquearam a entrada no escritório de um deputado socialista com tapumes. Em Perpignan, vários parlamentares foram encurralados quando se dirigiam ao aeroporto para viajar a Paris. Muitas sedes regionais dos socialistas estão sendo protegidas pela polícia.

Brutal ataque aos direitos
Desde março, o país vem sendo sacudido por uma onda de protestos massivos, que já mobilizaram centenas de milhares de pessoas. Já ocorreram quatro dias de greve geral em março e abril, além do surgimento de um movimento de esquerda, o Nuit Debout, que ocupa a Praça da República, em Paris.

Sob a falsa justificativa de combater o desemprego, a chamada Lei El-Khomri (uma referência ao nome da ministra do Trabalho, Miriam el-Khomri), na realidade traz graves ataques aos direitos dos trabalhadores franceses.


A lei prevê o aumento do tempo máximo de trabalho diário, que agora poderá chegar a 12 horas, e semanal, de até 60 horas, além de fixar critérios menos exigentes para as demissões “econômicas”, aquelas realizadas em razão de crise e queda da receita das empresas. O suplemento pago por horas-extras também será reduzido de até 50% para 10%, as indenizações na Justiça do Trabalho terão uma tabela com valores máximos para referência dos juízes e os sindicatos majoritários não poderão mais vetar acordos entre patrões e empregados.

Com forte oposição popular e crise dentro do próprio Partido Socialista, o governo Hollande decidiu passar a reforma a força e, no último dia 10 de maio, apelou a um decreto, que pela legislação francesa só pode ser utilizado em casos de exceção. Assim, o projeto foi baixado sem votação no Parlamento e agora será debatido em junho no Senado e voltará à Câmara Baixa para uma adoção definitiva prevista antes do fim de julho.


Não às políticas de austeridade e ajuste. Que os ricos paguem pela crise!
As paralisações têm envolvido diversas categorias, como trabalhadores dos transportes, dos Correios, servidores, professores, médicos da rede pública, estudantes e aposentados.

De cada 10 franceses, sete apoiam os protestos, segundo pesquisas. Já a popularidade do presidente Hollande, que está intransigente em impor esta lei de austeridade, está no chão. Um ano antes das eleições presidenciais, o francês amarga uma popularidade de apenas 17%.

A mobilização que sacode a França nos últimos meses revela uma forte resistência popular à Reforma Trabalhista do governo de François Hollande, que nada mais é que mais uma medida de ajuste fiscal para jogar nas costas dos trabalhadores e do povo a conta da crise, a exemplo do que também está acontecendo no Brasil. Os ataque são os mesmos.

Aqui no Brasil, o governo Temer quer impor vários ataques aos direitos, muitos dos quais foram iniciados ou tentados ainda no governo Dilma. Aqui também querem fazer uma nova reforma da Previdência, com a imposição de uma idade mínima para aposentadoria, e também fazer uma reforma Trabalhista, com a ampliação da terceirização e de permitir que o negociado sobreponha o legislado para flexibilizar direitos.

Os trabalhadores franceses estão dando um grande exemplo de resistência e luta. Toda solidariedade!

Aqui também precisamos organizar uma Greve Geral para derrotar o ajuste fiscal e por fora Temer, Dilma, Renan, Aécio e todo esse Congresso. Fora todos eles! Eleições Gerais já! Por um governo socialista dos trabalhadores, baseado em Conselhos Populares.



Com informações Estadão e El País



17 de maio de 2016

Artigo: "O PSDB, o Pinheirinho e a merenda"

17/5/2016 - Por Toninho Ferreira
Uma onda de ocupações escolares voltou a sacudir o Brasil nas últimas semanas. São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará estão com centenas de escolas ocupadas por estudantes secundaristas em uma forte mobilização em defesa de uma educação pública e de qualidade.

As mobilizações colocam em xeque a política de desmonte que os governos estão impondo à educação pública e protestam contra o sucateamento das escolas, os cortes nos orçamentos e a corrupção.

O caso de São Paulo é emblemático. No estado mais rico do país, a educação vive um verdadeiro desmonte, com queda de investimento nos últimos anos.

Depois das mais de 200 escolas ocupadas no ano passado, contra a proposta de reorganização da rede feita pelo governo Alckmin (PSDB), este ano são os estudantes de várias Etecs (escolas técnicas estaduais) que ocuparam as unidades e um dos motivos é a falta de merenda escolar.

Isso mesmo. Falta merenda escolar no governo que está envolvido no escândalo de corrupção denominado “máfia da merenda”, um esquema de superfaturamento, fraude e desvio de verba de merenda escolar, envolvendo a Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) que, em troca de contratos, pagava propina a deputados, funcionários estaduais e de prefeituras.

Entre os investigados estão membros graúdos do governo Alckmin e do PSDB, entre eles, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez, e do ex-chefe de gabinete da Secretaria de Educação, Fernando Padula.

Vale lembrar que o deputado estadual Fernando Capez (PSDB) é irmão do juiz auxiliar do TJ-SP Rodrigo Capez, o mesmo que coordenou a violenta ação de despejo no Pinheirinho, responsável pelo festival de irregularidades jurídicas que aconteceram ali. Já Padula foi o mesmo que ordenou uma brutal repressão aos estudantes secundaristas em dezembro de 2015.


É como sempre dizemos: o dinheiro que falta na saúde, educação e nas áreas sociais vai para os ralos da corrupção.

Diante das ocupações das Etecs, Alckmin e o presidente da Alesp Fernando Capez agem com truculência e brutal repressão sobre os estudantes. Mas em relação à máfia da merenda, o PSDB não consegue dar uma resposta convincente. Ao contrário, Alckmin segue defendendo Capez e deu novo cargo a Padula.

A fraude envolvendo as merendas das escolas paulistas é mais um escândalo tucano que se soma ao grande esquema de corrupção nas obras do Metrô, que atravessou todos os governos do PSDB, desde Mário Covas, e segue até hoje sem punição de corruptos e corruptores.

O escândalo desmascara também o discurso demagógico dos tucanos que tentaram tirar proveito da Operação Lavo Jato para denunciar o PT. Mas seja na Lava Jato ou na máfia da merenda, o modus operandi da corrupção é o mesmo, revelando que PT, PSDB, PMDB são farinha do mesmo saco.

A lógica de Alckmin, assim como foi o governo Dilma e agora como também propõe Michel Temer, é aplicar um duro ajuste fiscal para que os trabalhadores e a juventude paguem a conta da crise econômica.

Só a luta unificada dos trabalhadores e estudantes pode derrotar os governos e seus ataques. É preciso uma forte greve geral no país para por para fora todos eles: Dilma, Temer, Aécio, Alckmin e esse Congresso Nacional, e derrotar essa política econômica que visa jogar nas costas dos trabalhadores os efeitos da crise.








Toninho Ferreira, presidente do PSTU São José dos Campos e suplente deputado federal

Artigo publicado no jornal O Vale, de 17 de maio de 2016

13 de maio de 2016

Governo Temer quer deslanchar ataques gestados no mandato de Dilma

13/5/2016 - Em menos de 24 horas o governo Temer já mostra a que veio. Privatização, arrocho fiscal, desmantelamento do Estado e dos serviços públicos, além de criminalização dos movimentos sociais fazem parte do programa que já vinha sendo implementado pelo governo do PT e que toma agora continuidade sob a batuta de Temer e um espectro de ministros vindos diretos de um filme de terror.

Temer, cuja ficha corrida não é nada curta, cercou-se de uma horda de corruptos. De seus 23 ministros, pelo menos 11 estão enrolados na Justiça, sete são citados e três investigados pela Lava Jato, incluindo o ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR), nome forte do governo Temer.

Em seu discurso de posse, Temer já indicava suas prioridades. Nesta sexta, 13, o recém-nomeado ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o ministro sonhado por Lula para o governo Dilma, deu alguns detalhes do que o governo planeja. Entre as medidas mais gerais anunciadas está a "desindexação" a fim de estabelecer limites para o gasto público. Entenda-se por isso o fim de reposições da inflação a auxílios como Bolsa Família, aposentadorias, salário mínimo, salários dos servidores, etc.

Coincidência ou não, o governo Dilma enviou recentemente um Projeto de Lei ao Congresso que estabelece justamente um mecanismo de limite dos gastos públicos, inclusive com "gatilhos" que vão da revogação de reajustes ao funcionalismo à anulação do aumento do salário mínimo.

Entre as medidas de ajuste fiscal, a prioridade de Meirelles é a reforma da Previdência, com o estabelecimento da idade mínima para se aposentar. A mensagem é clara: o peso da crise será jogado nas costas dos trabalhadores, da população pobre e dos aposentados a fim de continuar pagando os juros da dívida aos banqueiros. Esse é o "sacrifício" que vem sendo falado pelo governo e grande parte da imprensa.

Outra pauta colocada na mesa do governo Temer é a reforma trabalhista, chamada de "modernização" pelo recém-empossado ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB-RS). Hoje isso vem acontecendo via PPE (Projeto de Proteção ao Emprego), elaborado pela direção da CUT e implementado via Medida Provisória por Dilma, que reduz em até 30% o salário dos trabalhadores das empresas inscritas no programa. Além disso, o projeto de terceirização aprovado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve ser retomado.

Já o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, não foi nada discreto ao anunciar as diretrizes do governo: "A ordem é privatizar ou conceder tudo o que for possível na área de infraestrutura", declarou à imprensa. E o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, conhecido por sua ligação com a organização criminosa PCC, declarou que os movimentos sociais serão "combatidos" como crimes. Moraes foi o responsável, quando Secretário de Segurança de São Paulo, por enviar a Tropa de Choque à escola técnica ocupada por estudantes, à revelia da própria Justiça, que determinou a saída dos policiais. Para isso, a Lei Antiterrorismo enviado por Dilma e aprovada no Congresso, deve servir como uma luva.

Greve Geral para colocar todos eles para fora!
Não é à toa que pelo menos sete ministros de Temer, 1/3, tenham composto a base dos governos do PT. Tentam destravar os projetos e medidas gestados durante o governo Dilma e que hibernavam no Congresso Nacional ou no Planalto por conta da crise política.

Isso reforça a necessidade do insistente chamado realizado pela CSP-Conlutas e pelo Espaço Unidade Ação a centrais e organizações como CUT, CTB e MST, para que venha construir uma Greve Geral para parar esse país. Não uma greve para que saia Temer e volte Dilma, mas sim uma greve geral para colocar todos eles para fora e derrotar essa política econômica e ataques.

12 de maio de 2016

Senado aprova o afastamento de Dilma: Fora Temer, Fora Dilma, Fora todos!

12/5/2016 - Na madrugada desta quinta-feira, 12, o Senado aprovou por 55 votos contra 22 a continuidade do impeachment. Era preciso apenas maioria simples para a aceitação do processo. Com a decisão, Dilma fica afastada por um prazo de até 180 dias, quando uma nova votação no Senado chancelará ou não o impeachment.

Embora ainda não esteja confirmado o impeachment, poucos acreditam que Dilma voltará à presidência. Para todos os efeitos, a partir de agora, Temer, o vice escolhido pelo PT para a chapa presidencial e ex-articulador político de Dilma, torna-se o presidente do país.

Mais uma vez, um show de hipocrisias
A votação do Senado não teve o mesmo espetáculo grotesco da Câmara, com parlamentares dedicando seus votos aos filhos, ou homenagens a torturadores. Mas nem por isso foi menos hipócrita. Se na Câmara a votação foi comandada pelo corrupto Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Senado, o processo foi tocado pelo não menos corrupto Renan Calheiros (PMDB-AL), visto como aliado do Planalto. E contou com cenas como a do senador Fernando Collor (PTC-AL), o primeiro presidente que sofreu impeachment e que responde hoje por inúmeras denúncias de corrupção, votando num outro processo de impeachment. O mesmo Collor que era até ontem aliado de Dilma.

Se o Senado tenta passar um ar mais sério e solene que a Câmara, os corruptos são os mesmos, só estão em menor número. Nada menos que 49 dos 81 senadores eleitos são investigados por algum crime, segundo levantamento da Transparência Brasil. Grande parte deles, assim como Collor, compunha a base aliada de Dilma e formava parte de seu governo, como o senador Romero Jucá, ex-líder do governo no Congresso e que agora é líder do governo Temer em formação.

Temer vem continuar o trabalho de Dilma
Se Dilma não tinha nenhuma legitimidade para governar, muito menos Temer. Dilma mentiu aos trabalhadores e à população, disse que não atacaria os direitos e foi justamente o que fez. Pois bem, Temer também faz parte dessa farsa. E também foi eleito com o dinheiro das mesmas empreiteiras que irrigaram a campanha do PT e cujos donos estão ou estiveram atrás das grades.

Temer está sendo alçado à presidência por esse Congresso Nacional, e parte da burguesia que até ontem estava com Dilma, para dar continuidade à política de ajuste fiscal e ataques realizados pelo governo do PT até quando pôde.

Seu plano de governo prevê a reforma da Previdência, trabalhista e ainda mais arrocho, exatamente o que Dilma vinha fazendo. Até mesmo o ministro da Fazenda anunciado por Temer, Henrique Meirelles, era o preferido por Lula para comandar a economia. Assim como o PT, Temer governará para os banqueiros, grandes empresários e fazendeiros.

Mas não será um governo sem crises. A economia só piora, a crise política está longe de terminar e até mesmo a burguesia e o imperialismo são céticos quanto a possibilidade de Temer conseguir
governar e muito menos impor as medidas que exigem.

Greve Geral para colocar para fora todos eles
A votação do impeachment, tanto na Câmara quanto no Senado, reafirma ainda mais o repúdio da população a esse governo e a esse Congresso Nacional. Dilma amarga o justo repúdio da classe trabalhadora e Temer não consegue nem andar pela rua sem ser xingado. O povo, os trabalhadores e a classe operária não querem Dilma, nem Temer e nem esse Congresso.

O PT, por sua vez, que ensaiou uma ferrenha oposição ao governo Temer, já vem mudando seu discurso. "Não esperem de nós gestos incendiários", chegou a discursar o líder do PT no Senado, Humberto Costa. Especula-se ainda uma aproximação entre Lula e Temer num futuro próximo. E nas eleições municipais deste ano, o PT está liberado para fazer alianças com o “golpista” PMDB.

Já o dia de greve geral anunciado pela CUT nesse dia 10 foi um rotundo fracasso, reduzindo-se a alguns cortes de estrada sem qualquer manifestação de massas. Fato bastante previsível, pois é simplesmente impossível mobilizar os trabalhadores na defesa de um governo traidor e repudiado. Que o diga a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que, ao tentar defender Dilma nas portas das fábricas, são vaiados e rechaçados pelos operários.

O PSTU reafirma o seu chamado à direção da CUT, CTB, MTST e demais organizações e entidades dos trabalhadores para que rompam definitivamente com a defesa desse governo e venham, junto à CSP-Conlutas e demais entidades do Espaço Unidade de Ação, construir uma Greve Geral que pare esse país. Não uma Greve Geral para que saia Temer e volte Dilma. Mas uma Greve Geral para pôr todos pra fora todos eles: Dilma, Temer, Aécio e esse Congresso Nacional, e derrotar essa política econômica que visa jogar nas costas dos trabalhadores os efeitos da crise.

O PSTU alerta, porém, que só conseguiremos de fato mudar esse país e impor as conquistas que precisamos através um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares construídos nas lutas. Enquanto não temos esses conselhos, exigimos eleições gerais já, para todos os cargos. Não reconhecemos qualquer legitimidade nesse Congresso corrupto tirar ou pôr quem quer que seja. O povo é quem deve escolher quem entra no lugar de Dilma. Mas eleições com outras regras, sem financiamento das empreiteiras ou a participação dos corruptos, com tempo igual de televisão e mandatos revogáveis, sem qualquer privilégio e salário igual ao de um operário ou professor.



6 de maio de 2016

Aumenta luta em Jacareí contra arrocho salarial imposto pelo governo Hamilton (PT)

6/5/2016 - Na quarta-feira, dia 4, a sessão ordinária da Câmara de Jacareí foi paralisada, mais uma vez, pela manifestação dos servidores do funcionalismo municipal. Foi a terceira vez consecutiva que os vereadores tiveram os trabalhos interrompidos por servidores de várias categorias em protesto por reajuste salarial.

Nossa data-base é em março, mas até agora a Prefeitura segue intransigente nas negociações. O prefeito Hamilton Mota (PT) quer impor apenas 5% de reajuste e encaminhou projeto aos vereadores, numa demonstração de total desprezo às negociações com os dois sindicatos da categoria (STPMJ e SindSAAE).

A reivindicação dos trabalhadores é de reajuste de 10,19%, equivalente à inflação do período, bem como contra outros ataques, como o fim do pagamento de insalubridade.  A Prefeitura também reduziu o horário de atendimento em algumas repartições públicas, de 8 para 6 horas, o que provocou o corte do vale-alimentação dos servidores.

Acima de tudo, a luta em Jacareí é contra o sucateamento dos serviços públicos na cidade. A política do governo Hamilton tem sido de descaso e cortes que agravaram a situação do município, onde a saúde é o exemplo mais dramático. Mas não o único. O tratamento de água na cidade, por exemplo, está insuficiente, prejudicando a qualidade da água.

É preciso uma paralisação unificada e geral em Jacareí
A mobilização nas últimas semanas tem impedido a aprovação do projeto do Executivo, e a proposta dos sindicatos é intensificar a luta.

É preciso a construção de uma greve geral, unificada de todos os servidores, pois é a única possibilidade de impormos uma derrota ao prefeito e fazê-lo atender nossas reivindicações. Só com mobilização podemos por fim à política de arrocho salarial e sucateamento dos serviços públicos em Jacareí. A unidade dos trabalhadores e o apoio da população será fundamental.

Por Alexandre Pereira, diretor do Sind. dos Servidores Municipais de Jacareí e militante do PSTU


5 de maio de 2016

STF afasta Cunha: já vai tarde! Fora todos eles, eleições gerais já!

5/5/2016 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, determinou na manhã desta quinta-feira, dia 5, o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), por denúncias de corrupção. A liminar determina que Cunha não pode exercer seu mandato de deputado federal e, portanto, o afasta também da presidência da Casa.

A notícia circulou como rastilho de pólvora nos noticiários da TV e, principalmente, nas redes sociais, onde é praticamente unânime o tom de comemoração. Afinal, foi afastado, um dos corruptos mais “caras de pau” dos últimos tempos, cuja rejeição entre a população bateu quase em 80%, em pesquisa do Datafolha.

Já vai tarde. Demorou quase cinco meses, desde que a Procuradoria Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de afastamento de Cunha, que foi atendido nesta quinta.
Apesar de atolado em denúncias e provas contundentes de corrupção, trazidas à tona principalmente pela Operação Lava Jato, Cunha fez de tudo e mais um pouco nos últimos meses para fugir de um afastamento e cassação.

Na Comissão de Ética da Câmara, outro processo para cassação de Cunha tramita desde outubro, mas as manobras que o pemedebista fez até agora são incontáveis. Seus aliados defendem até uma “anistia” para livrá-lo da cassação.

A folha corrida de Cunha não traz apenas uma série de desvios de dinheiro público, cobrança de propinas e crimes afins. O deputado do PMDB é um reacionário, machista e homofóbico, que aprovou e encaminhou diversas pautas e projetos contrários aos direitos dos trabalhadores e setores oprimidos.

Portanto, o afastamento é uma importante vitória das mobilizações e da pressão popular que exigiam Fora Cunha. Mas é preciso muito mais. Cunha precisa ir para a cadeia e ter seus bens confiscados.

Além disso, a presidência da Câmara será ocupada por um de seus aliados e outro investigado na Lava Jato, o deputado Waldir Maranhão (PP). Aliás, não é só o novo presidente da Câmara que continua na mira da Lava Jato.  Renan Calheiros (PMDB) presidente do Senado também está afundado em denúncias de corrupção, assim como Michel Temer, que se prepara a todo o vapor para ocupar o lugar de Dilma. São todos farinha do mesmo saco!

A exigência do “Fora Todos Eles, Eleições Gerais já” ganha cada vez mais força.

O governo Dilma chegou ao fim. Mas Temer já negocia com os banqueiros e empresários a conformação de um novo governo que continue aplicando a mesma política de ataques que o PT não conseguiu terminar, como a reforma da Previdência, Trabalhista, privatizações, etc. É esse Congresso de corruptos que vai aprovar esses ataques.

Precisamos construir uma forte greve geral para que, através da mobilização, todos eles caiam. O PSTU defende um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em Conselhos Populares, onde os trabalhadores e o povo pobre decidam os rumos do país. Enquanto não temos esse conselhos formados nas lutas, defendemos eleições gerais já, para que povo escolha quem deve entrar no lugar de Dilma ou Temer e dos picaretas desse Congresso Nacional.


Por Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal





3 de maio de 2016

Escolas ocupadas: viva a luta dos estudantes e trabalhadores em defesa da educação pública!

3/5/2016 - Sob os gritos de “Fora PM”, a tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo foi obrigada a bater em retirada, do Centro Paula de Souza, na noite desta segunda-feira, dia 2. Os policiais haviam invadido na manhã de ontem o local, que está ocupado por estudantes desde o último dia 29.

O Tribunal de Justiça considerou ilegal a ação. Mas não é só ilegal. A invasão do prédio escolar pela PM é também imoral. Uma medida irresponsável e lamentável do governo Alckmin que poderia ter causado um confronto de consequências trágicas.

Entretanto, não é uma postura inédita por parte do governo do PSDB. Também foi com truculência e repressão que o governador Geraldo Alckmin tratou a luta dos estudantes no ano passado, que ocuparam mais de 200 escolas contra a proposta de reestruturação da rede de ensino.

Ontem, a PM ficou cerca de 10 horas no Centro Paula de Souza, com ameaça de reintegração de posse. Mas os jovens não se intimidaram e se mantiveram no local.

A resistência continua. Nesta terça-feira, os estudantes seguem ocupando o Centro Paula Souza para protestar contra a falta de merendas nas Etecs e Fatecs, o desvio de verba para a compra da merenda escolar e os cortes nos repasses para a educação.

“O Estado veio quente, nóis já tá fervendo”
Os estudantes estão dando uma aula de luta e coragem. Como bem diz o grito de guerra dos jovens: “O Estado veio quente, ‘nóis’ já tá fervendo”. Não só em São Paulo que alunos secundaristas estão em luta. No Rio de Janeiro e no Ceará, alunos também protestam contra o sucateamento da educação pública com ocupações.

O caos nas escolas públicas é cada vez maior. A realidade são prédios em condições precárias, falta de merenda, materiais escolares, equipamentos, atrasos salários de professores e técnicos de ensino, falta de segurança. Enfim, os cortes que os governos têm feito nos recursos da educação, que inclusive acabam indo para o ralo da corrupção, como no caso do escândalo da merenda no governo Alckmin (PSDB), tem resultado no sucateamento do ensino público em todo o pais.

No Rio de Janeiro, mais de 70 escolas estão ocupadas por estudantes que reivindicam melhorias na educação pública estadual, que passa por uma brutal crise. Os profissionais de educação estão há mais de dois meses em uma fortíssima greve, que inclui também outros setores do funcionalismo público estadual. Funcionários e alunos da UERJ resistem fortemente ao desmonte da universidade e seu hospital. As verbas destinadas à Educação no Estado do Rio caíram de R$ 10,7 bilhões para R$ 7,8 bilhões, entre 2015 e 2016.

Em Fortaleza, estudantes secundaristas também iniciaram uma mobilização com ocupação de escolas. Desde sexta-feira, duas escolas já foram ocupadas. Os alunos reivindicam melhorias e apoiam a greve dos professores do Estado.

No ano passado, estudantes de dezenas de escolas no Mato Grosso do Sul também realizaram ocupações contra a proposta do governo do estado (também do PSDB) de entregar a administração das escolas para a iniciativa privada, por meio de Organizações Sociais.

O PSTU de São José dos Campos declara todo apoio a essa onda de ocupações que sacode vários estados do país.

“Os estudantes têm protagonizado fantásticas mobilizações em defesa da educação pública. Controlam completamente as escolas ocupadas, organizando o dia a dia e tarefas como limpeza, alimentação, segurança atividades culturais, políticas e de lazer”, afirma o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira.

“Na prática, as ocupações colocaram em xeque o desmonte e a política neoliberal com que os governos tratam a educação. Os estudantes também provam que é possível gerir democraticamente a escola a serviço de uma educação pública e de qualidade. Essa mobilização precisa ser intensificada rumo à uma greve geral na educação. Todo apoio a essa juventude que sonha e luta. O PSTU se soma a essa luta, com seu apoio e solidariedade”, disse Toninho.

Atualização dia 4/5/2016 - No final da tarde desta terça-feira, estudantes secundaristas também ocuparam a Assembleia Legislativa de São Paulo. Eles pedem a instauração imediata de uma CPI da Merenda Escolar.  Os deputados da base de apoio do governo Alckmin e do presidente da Alesp, Fernando Capez, que está envolvido nas denúncias de corrupção, têm feito várias manobras para evitar a criação da CPI.



Confira vídeo com alunos da Moabe Cury, escola ocupada no ano passado, em SJC



2 de maio de 2016

Machista: deputado Flavinho (PSB) diz que “mulher de verdade” quer “somente ser cuidada e amada”

O deputado Flavinho, do PSB (na fila da frente, o 3° da esq. para a dir.)
2/5/2016 - Nós, do PSTU, repudiamos veementemente a declaração machista feita pelo deputado federal do Vale do Paraíba conhecido como Flavinho (PSB).

No mesmo dia em que o corrupto presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), mais uma vez, utilizou de manobras para criar uma Comissão da Mulher, cujo funcionamento não atende as reivindicações dos movimentos de mulheres e sequer tinha acordo por parte da bancada feminina, Flavinho também deu sua contribuição à ofensiva machista.

Em discurso no plenário, o deputado disse que mulheres não precisam de empoderamento, no sentido de que não precisam ter direitos iguais e suas reivindicações atendidas. “Precisam ser amadas e cuidadas”, disse.

"As mulheres, que estão lá fora e não são feministas como muitas aqui, as mulheres de verdade que estão lá fora, ralando para sobreviver, não querem empoderamento, elas querem ser amadas, elas querem ser cuidadas, elas querem ser respeitadas. Quem quer ser empoderada são as feministas”, disparou.

“Não venham me dizer que nós homens não entendemos de mulher; entendemos, sim. É que as senhoras, muitas vezes, não entendem o que é ser amada e acham que essas mulheres também não querem ser amadas como as senhoras. Respeitem as mulheres do Brasil que querem ser mães, que querem ser amadas e respeitadas", discursou.

A fala do deputado tem um claro conteúdo machista, que remonta ao século 18, a exemplo da polêmica e absurda capa “Bela, recatada e do lar”, da revista Veja semanas atrás. Ou seja, mulher é para ficar em casa, submissa, só que ser “amada”. Exigir direitos é coisa de feministas mal amadas. Um absurdo!

Integrante da chamada Bancada da Bíblia, não é a primeira vez que este deputado evangélico faz declarações e tem iniciativas contra as mulheres e LGBTs. No ano passado, Flavinho publicou um artigo infundado e preconceituoso contra a inclusão nos planos municipais de educação de políticas que discutam a questão de identidade de gênero, principalmente no que se refere ao combate à homofobia.

É inadmissível que um parlamentar utilize seu mandato para propagar ideologias machistas e de desrespeito às mulheres. O Estado e suas instituições deve ser laico, ou seja, sem tomar posição religiosa alguma, muito menos posições que levem à opressão e discriminação.

Mas esse é o retrato do Congresso atual: reacionário, atrelado à empreiteiras, banqueiros e grandes empresários e que só faz atacar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, principalmente contra mulheres, negros e LGBTs, o que só reforça a necessidade da luta para por todos esses picaretas para fora. Fora Todos! Eleições Gerais já! Por um governo socialista dos trabalhadores!

Janaína dos Reis, da direção nacional do Movimento Mulheres em Luta e militante do PSTU

OBS: Vale ressaltar que discordamos do teor machista da fala do deputado, que entendemos ter inclusive usado o termo “empoderamento” de forma descontextualizada. Mas é importante ressaltar que não concordamos com a chamada “tese do empoderamento” existente em meios acadêmicos e em parte do movimento de mulheres, que defende que a saída para as mulheres combaterem o machismo é assumir cada vez mais postos de poder e cargos de direção, um meio de “empoderar” as mulheres. Para nós, o poder não é uma disputa de gênero, mas de classe. Não se trata apenas de ocupar cargos de direção. Trata-se de uma luta da classe trabalhadora, homens e mulheres, para derrotar o capitalismo e a burguesia, que exploram e oprimem em nome do lucro.

Ato do 1° de Maio na Avenida Paulista, independente de governos e patrões, defende Eleições Gerais e Greve Geral

2/5/2016 - Total independência dos governos e patrões para defender as pautas em defesa da classe trabalhadora. Assim foi o ato do 1° de Maio realizado pela CSP-Conlutas e organizações que compõem o Espaço Unidade de Ação, neste domingo, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Nem para defender Dilma e muito menos para defender Temer, como fizeram os atos da CUT e do PT, no Vale do Anhangabaú, e da Força Sindical, no Campo de Bagatele. Neste ato realizado na Paulista, cerca de quatro mil manifestantes ocuparam as proximidades do Vão do Masp para exigir “Fora Todos Eles, Eleições Gerais já”.

Caravanas e delegações de vinte estados participaram do ato, que reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais, cipeiros e ativistas de categorias diversas, como metalúrgicos, petroleiros, servidores públicos, carteiros(as), químicos, bancários, operários da construção civil, condutores, estudantes e professores de escolas em luta, aposentados, bem como movimentos de luta contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia.

O internacionalismo da classe trabalhadora também esteve representado. Com a presença de um dirigente do sindicato dos trabalhadores de call center de Portugal, e vídeos de solidariedade enviados da Itália, Espanha, Inglaterra e Paraguai, as lutas da nossa classe em todo o mundo também foram saudadas, lembrando que se os ataques e a exploração são semelhantes, a classe trabalhadora também é uma só.

Preparar a Greve Geral
Nas faixas, cartazes, bonecões, palavras de ordem e discursos que marcaram a manifestação, as reivindicações mais sentidas dos trabalhadores e do povo pobre, que estão sendo os mais penalizados pela crise econômica, foram o destaque.

As reformas da Previdência e Trabalhista, os ataques aos direitos, a terceirização, os caos na saúde, educação e serviços públicos e a corrupção foram denunciados pelos participantes. “Não vamos pagar pela crise. É hora da Greve Geral” foi uma das frases estampada em várias placas da manifestação.

De cima do caminhão de som, falaram representantes de diversos sindicatos e entidades dos movimentos, como trabalhadores rurais, servidores federais, Pastoral Operária, Movimento Mulheres em Luta, Quilombo Raça e Classe, estudantes, petroleiros, operários da construção civil, metroviários, bem como correntes internas do PSOL que, a despeito da decisão da direção do partido de participar do ato em defesa de Dilma, no Anhangabaú, optaram por ir à Paulista.

"Estamos aqui criando um polo de resistência contra o PT, contra o PSDB e esse Congresso. Aqui nossa luta é para construir uma greve geral para botar pra fora toda essa corja", afirmou Atnágoras Lopes, da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas.

“Que golpe é esse de que tanto falam? Golpe foi o que o PT deu na classe trabalhadora. Lamento que neste momento, ali no Anhangabaú, o deputado federal pelo PSOL, Ivan Valente, que ainda não perdeu o coração pelo PT, e outros companheiros do PSOL, estejam naquele ato”, discursou. “É uma vergonha para o PSOL que estejam lá junto com Dilma, junto com Lula, traidor da classe trabalhadora brasileira”, disse Babá, integrante da corrente interna do PSOL, a CST, e vereador no Rio de Janeiro.

“Aqui na Avenida Paulista estão os que vieram dizer em alto e bom som que a classe trabalhadora não quer Dilma, mas também não quer Temer", disse Zé Maria, presidente nacional do PSTU. "Não há solução para os problemas que afligem a vida da classe trabalhadora com essa corja que vemos governar o país nesse momento", disse, citando os inúmeros ataques realizados por Dilma para defender os interesses dos banqueiros e empresários.

Fala de Zé Maria

"Sabemos que a solução para a classe não vai vir desse governo, mas de um governo socialista dos trabalhadores que se apoie nos conselhos populares, nas organizações de luta da nossa classe”, afirmou ainda Zé Maria. Mas enquanto não temos esse tipo de organizações, defendeu, "que seja dada ao povo o direito de eleger e escolher quem governar, seja deputado, senador e presidente, por isso defendemos eleições gerais já".

Zé Maria finalizou fazendo um chamado ao MTST e à direção do PSOL para que, ao invés de irem aos atos para defender o "Fica Dilma", que se somem à luta para botar para todos para fora.

Um polo alternativo
Toninho Ferreira destacou a importância de mais um ato em defesa do Fora Todos. “Enquanto Dilma e Temer, o PT, o PMDB e o PSDB, disputam entre si para provar para a burguesia qual dos dois tem mais condições para aplicar o duro ajuste fiscal e ataques aos direitos dos trabalhadores, a CSP-Conlutas e o Espaço Unidade de Ação seguem demonstrando que é preciso construir uma mobilização independente do governo e dos patrões para, de fato, defender os trabalhadores”, avalia.

“Dilma tirou direitos dos trabalhadores e Michel Temer tem o mesmo plano. Por isso, aos trabalhadores só resta a luta. Já são mais de 10 milhões de desempregados no país. É preciso barrar os ataques, botar todos eles para fora, lutar por um plano econômico dos trabalhadores e construir uma nova alternativa neste país”, disse Toninho.









1 de maio de 2016

Confira o artigo de Toninho Ferreira publicado no jornal O Vale sobre o 1° de maio

1/5/2016 - Por Toninho Ferreira

Fora Todos Eles! Eleições gerais já! 

1° de Maio é o dia internacional de luta da classe trabalhadora. Um dia para os trabalhadores fazerem suas reivindicações e lutar por seus direitos. E no Brasil, o que não falta são motivos para ir à luta.
É preciso tirar todos os corruptos do poder, exigindo eleições gerais e trocar todos eles. Não apenas tirar Dilma e Temer, mas também figurões atolados em denúncias de corrupção como Eduardo Cunha e Renan Calheiros (ambos PMDB) e este Congresso de picaretas, que só age em benefício próprio e das empresas que os financiaram.

Dilma tirou direitos dos trabalhadores e Michel Temer tem o mesmo plano. O projeto chamado "Ponte para o futuro" nada mais é do que arrocho e ataque aos mais pobres. Trocar Dilma por Temer é trocar seis por meia dúzia.

É preciso lutar por um plano econômico dos trabalhadores, pois já são mais de 10 milhões de desempregados no país. Não deve ser a classe trabalhadora a pagar o pato pela crise. Quem encheu os cofres de dinheiro todos esses anos é que deve pagar a conta.

Lutar ainda contra o governo Alckmin (PSDB), que tira dinheiro do Metrô e da merenda das crianças para a corrupção. O dinheiro que sobra na conta deles falta na saúde, educação, transporte e infraestrutura dos bairros pobres.

Neste 1° de Maio estaremos nas ruas. Não para defender Dilma, como farão a CUT, CTB, MTST, PT e outras organizações governistas. Muito menos defender a entrada de Temer, como fará a Força Sindical, a Fiesp, PMDB e PSDB.

Vamos às ruas para realizar um grande ato na Avenida Paulista, às 9h, em São Paulo, juntamente com a CSP-Conlutas e entidades do Espaço Unidade de Ação. Será um ato classista e de luta, independente dos governos e do empresariado. Vamos exigir fora todos eles! Eleições Gerais já!

Só a mobilização pode por todos para fora e construir uma nova alternativa neste país, um governo socialista, que esteja a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre.









Toninho Ferreira é presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal
Artigo publicado no jornal O Vale, 1° de maio de 2016