Fábricas paradas, protestos e manifestações marcam dia de Greve Geral em São José e região

Houve manifestações e paralisações em metalúrgicos, petroleiros, químicos, construção civil, rodoviários e bancários

29 de abril de 2016

Mesmo com redução de direitos, demissões são mais acentuadas em bases da CUT e Força

CUT é maior defensora do PPE, que favorece empresas, mas não impede demissões
29/4/2016 - A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) vai sugerir ao governo federal que adote medidas para flexibilizar direitos trabalhistas e torne permanente o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), que reduz salários e jornada.

Além de ser uma afronta aos trabalhadores, essa proposta não garante emprego a ninguém. Levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que nas regiões onde os sindicatos dos metalúrgicos são filiados à CUT e à Força Sindical, centrais que fazem alianças com patrões e governos para retirada de direitos, proporcionalmente houve mais postos fechados na indústria metalúrgica do que em nossa base sindical, ligada à CSP-Conlutas.

De acordo com o Dieese, entre os anos de 2013 e 2015, nas regiões da CUT houve redução de 12,4% dos postos de trabalho. Na Força Sindical, a redução foi de 12,1%. Já em São José dos Campos e região, onde o Sindicato é filiado à CSP-Conlutas, a queda foi bem menor: 6,7%.

Lutas garantiram direitos em nossa região
A CSP-Conlutas é uma central combativa, que não faz acordo com patrões para retirada de direitos. Ao longo dos anos, junto com nosso Sindicato, esteve à frente de grandes lutas por melhores salários, contra o PPE e a terceirização e por estabilidade no emprego e redução da jornada sem redução de salário.

Não é por acaso que as demissões foram proporcionalmente menores em nossa região. Aqui, o Sindicato foi à luta contra tentativas de demissão em massa. Na GM, por exemplo, os trabalhadores entraram em greve duas vezes em 2015 para pressionar a montadora a cancelar demissões.

Já a CUT e Força não organizaram suas bases para enfrentar os cortes. Além disso, as duas centrais trazem um longo histórico de entrega de direitos, como nas campanhas salariais com acordos assinados por dois anos e troca de aumento real por abono, como aconteceu na Volkswagen e Mercedes-Benz. Mas de nada adiantou a entrega de direitos. Em dois anos, foram fechados cerca de 87 mil postos de trabalho nas bases sindicais da CUT e Força entre as metalúrgicas no estado de São Paulo.

A CUT e Força também participaram diretamente da elaboração do PPE, que reduz salários em até 15%.

Ainda de acordo com o Dieese, os Sindicatos dos Metalúrgicos de Taubaté (CUT) e de São Caetano do Sul (Força Sindical) são alguns dos que tiveram perda acentuada de postos de trabalho. Em Taubaté, a redução foi de 18,1% entre 2013 e 2015. Em São Caetano, onde está localizada a GM, foram fechadas 13,6% das vagas.

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, também houve demissões, mas num ritmo bem menos acelerado. Aqui a queda foi de 6,7% no período.

“Mesmo que nossa região tenha perdido menos vagas, não há motivos para comemorar. O desemprego é um mal que tem de ser combatido em todo o país. Como maiores centrais sindicais do Brasil, a CUT e a Força têm de mobilizar os trabalhadores de suas bases para, junto com a CSP-Conlutas, construir uma greve geral em defesa do emprego e direitos”, convoca o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

O estudo foi realizado pelo Dieese - subseção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, com base em dados do Ministério do Trabalho (Rais e Caged).

Informaçoes: www.sindmetalsjc.org.br



28 de abril de 2016

No dia mundial contra acidentes no trabalho, ato na Heineken lembra morte de quatro trabalhadores

28/4/2016 - Nesta quinta-feira, dia 28 de abril, data mundial de luta contra acidentes e mortes no trabalho, um ato na cervejaria Heineken, em Jacareí, lembrou a morte de quatro trabalhadores na fábrica há exatamente três meses. Foi um ato em homenagem aos operários mortos após a explosão de uma caldeira e também às milhares de vítimas de acidentes de trabalho no Brasil e no mundo.

Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Vale do Paraíba, CSP-Conlutas e Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a mobilização reuniu cerca de 150 pessoas, entre trabalhadores, cipeiros e dirigentes sindicais de várias categorias, que cobraram da Heineken explicações sobre a causa do acidente.

Durante o ato, os trabalhadores seguraram cartazes com os nomes das vítimas da explosão e cobraram melhores condições de segurança, contratação de funcionários e fim da terceirização.

“Já se passaram três meses e, até agora, a empresa não deu nenhuma explicação para a perda da vida destes trabalhadores. Enquanto isso, as condições inseguras persistem na fábrica, com caldeiras velhas e recauchutadas em operação”, afirmou Luciano Antônio, diretor do Sindicato da Alimentação.

Apenas este ano, sete trabalhadores morreram em acidentes na região, dentre eles, cinco eram terceirizados. Na Fibria, também em Jacareí, um trabalhador morreu em razão do vazamento de resíduos de celulose.

Em todo o mundo, segundo estimativas da OIT (Organização Internacional do Trabalho), morrem cerca de 2 milhões de trabalhadores por ano vítimas de acidentes e doenças do trabalho.

“Não dá para aceitar tragédias como essas, muito menos considerar como se fossem fatos inevitáveis. A realidade na maioria das empresas é de condições inseguras de trabalho, com cortes de custos que afetam a saúde e segurança dos trabalhadores”, afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, que esteve presente.

“A nossa luta é para que as empresas e o poder público, que têm obrigação de zelar pela vida dos trabalhadores, garantam condições seguras de trabalho. Mas, acima de tudo, nossa luta é pelo fim do capitalismo, esse sistema que trata a vida de um trabalhador apenas como uma peça que estraga e pode ser substituída”, afirmou.


video


Explosão
Em 28 de janeiro deste ano, uma das caldeiras da Heineken explodiu enquanto trabalhadores terceirizados realizavam reparos. Ao invés de trocar a caldeira antiga por uma nova, a fábrica adaptou o equipamento.

Mesmo com a tragédia, a empresa continua a adotar esse procedimento, visto que novos reparos continuam sendo realizados em caldeiras já obsoletas. Até o momento, ainda não foi emitido qualquer laudo que esclareça as causas do acidente.




26 de abril de 2016

A crise sobre os trabalhadores: desemprego, calote e golpes


26/4/2016 - O efeito da crise econômica no Brasil teve, na semana passada, a divulgação de um número dramático: já são mais de 10 milhões de desempregados no país. Segundo o IBGE, o índice de desemprego alcançou a marca histórica de 10,2%, no trimestre encerrado em fevereiro.

Para se ter uma dimensão desse número, é como se todos os moradores das cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Maceió, juntos, estivessem desempregados ao mesmo tempo.

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, em março, o país fechou 118.776 postos de trabalho com carteira assinada. Nos últimos 12 meses, foram fechadas mais de 1 milhão e 800 mil vagas formais. É o pior resultado para um mês de março em 25 anos, período em que normalmente ocorre a recuperação no mercado de trabalho.

A crise sobre os trabalhadores
O fato é que as empresas estão demitindo sem qualquer tipo de restrição em todo o país na velha lógica de cortar postos de trabalho, para aumentar a exploração e garantir lucros.

E o pior é que em muitos casos não se trata apenas de fechar postos de trabalho. Os ataques são muito mais graves, pois a política de várias empresas é simplesmente dar o calote e não pagar sequer os direitos trabalhistas. Ou pior ainda, pedem falência, dão calote e em seguida reabrem para contratar outros funcionários com salários muito menores.

O que ocorreu na Sun Tech, metalúrgica de São José dos Campos, e na Mabe, de Campinas e Hortolândia, são exemplos desse absurdo.

A Sun Tech, empresa terceirizada da LG na montagem de smartphones e celulares, anunciou o fechamento da fábrica em dezembro do ano passado. Demitiu todas as 320 trabalhadoras, sem pagar as férias, o 13º salário, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), seis meses de FGTS, além da multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia.

A empresa, contudo, aplicou um verdadeiro golpe. Três meses após ter fechado as portas, voltou a produzir com um número menor de funcionárias, que estão trabalhando em situações precárias.

Na Mabe, que tem fábricas em Campinas e Hortolândia, a situação é semelhante. A multinacional mexicana, fabricante de fogões e geladeiras da marca Dako e Continental, decretou falência no mês de fevereiro e demitiu 1.800 funcionários, sem pagar salários e direitos trabalhistas, numa dívida de aproximadamente R$ 19 milhões. Os planos da empresa também é dar o calote nos trabalhadores com a falência, mas retomar a produção com um novo CNPJ, sem recontratar ninguém e com salários mais baixos.

A situação de milhares de operários da construção civil também oferece mais exemplos. As empreiteiras envolvidas em corrupção e envolvidas na Operação Lava Jato, também repassaram os custos para os trabalhadores, com desemprego e calote.

Conivência dos governos
Essa devastação no mercado de trabalho está ocorrendo sem qualquer questionamento ou cobrança por parte do governo federal, mas também dos governos estaduais e municipais. Os mesmos governos que nos últimos anos repassaram bilhões de reais em dinheiro público aos empresários, em forma de isenções e benefícios fiscais.

Segundo levantamento da Receita Federal nos cinco anos do governo Dilma Rousseff o total de desonerações de impostos totalizam R$ 342 bilhões. Contudo, o órgão estima que essas isenções terão consequências até 2018, alcançando a soma de R$ 501 bilhões.

A política de isenções, que já vinha sendo aplicada desde o governo Lula, principalmente com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis e eletrodomésticos, se ampliou para diversos setores. Contudo, em nenhum momento, o governo exigiu sequer alguma contrapartida mínima das empresas. A torneira simplesmente estava aberta.

Mais do que isso. Tudo indica que essa política de desonerações foi alimentada à custa de esquemas de corrupção. Segundo a Operação Zelotes, da Polícia Federal, medidas provisórias de concessão de isenção fiscal teriam sido vendidas em troca de propinas.

Contudo, a política de favorecimento das empresas não é uma marca apenas do governo federal. Governos estaduais e municípios fazem o mesmo. O governo Alckmin (PSDB), por exemplo, aumentou a alíquota de renúncia do ICMS no estado no ano passado, de 9,9% para 11,3%, o que equivale a algo em torno de R$ 15 bilhões, valor que beneficia principalmente grandes empresas.

“Os governos, sejam do PT, PMDB, PSDB e outros, optaram por atuar em favorecimento das empresas, principalmente nessa questão de isenção fiscal, sem sequer terem se preocupado em garantir a estabilidade no emprego. A questão é que esses bilhões de reais usados para encher os cofres das empresas é dinheiro que poderia ter sido investido em saúde, educação, enfim, em serviços aos trabalhadores e à população”, afirma o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal Toninho Ferreira.

“Agora, as empresas estão demitindo e mais do que isso dando calote e golpe nos trabalhadores, sem que esses governos façam nada em defesa dos empregos e direitos. A crise econômica tende a se agravar e nem Dilma ou Temer defendem uma política diferente do que vem sendo feito até hoje”, disse.

“Por isso, seguimos defendendo: é preciso por todos para fora, realizar eleições gerais e nas lutas construir uma nova alternativa para a classe trabalhadora, um governo socialista, baseado em conselhos populares, que priorize a defesa dos empregos, salários, saúde e educação pública e de qualidade, e outras necessidades dos trabalhadores e do povo pobre”, defendeu Toninho.



25 de abril de 2016

Nem Dilma, nem Temer: no dia 1° de Maio, em defesa dos direitos, vamos às ruas para exigir Fora Todos, Eleições Gerais já!

25/4/2016 - Pesquisa do Ibope, divulgada neste final de semana, revela que apenas 8% dos brasileiros consideram que apenas a saída de Dilma (PT) e sua substituição por Temer (PSDB) seria a melhor forma de superar a crise política. Para 62% da população, ambos deveriam sair do governo e deveriam ser realizadas novas eleições no país.

A pesquisa do Ibope revela o que é perceptível nas fábricas, locais de trabalho e bairros em todo o país: os trabalhadores e a maioria da população não aguentam mais os ataques e a hipocrisia dos governantes e dos picaretas do Congresso Nacional. Sabem que substituir Dilma por Temer é trocar seis por meia dúzia e que Eduardo Cunha é um verdadeiro bandido na presidência da Câmara dos Deputados. O espetáculo de horror protagonizado pelos deputados na votação do impeachment não passou despercebido pelos trabalhadores.

Temer já articula seu “futuro” governo e suas propostas para o país é uma série de medidas para aprofundar o ajuste fiscal que Dilma deu início, com reforma da Previdência, ampliação da terceirização no país, mudança na legislação trabalhista para permitir acordos inferiores à CLT, privatizações, etc.

Tomar as ruas no 1° de Maio
É por isso que no próximo domingo, dia 1° de Maio, vamos tomar novamente as ruas para exigir “Fora todos eles – Eleições Gerais já”.  Realizaremos um ato para marcar a data, na Avenida Paulista, às 9 horas.

Juntamente com a CSP-Conlutas e organizações que compõe o Espaço Unidade de Ação, realizaremos um ato classista, independente dos governos e dos patrões, para fortalecer as lutas da classe trabalhadora, com o lema “Contra Dilma (PT) e a alternativa de direita (PMDB, PSDB, DEM e outros), por uma alternativa dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre”.

“Não estaremos nem com a turma do Fica Dilma, que fala em golpe e defende a permanência da presidente, como fazem CUT, MTST e o PT, muito menos com a turma do Entra Temer, que estará no ato chamado pela Força Sindical, PMDB e PSDB. Vamos continuar apostando na construção de uma terceira alternativa, classista e de luta”, afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

Um dia internacional de luta dos trabalhadores
O dia 1° de Maio é dia de luta da classe trabalhadora em todo o mundo. Um dia dos trabalhadores irem às ruas se mobilizar contra os ataques dos governos e patrões e lutar por direitos.
Em todo o mundo, estamos assistindo que os governos e empresas estão fazendo de tudo para jogar o custo da crise econômica sobre as costas dos trabalhadores.

Na França, por exemplo, o governo de François Holande quer aprovar uma lei para acabar com direitos trabalhistas. Mas, a juventude e os trabalhadores franceses estão indo à luta e realizando manifestações nas ruas com milhões de pessoas.

Aqui no Brasil, estamos vendo o mesmo. Apesar da grave crise política e de estarem afundados na corrupção, governo e Congresso seguem planejando ataques aos trabalhadores, pois o que importa para a burguesia é fazer com que os trabalhadores e o povo pobre paguem a conta da crise. Por isso, preparam uma nova Reforma da Previdência, para dificultar ainda mais nossa aposentadoria, entre outros ataques.

“Por isso, vamos realizar um grande ato nacional em São Paulo, no 1° de Maio. Um ato dos trabalhadores, classista e independente do governo e dos patrões para fortalecer a construção de uma forte Greve Geral no país, para por todos eles para fora e construir um governo socialista dos trabalhadores, baseado em conselhos populares”, disse Toninho.


24 de abril de 2016

Temer já se prepara para retomar os ataques que Dilma vinha fazendo

27/4/2016 - No último dia 24, enquanto boa parte dos trabalhadores recebia a família para o tradicional almoço de domingo, em Brasília o vice-presidente Michel Temer tinha uma visita especial no Palácio do Jaburu. O dia fora reservado para um longo encontro com o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Paulo Skaf.

No cardápio, no lugar daquela farta macarronada e frango de padaria, algo bem mais indigesto.

O encontro durou seis horas, segundo relatos da imprensa. Oficialmente, serviu para debater a "situação fiscal da União" e, segundo Skaf, Temer teria assegurado que, assumindo a presidência, não aumentaria os impostos. Ainda segundo o presidente da Fiesp, eles não chegaram a discutir a composição de um eventual governo Temer. O que é mentira, evidentemente. Em seis horas de reunião Temer e Skaf puderam debater até a escalação do XV de Piracicaba.

Mas o que de fato foi discutido entre as quatro paredes do Jaburu? Muito provavelmente, um conjunto de medidas que está se desenhando para ser uma espécie de plataforma de um futuro governo Temer e que tem como centro aquilo o que o governo Dilma implementava mas que, com o aprofundamento da crise, não conseguiu mais: jogar a crise nas costas dos trabalhadores e da grande maioria da população.

Um programa dos banqueiros, empresários e latifundiários
O ponto reforçado por Skaf, a resolução da crise fiscal sem o aumento dos impostos, é a principal bandeira da Fiesp, simbolizado pelo esdrúxulo pato inflável. E o seu significado é simples: manter a desigual e injusta estrutura tributária do país, em que os ricos sonegam e não pagam quase nenhum imposto, enquanto os trabalhadores e a população arcam com todos os custos. Arcam com os próprios lucros dos empresários e com os gastos do Estado.

O tão alardeado ajuste fiscal, assim, significa aumentar o repasse da renda aos ricos. Você mantém esse sistema tributário, mas corta ainda mais do pouco que escorrega para as áreas sociais, como Saúde e Educação.

Mas essa é apenas a ponta do iceberg. As propostas que estão na mão de Temer vão muito além. Entre elas está a desvinculação dos benefícios sociais com o reajuste do salário mínimo. Benefícios sociais, para quem não sabe, não é apenas Bolsa Família, mas os próprios benefícios previdenciários.

A medida representaria um grande ataque à Previdência pública e aos mais de 21 milhões de aposentados e pensionistas que já sobrevivem precariamente com um salário mínimo de fome.

Desvincular parece ser a palavra de ordem. Dentro disso, prevê-se ainda a desvinculação dos chamados "gastos obrigatórios" do Orçamento. Mas não aqueles destinados ao pagamento da dívida pública e que consomem quase metade de tudo o que é arrecadado todos os anos. Mas sim gastos como Saúde e Educação, principalmente, abrindo o caminho para cortes ainda mais profundos nessas áreas para irrigar os cofres dos banqueiros através da dívida.

Parece muito? Ainda tem mais. Parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária se reuniram nesta terça, 26, e preparam um documento em que pedem a Temer o uso das Forças Armadas para mediar conflitos por terras. Em bom português: recrudescer a repressão e os assassinatos de sem-terras e indígenas cujo aumento já vinha ocorrendo sob os governos do PT.

E quem vai fazer isso?
Os nomes cogitados por Temer e sua camarilha para formar um novo governo não são motivos de espanto. Não por coincidência, os primeiros a serem sondados para dirigir a política econômica do novo governo são velhos conhecidos do PT.

Henrique Meirelles, ex-diretor do Bank of Boston, foi presidente do Banco Central do governo Lula. Outro nome que circulou na lista de Temer foi Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica de Lula. Mostram que o que se pretende não é uma guinada de 180 graus na política econômica do governo do PT, mas uma sequência no que já vinha se fazendo. A reunião entre Delfim Neto e Temer comprova isso claramente. Até mesmo o grilo falante de Lula para a economia continua o mesmo.

O fato novo é que ninguém quer encarar a tarefa. Meirelles, Lisboa e Armínio Fraga, outro convidado a integrar o governo, demoveram gentilmente do pedido e se dispuseram a "ajudar" no que for possível Temer. De longe, é claro. Tirando o afoito José Serra, nem mesmo o PSDB está convencido em embarcar com os dois pés na canoa de Temer.

Isso acontece porque eles sabem que um eventual governo Temer não será um passeio em águas tranqüilas. Recente pesquisa Ibope revela que nada menos que 62% dos brasileiros querem que tanto Dilma quanto Temer saiam. Entre os mais jovens, na faixa de 16 a 24 anos, o percentual atinge 70%.
A popularidade do vice de Dilma anda tão baixa que ele mal consegue andar duas quadras sem ser xingado.

Mais que isso, analistas de mercado consideram praticamente impossível os tais "ajustes estruturais" exigidos pela burguesia dada a ilegitimidade desse governo. Você tem o seguinte cenário: um governo impopular apoiado por menos de 30% das pessoas, com uma base parlamentar que, ainda que pareça grande agora, é extremamente instável e que vai ser impossível Temer domesticar atendendo todas as promessas de cargos e dinheiro realizadas para a aprovação do impeachment, e uma crise econômica e social que só tende a se aprofundar mais num contexto de lutas como a que vemos hoje no Rio de Janeiro.

Não é por menos que a burguesia segue extremamente dividida, já que não vê por hora uma saída segura no horizonte.

Fora todos eles
O governo Dilma está caindo. Temer negocia com os banqueiros e empresários a conformação de um novo governo que aplique o programa que o PT não mais consegue. Dilma, Temer, e o Congresso Nacional se desgastam rapidamente na proporção em que a crise econômica e social se aprofunda.

A saída, do ponto de vista da classe operária e dos trabalhadores não é apoiar Dilma, ou lutar para que volte caso passe o impeachment no Senado, como quer a CUT. Tampouco é apoiar Temer como fazem a Força Sindical, a UGT, entre outras centrais. Mas impor uma greve geral para que, através da mobilização, todos caiam. O PSTU defende um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares. Enquanto não temos conselhos construídos nas lutas, defende eleições gerais já, para que povo escolha quem deve entrar no lugar de Dilma ou Temer.

Fonte: www.pstu.org.br

20 de abril de 2016

E o direito de ir e vir? Moradores de Jambeiro terão de pagar pedágio na Tamoios para levar filhos à escola

20/4/2016 - Foi adiado o início da cobrança de pedágio na rodovia dos Tamoios, que estava inicialmente prevista para começar esta semana, antes do feriado de Tiradentes. Segundo informações oficiais da concessionária, os guichês de cobrança de Paraibuna não ficaram prontos, bem como ainda falta liberação por parte da Artesp (Agencia Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).

Contudo, os problemas em torno do funcionamento de mais um pedágio no estado de São Paulo vão muito mais além.

Moradores de Jambeiro têm realizado vários protestos e mobilizações contra o novo pedágio. Sem ter outra via de acesso, a população próxima aos quilômetros 15 ao 21 terá de pagar a tarifa para levar os filhos à escola, e chegar a outros locais, como posto de saúde, bancos, médicos, etc, dentro do próprio município de Jambeiro.

“Ficaremos reféns do pedágio, obrigados a pagar um custo inviável. O tal contrato de concessão prevê isenção apenas a carros oficiais. Eles, simplesmente, esqueceram da população”, afirma Stenio Carvalho, morador de Jambeiro que integra o movimento criado na cidade “Isenção de Pedágio da Tamoios”.

Para percorrer o trecho entre São José dos Campos e Caraguatatuba será preciso desembolsar R$ 9,10. Serão instaladas três praças ao longo da rodovia: uma no km 15, em Jambeiro, outra no km 59, em Paraibuna. A estimativa do consórcio é cobrar R$ 3,30 na primeira praça e R$ 5,80 na segunda.

Um terceiro pedágio será construído no contorno Sul, em Caraguatatuba, mas a previsão é que este só comece a funcionar em 2017. Os valores foram calculados para 2015 e poderão ser reajustados em até 10% antes de entrarem em vigor.

“No meu caso, que levo e busco minhas filhas na escola, terei de pagar quatro pedágios por dia, num total R$ 13,20. Isso se não tiver que ir resolver algo em outro local que também exija passar pelo pedágio”, disse Stenio.

Os moradores de Jambeiro já protocolaram ofícios na Prefeitura, Câmara Municipal, Artesp e junto ao promotor público, acompanhados de um abaixo-assinado com mais de 1.500 assinaturas.  Os moradores reivindicam a isenção da tarifa.

Uma audiência pública está marcada na Câmara nesta quinta-feira, com o prefeito e os vereadores. “Vamos cobrar a solução do poder público. Se não resolverem, vamos aumentar nossa mobilização contra esse pedágio”, disse Carvalho.

Moradores recolhem assinaturas para abaixo-assinado


A farra dos pedágios em SP
Foi divulgado recentemente que o governo Alckmin prepara a instalação de 25 novos pedágios no estado, no litoral e interior paulista.  As novas praças se somarão as 153 já existentes. O projeto prevê a concessão de um total de 2.266 km de rodovias à iniciativa privada. Em outras regiões, como Franca, Batatais e Cristais Paulista, também estão ocorrendo protestos.

O fato é que São Paulo, desde o início das privatizações de rodovias ainda no governo Covas (PSDB) já privatizou mais de 6.400 km de estradas. São Paulo é onde mais há pedágios no país e que tem uma das tarifas mais caras do mundo.

Como se diz popularmente, um “negócio da China” para as concessionárias. A Concessionária Tamoios, por exemplo, estima que uma média de 20 mil veículos passará pela via diariamente. O número pode cair para 12 mil automóveis em dias de semana e nos meses de baixa temporada, mas pode chegar a 55 mil em vésperas de feriado.

“Mais do que a clara vantagem econômica para as empresas, o que vemos é que os consórcios que administram as rodovias são formados por grandes empreiteiras, que constroem e mantêm as rodovias. Muitas delas que agora estão envolvidas na Lava Jato”, avalia Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

“O dinheiro público deveria ser gasto nos serviços públicos, inclusive a manutenção das estradas. Somos contra a privatização das estradas e a instalação de pedágios que impedem o direito de ir e vir da população", afirmou.

"Com a privatização, o que vemos é que as rodovias que foram construídas com dinheiro público passam a ser exploradas pela iniciativa privada, que ganha duas vezes. Ganham com os pedágios e com a própria realização das obras, que elas mesmas fazem sem licitação ou fiscalização”, denunciou Toninho.


19 de abril de 2016

FALA TONINHO: “Governo Carlinhos chega a último ano de mandato sem resolver problemas da população

Em ano de eleição, Carlinhos não tira capacete da cabeça
para dar impressão de que faz um governo de obras
19/4/2016 - Todo ano de eleição é a mesma coisa. As cidades viram verdadeiros “canteiros de obras”. Tudo para fazer parecer que as prefeituras estão trabalhando para beneficiar a população.

Um exemplo desta política eleitoreira e oportunista podemos ver aqui em São José. Atualmente, só se vê o prefeito Carlinhos (PT) de capacete, visitando ou inaugurando obras.

Pura estratégia de marketing às vésperas das eleições. Na maioria das vezes, o que os governos fazem é construir obras que tenham visibilidade, mas inacabadas, com material de má qualidade ou que nunca serão concluídas.

A recente  inauguração do Hospital da Mulher, ainda inacabado e com um funcionamento mínimo, é um exemplo.

O fato é que Carlinhos chega ao seu último ano de mandato sem resolver os problemas que afligem a população.

O dinheiro da saúde é usado praticamente para bancar organizações privadas, como a SPDM, que oferece um serviço muito aquém do necessário.

São José ainda não tem um programa municipal de habitação. Depende apenas do Minha Casa, Minha Vida, que sofreu cortes do governo federal.

A falta de vagas nas creches seguem sendo uma dificuldade para mães e pais trabalhadores.

A cidade ainda tem uma das passagens de ônibus mais caras do país e um transporte de má qualidade e  o escândalo do superfaturamente dos kits escolares até hoje não teve uma explicação convincente.

O fato é que, como já denunciamos, o PT repetiu a mesma prática do  governo do PSDB: favorecimento aos empresários, denúncias de improbidade administrativa e mau uso do dinheiro público.

Os trabalhadores e a população não podem se deixar enganar. São José precisa de uma nova alternativa. Um partido de esquerda e socialista para romper com os ricos e fortalecer as lutas dos trabalhadores e do povo pobre.

Toninho Ferreira é presidente do PSTU SJCampos e suplente de deputado federal

18 de abril de 2016

Greve geral para botar pra fora todos eles e exigir Eleições Gerais

18/4/2016 - A Câmara dos Deputados acaba de aprovar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O processo ainda vai passar pelo Senado, mas esse dificilmente revisará a decisão dos deputados.

O governo Dilma amarga 82% de reprovação. É expressão da ruptura da classe operária e da maioria da população com um governo que se elegeu com um estelionato eleitoral, fazendo, uma vez eleito, o contrário de tudo que defendeu na campanha. É o rechaço massivo a um governo de aliança do PT com banqueiros, empresários, empreiteiros e seus partidos, que atacou direitos trabalhistas e previdenciários, que vem promovendo um brutal ajuste fiscal para proteger os lucros dos banqueiros e está envolvido até o pescoço em escândalos de corrupção.

Esse rechaço não se resume ao governo Dilma. Estende-se, também, ao vice Michel Temer (PMDB), que não conta nem com 2% das intenções de votos e cujo impeachment é apoiado por quase 60% da população. Há um asco também ao presidente da Câmara, o corrupto Eduardo Cunha (PMDB), cuja cassação é apoiada por 77%. Ou seja, há um forte sentimento contra as instituições e os políticos de forma geral. Ninguém quer Dilma, mas ninguém quer, também, Temer e, menos ainda, Cunha.

Mas não foi por essa razão que os deputados aprovaram o impeachment. O impeachment é fruto de negociatas, conchavos e todo o tipo de promessas promovidas por Temer e pela oposição burguesa, incluído aí a promessa de barrar a Operação Lava Jato, que incrimina boa parte desse Congresso. A votação do impeachment neste domingo, 17, foi um verdadeiro show de horrores, um desfile de hipocrisia e cinismo que mostrou bem a cara dessa democracia burguesa.

Fora todos eles
O povo quer também a queda do vice Michel Temer. Primeiro porque Temer é da mesma chapa de Dilma. Também se elegeu devido a esse estelionato. Segundo, ele faz parte do partido corrupto PMDB, é aliado do larápio Eduardo Cunha e tem uma biografia repleta de escândalos de corrupção.

Além disso, Temer vem construindo, junto a banqueiros, empresários da Fiesp e demais partidos da oposição burguesa, como o PSDB e o DEM, um programa de governo que visa retomar e aprofundar o ajuste fiscal e os ataques promovidos pelo governo do PT. Tem nas mangas, por exemplo, a reforma da Previdência, Trabalhista e o projeto das terceirizações de seu aliado Cunha.

Não podemos dar um minuto de sossego a um eventual governo Temer. É preciso impedir que ele governe. É hora de se mobilizar para colocar para fora também o Congresso Nacional corrupto, comandado pelo bandido Eduardo Cunha, que está prestes a se tornar, na prática, vice-presidente. O Congresso Nacional, com 60% dos parlamentares envolvidos em crimes que vão de corrupção a homicídio, não tem a mínima autoridade para passar a faixa presidencial a quem quer que seja.

O processo não acaba aqui. Este circo vai continuar. Vimos que a as manifestações deste domingo foram muito pequenas, seja pelo impeachment, porque caiu a ficha de que quem entra é Temer, seja contra Temer e para que fique Dilma.

No campo do governo
Na votação deste domingo, infelizmente, os deputados do PSOL cerraram fileiras com o governo e votaram contra o impeachment. O voto de “não” ao impeachment, numa polarização entre esses dois setores burgueses, significa na prática se perfilar ao lado do governo. O argumento dos deputados do PSOL repete a defesa do governo de que o impeachment seria um “golpe”.

Na verdade, não há nenhum golpe em curso. O que existe é uma luta de um setor burguês capitaneado pela oposição de direita contra outro setor burguês que está hoje à frente do governo. O impeachment só está sendo possível porque a esmagadora maioria da população e da classe trabalhadora rompeu com o governo Dilma e quer que ele saia. Essa tese do golpe não tem outro sentido que não seja chantagear os setores de esquerda, principalmente a juventude e a base social dos movimentos sociais populares para que saiam às ruas defendendo um governo simplesmente indefensável
Uma posição alinhada aos interesses da classe trabalhadora deveria ser de denúncia desses dois campos.

Greve geral para derrubar todos eles!
O PSTU vem afirmando a necessidade de uma greve geral para botar todos eles para fora e derrotar o ajuste fiscal. A classe trabalhadora, hoje, é capaz de fazer essa greve e garantir eleições gerais. Isso fica demonstrado quando operários paralisam fábricas com essa palavra-de-ordem, como aconteceu na GM, na Embraer e em outras fábricas de São José dos Campos (SP). Ou nas obras com milhares de operários da construção civil, como em Belém (PA).

Agora, com Temer prestes a assumir a presidência em conchavo com a oposição burguesa e apresentando um claro programa de ataques aos trabalhadores, o PSTU reafirma o chamado à CUT, CTB, ao MST, a que somem forças com a CSP-Conlutas e o Espaço de Unidade de Ação na convocação de uma greve geral que pare o país, coloque todos pra fora: Dilma, mas também Temer, Cunha e esse Congresso Nacional. E exija a convocação de eleições gerais já.
Todos às ruas no dia 1º de maio!

A CSP-Conlutas e entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação estão convocando uma grande mobilização para o dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, na Avenida Paulista. Será uma manifestação contra o governo Dilma e contra Temer, o PSDB e esse Congresso Nacional, e a favor de uma alternativa da classe trabalhadora para a crise.

PSTU Nacional

Em São José, manifestantes fazem ato pelo “Fora Todos” e ganham apoio da população

18/4/2016 - Com faixas, bandeiras e bonecões de Dilma, Temer e Aécio, manifestantes tomaram as ruas de São José dos Campos neste sábado, dia 16, para exigir “Fora Todos, Eleições Gerais já”. Um dia antes da votação do impeachment na Câmara, o ato denunciou não só a presidente Dilma (PT), mas também Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros (PDMB), Aécio Neves (PSDB), Lula e o Congresso Nacional.

A manifestação, que reuniu cerca de 200 pessoas, foi convocada pelo PSTU e pelos Sindicatos dos Metalúrgicos, dos Químicos, da Alimentação, dos Trabalhadores dos Correios, Admap e LST/PSOL.

O ato teve início na Praça João Mendes, conhecida como a Praça do Sapo, às 10h, e por volta das 11h saiu em passeata pelo calçadão comercial, encerrando ao 12h, na Praça Padre João, próximo à rodoviária velha.

Ao longo do trajeto, dirigentes sindicais e ativistas de movimentos sociais falavam ao microfone sobre a grave crise política e econômica no país que penaliza principalmente a classe trabalhadora. Denunciavam ainda que o impeachment não é a solução, uma vez que trocar Dilma por Temer, é trocar seis por meia dúzia. Várias pessoas fotografavam os bonecões de quatro metros de Dilma, Temer e Aécio e manifestavam concordância com a necessidade de colocar todos para fora do poder.

“Amanhã vai ter impeachment, mas nossa luta não termina. O vice Michel Temer faz parte da mesma quadrilha que assalta os cofres públicos, assim como Aécio também. O dinheiro que está nas contas do PT, do PSDB, PMDB e dos outros partidos da oposição de direita é o dinheiro que falta nas escolas, nos hospitais. O dinheiro que está faltando na merenda escolar está sobrando no bolso de Geraldo Alckmin. Queremos todos eles fora”, disse o presidente do PSTU de São José e suplente de deputado federal Toninho Ferreira.

Veja vídeo do protesto:





Confira algumas fotos da manifestação:



















15 de abril de 2016

Palestra com Zé Maria: “É preciso tirar todos eles. Como é que a gente bota para fora? Com luta, com os trabalhadores e o povo na rua”

15/4/2016 - Em meio a uma das maiores crises políticas da história do país, em que um governo do PT após 12 anos vê sua presidente da República na iminência de um impeachment, em que a cada dia mais e mais escândalos de corrupção vêm à tona, a maioria dos trabalhadores e da população se pergunta o que fazer e qual a saída. Afinal, não é só uma crise política. A economia do país também vai de mal a pior.

Para debater estes temas é que o presidente nacional do PSTU, Zé Maria, esteve em São José dos Campos nesta quinta-feira, dia 14, para uma palestra na sede do partido. O debate contou também com a participação de Ernesto Gradella, ex-deputado federal, e Toninho Ferreira, presidente PSTU de São José e suplente de deputado federal.

Com a casa cheia, trabalhadores de várias categorias, estudantes, aposentados, profissionais liberais, entre outros, Zé Maria falou a avaliação do partido sobre os motivos que levaram à ruptura da maioria dos trabalhadores e da população com o governo petista, sobre o que de fato está em jogo na disputa entre o governo e a oposição de direita, a saída que eles têm para a crise econômica e rebateu o falso discurso de que no país está em curso um “golpe contra a democracia”, bem como apontou qual a saída que o PSTU defende para a crise.




Confira alguns trechos da palestra:
 “A atual crise política não se trata de um conflito entre direita e esquerda. O que existe são dois blocos alinhados com os setores da direita deste país, setores inimigos dos trabalhadores. A direita está no bloco do PSDB e PMDB, mas também está no governo do PT. Afinal, o que é a presença de Kátia Abreu, a presidente da maior instituição do agronegócio no país, no ministério da agricultura?”, disse Zé Maria. “Não foi o PT que rompeu com o PMDB. Foi o PMDB que rompeu com o governo. E o que o PT fez? Correu para abraçar o PP de Maluf e outros bandidos deste país. Essa é a escolha do PT”.

“Eles disseram que só não fizeram mais no governo a favor do povo, pois outros partidos e outros setores não deixaram. Mas nunca chamaram os trabalhadores às ruas para defender a reforma agrária, contra as demissões, por mais verbas para a saúde ou uma educação. Fazem agora. Mas para quê? Para defender o governo. O fato é que as agruras que penalizam os trabalhadores passam longe da preocupação do PT, PMDB, PSDB ou do Congresso. Eles estão é brigando para ver quem governa, mas na hora de atacar nossos direitos estão juntos”.

 “Dizem que um governo Temer vai ser muito pior, com uma reforma da Previdência, com ataques à Petrobras. Em um recente debate com uma camarada afirmei: Temer tá atrasado. Já foi. Esses ataques a Dilma já está fazendo. Recentemente, o governo do PT em acordo com o PSDB tirou da Petrobrás a prioridade da exploração do pré-sal. A reforma da Previdência tá aí. O único problema que eles enfrentam é que pela crise atual as coisas não avançam ainda mais. A disputa entre eles é para ver quem aplica esses ataques. Ou seja, vai piorar demais com qualquer um deles se os trabalhadores não reagirem”.

“Por isso, dizemos que os trabalhadores não podem defender nenhum dos dois lados. Pelo contrário. A saída é lutar contra os dois. Não podemos ser contra o impeachment, o que significa ser a favor de manter o governo da Dilma. Tampouco podemos ser a favor do impeachment, o que significa colocar o Temer. O impeachment não muda a situação. É preciso tirar todos eles. Como é que a gente bota para fora? Com luta, com os trabalhadores e o povo na rua”.

 “Há quem diga que está ameaçado o Estado Democrático de Direito com o impeachment de Dilma. Ora, não existe isso para os trabalhadores e o povo pobre neste país. A cada ano cerca cinco mil jovens negros e pobres são assassinados pela PM nas periferias dos centros urbanos no Brasil. Queria saber se os defensores do governo teriam coragem de dizer para a mãe de um destes jovens sair às ruas para defender o governo Dilma em nome do estado democrático de direito”, disse.

“Defesa do estado democrático de direito é só quando é para o Lula não depor? Para defender o mandato da Dilma? A Justiça nunca foi neutra. Que o digam os trabalhadores que já fizera greve, que tiveram um aumento de salário negado. Na Embraer, a justiça considerou as demissões ilegais. Alguém da direção da empresa foi preso? Só agora o PT descobriu que a justiça tem lado?”.

“É logico que a justiça deveria também estar atrás do Aécio, da corja do PMDB, do Maluf. Mas no final das contas eles estão todos juntos, são farinha do mesmo saco. Equiparar a defesa da democracia apenas com base no processo eleitoral, uma eleição financiada e controlada por banqueiros, empreiteiras e TV é rebaixar demais o horizonte da esquerda deste país”.

“Nem a Dilma acredita nessa suposta ameaça de golpe. Em entrevista ela disse que se perder a votação do impeachment é carta fora do baralho. Se ganhar, vai chamar um governo de unidade nacional com todos, inclusive a oposição. Ou seja, os supostos golpistas. Ora, essa história de golpe não passa de conto para boi dormir. É uma tentativa de ganhar o apoio dos trabalhadores para se manter no poder”.

“É um crime o que boa parte das organizações da classe trabalhadora fazem neste momento, como a CUT, o MST, MTST e outros, por que seria possível por para fora todos eles, exigir eleições gerais e dar outro rumo à política econômica desse país. Mas, infelizmente, com esse falso discurso do golpe, eles estão é se alinhando para manter no poder esse governo, que junto com essa oposição, quer atacar os direitos dos trabalhadores”.

“A saída é construir um governo dos trabalhadores. Mas não apoiado em um Congresso como esse que está aí. Mas sim apoiados em Conselhos Populares, nas organizações da classe trabalhadora, para acabar com os privilégios dos bancos, das grandes empresas e multinacionais, e para aplicar no país um programa econômico que atenda as necessidades da classe trabalhadora. Não pagando a dívida publica aos banqueiros e investir na saúde, educação, moradia, transporte. Estatizar os bancos e as grandes empresas que estão demitindo a torto e a direito. Esse é nosso objetivo. Se não temos como fazer neste momento, pelo menos, que se convoquem eleições gerais já, para que o povo possa trocar todos eles. Mas nossa perspectiva é a construção, nas lutas, de um governo socialista, sem exploração e opressão”.

Em seguida de Zé Maria, Gradella e Toninho também falaram aos presentes.

Ex-deputado federal e um militante histórico da esquerda, Gradella destacou o fato de o governo e oposição de direita terem o mesmo programa. “Falam que é preciso enfrentar a crise e para isso seria preciso fazer o ajuste fiscal, cortes nos direitos e áreas sociais. Eles querem uma nova reforma da Previdência, terceirização, privatização, ataques aos direitos. E por quanto tempo isso ai vai durar até que eles queiram mais ataques? Até o capitalismo entrar em crise de novo. Sempre vão jogar a conta para nós. Em toda a crise, a alternativa apresentada pelo capitalismo é sempre a mesma: cortar direitos da classe trabalhadora”, disse.

Toninho fechou a primeira parte da palestra, antes de abrir às perguntas e falas dos presentes, falando sobre a necessidade de uma Greve Geral e dos trabalhadores entrarem em luta para colocar todos para fora, garantir eleições gerais e um novo modelo econômico a serviço dos trabalhadores.

“Quando falamos em eleições gerais já, é sob novas regras. Sabem por quê? PT, PMDB, PSDB não querem novas eleições, principalmente para todos os cargos. Um ou outro considera essa hipótese, mas no máximo só para presidente. Isso porque eles querem seguir o calendário eleitoral a cada dois anos para manter tudo sob controle. Antecipar as eleições não é inconstitucional. Defendemos a revogabilidade dos mandatos. Inclusive, é preciso acabar com os privilégios dos políticos, com redução de salários, de forma que um deputado ganhe o mesmo que um operário especializado e um professor”, disse.

“Mas é preciso uma forte greve geral neste país. Com uma greve geral bagunçamos o coreto deles. Uma greve para tirar todos, para que se tenha um outro projeto econômico, a favor dos trabalhadores”, disse Toninho.






14 de abril de 2016

Neste sábado, ato em São José exigirá “Fora todos, eleições gerais”

14/4/2016 - Às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma, neste sábado, dia 16, o PSTU, juntamente com a CSP-Conlutas e sindicatos de trabalhadores da região, realiza em São José dos Campos o ato “Fora Todos, Eleições Gerais já”.

A manifestação será realizada às 10 horas, na Praça do Sapo, no centro da cidade, próximo ao calçadão comercial, local de grande movimento popular.

Vamos às ruas dizer à população que o impeachment de Dilma não basta, pois colocar no lugar Temer, Cunha ou Renan Calheiros, do PMDB, é trocar “seis por meia dúzia”, já que todos eles estão afundados na corrupção e na prática defendem a mesma política econômica que joga a crise sobre os trabalhadores.

“Depois de domingo, a situação para os trabalhadores continuará grave, pois os ataques do governo e dos patrões à classe trabalhadora vão continuar, saindo ou ficando a Dilma. PT, PMDB, PSDB e esse Congresso de corruptos não estão preocupados com as questões que penalizam nossa classe, como o desemprego, a inflação, a violência nas periferias", afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

"Por isso, temos de aumentar a mobilização para por todos eles para fora e avançar na construção de uma forte greve geral para exigir eleições gerais antecipadas com novas regras e construir uma nova alternativa dos trabalhadores para este país”, disse.

O PSTU defende eleições gerais já, para todos os cargos, sob novas regras, onde envolvidos em casos de corrupção não possam participar, haja tempo igualitário de TV entre todos os partidos, sem qualquer tipo de financiamento privado, além de mandatos revogáveis e fim dos privilégios e altos salários.

Contudo, para nós, somente a classe trabalhadora, nas ruas e nas lutas, pode construir uma nova alternativa para o país.  O Brasil precisa de um Governo Socialista dos Trabalhadores. Um governo que são seja atrelado aos patrões e corruptos e que seja baseado em Conselhos Populares, onde os trabalhadores, nas fábricas e nos bairros, de forma democrática,decidam os rumos do país.

O ato neste sábado também é convocado por entidades como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Sindicato dos Químicos, dos trabalhadores dos Correios, aposentados, entre outros. Faixas, cartazes e os famosos bonecões de Dilma, Aécio e Temer farão parte da manifestação.

Em assembleias, trabalhadores seguem fortalecendo campanha “Fora Todos, Eleições Gerais já”


14/4/2016 - Às vésperas da votação do impeachment da presidente Dilma, no próximo domingo, a exigência “Fora Todos, Eleições Gerais já” segue ganhando força entre os trabalhadores. Nesta quinta-feira, dia 14, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos realizou assembleias com os operários da Gerdau e da Friulli, que aprovaram por unanimidade a campanha que defende que saiam todos do poder.

Os metalúrgicos entendem que assim como Dilma, o vice Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, que estão na linha sucessória da presidência da Republica em caso de impeachment, ou mesmo Lula ou Aécio, que tentam se cacifar como alternativas, não são opções que possam atender os interesses dos trabalhadores.

No início da semana, os trabalhadores da Embraer, da unidade de Eugenio de Melo, e os funcionários da Heatcraft também aprovaram “Fora Todos”, após uma passeata unificada, que durou cerca de uma hora até as portarias das empresas. Ao todo, metalúrgicos de 16 fábricas da categoria já aprovaram em assembleias e manifestações adesão à campanha.

“É fundamental que, neste momento, em que a crise se aprofunda e a burguesia tenta emplacar um seus nomes para tentar sair da crise e colocar em prática seus planos de ajuste fiscal, os trabalhadores tomem a frente dessa luta”, avalia o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira, que tem acompanhado as manifestações.

“Se depender dos poderosos, eles vão acabar fazendo um acordão para se manterem um ou outro no poder, mas principalmente para aplicar os ataques que banqueiros e empresários exigem, como a Reforma da Previdência. Só os trabalhadores entrando com força nesse jogo, com suas lutas e nas ruas, rumo à uma Greve Geral, poderemos construir uma nova alternativa independente do governo e da oposição pela direita, ambos corruptos e inimigos da nossa classe”, disse.

“É preciso por todos pra fora, realizar eleições gerais sob novas regras, e acima de tudo construir uma nova alternativa, um governo socialista dos trabalhadores, que governe apoiado em conselhos populares”, concluiu Toninho.





Servidores municipais de Jacareí protestam contra ataques do governo Hamilton Mota (PT)

14/4/2016 - Nesta quarta-feira, dia 13, os servidores municipais de Jacareí foram às ruas em protesto contra os ataques do prefeito Hamilton Mota (PT). Trabalhadores de diversos setores realizaram uma passeata contra o corte no adicional de periculosidade, bem como pela Campanha Salarial da categoria.

Os trabalhadores foram até a Câmara Municipal, onde exigiram ser recebidos pelos vereadores para cobrar uma posição do legislativo a favor dos direitos da categoria.

Ataques aos direitos
A Prefeitura retirou o pagamento do adicional de insalubridade de quase todos os servidores. Em janeiro deste ano, a empresa Prontoclin, contratada pela Prefeitura, apresentou um laudo que contém uma série de erros, definindo que vários trabalhadores em funções que oferecem risco à saúde não tem o direito de receber o adicional como determina a lei.

“O relatório é tão duvidoso que mesmo entre servidores que executam os mesmos serviços, uns recebem, outros não. Auxiliares recebem o benefício, mas profissionais de determinadas funções, não. Um absurdo”, explica o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Jacareí, Alexandre Pereira.

“Os servidores do SAAE, Serviço de Água e Esgoto, também perderam o adicional, apesar de estarem expostos a vários riscos, como encanadores, mestres de saneamento, auxiliar de serviços gerais que trabalham na limpeza de decantadores do ETA, entre outras funções”, disse.
Em relação à Campanha Salarial, a data-base venceu em março. O sindicato dos servidores já apresentou pauta de reajuste e direitos, mas até agora a Prefeitura não se pronunciou.

video


A crise sobre os trabalhadores
Em Jacareí, por falta de repasses da Prefeitura, funcionários terceirizados de creches e da limpeza e vigilância da Santa Casa já ficaram sem receber salários.

A Guarda Civil Municipal luta há mais de um ano pelo reconhecimento de direitos da categoria, como estatuto próprio, seguro de vida e aposentadoria especial, sem que sejam atendidos pelo prefeito.

Os servidores do SAAE realizaram este vários protestos para exigir o pagamento de seus direitos, além de denunciar a má qualidade da água fornecida na cidade, por falta de aplicação de produtos.
A saúde é um dos setores mais afetados. O caos é tanto que o secretário municipal da Saúde se viu obrigado a deixar o cargo este ano, após um médico da Santa Casa  denunciar a falta de  plantonistas no hospital.

“Em todo o país, os governos, seja da esfera federal, estadual ou municipal, estão jogando a crise sobre os servidores públicos com vários ataques, como atrasos de salários, cortes de direitos, entre outros”, afirma a vice-presidente do STMJ, Sueli Cruz.

“Os trabalhadores não aguentam mais tantos ataques, que têm resultado em corte de direitos, sobrecarga de trabalho e piora no atendimento à população. Não são os trabalhadores que devem pagar a crise criada pelos governos e capitalistas. Vamos nos manter mobilizados para lutar pelos nossos direitos”, disse Sueli.






11 de abril de 2016

Dia 14, crise política e a saída para os trabalhadores são temas de palestra no PSTU de São José. Compareça!

11/4/2016 - O PSTU de São José dos Campos realiza no próxima quinta-feira, dia 14, às 18h30, um debate em sua sede, com o tema "A crise política no país e a saída para os trabalhadores".

Zé Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU, Ernesto Gradella, ex-deputado federal, e Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José e suplente de deputado federal serão os debatedores.

Vamos discutir a atual situação do Brasil, enfocando temas como a crise política, as manifestações nas ruas, o processo de impeachment, os planos de ajuste fiscal, entre outros.

"Queremos debater, principalmente, as saídas para a classe trabalhadora no atual cenário", convida o presidente do PSTU de São José dos Campos, Toninho Ferreira.

Compareça! Convide seus amigos, companheiros de trabalho, familiares! Ajude a divulgar!

O PSTU de São José dos Campos fica na Rua Romeu Carnevalli, 63, centro (próximo ao Mercado Municipal).

8 de abril de 2016

Artigo: Fora todos eles!

8/4/2016 - Por Zé Maria

O governo Dilma se afunda numa grave crise política porque traiu as promessas que fez à população durante a campanha. As denúncias de corrupção atingem hoje tanto o PT, Lula e o governo, como o PSDB, o PMDB, o PP etc. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha –que já deveria estar preso e com seu mandato cassado– acelera os tramites do processo de impeachment.

O vice-presidente Michel Temer, que pode ser incluído em inquérito da Lava Jato no Supremo, e o PMDB, que tem diversos políticos filiados sendo investigados por corrupção, são tão responsáveis quanto o PT pelos ataques feitos por este governo aos direitos dos trabalhadores.

A turma do PSDB, por sua vez, posa de defensora da moral e dos bons costumes quando todos sabem de casos de corrupção no governo de FHC, do escândalo da merenda em São Paulo e das denúncias que pesam sobre Aécio Neves.

Nem PT, PSDB ou PMDB estão preocupados com os problemas que atormentam a vida do povo: desemprego, inflação, corte de direitos, caos na saúde, na educação, no transporte e na moradia e a violência contra negros e pobres.

O PT governa para bancos, empreiteiras e multinacionais, assim como o PSDB. Ambos brigam para administrar o país hoje, mas estão unidos na hora de sacrificar os trabalhadores para atender aos interesses das grandes empresas.

Não devemos defender nem um nem outro. É preciso colocar para fora todos eles e convocar eleições gerais, já! Trocar todo mundo. Precisamos de uma greve geral que ponha fim às demissões, ao corte de direitos sociais, ao ajuste fiscal e ponha os corruptos e corruptores na cadeia, expropriando seus bens.

Não estamos diante de uma ameaça de golpe no país, como alardeia o PT. A classe operária e o povo pobre deste país querem colocar para fora o governo Dilma o quanto antes, pois o elegeu e foi traído por ele. É absolutamente justo o rechaço à alternativa que o vice Michel Temer representa, mas nem por isso podemos defender o "Fica, Dilma". Temos de colocar para fora todos eles. Por isso o impeachment não é a solução. Só trocaria Dilma por Temer –seis por meia dúzia.

Não faz sentido criticar o ajuste fiscal do governo e, ao mesmo tempo, defender o "Fica, Dilma" alegando a defesa da democracia, como fazem, por exemplo, a direção do PSOL e a do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).

Ora, a democracia já está sendo atacada pelo governo petista quando sanciona a chamada Lei Antiterrorismo. E o ajuste fiscal é a cara deste governo. Defender sua continuidade é ser cúmplice com o que este governo está fazendo contra os trabalhadores. É preciso romper com o governismo e vir para a luta contra ele e contra o PSDB.

As mudanças que o país precisa não virão com nossa participação em atos convocados pelo PSDB, pela Fiesp ou pela Rede Globo para tirar Dilma e colocar Temer ou apoiar Aécio. Nem tampouco virá de manifestações para defender o "Fica, Dilma". Nada disso nos representa.

Os trabalhadores precisam tomar a frente da luta para tirar todos eles do poder: Dilma, Temer, Cunha, Renan Calheiros, Aécio e este Congresso Nacional inteiro. Devemos exigir eleições gerais já e com novas regras: sem financiamento privado de campanha, tempo de televisão igual para todos os partidos, revogabilidade de mandatos e salários dos políticos iguais ao de uma professora ou ao de um operário.

Mas é preciso dizer que este país só vai mudar de verdade quando tiver um governo dos trabalhadores. A verdadeira mudança não virá das eleições. Os trabalhadores precisam lutar por um governo seu, um governo socialista, sem patrões e sem corruptos, baseado em conselhos populares, que se apoie nas lutas da classe trabalhadora e do povo pobre para mudar o país.

Zé Maria é presidente nacional do PSTU
Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, em 8 de abril de 2016




7 de abril de 2016

Especulação sem limites: governo Alckmin quer despejar Fundação Cultural para vender área

7/4/2016 - Em meio à crise econômica, a política privatista dos governos no Brasil segue avançando a pleno vapor. A entrega do patrimônio da Petrobrás e do Metrô de São Paulo são exemplos de destaque no cenário nacional, mas essa semana veio à tona outro fato.

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) deu prazo até o final deste mês para que a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e outras repartições públicas, que ficam nas instalações da antiga Tecelagem Parahyba, em São José dos Campos, saiam do local.

O objetivo do despejo, que foi informado por meio de ofício no último dia 31, é para que a área de 125 mil metros quadrados seja vendida futuramente.

O local pertence ao Estado e está dividido em pavilhões que abrigam prédios da Prefeitura e do próprio governo de São Paulo, como a Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), espaços utilizados pela Secretaria de Esportes e o Fundo Social de Solidariedade. Entre os órgãos estaduais no local estão a Cetesb, Polícia Ambiental, Fundação Procon e Divisão Regional de Saúde (DRS). Ao todo são 20 repartições públicas.

Não à entrega do patrimônio cultural
Repudiamos veemente esta medida do governo tucano que demonstra, mais uma vez, sua lógica privatista e tacanha. Afinal, não se trata apenas de despejar, de uma hora para outra, dezenas de órgãos públicos, mas de querer especular com um importante patrimônio público, tudo para garantir recursos do Orçamento para pagar a Dívida Pública.

O prédio da antiga Tecelagem Parahyba é um rico patrimônio histórico e cultural de São José dos Campos. A área da fábrica fundada em 1925 é um importante e belo complexo, inspirado na arquitetura industrial italiana. A área da empresa, que faliu na década de 90, é utilizada em forma de comodato pela Prefeitura. Nos pavilhões ocupados pela Fundação Cultural, por exemplo, são promovidas atividades como oficinais culturais, música, dança, teatro, exposições, etc.

Parte do complexo já vem sendo consumido pelo tempo. No final do ano passado, parte da estrutura desabou, mas como já estava abandonada, não resultou em feridos. Os problemas, já apontados pela própria administração no local são vários, como rede elétrica antiga, infiltração, cupins, galpões com risco de desabamento e subutilização de espaços.

Em março, a Justiça condenou o Estado a recuperar dois galpões cujos telhados desabaram em 2013 e 2014. As paredes dos espaços, que foram interditados pela Defesa Civil, também correm o risco de cair. Agora, Alckmin vem com essa decisão de despejo à toque de caixa.

“Os trabalhadores e a população não podem aceitar essa medida que atenta contra um patrimônio que é público. O pior que o objetivo desta medida é entregar um bem público para arrecadar dinheiro para pagar a Dívida Pública e favorecer a especulação imobiliária. Com certeza, construtoras já estão de olho no imóvel, que tem localização privilegiada, ao lado do Parque da Cidade”, afirma Ernesto Gradella, ex-deputado federal e dirigente do PSTU de São José dos Campos.

Para o presidente do PSTU e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira, é dever do Estado (PSDB) e também da Prefeitura (PT) manter preservado esse patrimônio histórico e cultural de São José.

“Alckmin e Carlinhos têm de resolver esse impasse.  A população não pode ser penalizada. Governo e prefeitura devem não só revogar essa medida de despejo, como garantir as condições para a manutenção e melhorias das instalações da Fundação Cultural e de todas as atividades no local, para que estejam a serviço da população, com qualidade”, afirmou Toninho.

Instalações da antiga fábrica estão localizadas em área de 125 mil metros



6 de abril de 2016

“Sem salário, nem seguro-desemprego, quem está pagando pela crise somos nós, trabalhadoras”, denuncia metalúrgica da Sun Tech

6/4/2016 - A luta das metalúrgicas da Sun Tech de São José dos Campos contra o calote é um símbolo do dilema enfrentando por muitas trabalhadoras Brasil afora: diante da crise econômica, muitas empresas simplesmente fecham as portas e vão embora, sem pagar salários e direitos.

A fábrica, que funciona como terceirizada da LG na montagem de smartphones e celulares anunciou o fechamento das atividades em dezembro, demitindo todas as 320 trabalhadoras, sem pagar as férias, o 13º salário, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), seis meses do FGTS, além da multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia. Um verdadeiro calote.

Para piorar ainda mais o drama das trabalhadoras, a maioria mãe e arrimo de família, o governo não liberou o seguro-desemprego, sessenta dias após o pedido.

“Estou passando dificuldades em casa, com água e luz atrasados, vivendo de empréstimos dos meus pais. É desesperador passar por esta situação após anos de trabalho. A empresa me deve cerca de dez mil reais”, afirma Elenice de Souza Dias.

Para a trabalhadora, o fechamento da empresa e a demissão são parte de uma farsa da Sun Tech para rebaixar salários e direitos. Isso porque três meses após ter fechado as portas, a fábrica voltou a produzir, com um número menor de funcionárias, que estão trabalhando em situações precárias.

Segundo Aline Bernardo dos Santos, diretora do Sindicato dos Metalúrgicos, a Sun Tech está pagando às trabalhadoras apenas os salários. Todos os outros direitos da categoria, como auxílio-creche e convênio médico foram cortados.

Seguro-desemprego
Na luta garantir seus direitos, as trabalhadoras da Sun Tech realizaram mais um ato nesta quarta-feira, dia 6, em frente ao Ministério do Trabalho de São José dos Campos. A mobilização teve como objetivo pressionar o governo federal pela liberação do seguro-desemprego, que representaria um pequeno alívio diante da dificuldade da situação.

Com faixas e cartazes, as trabalhadoras denunciaram não só a empresa, mas também o governo Dilma, o Congresso e todos os corruptos do país, levantando a bandeira do “Fora Todos, Eleições Gerais já”.

“O governo está desrespeitando o trabalhador, só estamos exigindo o que é nosso por direito. Fomos demitidas sem nossos direitos e quanto cobramos nosso direito do governo, ele simplesmente não paga e não dá satisfação”, afirma Francinete Maria da Silva, ex-trabalhadora da Sun Tech.

“Estamos cobrando o Ministério do Trabalhado toda semana e a resposta é sempre a mesma: faltam servidores públicos para dar andamento aos processos. Isso é culpa do governo, que além de cortar nossos direitos ainda está cortando o número de servidores públicos que atendem o trabalhador”, avalia Aline.

“Infelizmente, quem está pagando pela crise econômica do país somos nós, trabalhadoras. Eu tenho certeza que na casa da Dilma, na casa dos banqueiros não está faltando nada!”, denuncia Aline.


Por Manuela Moraes, de São José dos Campos

Fotos: Manuela Moraes




5 de abril de 2016

A cidade que queremos: aquecimento global é tema de debate no Sindicato dos Metalúrgicos nesta quinta

5/4/2016 - O aquecimento global e o impacto das mudanças climáticas em nossa região e na vida dos trabalhadores serão temas de um debate que acontece nesta quinta-feira (7), às 19h, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

A atividade faz parte do ciclo de debates “A cidade que queremos”, que vem sendo promovido pela entidade.

Farão parte da mesa de debate a professora de doutorado do INPE e pesquisadora em mudanças climáticas, Mariane Mendes Coutinho, e o advogado e ambientalista socialista Denis Ometto, fundador da Ação Eco Socialista.

O objetivo é discutir a atual situação do meio ambiente no planeta e as perspectivas para o futuro. Também será discutido o impacto do ambiental de empresas como a Petrobras em nossa cidade.

A primeira atividade do ciclo, realizada em janeiro, debateu os reflexos da crise econômica na habitação popular e marcou os quatro anos da violenta desocupação do Pinheirinho. Na ocasião também foi realizada uma exposição com retratos da ocupação.

Crescimento desenfreado
Um estudo publicado em março deste ano apontou que as emissões de carbono atingiram o maior patamar dos últimos 66 milhões de anos. Desde o começo da era industrial, mais de 3 trilhões de toneladas de carbono foram lançadas na atmosfera terrestre e, anualmente, mais 10 bilhões de toneladas são acrescentadas a esse número.

Segundo o estudo da Universidade do Havaí, o uso desenfreado de combustíveis fósseis e o alto nível atual de emissões de carbono “provavelmente vão resultar em extinções generalizadas no futuro”. O crescimento desenfreado de produção e consumo, base do sistema capitalista, coloca toda a humanidade em risco.

Até mesmo metas conservadoras, como as definidas no Protocolo de Kyoto fracassaram. Em vez de reduzir em 5% a emissão dos chamados gases de efeito estufa, foi registrado um aumento global de 16,5% entre 2005 e 2012. A 15ª Conferência do Clima (COP-15), realizada em 2009, sequer fixou uma meta de redução.

“A necessidade de aumentar os lucros impõe o avanço e a destruição constante de recursos naturais, o que coloca em risco toda a humanidade. O fim dessa exploração irracional só pode ser alcançado com o fim do capitalismo”, afirma o diretor do Sindicato Vinícius Faria.

Informações: www.sindmetalsjc.org.br