Pelo país, categorias aprovam adesão e preparam a Greve Geral

Trabalhadores dos transportes, construção civil, metalúrgicos, petroleiros, entre outras, estão aprovando e preparando a Greve Geral de 30 de junho

30 de março de 2016

FALA TONINHO: “O PMDB, os ratos e o navio”

30/3/2016 - Por Toninho Ferreira

Com o naufrágio, os ratos abandonam o barco, afirma o ditado popular. Pode parecer clichê, mas não há nada melhor para expressar a decisão do PMDB de romper com o governo Dilma, oficializada nesta terça-feira, dia 29.

A decisão unânime, aprovada aos gritos de “Fora PT” e “Brasil, para frente, Temer presidente”, é um sinal de que o partido analisou todas as possibilidades e sabe que o governo da presidente Dilma acabou definitivamente.

Na mesa que coordenou a reunião, lá estava ele. Sorridente. Sorrateiro. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha , afundado  até o pescoço em denúncias de corrupção. O vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado Renan Calheiros não compareceram. Mas é apenas um detalhe. Arquitetaram todos juntos. Negociaram, inclusive, com o PSDB de José Serra e Aécio.

Mas estão errados os governistas e o PT com a choradeira, quando dizem que o PMDB “traiu” o governo. O PMDB apenas cumpre sua política de fome insaciável por cargos.  O PMDB pode ser governo pela terceira vez sem ganhar uma eleição diretamente.

Quem na verdade traiu a confiança do povo foi o PT, quando se juntou a Sarney, Jader, Renan, Temer, velhos conhecidos por roubalheiras no país.

O governo Dilma e o PT colhem o que plantaram. Como bem resumiu um militante do PSTU, o governo vai definhar sozinho. Sem os porcos, com quem se juntou, e sem os trabalhadores, que abandonou.

Fora todos eles!
Oportunista e fisiológico como sempre foi, o PMDB está pulando do barco antes para tentar se salvar. Temer e o PMDB tentam se postular como a alternativa viável ao governo paralisado de Dilma. Está é a expressão da degeneração política do país.

Um dos partidos mais citados na Operação Lava a Jato, o PMDB tem vários políticos acusados de corrupção, inclusive Temer, Renan e Cunha que são a linha sucessória de Dilma. Mais do que parceiros na dilapidação do Estado, o PMDB é também avalista da mesma política econômica, que privilegia banqueiros e grandes empresas, em detrimento dos trabalhadores e da maioria do povo.

Oficialmente, o partido decidiu que nenhum filiado está autorizado a exercer qualquer cargo federal e em caso de descumprimento poderá ser expulso. O partido comandava seis ministérios importantes e milhares de cargos em 2° e 3° e escalões inferiores. Contudo, os pemedebistas não deram prazo para entregar os cargos e alguma saída mais amena, como pedidos de afastamentos do partido, pode acabar mantendo muitos no mesmo lugar.

O fato é que a crise política segue se aprofundando em velocidade impressionante.  A saída de Dilma deixou de ser apenas uma possibilidade, é uma hipótese cada vez mais provável, o que daria a Temer a presidência da República.

Nós, do PSTU, seguimos afirmando que apenas o impeachment não é a solução para a crise política, social e econômica instalada no país. Precisamos colocar todos pra fora.

Empossar Temer é a saída que os banqueiros e grandes empresários, juntamente com a elite política do país, estão buscando para tentar sair da crise e aplicar o mesmo projeto econômico contra os trabalhadores, o chamado ajuste fiscal.

Não basta tirar apenas Dilma e o PT. É preciso por todos para fora: Temer, Cunha e Renan, do PMDB, Aécio, do PSDB, e todo esse Congresso de picaretas. Aliás, vale ressaltar que dentre os 513 deputados da Câmara, segundo a Transparência Brasil, 303 são investigados por algum crime. No Senado, 49 dos 81 senadores estão envolvidos em investigações. Dos 65 membros da comissão do impeachment, 37 enfrentam acusações de corrupção ou outros crimes.

Nos estados a corrupção também corre solta. Em São Paulo, são os escândalos da merenda escolar, do Metrô e das obras do Rodoanel. O dinheiro que falta na saúde, no transporte público, nas escolas, na moradia popular, está sobrando no bolso deles.

Por isso, o FORA TODOS. A cada dia se faz mais necessário que os trabalhadores tomem as ruas. De imediato, vamos exigir eleições gerais, sem a participação desses corruptos. Eleições com outras regras, sem o financiamento privado, com tempo de televisão igualitário e mandatos revogáveis, sem qualquer tipo de privilégio e com salário igual ao de um operário ou professor.

Contudo, somente um governo socialista, com um projeto econômico voltado aos trabalhadores, poderá dar um basta a esse mar de lama de corrupção e atender as reivindicações e necessidades da maioria do povo.





Toninho Ferreira, é presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal


Inimigo da educação: Alckmin suspende bônus de professor

29/3/2016 - Depois de deixar os professores da rede estadual paulista sem reajuste salarial no ano passado, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou esta semana que não vai pagar o bônus anual por desempenho a professores e funcionários da rede. É a primeira vez que a bonificação não será paga desde que foi criada, em 2008.

A proposta do governo é converter a bonificação no reajuste salarial deste ano, com um índice irrisório de 2,5%, em abril.

O bônus é um valor pago aos servidores das escolas que atingiram as metas de desempenho do indicador de qualidade do Estado (Idesp), calculadas com base em fatores como o índice de faltas dos profissionais, perfil socioeconômico das escolas e o desempenho no Saresp (avaliação de desempenho educacional do Estado).

A categoria sempre denunciou o bônus por ser uma política meritocrática (discriminatória) e reivindicava a incorporação dos valores ao salário. Porém, o que Alckmin faz agora é justamente o contrário.

Além de não incorporar aos salários-base, o governo tucano simplesmente acaba com o bônus e tenta fazer parecer que está concedendo reajuste salarial. Mas, na verdade, quer repassar apenas 2,5% de aumento, enquanto a inflação acumulada no período já passa dos 15%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O último reajuste dos professores foi de 11,25%, em agosto de 2014. Era a parte final de um montante de 45%, pagos em quatro anos desde 2011, que deveria repor as perdas que os docentes tiveram nos dez anos anteriores.

A crise sobre os trabalhadores
O governo tem a cara de pau de tentar justificar o fim do bônus como “contenção orçamentária” diante da crise e que a proposta atende à reivindicação histórica da categoria de incorporação.
Em janeiro, o governador  já havia anunciado o congelamento de R$ 6,9 bilhões do Orçamento do estado este ano.

Notório inimigo da educação pública, o que Alckmin está fazendo é mais um ataque aos professores, jogando a crise sobre os trabalhadores.

É a mesma lógica do Plano de Ajuste nos Gastos Públicos, apresentado na semana passada, pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que prevê uma série de medidas de limites e cortes no Orçamento, que poderá suspender o aumento real do salário mínimo e reduzir o quadro do funcionalismo público, por meio de programas de demissões voluntárias.

Os professores programam uma assembleia para o próximo dia 8, às 14h, na Praça Roosevelt, centro da capital, e não descartam a possibilidade de iniciar uma nova greve.


29 de março de 2016

Governo Dilma abandona reforma agrária e paralisa desapropriações

29/3/2016 - O governo Dilma literalmente paralisou as desapropriações de terras improdutivas para fins de reforma agrária em seu segundo mandato. Em um ano e três meses da atual gestão, o número é zero. Mesmo no primeiro mandato, os números são insignificantes diante da concentração fundiária no país: foram apenas 216 áreas desapropriadas.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, a paralisia nas desapropriações se mantém apesar de o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) ter enviado no ano passado 22 decretos para novas desapropriações para a Casa Civil (responsável pela publicação final). As publicações ainda não ocorreram porque a Casa Civil precisa antes consultar outros órgãos do governo.

Em comparação a governos anteriores a queda é abrupta. Lula desapropriou 1.302 áreas em seu primeiro mandato e 685 no segundo. Fernando Henrique Cardoso desapropriou 2.223 imóveis em sua primeira gestão e 1.313 na segunda.

Ainda segundo a reportagem, mesmo em relação aos decretos que foram publicados, o governo não conseguiu transformar em áreas para assentamentos. Após a desapropriação, é preciso entrar com ações na Justiça e pagar títulos de dívida agrária aos antigos donos como indenização.

No caso das cem desapropriações publicadas em 2013, anunciadas com comemoração pelo governo, só houve pagamento de 52 desses imóveis, segundo o Incra. Mais de dois anos depois, nem sequer foram ajuizadas ações para todas as cem áreas: ainda faltam cinco delas. Com isso, é possível que as desapropriações não se concretizem e os assentamentos rurais não sejam viabilizados. A falta de pagamento pode derrubar na Justiça essas desapropriações.

Cortes no orçamento
Se não há dúvidas do compromisso do governo do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) com o agronegócio e com os latifundiários, que se notabilizou por criminalizar a luta dos sem-terra, não há como negar também que os governos do PT deram continuidade à mesma política.

O ajuste fiscal aplicado pelo governo Dilma tem agravado a situação, com cortes de recursos do setor, inviabilizando na prática a reforma agrária.

Segundo relatório da CPT (Comissão Pastoral da Terra), sobre a questão agrária no Brasil, em 2015, as desapropriações de terras foram drasticamente prejudicadas com o corte de 15,1%, por meio do contingenciamento do Orçamento da União.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) sofreu, em termos absolutos, uma redução de 49% do montante previsto inicialmente na Lei Orçamentária Anual de 2015. O Incra, que possuía um orçamento inicial da ordem de R$ 1,65 bilhão, atuou em 2015 com metade deste valor: R$ 874,37 milhões.



Ainda segundo a CPT, sequer foi cumprida a estimativa do governo para 2015 que era de atingir uma meta de trinta mil novas famílias assentadas. Os movimentos sociais do campo questionam até mesmo os dados do MDA que declarou ter assentado cerca de 13 mil famílias de trabalhadores rurais até outubro, quando somente cerca de sete mil novas famílias haviam sido assentadas até então. De todo modo, o número é muito aquém da necessidade das famílias acampadas no Brasil.

Para o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira, o governo Dilma abandonou a reforma agrária por que se uniu ao agronegócio e a latifundiários.

“Dilma deixou claro seu compromisso com esses setores quando, por exemplo, colocou a senadora Kátia Abreu, do PMDB, como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, lembrou Toninho.

“Hoje, no campo, a realidade é uma violência crescente, suspensão da demarcação de terras indígenas e quilombolas, a Polícia Federal atuando na prática a serviço de latifundiários e grileiros, assassinatos, uso de agrotóxicos sem qualquer fiscalização”, disse.

“Em 2007, Lula chamou usineiros, um dos setores do país onde mais há registros de trabalho escravo e superexploração, de heróis nacionais. É por isso, que o PT consegue se igualar a FHC e no caso de Dilma ser ainda pior, no que se trata da reforma agrária”, afirmou.

Com informações Folha de S.Paulo e Comissão Pastoral da Terra



24 de março de 2016

Uma polêmica necessária: a queda de Dilma seria um golpe?

24/3/2016 - Direção Nacional do PSTU

Com o aprofundamento da crise política, o processo de impeachment avançou no Congresso Nacional e Dilma está agora por um fio.

O governo e o PT denunciam um suposto golpe de Estado no país, tal como ocorreu em 1964. Essa versão vem tendo apoio em amplos setores da esquerda, e sendo utilizada para atrair público aos atos de apoio a Dilma e Lula. Mas será mesmo que estamos diante de um golpe de Estado?

Golpes: Modo de fazer
Para acontecer um golpe de Estado é preciso que o imperialismo e a burguesia, ou uma boa parte dela, cujos interesses estejam sendo contrariados pelo governo de plantão, se proponham a depô-lo pela força. Isso contra a vontade da classe operária e da maioria da população. Um golpe significa a supressão das liberdades democráticas e a instauração de outro regime político. Isso é feito por fora da constituição vigente, retrocedendo nas liberdades democráticas e, em regra, na independência dos três poderes da democracia burguesa.

É possível dizer que o governo do PT atacou, ou mesmo que ele ameace algum setor da burguesia ou do imperialismo? Ou que os banqueiros, Obama e cia., estariam a favor de um golpe ou de acabar com a democracia burguesa no Brasil de hoje? Nos 14 anos que o PT está à frente do governo federal, praticamente todos os setores da burguesia ganharam. O próprio Lula em seu discurso na Avenida Paulista, no último dia 18, fez questão de lembrar esse fato:  bancos, grandes empresas e multinacionais, passando por empreiteiras e latifundiários ganharam muito com o PT. Não é por menos que, entre seus ministros, Dilma conte com a ruralista Kátia Abreu e o industrial Armando Monteiro.

O que está ocorrendo nesse momento é a luta entre dois blocos burgueses: o bloco do governo do PT e o da oposição burguesa. Uma luta para decidir quem deve governar nesse momento de crise, e aplicar com maior eficiência o ajuste fiscal dos banqueiros. Até ontem, apesar da crise, a maioria da burguesia achava que ainda era melhor o PT para levar isso adiante. Na medida em que o governo do PT vai se afundando na paralisia e na impopularidade, a maioria da burguesia tenta buscar uma saída por dentro do regime e da constitucionalidade para resolver sua crise de governo.

Um golpe de Estado exigiria, além disso, que o setor golpista da burguesia tivesse o apoio das Forças Armadas. O golpe de Estado em Honduras, em 2009, por exemplo, lembrado por muitos por ter uma cara constitucional e legalista, contou com as Forças Armadas que, na ocasião, chegou a sequestrar o então presidente Zelaya. Isso não acontece, e não tem chance de acontecer na conjuntura atual do Brasil, pois não é essa a política do imperialismo, da burguesia, tampouco das Forças Armadas.

Por fim, um golpe de Estado precisaria contar com um apoio significativo de massas. Algo que simplesmente não existe hoje, com exceção de um setor bastante marginal e insignificante.

Golpe ou crise? O “Estado Democrático de Direito” está ameaçado?
As ilegalidades e arbitrariedades praticadas pelo juiz Sérgio Moro, tais como atentar contra os direitos individuais de Lula ao divulgar escutas que dizem respeito à sua vida privada, as gravações da presidente sem autorização do STF, o abuso das conduções coercitivas, entre outras, devem ser denunciadas e combatidas. O papel da Rede Globo de insuflar seletivamente alguns fatos e omitir outros é um escândalo, o que, aliás, não vem de hoje.  Diga-se de passagem, o governo do PT manteve excelentes relações com essa emissora e outras durante os 14 anos que se encontra no poder.

Existe uma tendência mundial, e também no Brasil, de tornar as democracias burguesas menos democráticas, mais bonapartistas como se diz, repletas de leis e medidas autoritárias. As parcelas de ilegalidades praticadas pelo juiz Sérgio Moro, da mesma maneira que a lei antiterrorismo sancionada pelo governo do PT, atestam esse estreitamento das liberdades democráticas.

É preciso que se diga ainda, que para a ampla maioria da população não há “Estado Democrático de Direito”. Na periferia, esses direitos e garantias individuais, e outras, não são respeitadas nunca.

Ainda assim, mesmo sendo a democracia burguesa um regime pouco democrático, é evidente que, diante de um golpe que ameace as liberdades democráticas, devemos defendê-la com unhas e dentes. E contra tal golpe, fazer unidade com todos dispostos a impedi-lo. Se avaliássemos que o país está na iminência de um golpe, não só seríamos os primeiros nas ruas a defender as liberdades, como exigiríamos armas. Não somos incoerentes, nem comentaristas da realidade.

Concluir, porém, que através de um processo de impeachment estaria ocorrendo hoje um golpe no país, é algo totalmente falso. Não vivemos nada parecido ou similar a 1964.

Vivemos, isso sim, uma tremenda crise do governo com elementos de crise do regime. A maioria da burguesia, que tentou, até um mês atrás, manter seu calendário eleitoral intacto (Dilma até 2018), com o agravamento da crise, está optando, por “queimar um fusível” e trocar por outro. Trocar seis por meia dúzia. À classe operária e ao povo pobre isso não interessa. Defendemos trocar a fiação inteira.

O governo está completamente enfraquecido, perdeu sua base social de apoio e conta com 9% de popularidade. A classe operária, os trabalhadores e a periferia romperam majoritariamente com ele e querem que ele se vá. Seus motivos não são formais ou jurídicos, são concretos e justos. A maioria da classe operária e do povo está furiosa com o governo pró-imperialista do PT. Pelos mesmos motivos que está contra Temer, Cunha, Aécio, o PSDB e a maioria do Congresso: todos eles praticaram um estelionato eleitoral nas massas e estão jogando a crise nas nossas costas para defender os ricos.

Esse Congresso Nacional pode optar para que fique Dilma ou pela posse do Temer. A classe operária, a maioria do povo, no entanto, não quer nem uma, nem outra coisa e tem toda razão.

Impeachment e democracia burguesa
Outra versão do suposto golpe diz que estamos à beira de um golpe contra o governo, e  não contra o regime. Essa tese afirma que o Congresso Nacional e o judiciário estão passando por cima das regras constitucionais para depor Dilma através do impeachment. Afirmam que se Dilma cair por um impeachment sem que tenha se provado o crime de responsabilidade contra ela, configuraria um golpe.

É das provas que cuida o processo do impeachment. E mesmo elas dependem, como em tudo no Direito burguês, de interpretação. Pela argumentação do governo, chegaríamos à conclusão de que Collor teria sido vítima de golpe, pois juridicamente o STF o absolveu. E vai ver que é por ter sido “vítima” de golpe é que agora Collor faz parte da base do governo Dilma. O certo é que todo processo de impeachment é carregado de elementos políticos.

Esse Congresso de maioria de picaretas e corruptos vota sempre contra o povo, por isso votou contra as Diretas. No entanto, é neste Congresso que Dilma hoje tem mais possibilidades de se manter e é também nele onde a burguesia pode impor um presidente não eleito e igualmente odiado, como Temer. Se o povo hoje fosse consultado o resultado seria botar todos eles pra fora, incluindo a maioria desse Congresso corrupto.

O principal argumento utilizado pela esquerda pró-governo diz que Dilma foi legitimamente eleita e tirá-la do cargo antes de 2018 é golpe. Aferram-se, assim, a um dos elementos mais antidemocráticos desse regime. Se um presidente é eleito por que não é legítimo exigir que saia? Bom, a Constituição brasileira afirma, numa tremenda ironia, que todo poder emana do povo. Então, se esse mesmo povo que elegeu um governante, depois de sofrer estelionato eleitoral, ser enganado, atacado e romper com ele, não deve ter o direito de tirá-lo? O PSTU acha que tem que ter sim, e é justamente por isso que, entre nossas propostas democráticas está a revogabilidade dos mandatos. Qualquer político, não só o presidente, deveria ter o mandato revogável a qualquer momento pela população.

O impeachment é um mecanismo da democracia burguesa para que, em momentos excepcionais e de crise, eles possam tirar um presidente de maneira controlada, dando a posse ao vice ou ao presidente da Câmara.

Nós não defendemos o impeachment porque é conservador: não basta trocar um fusível por outro igualzinho, tem que trocar a instalação inteira. Os setores governistas, o PSOL, PCB, e, agora, até o MRT e outras organizações, perante a crise e uma possível troca de fusível, dizem “Fica Dilma!” Nós dizemos: “Fora Dilma e Fora Temer! Eleições Gerais, já! Troca tudo!”. E chamamos a classe operária a tomar a frente dessa luta, porque só assim é possível impor esse desfecho.

Os setores pró-Dilma querem que a classe trabalhadora que rompeu com o governo e quer que ele se vá, defenda-o, alardeando que estamos na iminência de um golpe. Querem que a classe operária e os trabalhadores recuem e cumpram um papel conservador e de apoio a um governo burguês.

Um campo progressivo?
O que acontece, na verdade, é uma pressão avassaladora da superestrutura do governo sobre as organizações de esquerda para que perfilem ao lado do governo burguês e pró-imperialista do PT (o governo de Kátia Abreu, Sarney, Itaú, Odebrecht etc.) e, assim, contra os trabalhadores e a maioria da população.

Para se ter uma ideia, até mesmo uma corrente que um dia foi conhecida por ter uma política ultraesquerdista, o MRT, sucumbe a isso. Em recente nota, o MRT acusa o PSTU de ajudar a direita, já que, por o impeachment ser a possibilidade mais colocada na realidade, estaríamos ajudando numa saída reacionária. Para o MRT, “Fica Dilma” seria uma alternativa progressiva ou um “mal menor”. Raciocínio idêntico ao utilizado pela maioria do PSOL para chamar o voto em Dilma contra Aécio no segundo turno das eleições de 2014, e não o voto nulo, como propôs o PSTU.

O que de fato está por trás dessa agitação de golpe que engloba hoje boa parte das organizações de esquerda, é a caracterização de que o governo do PT, embora não possa ser defendido, constituiria um campo burguês progressivo frente ao outro campo. Ou seja, caso outro governo assumisse no lugar de Dilma, seria um governo mais à direita, atacaria, necessariamente, de forma mais ainda violenta a classe trabalhadora que o PT. E esses setores acham que a classe operária estaria mais frágil para enfrentá-lo.

Mas, na verdade, quem está pelo “Fora Dilma” é parte amplamente majoritária da classe operária, da classe trabalhadora, e a esmagadora maioria da população. Embora tenham saído às ruas, contra ou a favor do governo, majoritariamente os setores médios (seja nos atos convocados pelo MBL e Vem Pra Rua, seja, nos do PT), não se engane: a classe operária rompeu com o governo e com o PT, e está furiosa e disposta a se mobilizar.

Assim como os operários da GM e da Embraer, e de inúmeras outras fábricas, estão realizando paralisações pelo “Fora Todos Eles e Eleições Gerais Já”, por proposta da CSP-Conlutas, o resto do país pararia em greve geral não fosse o apoio da burocracia sindical ao governo do PT. Não fossem setores da esquerda, como o PSOL e MTST, chamarem atos pelo “Fica Dilma”, alardeando que derrubar o governo antes de 2018 é golpe.

O PSTU, ao chamar “Fora Todos”, baseia-se na necessidade da classe operária de derrubar esse governo burguês de colaboração de classes, bem como as demais alternativas burguesas, como Aécio, Temer e Cunha e este Congresso. Baseia-se também na consciência da classe trabalhadora e da maioria da população que, depois de muitos anos, alcança enfim essa necessidade, e isso, ressalte-se, contra a política de quase todas as organizações de esquerda.

Esta é a única política que combate o imperialismo e a burguesia, da qual fazem parte os dois blocos burgueses: o do governo e o do PSDB-PMDB. A classe, hoje, está contra todos eles.

Esses setores argumentam que, enquanto não houver uma alternativa de massas de esquerda, socialista, ou sovietes, para tomar o lugar do governo, não se pode propor sua derrubada, mesmo que ampla maioria da classe operária e do proletariado esteja a favor de botá-lo para fora.  Para essas organizações, o papel dos revolucionários seria perfilar-se pela manutenção do mandato de um governo burguês de colaboração de classes contra a maioria da classe operária.

Isto, porém, é profundamente contrarrevolucionário em todos os sentidos.

Primeiramente, porque implica em ter como política a paralisia da classe na luta contra o governo, e em colocar medo na mesma dizendo que a sua tarefa é defender-se de um golpe inexistente. Significa não apenas capitular a um dos campos burgueses, ao governo pró-imperialista e pró-banqueiros do PT, mas atuar para fazer retroceder a disposição de luta e a consciência da classe operária, dificultando a construção de uma alternativa de esquerda que somente pode ser construída na mobilização a favor dessa necessidade percebida pelas massas.

Perfilar-se ao lado do bloco burguês governista é, além de tudo, aos olhos das massas, confundir-se com um governo que lhe deu um tremendo estelionato eleitoral, um governo corrupto, odiado, e que ataca direitos em defesa de empreiteiros, banqueiros e latifundiários.

O PSTU não defende o impeachment como forma de tirar Dilma porque entende ser insuficiente, porque via Congresso, ao dar a posse a Temer, se troca seis por meia dúzia. Além disso, esse Congresso Nacional corrupto não tem qualquer legitimidade para dar posse a um presidente não eleito e tão rejeitado como Dilma. Mas de maneira nenhuma defendemos “Fica Dilma”. Defendemos “Fora Dilma e Fora Temer, Eleições Gerais já!” Por um governo socialista dos trabalhadores, formado por Conselhos Populares! E defendemos a necessidade de uma Greve Geral.

A classe trabalhadora não está na iminência de uma derrota, nem está caminhando para a direita. A classe está avançando contra o governo e contra as alternativas burguesas.

O Brasil pode estar rumando para uma Argentina de 2001. A responsabilidade da verdadeira esquerda é desenvolver uma política de classe, de mobilização contra os dois campos burgueses, em lugar de propagar uma falsa análise e uma falsa política.

www.pstu.org.br

Todos à luta no dia 1° de abril: contra o governo Dilma, a oposição burguesa e o Congresso

24/3/2016 - No último dia 18, mesmo dia em que a CUT e outras organizações governistas realizavam manifestações a favor do governo, os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos realizaram uma passeata cuja faixa de abertura trazia as fotos de Dilma, Lula, Aécio, Temer, Renan e Cunha e se lia “Fora todos eles, Eleições Gerais, já”.

Diante da atual crise política e econômica do país, ao contrário de sair em defesa do governo do PT ou se somar às manifestações convocadas pela oposição burguesa, liderada pelo PSDB, o protesto dos metalúrgicos da GM foi uma manifestação independente, dos trabalhadores contra todos eles.

Esta semana, trabalhadores de outras empresas da categoria como Embraer, Blue Tech (Caçapava) e a montadora chinesa Chery (Jacareí), repetiram a manifestação para exigir “Fora Todos”.

A mobilização dos metalúrgicos de São José dos Campos e região dá um importante exemplo e mostra o caminho: a classe trabalhadora precisa construir uma mobilização classista e independente, tanto do governo, como da oposição de direita.

Afinal, nem PT, PSDB, PMDB ou esse Congresso que está aí são alternativas para os trabalhadores. Muito pelo contrário. Eles estão todos atolados em um mar de lama da corrupção e, apesar de suas disputas por poder, estão juntos para aplicar o ajuste fiscal e fazer os trabalhadores pagarem a conta da crise econômica e salvar os lucros de banqueiros e grandes empresários.

É por perceber essa realidade que, na prática, a classe trabalhadora e o povo das periferias até agora não aderiram de forma organizada e massiva aos atos, seja pró ou contra o impeachment.

Todos ao 1° de abril
No popular Dia da Mentira, 1° de abril, a CSP-Conlutas e organizações que compõe o Espaço Unidade de Ação (fórum amplo composto por entidades do movimento sindical, social e estudantil) estão convocando um dia nacional de mobilizações. Mas não será para defender Dilma e Lula, muito menos, para se somar às manifestações pelo impeachment capitaneadas por Aécio e pela oposição burguesa.

Vamos às ruas denunciar as mentiras e os ataques de todos eles: PT, PMDB, PSDB e de todo esse Congresso. Um dia de luta em defesa das pautas da classe trabalhadora.

“A saída para a atual crise do país só se dará com os trabalhadores em luta. É hora de a classe trabalhadora entrar em cena com força, e construir uma mobilização contra o governo e contra a oposição burguesa. Dilma, mas também Aécio, Cunha, Temer e Renan devem cair pelas mãos dos trabalhadores”, avalia o presidente do PSTU Toninho Ferreira.

O PSTU irá se somar as manifestações do dia 1° de abril. “Vamos às ruas exigir que se vá todos eles, eleições gerais já sob novas regras, prisão de todos os corruptos e corruptores, e também o fim das demissões, a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, a suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros para que haja dinheiro para saúde, educação, moradia, saneamento básico”, disse Toninho.

“Acima de tudo, sabemos que só a classe trabalhadora, nas ruas e nas lutas, pode construir um novo governo, socialista, dos trabalhadores, apoiado em Conselhos Populares”.

FALA TONINHO: “Lista da Odebrecht: se gritar pega ladrão, não fica um”

24/3/2016 - Superando a estimativa inicial de 200 políticos incluídos na bombástica lista da Odebrecht, levantamentos divulgados nesta quinta-feira, dia 24, já revelam 316 nomes, dos mais diversos partidos, tanto da base governista, quanto da oposição, do PT ao PSDB.

As planilhas, que foram apreendidas pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da empreiteira em janeiro e foram divulgadas no dia de ontem, caíram como o efeito de uma “bomba” no cenário político nacional. Fala-se em verdadeiro pânico nas esferas de poder, desde o governo federal, passando por governos estaduais, prefeituras, o Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras municipais.

Não é para menos. A tal lista traz políticos de 24 partidos, dos 35 registrados no país, que teriam recebido repasses da empreiteira para as campanhas eleitorais de 2012 e 2014. São ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, além de caciques dos grandes partidos, incluídos numa espécie de “folha de pagamento”. Mais do que isso, a lista seria apenas o "começo". Haveria muito mais pela frente com uma eventual delação de empresários da empreiteira.

As investigações ainda não avançaram na análise dos números das planilhas para identificar o que é caixa dois, propina ou “doação legal”.

Aliás, a maioria dos partidos e envolvidos, pegos de “calças curtas”, se apressaram em divulgar notas alegando que são “doações legais”.

Uma cara de pau sem tamanho desses políticos! Primeiro, por que, há fortes indícios de que há caixa dois e propina.

Levantamento do Estadão Dados, por exemplo, já identificou que os valores registrados nas planilhas como repasses a dezenas de políticos, em 2012, chegam a pelo menos R$ 75 milhões. É quase o dobro do valor declarado oficialmente como doações da Odebrecht nas prestações de contas que os candidatos apresentaram à Justiça Eleitoral (R$ 38 milhões).

Uma das planilhas da Odebrecht

O levantamento comparou também os registros da mais recente eleição para prefeito de São Paulo. Haddad (PT) aparece como beneficiário de R$ 3 milhões da Odebrecht nos documentos apreendidos pela Polícia Federal. Esses valores, porém, não constam da prestação de contas do candidato ou de seu comitê financeiro. Já José Serra (PSDB), que disputou o segundo turno com Haddad, teria recebido R$ 3,2 milhões no primeiro turno. Contudo, a prestação de contas do candidato não detalha esses valores.

Em segundo lugar, por que mesmo sendo doações de campanha consideradas regulares pela legislação, a existência de uma lista com mais de 300 políticos financiados por uma empresa revela um sistema corrompido. Não existe “doação”. Existe investimento, compra de mandato, pois como bem diz o ditado que já repeti por várias vezes, quem paga a banda escolhe a música.

Esta lista da Odebrecht escancara a relação promíscua do setor empresarial, neste caso das empreiteiras, com os políticos. Ao ponto de boa parte terem codinomes, apelidos caricatos, como “lindinho” (Lindbergh Farias-PT), “drácula” (Humberto Costa – PT), “caranguejo” (Eduardo Cunha – PMDB), “passivo” (Jacques Wagner – PT), “avião” (Manuela D´Ávila – PcdoB).

Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Paes (todos do PMDB), ACM Neto (DEM), Paulinho da Força (Solidariedade), Randolfe Rodrigues (ex-PSOL e atualmente filiado à Rede) são outros famosos da super planilha com mais de 300 nomes.

E, atenção, pois estamos falamos de apenas uma empresa. Imaginem se vêm à tona outras listas, de outras empreiteiras, de bancos e grandes empresas?

Fora todos eles!

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Diante do impacto da lista, horas depois de tornada pública, o juiz Sérgio Moro voltou atrás e decretou o sigilo sobre os documentos. Afinal, a brincadeira tem de ter limites, não é?
O fato é que se gritar pega ladrão, não fica um.

A cada dia vem à tona o nível de corrupção existente no país, ao mesmo tempo em que o governo Dilma e o Congresso seguem editando medidas contra os trabalhadores.

Mais do que nunca é necessário que os trabalhadores entrem em cena e tomem as ruas, mobilizem nas fábricas e locais de trabalho, rumo à construção de uma Greve Geral para por todos para fora: desde Dilma e Lula (PT), Temer, Renan e Cunha (PMDB), Aécio (PSDB) e esse Congresso de picaretas.

De imediato, devemos exigir eleições gerais já. Eleições com outras regras, sem o financiamento privado, com tempo de televisão igualitário e mandatos revogáveis, sem qualquer tipo de privilégio e com salário igual ao de um operário ou professor.

Mas a saída para a classe trabalhadora está nas suas lutas, na sua organização. Somente um governo socialista dos trabalhadores, apoiado na luta e formado por conselhos populares, poderá dar um basta a esse mar de lama de corrupção e atender as reivindicações e necessidades da maioria do povo.





Toninho Ferreira é presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal


18 de março de 2016

Em passeata, metalúrgicos da GM de São José exigem Fora Todos e Eleições Gerais já!

18/3/2016 - Nem governistas, nem coxinhas da oposição de direita. Na manhã desta sexta-feira, dia 18, foram os trabalhadores da General Motors, de São José dos Campos, que realizaram uma importante manifestação para exigir FORA TODOS ELES!

A opinião geral é que nem Dilma, Lula, Aécio, Temer, Renan, Cunha ou mesmo o Congresso de picaretas que está aí representam uma alternativa a favor dos trabalhadores.

Os metalúrgicos exigem Eleições Gerais imediatas para presidente, governadores, deputados federais e estaduais e defendem uma Greve Geral para derrotar tanto o governo, como a oposição burguesa e seus planos de ajuste fiscal.

Um importante exemplo! Somente a classe trabalhadora nas lutas e nas ruas poderá combater a corrupção e a grave crise que assola o país, construindo uma alternativa independente do governo e da burguesia. Um governo socialista dos trabalhadores, que governe com base a Conselho Populares.

Passeata por 1h30
A manifestação teve início quando o dia ainda estava escuro. Cerca de 1.500 metalúrgicos do primeiro turno da montadora saíram em passeata, que percorreu a marginal da Via Dutra, por cerca de 1h30.

O protesto foi organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e pela CSP-Conlutas, que deram início à campanha “Fora todos eles e Eleições Gerais, já”, diante da grave crise política e econômica instalada no país.

Durante o protesto, realizado às margens da Rodovia Presidente Dutra, motoristas buzinavam em apoio à manifestação.

“De nada adianta tirar a Dilma e manter o governo nas mãos de outros políticos que, além de estarem envolvidos em corrupção, não atendem aos interesses da classe trabalhadora. Somos contra o impeachment, porque isto representaria passar o poder para o Michel Temer, Cunha ou Renan, e nada mudaria. Defendemos a saída do governo Dilma e de todos os parlamentares, com a convocação de eleições para presidente, senadores e deputados. Também exigimos cadeia para todos os corruptos e confisco de seus bens para devolução do dinheiro roubado do povo”, disse o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

A manifestação dos trabalhadores da GM e Hitachi foram as primeiras de uma série a ser organizada pelo Sindicato e CSP-Conlutas, que também defendem a construção de uma Greve Geral no país como forma de pressionar a convocação de novas eleições.

O presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, e o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal Toninho Ferreira participaram da manifestação.

A continuidade da campanha, aprovada pelo Conselho de Representantes do Sindicato, prevê mobilizações em outras fábricas da categoria. O Sindicato vai disponibilizar centenas de adesivos de carros com o slogan para massificar a campanha.

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Confira algumas imagens do protesto:









17 de março de 2016

Os trabalhadores precisam tomar a frente da luta para botar pra fora todos eles!

17/3/2016 - A classe operária, os trabalhadores, o povo pobre, a juventude negra das periferias, as mulheres trabalhadoras, estamos indignados com toda essa situação do país.

Enquanto amargamos demissões em massa, desemprego, a alta dos preços dos aluguéis, da luz, do transporte e dos alimentos, retirada de direitos e ataques à educação, à saúde, a falta de saneamento básico, de moradia e de amplo direito à cidade, os banqueiros, as grandes empresas e os corruptos ganham rios de dinheiro.

O governo Dilma-PT, junto com o PMDB, o PSDB de Aécio Neves, o Congresso Nacional e também os governadores dos estados, brigam muito pra vem quem vai governar, mas se unem para atacar e explorar os trabalhadores e a maioria do povo.

Diante de tantas denúncias de corrupção, que atingem Dilma, Lula, Temer , Cunha e Renan do PMDB, Aécio, Alckmin e Fernando Henrique do PSDBm e mais de 130 deputados, a maioria do povo reagiu com enorme indignação à nomeação do ex-presidente Lula para ministro do governo.

Não podemos ficar quietos numa situação dessas. A classe trabalhadora precisa tomar a frente das mobilizações para botar para Fora Todos eles! Exigir eleições gerais, já, pra tudo: pra presidente, deputado, senador, governador. Tem trocar todo mundo.

Temos que tomar a frente das manifestações, porque não dá para apoiar atos da FIESP ou do PSDB que defendem trocar seis por meia dúzia: sair Dilma pra governar Temer ou Aécio. Também não tem nenhum sentido participar de manifestações em defesa do “Fica Dilma”, como tem chamado o PT, a CUT, o PSOL, o MTST.

A classe trabalhadora precisa tomar as ruas, parar as fábricas, cortar estradas para exigir “Fora todos eles”, eleições gerais já, prisão de todos os corruptos e corruptores, mas também o fim das demissões, a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, a suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros para que tenha dinheiro para saúde, educação, moradia, saneamento básico.

Vamos entrar na mobilização e exigir dos nossos sindicatos que caminhem no rumo da construção de uma greve geral. Só com a classe trabalhadora à frente dessa luta poderemos derrubar essa corja toda.

Vamos à luta, já!
E também no dia 1º de abril vamos fazer paralisações, trancamento de estradas e manifestações para dar um Basta! Vamos juntos  exigir a derrubada de todos eles, apoiando o chamado da CSP-Conlutas, o Espaço Unidade de Ação e sindicatos e entidades de luta de todo o país.

16 de março de 2016

O significado das manifestações de 13 de março

16/3/2016 - O Brasil viveu nesse 13 de março o que pode ter sido umas das maiores manifestações de rua de sua história.

O que explica isso? Se é verdade que boa parte da imprensa, com a Globo à frente, insuflou as manifestações, que tiveram em sua maioria setores da classe média, é também verdade que elas se apoiaram no descomunal desgaste do governo Dilma na população, na indignação com a corrupção e num rechaço crescente e generalizado aos políticos.

Nos últimos dias a crise política se precipitou numa velocidade alucinante. O vazamento da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o depoimento forçado de Lula jogaram lenha na fogueira do impeachment, possibilidade que nos primeiros momentos do ano vinha perdendo força.

Com isso a oposição burguesa capitaneada por Aécio, setores do PMDB e parte expressiva do empresariado, como a Fiesp,  lançaram uma ofensiva em torno aos atos desse dia 13, somando-se à convocatória dos grupos liberais como o “Vem Pra Rua” e o “Movimento Brasil Livre”. Pretendiam fazer avançar o processo de impeachment e, ao mesmo tempo, se cacifar como alternativa política à Dilma.

O primeiro objetivo foi conseguido e o governo Dilma já parece caminhar para os seus momentos finais. Já o segundo foi um fracasso completo. Na Avenida Paulista, por exemplo, Aécio Neves  do PSDB e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não só não conseguiram discursar e saírem consagrados do ato como pretendiam, como foram enxotados de lá sob vaias e xingamentos. Não foram os únicos políticos vaiados. Marta Suplicy teve que correr para dentro da Fiesp e o Pastor Silas Malafaia, por sua vez, foi vaiado nas manifestações em Brasília. Se Temer, o sucessor de Dilma em caso de impeachment, tivesse pisado na rua teria sido enxotado igualmente.

Não é difícil entender a razão disso. Aécio e Alckmin lançam mão de toda a hipocrisia do mundo para atacarem a corrupção do governo Dilma, mas todos sabem que eles são tão corruptos quanto.

Isso mostra que, se por um lado a burguesia vem chegando à conclusão de que esse governo ficou insustentável, por outro ela vai ter problemas para impor um substituto, já que o que aconteceu com Aécio não foi um ato isolado. Há no país uma crise de representatividade enorme. Ninguém representa a classe média dos atos e nem a classe trabalhadora.

A classe operária e a periferia igualmente estão contra o governo, mas não aderiram aos protestos convocados por essas direções liberais, e na última semana em especial, pelo PSDB e a maioria dos partidos patronais.

Fora Todos eles! Eleições Gerais, já: Nem Dilma, nem Temer e Aécio
O PSTU não foi e chamou os trabalhadores a não irem aos atos desse dia 13. Desde o início, afirmamos que o impeachment não resolve a situação, já que trocaria Dilma pelo burguês e corrupto Temer-PMDB. Tampouco a impugnação da chapa Dilma-Temer que corre no TSE seria solução, já que assumiria o notório bandido Eduardo Cunha (PMDB), e nem eleições apenas para presidente.

Em todas essas hipóteses teríamos a continuidade de um governo disposto a atacar os direitos dos trabalhadores, a aplicar um duro ajuste fiscal, uma nova reforma da Previdência e a criminalizar as nossas lutas, como vem fazendo Dilma.

Nos últimos dias, por outro lado, vem ganhando repercussão uma tese defendida por nada menos que Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente , José Sarney: uma espécie de semiparlamentarismo, que tiraria poderes de Dilma e daria mais poderes ao Congresso Nacional. É simplesmente um escárnio desses corruptos à população e aos trabalhadores desse país. Seria dar mais poder a um Congresso Nacional formado por corruptos de ficha corrida em que nada menos que 150 parlamentares enfrentam algum tipo de processo e investigação e 75% recebeu financiamento de empreiteiras.



Não vivemos uma "onda reacionária"
A manifestação desse dia 13, assim como a de março de 2015, mobilizou majoritariamente os setores de classe média e teve pouca participação da juventude.

Apesar da indignação ainda maior hoje com o governo e o PT, a classe operária e toda a periferia não foram aos atos de domingo. Isso porque, entre outros fatores, percebem e rejeitam o fato de tais atos terem sido convocados pelo PSDB, Fiesp e outros setores burgueses.

Isso é muito positivo. Porque é a classe trabalhadora mobilizada, com a classe operária à frente, quem pode enfrentar esses dois lados da mesma moeda –o governo do PT com seus aliados e a oposição burguesa de Aécio-Temer e Cia - , e forjar uma alternativa dos trabalhadores para o Brasil: -  ganhar ou polarizar a maioria destes setores médios que foram às ruas contra a corrupção, o governo e os políticos.

Muitos se impressionam com as demonstrações de fascismo, racismo, machismo e tudo o que de mais atrasado tem emergido minoritariamente desses setores da classe média, e que foram tolerados  também nos atos desse domingo. Numa situação de polarização política e social esse tipo de demonstração sempre aparece. Hoje é minoritária, mas precisa sim ser duramente combatida.

Mas é preciso que se diga que as manifestações do dia 13 não tiveram cunho fascista. Tiveram majoritariamente um cunho anti-corrupção, anti-governo e contra todos os políticos. E expressaram uma monumental crise de representatividade.

 É isto também que faz com que o PSDB tenha desistido até da proposta de eleições para presidente, porque chegou à conclusão que numa eleição hoje pode ganhar qualquer um. Sua tentativa de “capitalizar” o protesto em acordo com os grupos liberais que a convocaram não deu certo.

Por outro lado, como ocorreu no mensalão com Joaquim Barbosa, a referência ao juiz Sérgio Moro como “herói” da luta contra a corrupção é de massas. É preciso defender junto aos trabalhadores e a toda população que não se deve depositar confiança em Sérgio Moro, que se fosse realmente justo não participaria em jantares com milionários como Dória do PSDB, envolvido também em denúncias de compra de voto na própria convenção do seu partido.

Mas, como sempre, não se deve confundir a base com a direção. A classe média está na rua contra a corrupção, o governo e os políticos. O que defendem colocar no lugar é muito diverso, contraditório e não está definido.  Existe uma diferença entre o que defende as direções burguesas e reacionárias desses atos e a grande maioria dos manifestantes. Pesquisa realizada em abril passado mostra que, ao contrário da orientação ultraliberal dos organizadores dos protestos, a maioria nas ruas defendia serviços públicos e universais, como saúde e educação, além de uma aversão a todo o sistema político.

A direção é reacionária e os trabalhadores estiveram certos de não ter ido a essa manifestação. Mas, simplesmente chamar todos os milhões que foram às ruas neste domingo de  “coxinhas reacionários” e alardear que estamos às vésperas de um golpe parecido a 64 é um grave erro. Esse tipo de avaliação justifica chamar os trabalhadores para ir às ruas em defesa desse governo do PT, que  governa para os banqueiros e empresários, da mesma maneira como o PSDB,  e até ontem estava aliado a Cunha, Marco Feliciano, Maluf e inúmeros outros expoentes da direita.

Ao contrário de uma onda reacionária e da iminência de um golpe, estamos perante uma enorme crise e qualquer governo que saia dela será ainda mais frágil. Defender esse governo que está aí significa obstaculizar a construção de uma alternativa da classe trabalhadora à situação que vive o país.

Tanto os atos capitaneados pela oposição de direita (esteja ela escondida debaixo do MBL ou Vem Pra Rua) em defesa de uma saída Temer ou Aécio , como os atos pelo “Fica Dilma” não representam a classe trabalhadora e sim duas alternativas burguesas que seguirão aplicando os planos dos banqueiros contra a classe trabalhadora.

Nem 13, Nem dia 18, nem dia 31: No dia 1º de abril é contra todos eles!
Os trabalhadores e a juventude, especialmente a juventude negra da periferia, estão protagonizando importantes e heróicas lutas.

Vamos unir as lutas e botar na rua o bloco da classe operária, dos trabalhadores, da periferia, dos negros e negras, das mulheres trabalhadoras, dos LGBT’s e da juventude para botar fora todos eles e garantir que não governem nem Dilma, mas também nem Temer e nem Aécio. Chega de jogarem a crise nas nossas costas.

Se o dia 13 não representou uma alternativa dos trabalhadores à crise, tampouco o próximo dia 18, convocado ou o dia 31, chamado pelos setores governistas nos representa. Apoiamos o chamado da CSP-Conlutas e do Espaço Unidade de Ação à jornada de lutas que ocorre no dia 1º de abril nos estados e regiões.

Achamos que a CUT e movimentos sociais governistas deviam romper com Dilma e vir convocar uma greve geral contra o governo, a oposição burguesa, o Congresso Nacional e a criminalização dos movimentos sociais.

Também o MTST e o PSOL  precisam  romper com a “Frente Povo Sem Medo” e os atos pelo “Fica Dilma” e  virem com a CSP-Conlutas e o Espaço Unidade de Ação construir uma mobilização no dia 1º  de abril para dar um “basta” a todos eles! Só com a mobilização independente e de oposição a esses dois campos da burguesia  é possível forjar uma alternativa da classe trabalhadora para o país.

Fora todos! Eleições Gerais já!
Somente um governo socialista dos trabalhadores, apoiado na luta e formado por conselhos populares, pode atender nossas reivindicações e tomar medidas como a proibição das demissões, a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários para criar mais empregos e estancar a sangria da dívida aos banqueiros para investir em áreas como saúde, educação e moradia.

Enquanto não temos essa alternativa,  defendemos a convocação de eleições gerais (para presidente, deputados, governadores).Eleições com outras regras, sem o financiamento privado, com tempo de televisão igualitário, e mandatos revogáveis, sem qualquer tipo de privilégio e com salário igual ao de um operário qualificado para Presidente, deputado ou governador.

www.pstu.org.br

15 de março de 2016

Metalúrgicos exigem: fora todos eles e eleições gerais, já!

15/3/2016 - Em sua primeira reunião em 2016, o Conselho de Representantes deixou claro que o PT e a oposição de direita não representam os trabalhadores. Foi aprovada, com ampla maioria, que o Sindicato inicie a campanha exigindo a saída de todos os parlamentares e a organização de novas eleições gerais para presidente, deputados e senadores.

Também foi decidida a participação dos metalúrgicos nos protestos que estão sendo convocados pela CSP-Conlutas nos dias 1º de abril e 1º de maio. O objetivo é criar uma alternativa de luta que realmente atenda aos interesses da classe trabalhadora.

Com a participação de cerca de 100 ativistas, de 31 fábricas da região, a reunião do Conselho de Representantes ocorreu na sede do Sindicato, no sábado (12), com diretores sindicais, cipeiros, delegados sindicais e membros das comissões de fábrica. Em discussão, estavam os desafios que os metalúrgicos irão enfrentar tendo em vista o atual cenário de crise política e econômica que assola o país.

Atnágoras Lopes, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas, iniciou o debate atentando-se para a gravidade da crise e como ela afeta os trabalhadores. Segundo ele, mesmo com o aumento do desemprego, da inflação e os constantes ataques aos direitos trabalhistas, o comportamento do operariado é de enfrentamento aos patrões.

Citando a greve dos petroleiros no Rio de Janeiro, a ocupação da Mabe pelos metalúrgicos em Campinas e Hortolândia e a greve vitoriosa pela reintegração dos terceirizados na Chery, em Jacareí, Atnágoras reafirmou a necessidade da construção de uma alternativa para os trabalhadores.

“Os trabalhadores estão mostrando sua revolta com os inúmeros escândalos de corrupção. A falta de perspectiva os deixam suscetíveis a cair em ilusões”, afirmou Atnágoras, referindo-se à atitude do PMDB e PSDB, que se apresentam como solução frente à crise e ao governo do PT.

“Todos esses partidos estão juntos, quando se trata de atacar o trabalhador. É por isso que temos de deixar claro que as manifestações do dia 13, 18 e 31 de março não nos representam", disse.

“Precisamos todos ir às ruas no dia 1º de abril e 1º de maio, rumo à greve geral. É necessário construir nas lutas uma alternativa que atenda realmente os interesses dos trabalhadores”, concluiu Atnágoras.

Democracia operária
Na avaliação do presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, o Conselho de Representantes foi extremamente positivo, consolidando-se como uma das mais importantes esferas de decisão da categoria.

“Realizamos um Conselho de Representantes vivo e democrático, como já é tradição em nossa entidade. O momento agora é de união entre os diretores, delegados, cipeiros e demais representantes para enfrentarmos os desafios que virão neste ano. É hora de defendermos os empregos e direitos”, concluiu Macapá.

Informações: sindmetalsjc.org.br



9 de março de 2016

SP: Mulheres não aceitam golpe do PT e PCdoB, rompem com ato governista e realizam manifestação independente

9/3/2016 - Era para ser um ato de 8 de março contra os ataques do governo e do Congresso Nacional às mulheres, sobretudo mulheres trabalhadoras, as que mais sofrem e sofrerão com medidas como a reforma da Previdência que tenta ser implementada pelo governo Dilma.

Mas PT, PCdoB, Marcha Mundial e demais setores ligados ao governo, contrariando o que fora definido nas reuniões preparatórias, tentou dar um golpe para transformar a manifestação convocada para o Vão do Masp num grande ato em defesa do governo Dilma, Lula e do PT.

O MML (Movimento Mulheres em Luta) ligada à CSP-Conlutas, porém, não aceitou o golpe, denunciou a manobra e anunciou a ruptura da manifestação convocando as ativistas para um protesto pelas pautas das mulheres, contra o governo, o PSDB e PMDB.

Enquanto a parte da manifestação ligada ao governo foi em direção à Consolação, com faixas como "Somos todos Dilma" e entoando "Olê, olê, olá, Lula, Lula", setores antigovernistas como o MML, CSP-Conlutas, Juntos, Pão e Rosas, além do PSTU, PCB e várias correntes do PSOL marcharam em direção contrária, rumo à Praça Osvaldo Cruz. A manifestação contra o governo reuniu cerca de 2 mil ativistas e teve a incorporação de várias mulheres independentes durante o trajeto, contando com a presença de mulheres do movimento popular, operárias da fábrica Suntech de São José dos Campos, bancárias, professoras, estudantes secundaristas que ocuparam escolas contra o governo Alckmin.

"É uma grande vitória a organização das mulheres independente do governo, dos patrões, da oposição de direita", disse Ana Pagu, da Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU. "O PSTU acredita que a luta das mulheres trabalhadoras está cruzada com a luta mais geral dos trabalhadores e nosso destino em relação à reforma da Previdência, ao ajuste fiscal, à lei antiterrorismo e todos os ataques só vão ter sentido se travarmos uma forte luta contra o governo Dilma, contra a oposição burguesa, o PMDB, contra o PSDB e contra a ideologia que existe um golpe contra o PT, o que existe é um golpe contra os trabalhadores, em especial às mulheres trabalhadoras", discursou.

Ana Pagu denunciou a manobra do PT e PCdoB que, "em nome de defender o governo, rompem a unidade das mulheres trabalhadoras" e alertou que os atos convocados para o próximo dia 18 e 31 serão "reprodução do aconteceu aqui hoje". Ana chamou as mulheres a não participarem dos atos do dia 13 ou 31, e convidou todas à jornada de mobilizações chamada pela CSP-Conlutas e Espaço Unidade de Ação para 1º de abril. "Vamos fazer com que essa força aqui se reflita no dia 1º de abril numa mobilizçaão em todas as regiões, em que vamos dizer 'chega de mentiars, chega de enganar a classe trabalhadora'".



PT e PCdoB: Golpe, insultos e agressões
Os setores ligados ao PT e PCdoB tentaram sequestrar o ato para defender o governo Dilma com um discurso de defesa da democracia contra um suposto golpe. Mas parece que a democracia que defendem vale só para quem defender esse governo. Silvia Ferraro, do MML e do PSTU, ao discursar contra os ataques do governo às mulheres, foi ameaçada e insultada.

"Eu disse lá em cima do caminhão de som que tínhamos que defender 'Fora todos eles, fora Dilma, fora Cunha, Alckmin, Aécio, porque nenhum deles representa os interesses das mulheres trabalhadoras", relata Sílvia. "Quando disse isso fui impedida, tentaram tomar meu microfone mas eu não deixei, só que nós tivemos que descer do caminhão e eu fui ameaçada de agressão", lembra.

Um cordão de mulheres garantiu que Silvia pudesse descer do caminhão de som, mas bate-paus do PT avançaram contra elas. Várias ativistas foram agredidas.  “Tivemos hoje um grande exemplo de que, quando uma mulher é agredida, as outras se unem, foram várias mulheres que se uniram, do PSTU e de várias organizações e independentes”, disse Sílvia.

O golpe dado pelas governistas provocou indignação e revolta. "Fomos nós que aqui estamos que asseguramos que a pauta da reforma da Previdência estivesse aqui, que a luta pelo direito ao aborto também estivesse, e sofremos esse ataque pelo PCdoB e Marcha Mundial de Mulheres, mas não vamos baixar nossas cabeças", disse Luka França, da corrente Insurgência, do PSOL. "Não vamos aceitar esse tipo de método", disse Sâmia do Juntos. "Querem sequestrar o 8 de março para defender o governo", reafirmou.

8 de março de 2016

Artigo: Trabalhadores precisam por todos pra fora e construir nova alternativa

9/3/2016 - Por Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SJCampos

O noticiário dos últimos dias revela a gravidade da crise política instalada no Brasil. Lideranças das principais instituições estão envolvidas até o pescoço em corrupção, desde a presidente da República aos presidentes da Câmara e do Senado e dirigentes dos três maiores partidos (PT, PMDB e PSDB).

A bombástica delação premiada do ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, Delcídio do Amaral (que não foi oficializada, mas também não foi negada), envolve Dilma e o ex-presidente Lula como beneficiados do dinheiro desviado da Petrobras. Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, responderá por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

A situação é tão grave que, em caso de impeachment da presidente Dilma (PT), nenhum daqueles que poderiam ocupar a vaga (Cunha, Temer, Renan ou Aécio), a depender do tipo de afastamento, têm moral para fazê-lo.

Os casos de corrupção envolvendo o PSDB e seus dirigentes são notórios, como o Trensalão (fraude na licitação de trens em São Paulo desde o governo Mário Covas), o esquema de propinas em Furnas, que envolve diretamente Aécio Neves, ou o desvio de recursos da merenda escolar no governo Alckmin.

Essa breve descrição demonstra que o impeachment de Dilma não irá solucionar os problemas dos trabalhadores. De que adianta tirar Dilma para que Cunha, Michel, Renan (PMDB) ou Aécio (PSDB) assumam o cargo? Que moral tem esse Congresso de picaretas para comandar um processo como esse?

Precisamos ir às ruas para colocá-los para fora! Além da corrupção, eles têm outra coisa em comum. PT, PMDB e PSDB estão juntos quando o assunto é empurrar a conta da crise para o trabalhador.
Todos eles defendem o Ajuste Fiscal, que castiga a classe trabalhadora, aumenta impostos, corta o orçamento da Saúde e Educação e retira direitos.

Não podemos defender Dilma e o governo do PT. Tampouco é certo apoiar as manifestações convocadas pelo PSDB – como a que ocorrerá dia 13 – que estão interessadas apenas no impeachment.

Os trabalhadores deverão ir às ruas sim, mas pela organização de novas eleições gerais, para presidente, senadores e deputados. Eleições em que todos os políticos acusados de corrupção sejam proibidos de participar e as empresas não possam financiar os candidatos.

Por isso, a CSP-Conlutas está convocando manifestações nos dias 1º de abril em todo o país e 1º de maio em São Paulo.

É fundamental reivindicarmos o fim dos privilégios dos parlamentares e governantes, que nenhum ganhe mais que um operário ou professor e que todos os mandatos sejam revogáveis. Que os trabalhadores possam substituir o governante, sempre que este não atenda as necessidades da população.

A solução para os trabalhadores é criar um governo que atenda seus próprios interesses e não de banqueiros e patrões. Um governo socialista, que seja baseado e governe a partir de Conselhos Populares, onde os trabalhadores e a maioria do povo decidam os rumos do país.

Artigo publicado em www.sindmetalsjc.org.br

7 de março de 2016

Luto: deslizamento mata quatro pessoas da mesma família em São José

7/3/2016 - Na noite de sábado, dia 5, um deslizamento de terra causou a morte de quatro pessoas de uma mesma família, no bairro dos Freitas, região norte de São José dos Campos. Uma criança de seis anos, dois adolescentes de 15 e 13 e a mãe de 38 anos morreram soterrados no local.

A filha mais velha, uma jovem de 19 anos, também foi ferida e está internada no Hospital Municipal, mas não corre risco de morte.

As vítimas que morreram são Edileusa Camila Borges, 38 anos, Glória Borges, 6 anos, Fabricio Borges da Silva, 13 anos e Victor Borges da Silva, 15 anos.

A tragédia ocorreu por volta das 23h30 do sábado. As primeiras análises da Defesa Civil apontam que o volume de chuva durante a última semana causou uma saturação no barranco, que fica no fundo da casa, levando ao deslizamento. O barranco que deslizou havia sido cortado para edificação do imóvel, que ficava a menos de dois metros de distância da encosta.

Segundo a Defesa Civil, a área é de risco e a construção não era regularizada.

Tragédia
O PSTU lamenta profundamente o ocorrido. Infelizmente, é mais uma tragédia que se abate sobre uma família pobre e trabalhadora, a exemplo de outras tragédias pelo país, principalmente nesta época de chuvas.

No último dia 29, um casal também morreu após deslizamento de terra em São Sebastião, no litoral norte. A casa das vítimas foi soterrada durante um temporal que atingiu a cidade, que também deixou vários bairros alagados e quedas de barreiras na região.

Edileusa Borges, a mãe que morreu junto aos filhos neste sábado, é filha de sem-terra e ex-moradora do assentamento Nova Esperança, localizado na antiga Fazenda Santa Rita em São José.

Segundo informações da vizinhança, o último morador viveu no local por dois anos e Edileusa e os filhos tinham acabado de se mudar, fazia apenas uma semana.

“Infelizmente, a Defesa Civil alega que na rua onde ocorreu o acidente há pelo menos outras quatro casas em situação semelhante a da tragédia de sábado. Mas ninguém escolhe simplesmente porque quer viver sob uma situação como essa”, avalia o presidente do PSTU e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira.

“O fato é que pressionadas pela necessidade e pela falta de moradia, a população mais pobre acaba se sujeitando a situações de risco para sobreviver e ter um teto para morar. Enquanto isso, ao invés de priorizarem as áreas sociais, como moradia e infraestrutura, os governos atuam para beneficiar os ricos. É isso o que temos visto com a atual política de ajuste fiscal dos governos, que ataca os trabalhadores e os pobres, enquanto favorece os poderosos”, disse Toninho.

“É obrigação dos governos garantir moradia e condições dignas e seguras para a população”, concluiu.

Nota do PSTU após novos fatos que agravam a crise política no Brasil: Fora todos eles!

7/3/2016 - Vivemos um acirramento da crise econômica e política no país. Ao mesmo tempo em que a recessão se aprofunda, a crise política que vinha se esfriando nesse último período ganha agora força com os novos fatos da Operação Lava Jato.

O vazamento da suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-líder do governo, e a condução de Lula pela Polícia Federal para prestar depoimento em São Paulo aceleram em muito a dinâmica dessa crise.

PT, PSDB e PMDB junto contra os trabalhadores
O governo do PT e a oposição burguesa capitaneada pelo PSDB firmaram um acordão para impor uma série de ataques cujo único sentido é o de jogar o custo da crise nas costas dos trabalhadores. Entre eles está a realização de uma nova reforma da Previdência para estabelecer a idade mínima às aposentadorias e um projeto de lei a ser enviado ao Congresso que torna permanente o ajuste fiscal, estabelecendo uma série de gatilhos automáticos para impor mais cortes ao Orçamento, que pode até revogar o aumento do salário mínimo.

Já no Senado, Dilma realizou um acordo com o senador José Serra (PSDB-SP) para entregar o Pré-Sal às petroleiras multinacionais e avançar na privatização da Petrobrás. E para terminar esse verdadeiro pacote de maldades, na Câmara, os deputados aprovaram a chamada "lei antiterror", enviada pelo próprio governo Dilma e que tem o objetivo de criminalizar os movimentos sociais e prevenir eventuais explosões sociais.

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Crise política se aprofunda
Mas nem esse acordão em torno a esses ataques foi capaz de deter a crise política. Em Brasília, o Supremo Tribunal Federal finalmente aceitou a acusação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que agora é oficialmente réu. Ao mesmo tempo, Cunha também teve seu processo de cassação aprovado no Conselho de Ética.

Já o Planalto se vê numa situação cada vez mais difícil. A revista Istoé divulgou, nesta quinta, uma suposta delação premiada de Delcídio Amaral pouco antes de deixar a prisão. Nela, o senador incrimina diretamente a presidente Dilma e o próprio Lula.

E nesta sexta, 4, finalmente, Lula foi alvo da nova fase da Operação Lava Jato e conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento coercitivo (obrigatório). Contra ele pesam acusações de favorecimento de grandes empreiteiras, incluindo repasses de R$ 30 milhões das cinco maiores empreiteiras, além das reformas do sítio de Atibaia e do triplex em Guarujá realizada pela Odebrecht e OAS.

Lula e o PT sofrem hoje as conseqüências por terem adotado uma política de governar por alianças com os patrões e os seus partidos e de fazer um governo voltado para atender os interesses de banqueiros e grandes empresas. Uma política que não é muito diferente da do PSDB. É produto dessa aliança com o empresariado que ele acabou incorporando também o modus operandi de todos eles, como o esquema de corrupção, que atinge de forma indiscriminada o PMDB, o DEM, o PP de Maluf, todos os partidos patronais, e também o PSDB. O PSDB que já governou esse país e que terminou o governo FHC atolado em corrupção e inclusive hoje está até envolvido no desvio da merenda em São Paulo.

Nem ir aos atos do PT, nem aos do PSDB
Com o agravamento da crise política, o PSDB vinha reforçando o chamado às manifestações do dia 13 de março. A operação contra Lula nesta sexta, porém, precipitou esse processo. O PT, que vinha convocando a militância para defender Lula e o governo no próximo dia 31, junto com a CUT e a “Frente Povo Sem Medo”, também se adiantou e conclamou os militantes a irem às ruas.  A direção da CUT também anunciou que fará vigília permanente em defesa do governo e do ex-presidente do PT.

Nem um nem outro são alternativas aos trabalhadores.  Não é possível lutar contra os ataques do governo estando ao seu lado. Tampouco o PSDB representa algo diferente ao que está aí. Estão todos juntos envolvidos em corrupção, na aprovação da reforma da Previdência, no ajuste fiscal e na entrega do petróleo às multinacionais.

Eleições gerais já!
O impeachment ou a impugnação da chapa Dilma-Temer não serve aos trabalhadores. Trocar Dilma por Eduardo Cunha ou Renan Calheiros é trocar seis por meia dúzia. Já o senador Aécio Neves (PSDB) está defendendo de forma oportunista a renúncia de Dilma e aponta apenas para novas eleições presidenciais, querendo se eleger presidente. O PSDB não tem a menor moral para se cacifar como alternativa ao governo do PT e faz uma proposta que muda muito pouco. Não basta só mudar o presidente, tem que mudar todo esse Congresso de picaretas, onde mais de 70% recebeu financiamento de empreiteiras, e mais de 130 sofrem inquérito por corrupção.

Esse país só vai mudar quando os trabalhadores e a maioria da população botar todos pra fora e construir um governo socialista dos trabalhadores apoiado em conselhos populares e não nesse Congresso Nacional.  Enquanto não temos os conselhos populares, defendemos eleições gerais já, não só para presidente, mas para todo mundo. Novas eleições em que esses corruptos envolvidos na Lava Jato ou em outros escândalos de corrupção, incluindo Aécio, não possam participar.

Defendemos novas eleições sem financiamento de empresas e banqueiros, em condições iguais para todos, inclusive com tempo de televisão igualitário. Eleições com mandatos revogáveis, pois o povo tem o direito de tirar a qualquer momento quem elegeu, sem qualquer privilégio e salários iguais ao de um operário qualificado.

Mas é preciso dizer esse país só vai mudar mesmo com um governo dos trabalhadores, sem patrões e corruptos. Um governo baseado em conselhos populares em que os trabalhadores e a população governem.

Ir às ruas pra botar todos pra fora
É preciso ir às ruas contra Dilma, Aécio, Temer, Cunha e esse Congresso Nacional corrupto. É necessário impulsionar um dia de luta da classe trabalhadora. Nesse sentido, ganha cada vez mais importância o chamado realizado pela CSP-Conlutas, o Espaço Unidade de Ação e diversas entidades do funcionalismo público federal para uma jornada de lutas no próximo dia 1º de abril contra esses ataques.

Também está sendo convocada, para o 1º de maio, uma grande manifestação nacional em São Paulo. É necessário unificar as lutas rumo a uma Greve Geral para derrotar os ataques. E isso só é possível botando todos eles pra fora.

Neste 8 de março, mulheres trabalhadoras vão às ruas para dizer que não aceitam pagar pela crise

7/3/2016 - A crise econômica se aprofunda no país e vem piorando as condições de vida dos trabalhadores, em especial das mulheres trabalhadoras. São elas as principais prejudicadas pela piora nas condições de vida, com o aumento do desemprego, o arrocho nos salários, a alta da inflação e o aumento da violência machista, bem como pelos ataques dos governos, com as políticas de ajuste fiscal que cortam verbas das áreas sociais e reduzem direitos.

É assim por que são as mulheres as mais exploradas e oprimidas na sociedade, estando nos piores postos de trabalho, recebendo os salários mais baixos, tendo de enfrentar a tripla jornada e o machismo. A situação de agrava ainda mais quando é negra ou LGBT.

Nesse 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres, vamos às ruas para dizer que não aceitamos pagar pela crise. Vamos às ruas para lutar contra os ataques que o governo Dilma (PT), PSDB , PMDB, Congresso, Eduardo Cunha, prefeitos e governadores têm feito.

As mulheres trabalhadoras e toda nossa classe não podem apoiar nem Dilma, nem Aécio, Cunha, Temer ou Renan. Todos eles defendem e governam para os banqueiros e grandes empresários em detrimento dos direitos dos trabalhadores.

É preciso que a classe trabalhadora, homens e mulheres, através da luta, coloque para fora todos eles.
É preciso construir nas lutas um governo dos trabalhadores, sem patrões e sem corruptos, baseado na organização de conselhos populares, onde o povo discuta e decida os rumos do país.

Dia de luta
O dia 8 de março é um dia de luta. Em São José dos Campos, haverá panfletagem nas fábricas já no início do dia e às 10h, na Praça Afonso Pena. Às 14 horas, uma delegação sairá para participar de um ato unificado em São Paulo, marcado para às 17h, no Vão do Masp.
Não vamos pagar pela crise!

Algumas de nossas bandeiras neste dia 8 de março:





4 de março de 2016

Em ano eleitoral, Carlinhos inaugura Hospital Municipal inacabado

4/3/2016 - O governo Carlinhos Almeida (PT) inaugura neste sábado, dia 5, o Hospital da Mulher, em São José dos Campos. Só há um detalhe: a obra será inaugurada, às vésperas do dia 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres-, ainda inacabada, sem estar com 100% das instalações concluídas, e começará a funcionar com um atendimento mínimo.

Em entrevista a uma rádio da cidade, Carlinhos informou que nos primeiros meses de funcionamento, a prioridade de atendimento será apenas o ultrassom. A mamografia só virá posteriormente.

É pouco, muito pouco, diante das necessidades e da precariedade da saúde pública no município, onde a longa espera por consultas, exames e cirurgias ainda é realidade para a população, principalmente para as mulheres.

A Prefeitura promete que na unidade será possível fazer exames especializados, como consultas, acompanhamento para casos de pré-natal de alto risco, pacientes com câncer de mama e vítimas de violência.

Ainda de acordo com o projeto, as mulheres poderão fazer exames para detecção do câncer de mama em um dia. A Secretaria de Saúde estima que um diagnóstico de câncer na rede municipal leve cerca de dois meses para ser totalmente fechado. Um dado muito subestimado e longe da realidade. É comum uma consulta para o exame de Papanicolau demorar seis meses para ocorrer.

“Canteiro” de obras
Em todo ano de eleição, as cidades costumam virar “canteiros de obras”. Em muitos casos, feitas com material de baixa qualidade, com superfaturamentos ou que nunca são concluídas.

Um estudo da USP (Universidade de São Paulo), comandada pelo doutor em economia Sérgio Naruhiko Sakurai e pelo doutor em administração pública Fabio Alvim Klein, analisou durante oito anos, o comportamento de prefeitos em primeiro e segundo mandatos. Foram analisadas 3.393 cidades.

A pesquisa verificou que em ano eleitoral, governantes em condições de reeleição investem mais em obras de visibilidade, numa clara manobra oportunista. Destaque para criação ciclofaixas, melhora do asfaltamento e construção de creches.

“O Hospital Municipal foi uma promessa de campanha de Carlinhos, pois é uma reivindicação histórica das mulheres da cidade. A pressão e cobrança popular é que garantiram o início da obra. Mas, em ano eleitoral, em que Carlinhos tenta a reeleição, são nítidos os objetivos populistas e eleitoreiros da inauguração de uma obra incompleta”, avalia Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

“Só a organização e a pressão das mulheres e da população podem impedir que este hospital seja apenas um golpe de marketing e pode fazer com que a unidade passe a atender de fato todas as necessidades específicas das mulheres, bem como garantir o atendimento de outras reivindicações, como mais creches e moradia na cidade”, afirmou Toninho.


Saiba mais:
O Hospital da Mulher recebeu um investimento de R$ 1,1 milhão e vai funcionar num local anexo ao Hospital Municipal, na Vila Industrial, no antigo prédio da ADC Urbam.

A primeira fase ocupará um prédio de dois pavimentos, com quase 1.000 metros quadrados.

A previsão da Prefeitura é que, anualmente, sejam realizadas 14.400 consultas ginecológicas, 7.200 mamografias e 4.920 ultrassonografia ao ano.

O projeto prevê também uma unidade de cirurgia ambulatorial, centro de parto normal, reforma e ampliação da estrutura de atendimento e pré-parto do Hospital Municipal.

Em nota, torcida do Corinthians indica que agressões a dirigentes foi retaliação a protestos

4/3/2016 - A torcida organizada do Corinthians Gaviões da Fiel se pronunciou por meio de nota oficial na noite desta quinta-feira, dia 3, sobre a agressão sofrida por integrantes da organizada no último dia 2, em São Paulo.

A nota divulgada no Facebook da Gaviões sugere que a violência aconteceu por "uma retaliação aos protestos" que a torcida do Corinthians vem realizando com a exibição de faixas nos estádios em jogos do Corinthians.

A torcida vem exibindo faixas de protesto durante os jogos contra a Federação Paulista de Futebol, a CBF e o deputado estadual do PSDB e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez. Algumas trazem a inscrição "CBF e FPF a vergonha do futebol"; "100, 120...é roubo"; "quem vai punir o ladrão de merenda"?, em referência a Capez; "Ingresso mais barato".

Confira a nota completa: 

Na tarde da última quarta-feira (2), o presidente e o primeiro secretário dos Gaviões da Fiel foram atacados covardemente, logo após uma reunião com o promotor Paulo Castilho no fórum da Barra Funda. Além dos Gaviões, outras duas torcidas de São Paulo também estavam presentes.

O fato ocorreu no estacionamento de um supermercado, em frente ao Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães. Rodrigo Fonseca quebrou o braço, enquanto Cristiano teve o rosto levemente ralado e o dedo indicador quebrado. Apesar disso, os dois passam bem.

E embora a imprensa e o próprio promotor Paulo Castilho estejam sugerindo um ataque realizado por outra torcida, desconfiamos de tal hipótese.

Os motivos para tal desconfiança não deve ser mistério para ninguém. Assumimos uma declarada guerra ideológica com setores da sociedade que, apoiados no conservadorismo, não estão acostumadas com a contestação.

Se em 1969, quando fomos fundados travando uma luta contra Wadih Helú, ex-presidente compromissado com a ditadura militar, fomos repreendidos por capangas, não nos espantaria se a tentativa de repressão fosse implementada novamente, nos tempos atuais.

A quem possa interessar, os Gaviões da Fiel Torcida reafirma seu compromisso com a luta em prol de um futebol verdadeiramente popular, não aceitando, de forma alguma, qualquer tipo de intimidação moral ou até mesmo física, caso seja esse o caso.
Às autoridades, nos colocamos (como sempre) à disposição dos devidos esclarecimentos sobre os eventos recentes.

Aos torcedores (todos eles), deixamos claro que nossa luta continuará, custe o que custar, pois se nossa história não foi interrompida nos tempos obscuros de pau de arara, não será interrompida nos tempos de mídia independente e democracia de informação.

Contra todo ditador que no futebol quiser mandar, os Gaviões continuarão a reivindicar.