Pelo país, categorias aprovam adesão e preparam a Greve Geral

Trabalhadores dos transportes, construção civil, metalúrgicos, petroleiros, entre outras, estão aprovando e preparando a Greve Geral de 30 de junho

31 de agosto de 2015

Ajuste fiscal aumenta recessão e desemprego e o plano do governo Dilma é: mais ajuste fiscal!

31/8/2015 - Na sexta-feira, dia 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados sobre a atividade econômica no país que já indicam a chamada recessão técnica (dois trimestres de queda consecutivos). O PIB (Produto Interno Bruto) teve recuo de 1,9% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o primeiro (-0,7%). Em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda é ainda maior: - 2,6%.

O PIB caiu em todos os setores e os resultados mostram a queda em indicadores significativos, como o de investimentos e consumo das famílias. A retração foi de 2,7% na agropecuária, 4,3% na indústria e de 0,7% nos serviços. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica o nível de investimentos, recuou 8,1%, enquanto o consumo das famílias teve queda de 2,1%.

Além de recuo da atividade por dois trimestres consecutivos, o quadro geral de alta na taxa de desemprego também é um indicativo de recessão.

No segundo trimestre de 2015, a taxa de desemprego foi de 8,3%, a maior da série histórica segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Trimestral (Pnad), do IBGE, iniciada em 2012.

A população desocupada, equivalente a 8,4 milhões de pessoas, subiu 5,3% em comparação ao trimestre anterior. Na comparação com o segundo trimestre de 2014, subiu 23,5%.

Déficit nas contas públicas e orçamento negativo
As más notícias sobre a economia brasileira não param por aí. Também na semana passada, o Ministério da Fazenda divulgou um déficit primário (valor antes do pagamento dos juros da dívida pública), nos sete primeiros meses deste ano, de R$ 9 bilhões, o pior resultado da série histórica do Tesouro Nacional criada em 1997.

O governo justificou o resultado negativo em razão da redução da atividade econômica e, consequente queda na arrecadação, e pelas desonerações de tributos efetuadas nos últimos anos.

No caso dos subsídios, o governo informou que os pagamentos somaram R$ 18,51 bilhões de janeiro a julho deste ano, contra R$ 5,54 bilhões no mesmo período do ano passado.

Para 2016, a previsão do Orçamento da União também é de déficit. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, entregou nesta segunda-feira, dia 31, ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), o projeto do Orçamento de 2016. A proposta foi entregue com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do PIB.

Mais ajuste
Diante dos resultados negativos, que estão sendo sentidos, sobretudo, pelos trabalhadores e pela população mais pobre em razão das medidas de Ajuste Fiscal, governo, empresários e banqueiros defendem mais Ajuste Fiscal. Querem mais cortes nos investimentos sociais, Previdência Social e direitos!

O governo Dilma chegou até a ensaiar a volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), extinto em 2007 e que cobrava 0,38% sobre toda movimentação bancária. Mas, diante da chiadeira do empresariado, disse ter recuado. Contudo, ao apresentar a proposta de déficit no Orçamento para 2016, alegou que o objetivo é “não maquiar” as contas do governo e encontrar “juntamente com o Congresso” uma solução para a crise econômica.

Obviamente que não falam da ilegítima Dívida Pública ou dos subsídios que estão dando às empresas, sem que isso esteja, sequer, garantindo empregos.

Para garantir a meta do superávit primário (que este ano é de R$ 5,8 bilhões) e os lucros de bancos e empresas, a pressão é para que o governo faça mais cortes (logicamente nas áreas sociais e direitos).

E o governo Dilma tem dado demonstrações de que é o que pretende fazer. Somente este ano, o governo anunciou cortes de mais de R$ 80 bilhões no Orçamento, que atingem, em cheio, áreas essenciais à população como serviços públicos, saúde, educação e moradia.

A Previdência Social, com propostas para aumentar a idade mínima para a aposentadoria, segue na mira do governo e a Agenda Brasil, com ataques brutais aos direitos e às condições de vida do povo, são metas do governo.

Todos às ruas no dia 18 de setembro
A classe trabalhadora mobilizada, junto com a juventude e todos os setores populares, tem força para derrotar os ataques que estão sendo feitos pelo governo e pelo Congresso.

A manifestação do dia 18 de setembro, que está sendo convocada pela CSP-Conlutas, CGTB, entidades do Espaço Unidade de Ação e partidos como o PSTU, PCB, PPL e setores do PSOL, é um primeiro passo para construir uma forte mobilização para dar um basta a estes ataques.

Vamos derrotar nas ruas o ajuste fiscal que ataca os direitos e construir uma alternativa dos trabalhadores, de esquerda, ao governo Dilma/PT, Aécio/PSDB, Temer e Cunha/PMDB!

Todos à marcha dos trabalhadores e trabalhadoras no dia 18 de setembro

31/8/2015 - Depois de uma forte greve de 12 dias, os operários da GM comemoraram com muita emoção o cancelamento, por cinco meses, das 768 demissões. Ganharam uma batalha numa guerra que continua. Saíram mais fortes, aprenderam e ensinaram: deram uma lição de luta e indicam caminhos. Mercedes, do ABC Paulista, e Volks, de Taubaté (SP), estão também em greve contra demissões.

Por que não unir todos os operários de montadoras num dia de greve pela estabilidade no emprego?

Já a indignação dos 26,5 milhões de aposentados do INSS impôs um recuo ao governo, que havia suspendido o pagamento da parcela do 13º em agosto. Dilma e seus ministros receberam metade de seu 13°, mas não queriam pagar aos aposentados para fazer caixa e pagar a dívida aos banqueiros.

As lutas se estendem por todo o país e em muitos setores. Alguns, como o funcionalismo federal, estão numa greve longa e numa queda de braços com o governo.

O governo Dilma, o Congresso Nacional, os governos estaduais e municipais e a patronal demitem, rebaixam salários e cortam verbas sociais em nome da crise econômica. Mas por que não atacam os grandes empresários e banqueiros que estão tendo os maiores lucros de sua história? Por que não suspendem o pagamento da dívida aos banqueiros, que consumirá 47% de todo o Orçamento? Nós respondemos: porque o governo do PT, da mesma forma que o PSDB, governa em prol do lucro dos banqueiros nacionais e internacionais, das multinacionais, do agronegócio e das grandes empresas.

A crise capitalista na China (e no mundo) pode piorar ainda mais a crise no Brasil. O desemprego já está atingindo 8,3% da população. Entre a juventude, o desemprego é de 19,6%.

Dilma declarou à imprensa que “não tem como garantir que a situação em 2016 vai ser maravilhosa”, dizendo que “demorou para ver a gravidade da crise”. Porém os bancos, por exemplo, estão tendo um 2015 maravilhoso e, pelo andar da carruagem, terão um 2016 ainda melhor: só os juros subiram 30% este ano.

A classe trabalhadora mobilizada e unida contra os patrões, o governo e o Congresso tem força para virar o jogo. Pode fazer com que os ricos paguem pela crise, botar para fora esse governo, junto com Temer, Cunha, Renan, Aécio e todos os corruptos.

O problema é que as maiores organizações dos trabalhadores hoje são um obstáculo para a unificação das lutas. Elas estão atreladas ao governo ou à oposição burguesa. CUT e outras organizações fizeram um ato pelo “Fica Dilma”. Força Sindical  se somou ao ato chamado pelo PSDB de Aécio.

Seria cômico, se não fosse trágico, assistir, em meio a tantas lutas e greves, ao presidente da CUT, Wagner Freitas, declarar que está disposto a pegar em armas para defender Dilma. Dias depois, a Força Sindical realizou um ato em defesa de Eduardo Cunha, corrupto de carteirinha, sob os gritos de “Cunha guerreiro do povo brasileiro”.

A decisão da CSP-Conlutas de chamar uma manifestação nacional para o dia 18 de setembro contra tudo isso, afirmando um campo da classe trabalhadora, é central.

A tarefa dos lutadores da cidade e do campo é construir essa manifestação. A CSP-Conlutas, o Espaço Unidade de Ação, a CGTB, o PSTU, o PCB, o PPL, parte do PSOL e todos aqueles que queiram lutar juntos podem construir uma alternativa para a maioria explorada do nosso país.


Editorial do Opinião Socialista nº 503
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26 de agosto de 2015

Entrevista: "Lutas no país se acirram e governo Dilma e Congresso aprovam lei para criminalizar manifestações"


25/8/2015 - Em meio à grave crise econômica e política e ao acirramento das lutas no país, a Lei Antiterrorismo, aprovada na Câmara dos Deputados, no último dia 12, é uma clara ofensiva do governo Dilma (PT) e do Congresso para criminalizar as mobilizações e protestos.

O Projeto de Lei (2016/15) seguirá para o Senado e posteriormente para as mãos da presidente Dilma. Se for aprovado, significará uma grave ameaça à democracia e aos movimentos sociais. Abrangente e genérico em vários pontos, o projeto possui brechas que permitem a criminalização das lutas populares.

E não há dúvidas de que é esse o objetivo. Idealizado logo após as manifestações de massas de junho de 2013, a proposta ganhou fôlego diante da crise em que segue mergulhado o país.

Entrevistamos o advogado e colaborador do Instituto José Luis e Rosa Sundermann, Alberto Albiero Jr., sobre as implicações desta nova lei.


1 - PSTU Vale - Qual sua avaliação sobre a definição feita por esta Lei Antiterror brasileira do que pode ser considerado como terrorismo?
Alberto Albiero - É uma lei perigosamente muito abrangente. Um dos trechos da lei estabelece que pode ser considerado ato de terrorismo “sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça à pessoa ou servindo-se de mecanismos cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições bancárias e sua rede de atendimento”.

Com isso, uma greve de petroleiros que paralise a atividades de “exploração, refino e processamento de petróleo e gás”, ou de bancários que interrompa o funcionamento das “instituições bancárias e sua rede de atendimento” e ou ainda de rodoviários que paralise o transporte público podem ser consideradas ato de terrorismo.

Uma manifestação de servidores públicos em escolas ou hospitais públicos, como forma de pressão para o atendimento de suas reivindicações, também poderá ser enquadrada como ato de terrorismo.
Isso, sem dúvida, seria um grande retrocesso, até porque a ocupação de espaços de trabalho é legítima como forma de pressão para o atendimento das reivindicações das categorias.

A alegação do governo de que o ato de terrorismo só se aplica “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião,” e que há previsão no texto aprovado que este não se aplica em casos de manifestação política, social e sindical, não retira o aspecto perigoso da Lei.

Isso porque a interpretação do que será ou não manifestação política, social ou sindical e se o ato praticado foi por razões de xenofobia, preconceito de raça, cor, etnia e religião, caberá ao Delegado de Polícia, Ministério Público e posteriormente ao Juiz. E o que mais vimos nas manifestações de junho de 2013 e em 2014, foi o enquadramento do movimento social como associação criminosa, a partir de interpretações das autoridades públicas. Diziam que as manifestações eram legítimas, mas que os atos de depredação praticados, supostamente por manifestantes, constituíam-se em crime contra a ordem e paz pública, indiciando e denunciando lideranças legítimas do movimento social sem qualquer prova.

Ou seja, por serem lideranças impulsionadoras do movimento, foram responsabilizadas por atos que não praticaram ou estimularam e consideradas como membros de uma organização criminosa.

2 - PSTU Vale - Qual a necessidade deste tipo de lei para um país como o Brasil?
Alberto Albiero - Na própria justificativa do Projeto de Lei, o Ministro da Justiça reconhece que no Brasil não há um histórico de atos de terrorismo. Por que razão, então, a proposição de tal Lei, justamente em um momento de crise econômica, de grande contestação ao Governo Dilma e de uma crescente de greves e mobilizações de rua?

Não há motivo algum, senão o de tentar intimidar o movimento social e prender lideranças legítimas. Desde junho de 2013, a resposta dos governos às manifestações foi a repressão policial, prisões e processos criminais contra manifestantes.

3 - PSTU Vale - Duas outras legislações, a Lei 12.850 sobre Organizações Criminosas e a Lei de Segurança Nacional têm o mesmo teor desta nova lei antiterrorismo?
Alberto Albiero - Esta Lei Antiterrorismo complementa e atualiza a Lei 12.850/13 que define o que são as organizações criminosas e foi promulgada em 2 de agosto de 2013, logo após as manifestações de junho daquele ano.

Dentre outras coisas, a lei 12.850 legaliza a infiltração de policiais em organizações do movimento social, sob o pretexto de combate às organizações criminosas. Ou seja, criam a absurda tese de que determinada organização política é, na verdade, uma organização criminosa e infiltram policiais para fazer o monitoramento de suas atividades. Isso ocorreu pelo Brasil afora nos últimos anos, podendo ser constatado em inquéritos policiais. Infiltravam e produziam provas que não condiziam com a realidade.

Já a Lei de Segurança Nacional é um resquício da ditadura militar, que ainda não foi revogada e chegou a ser usada em São Paulo para justificar a prisão de dois manifestantes. Nessa lei, dentre outros absurdos, considera-se como criminosos aqueles que contestam a “ordem política e social” e incitam a luta “entre as classes sociais” (artigo 23).

As três leis guardam uma relação e semelhança entre si: possibilitam criminalizar o movimento social e enquadrá-lo como subversivo e terrorista.

4 - PSTU Vale - Após as manifestações de 2013 e dos protestos ocorridos durante a Copa houve centenas de prisões e processos. Como está esta situação?
Alberto Albiero - Alguns inquéritos policiais ainda continuam em fase de investigação e outros já foram concluídos e se transformaram em processos judiciais. Para citar dois exemplos: em Campinas e Porto Alegre temos mais de 100 jovens e lideranças sendo processados e acusados injustamente de terem depredado patrimônio público e integrarem organização criminosa.

Em São Paulo, houve quem chegou a ser preso por portar vinagre. No Rio de Janeiro, um morador de rua, jovem negro e pobre, foi preso e condenado por portar um pinho sol durante as manifestações de 2013.

5 - PSTU Vale - Como os partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais devem enfrentar essa ofensiva de criminalização?
Alberto Albiero - É preciso denunciar essas legislações e mostrar para a população que, na verdade, não se prestam para combater o crime organizado, mas sim o movimento social.
Além disso, a continuidade das mobilizações é importante, pois somente através delas é que poderemos derrotar a criminalização dos movimentos sociais e garantir uma profunda mudança social em nosso País.

É preciso exigir o arquivamento de todos os inquéritos policiais que criminalizam ativistas, a revogação de toda a legislação construída para reprimir o movimento, o fim imediato das forças tarefas construídas com este fim, a reversão de todos os indiciamentos e a desmilitarização da Policia Militar.


25 de agosto de 2015

Reunião da CSP-Conlutas aprova "Marcha dos Trabalhadores e Trabalhadoras" para o dia 18 de setembro

25/8/2015 - Colocar os trabalhadores em campo contra o governo Dilma e seu ajuste fiscal, e contra Eduardo Cunha (PMDB), Michel Temer e Aécio Neves, do PSDB, que defendem e aplicam essa mesma política econômica.

Esse foi o sentido da principal deliberação da primeira reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas após o congresso da entidade realizado em junho. A reunião, realizada no último final de semana, contou com 300 pessoas, mais de 170 delegados de entidades de todo o país.

A central aprovou a convocação, junto às entidades que compõem o Espaço Unidade de Ação, de uma grande marcha em São Paulo no próximo dia 18 de setembro contra o governo do PT, o PMDB e a oposição de direita representada pelo PSDB, e em defesa dos direitos dos trabalhadores.

"Tenta se criar uma falsa polarização entre o que foram os atos do dia 16 e os do dia 20, quando, na verdade, são faces de uma mesma moeda", afirmou Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, durante o debate sobre conjuntura nacional que tomou grande parte do 1º dia de reunião.

Barela analisou o aprofundamento da crise econômica e política no último período e os ataques que o governo Dilma vem impondo à classe trabalhadora, como o duro ajuste fiscal, aumento das tarifas públicas e a seqüência em sua política privatista, como a recente venda da BR Distribuidora. Diante de um governo que aplica intensamente uma política econômica que só atende os interesses dos banqueiros e empresários, "é uma falácia dizer que a burguesia quer tirar o governo", disse Barela.

Diante desse cenário, os trabalhadores, que vem resistindo aos inúmeros ataques com fortes greves e mobilizações em todo o país, devem sair às ruas contra o governo Dilma e a falsa alternativa representada pelo PMDB ou os tucanos. A marcha próximo dia 18 responde a essa necessidade. "Sabemos que ainda somos pequenos, mas temos sim a possibilidade de nos colocar como um centro de atração àqueles que querem lutar contra o governo e os tucanos", afirmou.

Marcha e encontro
A "Marcha dos Trabalhadores e Trabalhadoras" contra o governo Dilma, Eduardo Cunha, Temer e Aécio no dia 18 definido pela coordenação da CSP-Conlutas dá seqüência à plenária do Espaço Unidade de Ação realizada no dia 31 de julho e que aprovou uma declaração chamando à construção de um campo de luta contra a direita e o governo e que havia indicado um dia nacional de luta em setembro. Além disso, a coordenação nacional da central definiu ainda, para o dia 19, a realização de um amplo encontro de lutadores para definir os rumos dessa mobilização.

"Essa vai ser uma marcha em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras pra construir um campo alternativo aos dois pólos burgueses que disputam as atenções em nosso país, e no dia 19 nós vamos realizar um encontro nacional de lutadores que possa dar seqüência a um calendario de luta, porque a classe trabalhadora não pode ficar refém das alternativas colocadas aí", afirmou Sebastião Carlos, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

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Nota da LIT-QI: A renúncia de Tsipras e as novas eleições na Grécia

25/8/2015 - No dia 20 de agosto, Alexis Tsipras, premiê grego e principal dirigente do Syriza, anunciou que vai renunciar a seu cargo e convocar a novas eleições porque “o mandato para o qual fui votado (a negociação com a UE, NdR) já foi cumprido”. Esta decisão é uma clara manobra, típica dos jogos eleitorais-parlamentares da política burguesa. No mesmo dia veio a público de que a Plataforma de Esquerda tinha rompido com o Syriza para formar a Unidade Popular, com seu próprio bloco parlamentar e apresentando-se em separado nas próximas eleições.

Tsipras e a maioria do Syriza traíram a luta e as aspirações dos trabalhadores e do povo grego ao assinar o recente acordo acerca da dívida externa do país com a União Europeia e os bancos credores. Este acordo contém um brutal plano de ajuste e medidas que implicam uma perda ainda maior da soberania do país, como a privatização dos 14 aeroportos do país e sua entrega a empresas alemãs.

Eles traíram a heroica luta dos últimos anos contra os planos de ajuste anteriores, as aspirações expressadas nas eleições de janeiro passado (que levaram o Syriza ao governo) e, de forma muito clara, o resultado do plebiscito de 5 de julho passado que, por ampla maioria, recusou o acordo com a Troika.

No entanto, esta traição ainda não ficou clara para as massas. Tsipras conseguiu se colocar no lugar de vítima da UE e de Angela Merkel, e diz que conseguiu “o melhor acordo possível” que é “duro, mas salvou o país”. Neste contexto, as pesquisas indicam que ele e o Syriza poderiam conseguir uma votação ainda maior que a alcançada em janeiro.

Esta confusão das massas é possível porque o governo ainda não começou a aplicação do brutal plano de ajuste e privatizações acertado em julho passado. Quando ficar claro o que esse plano representa, o prestígio de Tsipras e do Syriza poderia cair de forma acelerada. Por isso, antecipa as eleições já que depois delas dirá que “tem mandato para aplicar o plano”, tentando assim desmoralizar, dividir e derrotar aos trabalhadores e às massas. Tal como já assinalamos, é uma manobra típica da política burguesa que tem por objetivo manter as massas no terreno eleitoral e não no da luta contra o ajuste e suas consequências.

Nunca apoiamos a este governo. Chamamos a lutar contra ele e a formar uma oposição de esquerda e de classe diante de sua capitulação aos ditames da Troika e às medidas contra os trabalhadores e o povo.

Na atual situação, nossa proposta seria o voto a Antarsya, a frente de organizações de esquerda formada em 2008 que mantém uma postura de oposição a Tsipras e seu governo, e se posicionou de forma categórica contra o acordo do governo com a UE. Coincidimos ademais com esta frente em seu chamado a prosseguir as mobilizações contra a “chantagem” imperialista e sua denúncia que não são possíveis acordos dentro da UE, frente à qual propõe a alternativa da ruptura com ela e com o euro.

A Plataforma de Esquerda do Syriza (encabeçada por Stathis Kouvelakis e Pangiotis Lafasanis) criticou duramente o recente acordo com a Troika e seus deputados opuseram-se a ele no Parlamento. Sem dúvida, apesar disso, demorou muito em romper com o governo e com o Syriza. Sua ruptura atual aparece motivada essencialmente por razões eleitorais e a absoluta impossibilidade de saírem nas mesmas listas que Tsipras e a maioria do Syriza. Tal como a criticamos antes por não romper, agora dizemos que deu um passo positivo.

No entanto, essa ruptura não pode ficar só no terreno eleitoral-parlamentar. É necessário formar um bloco de oposição da classe trabalhadora e da esquerda com a nova Unidade Popular, Antarzya e o KKE (chamando-o a deixar de lado seu sectarismo divisionista e autoproclamatório), e os sindicatos para que lute e enfrente nos locais de trabalho e nas ruas, o plano de ajuste de Tsipras-Syriza.

Nesta perspectiva, seria um passo positivo a formação de uma frente eleitoral de oposição de esquerda e de classe junto com Antarsya (a qual poderia somar-se o KKE) e, neste caso, chamaríamos a votar nela. Se essa frente se concretizasse, seria apresentando uma alternativa eleitoral de esquerda à traição de Tsipras, que cresceria em sua influência e em suas possibilidades de impulsionar as lutas, na medida em que o futuro governo de Tsipras comece a aplicar o duríssimo plano de ajuste e privatizações, e os trabalhadores e as massas a enfrentá-lo.

Nota do Secretaria Internacional da LIT-QI

24 de agosto de 2015

Todo apoio a greve na Mercedes em São Bernardo do Campo!

24/8/2015 - Por PSTU ABC
Hoje, mais uma dura batalha se inicia: os trabalhadores da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, decidiram pela greve por tempo indeterminado para resistir as demissões de cerca de 2 mil trabalhadores.

O clima da assembléia era de apreensão, mas também de muita disposição de luta. Seguindo o exemplo dos trabalhadores da GM de São José dos Campos, que após duas semanas de greve conseguiram reverter as demissões, os trabalhadores de São Bernardo também optaram pelo caminho da resistência.

A Mercedes vem demitindo trabalhadores desde o início do ano, mas, segundo o SMABC, desta vez a empresa pretende fazer um corte histórico, superando as 1200 demissões de 1995. Portanto o movimento também necessita de muita força e solidariedade e unidade da classe trabalhadora, que de conjunto será penalizada com essa demissão em massa.

Não podemos aceitar que os trabalhadores paguem por essa crise. É necessário uma greve geral que vá contra o governo e a oposição de direita, que derrube esse ajuste fiscal e pare as demissões.

Por isso dia 18 de setembro é dia de unificar as lutas, e ir para as ruas construir uma alternativa para os trabalhadores, para que possamos dizer em alto e bom som: "Não vamos pagar por essa crise".

Leia também: Mais demissões na Mercedes: trabalhadores irão à luta!

PSTU ABC


Greve na GM anula demissões e mostra o caminho: é preciso unificar a luta em defesa dos empregos

  1. Foto: Sindmetalsjc/Tanda Melo
24/8/2015 - Em assembleia, nesta segunda-feira, dia 24, os trabalhadores da GM de São José dos Campos aprovaram o acordo que anula as 798 demissões que haviam sido feitas pela montadora na véspera do Dia dos Pais. Pela proposta, os trabalhadores entrarão em lay-off por cinco meses (suspensão temporária do contrato de trabalho).

O acordo, negociado em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, na sexta-feira, dia 21, foi aprovado por unanimidade por cerca de 4.000 trabalhadores presentes à assembleia. A suspensão das demissões acontece quase duas semanas depois do início de uma das mais longas greves já realizadas na empresa. Foram 12 dias de paralisação.

Os trabalhadores que haviam sido demitidos serão colocados em licença-remunerada até o início de setembro, quando começará o lay-off, que se estenderá ate fevereiro de 2016. Ao final do afastamento, se houver demissões, a GM terá de pagar uma multa de quatro salários para cada trabalhador (veja mais detalhes abaixo).



Vencemos uma batalha. A guerra segue
Ao longo dos últimos 12 dias, os trabalhadores da GM protagonizaram uma das maiores mobilizações já realizadas na montadora. Não só porque a greve encerrada é uma das mais longas realizadas na empresa, mas pela unidade e disposição de luta demonstrada pelos metalúrgicos.

A repercussão da paralisação se estendeu por todo o país e até internacionalmente. Declarações de apoio e solidariedade vieram de vários sindicatos das mais diversas categorias, de dentro e de fora do país.

Como há muito tempo não se via, familiares dos demitidos se engajaram na luta, participando de assembleias na fábrica e de mobilizações, como a passeata no dia 14 que reuniu cerca de duas mil pessoas.

Os metalúrgicos demitidos se envolveram diretamente na mobilização durante todo o tempo, num incontestável exemplo da capacidade de auto-organização da classe operária.

Entre os trabalhadores, a certeza de que lutar vale a pena e de que foi a mobilização que conseguiu reverter as demissões é geral. Os metalúrgicos também têm consciência de que a luta para garantir os empregos não acabou, como afirmaram os próprios dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José e região, filiado à CSP-Conlutas.

 “Conseguimos evitar a demissão da forma violenta que a empresa queria impor. E isso só foi possível por que a gente não abaixou a cabeça e fomos à luta por nossos direitos. A sensação é de alívio. Mas sabemos que essa foi apenas uma batalha. A guerra segue”, avaliou João*, um dos trabalhadores demitidos.

Nunca tinha participado de um movimento como esse. Minha cabeça mudou totalmente. Nós conseguimos reverter as demissões. Foi um movimento muito forte e sabemos que essa luta não acabou, pois a GM vai continuar chantageando e tentando demitir”, disse Pedro*, outro trabalhador que havia sido demitido.

Eu não fui demitido. Mas já fiz parte de outro lay-off. Aqui tá todo mundo no mesmo barco e se não lutarmos, ninguém vai garantir nossos empregos”, afirmou o metalúrgico Luiz*.

Foto: Sindmetalsjc/Tanda Melo
O presidente nacional do PSTU, Zé Maria, participou da assembleia e denunciou o governo Dilma/PT, que ao invés de tomar medidas para defender os empregos dos trabalhadores, está dando mais dinheiro público às montadoras que estão demitindo.

Essa situação de demissões que assistimos hoje no país é resultado não só da ganância de lucros das multinacionais, mas também da política do governo Dilma. Em meio a essa greve da GM e demissões em todas as montadoras, a presidente Dilma mandou o Banco do Brasil e a Caixa darem mais R$ 9 bilhões às montadoras. Daria para pagar três anos de salário dos cerca de 25 mil trabalhadores que hoje estão com os empregos ameaçados nas montadoras. Mas, Dilma não fez por que governa para os banqueiros e grandes empresas”, denunciou Zé Maria.

Na assembleia desta segunda, os metalúrgicos da GM aprovaram um chamado aos trabalhadores, sindicatos e centrais sindicais das bases das demais montadoras para unificar a luta contra as demissões. A Volks de Taubaté segue paralisada desde o último dia 17 e os trabalhadores da Mercedes, no ABC Paulista, aprovaram greve por tempo indeterminado nesta segunda, dia 24.

Essas demissões que estão acontecendo pelo Brasil afora mostram a necessidade de uma luta unificada de toda a classe trabalhadora. Uma greve geral nas montadoras para acabar com as demissões e os ataques aos direitos e exigir do governo Dilma medidas que, de fato, garantam emprego”, afirmou o dirigente da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Para o presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal Toninho Ferreira a luta dos metalúrgicos da GM mostra o caminho que deve ser trilhado.

Através da luta e da organização é possível barrar as demissões. Essa greve, que teve vários exemplos de solidariedade e unidade, como o apoio votado à greve da Volks em Taubaté, deve servir de exemplo para unificar a luta nas montadoras para barrar as demissões e exigir do governo Dilma a estabilidade no emprego”, avalia Toninho, que já foi ex-presidente do Sindicato e participou das negociações.

Conheça os detalhes do acordo:

1- Cancelamento das 798 demissões e lay-off pelo período de cinco meses;
2- Licença remunerada, retroativa ao dia 10 de agosto, para os trabalhadores que entrarão em lay-off.
3- Discussão com o Sindicato sobre o plano de aposentadoria;
4- Abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) em toda fábrica. Cada adesão resultará no abatimento do número de excedentes considerado pela companhia;
5- Os trabalhadores em lay-off também terão direito a 13º salário, reajuste salarial na data-base, convênio médico e segunda parcela da PLR;
6- A empresa se compromete em não fazer nenhuma retaliação aos grevistas;
7- Nenhum desconto dos dias em greve. Metade dos dias parados será arcada pela empresa. O restante será compensado pelos trabalhadores;
8- Se o trabalhador afastado pelo lay-off preferir, poderá ser desligado antecipadamente, recebendo o valor relativo aos cinco meses de lay-off (parte paga pela empresa, equivalente à diferença entre o salário e bolsa-qualificação) mais os quatro salários de indenização. Neste caso, o trabalhador terá direito a cinco parcelas do seguro-desemprego;
9- Ao fim do lay-off, se houver demissões, pagamento de indenização de quatro salários nominais para cada trabalhador.



21 de agosto de 2015

Fora Eduardo Cunha! Fora todos os corruptos e corruptores!

21/8/2015 - Depois de semanas de guerra política e “psicológica” nos bastidores de Brasília, finalmente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. A principal denúncia contra o deputado é de que ele teria recebido propina no valor de, pelo menos, US$ 5 milhões.

É mais um que cai nas investigações da Operação Lava Jato. Segundo denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Eduardo Cunha teria viabilizado a construção de dois navios-sondas da Petrobras, entre junho de 2006 e outubro de 2012.

A propina seria o pagamento para facilitar e viabilizar a contratação, sem licitação, do estaleiro Samsung Heavy Industries Co., responsável pela construção dos navios-sondas Petrobras 10000 e Vitoria 10000, por meio de contratos firmados em 2006 e 2007.

A intermediação foi feita, segundo a PGR, por Fernando Soares, o "Fernando Baiano", apontado como operador do PMDB na Diretoria Internacional da Petrobras. A propina foi oferecida, prometida e paga por Júlio Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal.

A acusação de lavagem de dinheiro se deve ao fato de Cunha ocultar e dissimular o recebimento dos valores no exterior em contas de empresas offshore e por meio de empresas de fachada.

Além da condenação criminal, o procurador-geral pede a restituição do produto e proveito dos crimes no valor de US$ 40 milhões e a reparação dos danos causados à Petrobras e à Administração Pública também no valor de US$ 40 milhões.

Uma vela pra Deus, outra para o diabo
As investigações demonstram também que o deputado fundamentalista religioso, homofóbico e machista acende uma vela para Deus e outro para o diabo.

De acordo com a denúncia contra Cunha, parte da propina teria sido intermediada pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus no valor de, pelo menos, R$ 250 mil, em 2012.
Segundo a denúncia da PGR, Fernando “Baiano” orientou o lobista Júlio Camargo que efetuasse o pagamento de R$ 250 mil ao deputado por meio de depósitos feitos na conta da Igreja Evangélica
Assembleia de Deus.


Vereador da região tietando Cunha
Corrupto notório
As suspeitas contra Cunha não são de hoje. Antes de ser deputado, nos anos 1990, ele foi convidado por PC Farias (o mesmo do escândalo que derrubou o então presidente Fernando Collor e hoje senador também denunciado) para a presidência da Telerj.

É de responsabilidade de Cunha o projeto que privatizou a Telerj, envolvendo superfaturamento e relações escusas com as organizações Globo.
A própria eleição de Cunha para presidir a Câmara foi fruto de lobby de doadores das campanhas de demais deputados.

Collor ganha as manchetes novamente
Juntamente com Cunha, a Procuradoria denunciou também o já conhecido frequentador dos escândalos de corrupção no Brasil Fernando Collor de Mello, ex-presidente e senador do PTB. Collor foi denunciado por pelo menos dois crimes – corrupção ativa e lavagem de dinheiro, mas o teor da denúncia ainda não foi divulgado porque cita trechos de delações premiadas ainda não validadas pela Justiça.

As investigações da Operação Lava Jato apontam que Collor recebeu, entre 2010 e 2014, R$ 26 milhões como pagamento de propina por contratos firmados na BR Distribuidora. Delatores da Lava Jato afirmaram que chegaram a pagar faturas de cartão de crédito de Collor e que o senador recebeu parte da propina em dinheiro vivo e em mãos.

Fora Cunha, Collor e todos os corruptos e corruptores
Cunha é um fundamentalista, machista e homofóbico que vem liderando a aprovação de várias pautas conservadoras e prejudicais aos trabalhadores.

Com manobras e postura totalmente antidemocrática, Cunha deu um golpe para aprovar a redução da maioridade penal e o financiamento privado de campanha; desengavetou o PL das terceirizações; incita ódio a LGBTs, mulheres e negros; quer aprovar o dia do orgulho hétero e quer acabar com o direito ao aborto legal em casos de estupro e transformá-lo em crime hediondo.

O deputado vinha fazendo o jogo sujo para o governo Dilma, mas tudo indica que para o bem do ajuste fiscal, escolheram rifá-lo e por enquanto preservar Renan Calheiros (PMDB) e a Agenda Brasil.

Apesar de tudo, Cunha alega que não vai renunciar à presidência da Câmara. Com o apoio do deputado Paulinho (Solidariedade), chegou a ser ovacionado em evento da Força Sindical, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, de forma vergonhosa, .

É preciso aumentar o movimento Fora Cunha, bem como pela punição e confisco dos bens de todos os outros corruptos, como Collor, Renan, entre outros, e corruptores.

O PSTU defende como medidas para combater a corrupção:

- Prisão de todos os corruptos e corruptores. Confisco de seus bens!
- Fim do financiamento privado das campanhas eleitorais!
- Redução dos salários e fim dos privilégios de todos os políticos!
- Por mandatos revogáveis. Se um político se envolver em corrupção ou aprovar medidas contra os trabalhadores, que o mandato possa ser revogado pelo povo!
- Estatização, sem indenização, das empreiteiras e empresas envolvidas em corrupção!
- Fim dos sigilos bancário e fiscal!
- Fim do Senado!




20 de agosto de 2015

Toninho participa de audiência sobre demissões na GM na Alesp. Veja vídeo

20/8/2015 - A demissão em massa realizada pela General Motors foi duramente criticada durante a audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira, dia 19. Embora tenha sido convidada a participar, a GM fugiu do debate e não enviou representantes.

O presidente do PSTU e suplente de deputado federal, Toninho Ferreira, participou da audiência. Confira a fala de Toninho, que já foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.


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Fala Toninho: “A demagogia segue e os deputados aprovam a redução da maioridade penal”

Bancada da bala: Alberto Fraga e Bolsonaro simulam tiros durante a votação
20/8/2015 - A demagogia prevaleceu. A Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno de votação, nesta quarta-feira, dia 19, a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade nos casos de crimes hediondos, como latrocínio e estupro, e dolosos contra a vida, como homicídio e lesão corporal seguida de morte.

O texto agora seguirá para o Senado, onde também terá de passar por dois turnos de votação.

Fora 320 votos favoráveis à Proposta de Emenda Constitucional e 152 contra. O deputado federal de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), lamentavelmente, votou a favor da medida. Liderados pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha/PMDB (prestes a ser denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato), os defensores da PEC da redução da maioridade alegam estar combatendo à violência.

Enganação pura. A medida é ineficaz e só vai aumentar a criminalização social e piorar ainda mais as perspectivas para a juventude pobre e negra brasileira.

As estatísticas demonstram que apenas 0,9% dos crimes registrados no país (ou seja, menos de 1%) são cometidos por adolescentes de 16 a 18 anos. Dentro deste percentual, segundo estudo da Unicef, quase 60% dos casos são dos chamados “crimes contra o patrimônio”, como roubos e furtos. Os crimes hediondos correspondem a apenas 11% deste total de 0,9% de crimes cometidos por adolescentes no país.

Por outro lado, 33 mil adolescentes entre 12 e 16 anos de idade foram assassinados no Brasil de 2006 a 2012. A maioria, negros.

Fica claro que para resolver o problema localizado em um número tão pequeno de casos de violência envolvendo menores, a solução não é uma lei que simplesmente reduz a maioridade penal para toda uma juventude.

Como já dissemos, os crimes envolvendo menores são tratados com grande sensacio¬nalismo, sem que as razões da violên¬cia sejam debatidas profundamente. O que os deputados querem é fazer demagogia com a população cada vez mais assustada com a violência no país, sem de fato, atacar as causas e de fato combater a violência.

Estes parlamentares defendem mais cadeia, ao invés de se preocuparem em construir escolas, garantir geração de empregos, esporte, cultura e lazer, medidas que de fato combateriam a violência entre jovens.

Experiências internacionais demonstram que condenar adolescentes no sistema de justiça comum apenas contribui para aumentar a reincidência no crime. No Brasil, o índice de volta ao crime é de 70% entre os que cumprem pena no sistema prisional comum. Entre os jovens, no sistema em que já ficam presos atualmente, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a recuperação é bem maior e a reincidência é de apenas 20%.

No Senado, em julho, Renan Calheiros (PSDB) colocou em votação o aumento do tempo de internação para jovens infratores, alterando o ECA. Ambas as medidas visam retirar os direitos da juventude, aumentado a sua criminalização e encarceramento.

Enquanto isso, os grandes bandidos deste país seguem soltos e envolvidos em esquemas, que desviam dinheiro público (que deveria ir para a educação e outras áreas sociais) para o ralo da corrupção, como é o caso de Cunha e Renam, acusados na Operação Lava Jato.

A proposta de emenda à Constituição vai agora para votação em dois turnos no Senado. É preciso aumentar a pressão e a mobilização para impedir este ataque, que se insere num contexto geral de criminalização social no país.

Toninho Ferreira é presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal

19 de agosto de 2015

Avança o saque da Petrobras: conselho de administração aprova venda de 25% da BR Distribuidora

19/8/2015 - Esta semana, a ofensiva de privatização sobre a Petrobrás teve mais um avanço. O Conselho de Administração da estatal aprovou a venda de 25% da BR Distribuidora, a unidade de distribuição de combustíveis da Petrobrás. A reunião que decidiu sobre a venda ocorreu no dia 6 de agosto, mas só na segunda-feira, dia 17, à noite, que a notícia veio a público.

Pela decisão, a BR pode ser vendida a um único comprador ou se tornar uma empresa de capital aberto, com ações na Bolsa de Valores. A Petrobrás ainda não decidiu como fará o negócio. Contudo, independente da forma, o fato é que se trata de privatização da BR e da própria Petrobrás.

Um verdadeiro crime contra o patrimônio e a soberania nacional. A BR Distribuidora tem a maior rede de postos de combustíveis do país. São quase 8 mil em todo o Brasil.

Ela também atende outros clientes e, em 2014, vendeu 57 bilhões de litros de gasolina, etanol, diesel, o que . representa 38% do mercado. O lucro líquido desta subsidiária da Petrobrás no ano passado foi de R$ 1,1 bilhão.

Oito dos dez conselheiros disseram ‘sim’ à proposta. O presidente do Conselho, Murilo Ferreira, votou contra e alegou que a BR precisa de um “novo plano de negócios para depois pensar na venda”.
O representante dos funcionários também disse não. Deyvid Bacelar argumentou que “este não é o melhor momento para a venda, porque o mercado está em baixa”.

Ambos os argumentos não refletem a realidade. O problema está no fato que o governo quer entregar nas mãos do capital privado uma empresa estatal que dá lucro e está fatiando e avançando na privatização da Petrobras, que é uma das maiores empresas petrolíferas do mundo!

Plano de desinvestimento é privatização
Em meio ao maior escândalo de corrupção envolvendo a Petrobrás, o governo Dilma (PT) está colocando em curso a maior ofensiva privatista contra a estatal brasileira desde o fim do monopólio do petróleo no governo FHC.

Há cerca de dois meses, o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, anunciou um plano de venda de ativos que pretende entregar o equivalente a mais de R$ 40 bilhões da empresa.

O nome é pomposo “desinvestimento e vendas de ativos”. Mas traduzindo para o bom português quer dizer: desmonte e entrega do patrimônio da empresa, privatização! São mais campos de petróleo e gás que serão leiloados, subsidiárias como a BR Distribuidora que serão privatizadas, redução de investimentos que causarão demissões e precarização das condições de trabalho.

Aproveitando a “deixa” do governo petista, o PSDB também se assanhou. Aproveitando o ataque de Dilma, o senador José Serra (PSDB) apresentou o Projeto de Lei 131 para reduzir a atuação da Petrobrás no Pré-sal. Esse projeto consegue piorar a já entreguista Lei da Partilha, pois propõe retirar a participação de 30% da Petrobrás, bem como seu papel como operadora única do pré-sal.

No dia 24 de julho, os 17 sindicatos de petroleiros do país realizaram uma greve de 24 horas contra este plano de desinvestimento, em defesa dos trabalhadores efetivos e terceirizados e por uma Petrobrás 100% pública e estatal.

Esse é o caminho e por isso é preciso avançar na unidade e na mobilização. Só a luta e a resistência dos trabalhadores pode derrotar os planos de Bendine e do governo Dilma(PT).

-Chega de Dilma, Bendine e seus planos de desinvestimentos e privatização!
-Chega de Serra e a sua PL contra a Petrobrás!
-Petrobrás 100% estatal sob o controle dos trabalhadores!
-Monopólio estatal do petróleo e do gás!
-Estatização das empreiteiras envolvidas nos escândalos de corrupção!
-Estabilidade no emprego para todos que trabalham nas áreas da Petrobrás!

Acredite: governo Dilma vai usar dinheiro do trabalhador para dar às empresas!

19/8/2015 - As recentes demissões nas montadoras, como na GM de São José dos Campos, Volks de Taubaté ou Mercedes do ABC, têm obtido repercussão nacional, ao expor o drama de milhares trabalhadores que estão perdendo seus empregos e as condições de garantir o sustento de suas famílias. Diante desta situação, o governo Dilma (PT) não se pronunciou e nem tomou nenhuma medida até agora para defender esses trabalhadores.

Mas, surpreendentemente, nesta terça-feira, dia 19, o governo petista conseguiu se superar. O Planalto anunciou que prepara um novo programa de socorro para os grandes setores industriais do país e para começar anunciou, através da Caixa Econômica Federal, a criação de linhas de crédito, com taxas de juros de “pai para filho”, para micro até grandes empresas.

O primeiro setor a ser presenteado é o automotivo! O que é pior: o dinheiro vai sair de fundos dos trabalhadores, como o FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador e o FGTS (veja abaixo mais detalhes desta ajuda).

O acordo foi fechado com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

A Caixa vai liberar cerca de R$ 5 bilhões somente para o setor automotivo, incluindo dinheiro próprio e recursos dos trabalhadores (FAT e FGTS). Miriam Belchior, presidente da Caixa, afirmou que se trata de uma política que foi discutida com várias áreas do governo e tem como objetivo ajudar as empresas a "respirar" durante este "momento de travessia" pelo qual passa a economia brasileira.

Hoje, o Banco do Brasil anunciou pacote de ajuda semelhante. O banco público prevê liberar também para o setor automotivo até o final deste ano outros R$ 3,1 bilhões.


Para as empresas é ajuda. Para os trabalhadores é demissão e arrocho



Em entrevista Toninho fala sobre crise e demissões

As demissões em massa já estão sendo uma dura realidade no país. Só no estado de São Paulo, a indústria já demitiu até julho quase cem mil trabalhadores. A estimativa é que até o final do ano, em todo o país, sejam demitidos 1,5 milhão de pessoas.

Mais uma vez, o governo do PT sai em socorro dos lucros dos grandes empresários e multinacionais, enquanto para os trabalhadores a política é de arrocho, demissões e ataques aos direitos.

Segundo disse a presidente da Caixa, Miriam Belchior, “a meta é contribuir para a melhoria do fluxo de caixa das empresas e fornecedores, auxiliando no pagamento de despesas, salários, tributos e reposição de estoques”!

Supostamente, as taxas mínimas de juros serão aplicadas às empresas que se comprometerem a não demitir durante o prazo do empréstimo. Esse controle deverá ser feito por meio do acompanhamento da folha de pagamento da empresa.

Mas sabemos muito bem como isso acontece.  O que está ocorrendo nas montadoras, como a GM, Volks e Mercedes, é emblemático. Depois de terem se beneficiado por bilhões em isenções e incentivos fiscais nos últimos anos, terem obtido lucros recordes, que foram enviados ao exterior, agora estão demitindo em massa. O discurso era que a redução do IPI, por exemplo, era para garantir empregos. Não garantiu. As demissões continuaram sendo feitas. Nas montadoras, já são mais de 20 mil demissões somente este ano.

É inadmissível que, neste momento em que o desemprego já está penalizando milhares de trabalhadores, a única medida que Dilma tome seja dar mais dinheiro publico, inclusive de fundo dos próprios trabalhadores, para garantir os lucros de multinacionais que estão demitindo.

É preciso unificar a luta contra as demissões e por estabilidade no emprego
Diante da crise que chegou com força ao país, o governo Dilma, PT, PMDB, PSDB e o Congresso de picaretas já mostraram que estão aí para aplicar um brutal ajuste fiscal sobre os trabalhadores e a maioria do povo, tudo para garantir os lucros dos banqueiros e empresários.

O caminho é a luta. Os metalúrgicos da GM, há dez dias, realizaram uma forte e corajosa greve, que está colocando em xeque os planos gananciosos da multinacional estadunidense. Os trabalhadores da Volks de Taubaté também entraram em greve contra as demissões. Na Mercedes, a greve também é iminente diante da ameaça da montadora em fazer duas mil demissões.

Portanto, é hora de unificar as lutas em defesa dos empregos e exigir:

- Que o governo Dilma proíba as demissões em massa!

- Readmissão dos demitidos e estabilidade no emprego para todos os trabalhadores!

- Redução da jornada de trabalho, sem redução de salários!

- Proibição de remessa de lucros das multinacionais ao exterior. Ganhos obtidos no país devem ser investidos para gerar empregos no país!

- Estatização das empresas que demitirem em massa!


Saiba mais sobre a ajuda ao setor automotivo:
Serão quatro linhas de crédito. A primeira é uma antecipação de recursos para fornecedores de montadoras, com juro a partir de 1,41% ao mês.

As mesmas empresas contam ainda com dinheiro para despesas do segundo semestre a partir de 0,83% ao mês + TR. Nesse caso, os empréstimos contam com dinheiro da Caixa e do FGO (Fundo de Garantia de Operações).

A Caixa também vai financiar compra de máquinas novas e usadas a 1,5% ao mês com dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). 

A quarta linha é para renovação de frota (transporte coletivo, máquinas agrícolas e caminhões) com dinheiro do FGTS na linha Pró-Transporte a 9% + TR ao ano.


18 de agosto de 2015

Volks também entra em greve. É hora de unificar as lutas!

18/8/2015 - Na segunda feira, dia 17, os cerca de 250 trabalhadores da Volks de Taubaté que estavam em lay-off voltaram ao trabalho.

Todos imaginavam que tudo seguiria normalmente pois a fábrica estava em reunião com o Sindicato e não havia enviado cartas no final de semana. Aparentemente, as ameaças que levaram à votação do estado de greve no último dia 12, não se confirmariam.

Essa sensação de segurança, infelizmente,  durou pouco. Na reunião, a Volks exigiu que a mesma proposta rejeitada na semana passada (dia 10) fosse colocada novamente em votação. Não houve acordo.

Ainda no 1° turno, os líderes começaram a distribuir as cartas de demissão pelas áreas. As pessoas foram sendo retiradas de seus postos com a notícia: estão demitidos!

A notícia se espalhou como um rastilho de pólvora e a indignação tomou conta. As linhas foram parando até que toda a produção foi paralisada.

Pegos de surpresa,  os trabalhadores do segundo turno foram entrando na fábrica e se concentraram na praça de eventos para evitar que mais cartas fossem entregues.

Já com os trabalhadores mobilizados, o terceiro turno nem passou da catraca e assim nesta segunda-feira, os trabalhadores da Volks deram início a mais uma greve contra demissões na região.

Até agora a empresa não informou oficialmente o número de demissões. Nesta terça-feira pela manhã, o primeiro turno foi informado que haverá uma reunião no Ministério do Trabalho, amanhã, dia 19, às 16h. A greve continua.

Representando a CSP-Conlutas, dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, onde os trabalhadores da GM estão em greve há nove dias, foi demonstrar apoio e defender a necessidade de se unificar as lutas contra as montadoras. Da mesma maneira,  representantes do Sindicato de Taubaté (CUT) foram até a GM em solidariedade.

A greve nas duas montadoras continua até que sejam revertidas as demissões.

Está colocada a necessidade de exigir do governo uma medida provisória que garanta a estabilidade no emprego, proibindo as demissões.

A CUT deve atender ao chamado da CSP-Conlutas e mobilizar suas bases em uma luta por um acordo coletivo nacional nas montadoras, com salários e direitos iguais em todo o país.

Chega de demissões e ataques aos direitos!

Por Emília Lobato, do Vale do Paraíba

No 9° dia de greve, metalúrgicos da GM votam solidariedade à greve na Volks

18/8/2015 - Diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e demitidos da GM foram à Taubaté, na manhã desta terça-feira, dia 18, para prestar solidariedade aos trabalhadores da Volkswagen, que ontem também entraram em greve contra demissões.

Logo depois, uma delegação de Taubaté veio a São José participar da assembleia na GM.

Mancha defendeu a unidade dos trabalhadores para derrotar as demissões e os ataques nas montadoras e os metalúrgicos da GM, que entraram no 9° dia de greve nesta terça-feira, aprovaram total solidariedade à greve da Volks.

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Audiência de conciliação
Na próxima sexta-feira, dia 21, acontecerá a segunda reunião de conciliação entre a GM e o Sindicato, no TRT de Campinas. Nesta segunda-feira, dia 17, na primeira audiência de conciliação não houve acordo.

O Ministério Público se pronunciou a favor do pedido do Sindicato de anulação das demissões, basicamente em razão dos cortes terem sido em massa e sem negociação prévia com o Sindicato e alegou que a empresa tem alternativas às demissões.

Contudo, a GM, que chegou a propor apenas o pagamento de um salário extra por demitido, não aceitou.

Nesta terça-feira, em assembleia, os metalúrgicos da GM aprovaram a continuidade da paralisação, que segue por tempo indeterminado.

O PSTU afirma todo apoio à luta dos metalúrgicos da GM e da Volks contra as demissões. É hora de unificar as lutas para garantir estabilidade no emprego, a redução da jornada sem redução de salários, a criação de um contrato coletivo nacional e exigir do governo Dilma a proibição das demissões imotivadas, a proibição de remessa de lucros ao exterior, bem como a nacionalização e estatização das multinacionais que demitirem em massa.

‪#‎UnificarALuta‬
‪#‎EmDefesaDosEmpregos‬
‪#‎EstabilidadeNoEmpregoJá‬

17 de agosto de 2015

Mais de cem mil pessoas tomam as ruas de Quito, no Equador, contra Rafael Correa

17/8/2015 - A capital equatoriana presenciou no dia de ontem (15/8) uma das maiores mobilizações populares dos últimos anos.

Mais de cem mil pessoas inundaram as ruas e as praças da capital equatoriana para protestar contra a política econômica e social do governo de Rafael Correa.

As distintas ações se deram no marco da nomeada “Paralisação do Povo”, convocada pelo Coletivo Unitário de Organizações de Trabalhadores, Indígenas, Professores e outros.

A jornada de protestos começou com fechamentos de estradas em quase todo o país. No entanto, o epicentro da luta se desenvolveu em Quito. Quando a multidão de trabalhadores e indígenas tentou acercar-se à sede do governo, foi duramente reprimida pela polícia de Correa.

Dois conhecidos líderes indígenas, Carlos Pérez Guartambel e Salvador Quispe, foram detidos e denunciaram  que foram maltratados. Depois da jornada, Jorge Herrera, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), declarou: “Quito deve continuar, queremos derrotar este sistema de abuso”.

A marcha sobre Quito expressa a crescente insatisfação popular com as medidas de ajuste e repressivas de Rafael Correa, em uma situação de deterioração econômica no país.

As principais demandas que motivaram a Paralisação foram:

- Repúdio à insuportável criminalização dos protestos sociais. Pelo fim da perseguição e o encarceramento de dirigentes sindicais e populares por parte do governo de Correa.
- Repúdio à emenda da constituição que pretende eliminar o direito de sindicalização no setor público.
- Repúdio à lei trabalhista antioperária vigente. Pela vigência do direito de contratação coletiva, a estabilidade no trabalho e pelo incremento geral de salários.
- Oposição ao endividamento externo, aos tratados de livre comércio (TLC) assinados pelo governo, à concentração da terra em poucas mãos e à privatização da água.
- Repúdio à eliminação do subsidio ao gás e ao incremento de tarifas elétricas.

Depois de anos de relativa “estabilidade”, igual que em outros países latino-americanos, o governo “progressista” de Correa está sendo questionado nas ruas pelo movimento social e popular.

A crise econômica e os ataques à qualidade de vida e às liberdades democráticas, assim como as medidas de entrega da soberania nacional que tem implementado, foram se acumulando e geraram um justo e progressivo descontentamento na classe trabalhadora equatoriana, uma desilusão que está passando à ação.

Rafael Correa respondeu para a multidão mobilizada como sempre responde quando se vê confrontado com o movimento social: tentou desacreditar o protesto e acusou aos manifestantes de estarem sendo manipulados pela “direita desestabilizadora”.

Porém estes artifícios discursivos não podem esconder a realidade: tanto Correa como os demais governos “bolivarianos” tem servido durante todos esses anos a suas respectivas burguesias nacionais e aos interesses do imperialismo. Tampouco podem ocultar que o povo equatoriano, como seus irmãos no resto do continente, começa a expressar seu descontentamento nas ruas.

Informações: www.litci.org/pt

14 de agosto de 2015

Manifestação reúne 2 mil pessoas e exige anulação das demissões na GM

14/8/2015 - Em defesa dos empregos, os trabalhadores da GM de São José dos Campos realizaram nesta sexta-feira, dia 14, uma das maiores manifestações já registradas na cidade. Cerca de 2 mil pessoas fizeram uma passeata ao longo de sete quilômetros, chamando a atenção para as demissões realizadas pela montadora.

Foram quatro horas de manifestação, marcada por uma grande representatividade. Além dos metalúrgicos da GM, seus familiares, também estiveram presentes representantes de sindicatos de vários locais do país, centrais sindicais, movimentos sociais e estudantil e partidos políticos.

Os metalúrgicos, que entraram nesta sexta-feira no quinto dia de greve, exigem que a GM anule as centenas de demissões realizadas desde o dia 8 de agosto e abra negociações com o Sindicato. Ao longo da manifestação, os manifestantes cobraram ainda a intervenção dos governos para que intervenham em defesa dos empregos.

Não faltaram denúncia e exigências ao governo Dilma, responsável por beneficiar as montadoras nos últimos anos com o repasse de dinheiro público e diante das demissões não fazer nada em defesa dos trabalhadores.

A participação dos familiares dos demitidos chamou a atenção. O longo trajeto sob um sol forte não desanimou esposas e filhos dos demitidos que participaram de todo o percurso, numa demonstração da força e da unidade que esta luta na GM está provocando.

Durante o protesto, os manifestantes caminharam pela Rodovia Presidente Dutra, na pista sentido Rio-São Paulo, entre os quilômetros 145 e 146, por cerca de meia hora. Motoristas que trafegavam no local tocavam as buzinas e acenavam em sinal de apoio à luta dos metalúrgicos, que já ganhou repercussão nacional.

Nas ruas, moradores saiam de suas casas e também demonstraram solidariedade.

Sindicatos e movimentos
Sindicatos de todo o país enviaram representantes para prestar apoio e solidariedade aos metalúrgicos da GM. Estiveram presentes trabalhadores e dirigentes sindicais de várias categorias como metroviários de SP, operários da construção civil de Fortaleza, servidores federais, trabalhadores do judiciário, aposentados, petroleiros, Correios, alimentação, funcionários da USP, estudantes, metalurgicos, etc.

Das centrais sindicais, estiveram presentes a CSP-Conlutas, CGTB e Intersindical. Entre os partidos, PSTU, PSOL e PT.

O prefeito de São José, Carlinhos Almeida (PT), e vereadores também participaram da manifestação. No início da semana, o Sindicato reuniu-se com o prefeito e cobrou uma posição em defesa dos trabalhadores e pela anulação das demissões.

Diversos sindicatos internacionais, como o UAW (sindicato dos trabalhadores dos setores automotivo, aeroespacial e agrícola dos Estados Unidos), enviaram moções de solidariedade.

Metalúrgicos da GM de São Caetano do Sul, que foram recentemente demitidos e chegaram a realizar um acampamento na porta da fábrica.

O presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, falou da importância da luta dos trabalhadores da GM.

"Temos a responsabilidade de unificar a luta com os trabalhadores das outras montadoras, contra as demissões e retirada de direitos. Vamos dizer não à redução de salários e sim à estabilidade no emprego. Se for pra cortar salário, que seja de quem está em Brasília", disse.

O presidente nacional do PSTU, Zé Maria, participou de todo o ato.
No encerramento da manifestação, Zé Maria defendeu a construção de uma Greve Geral no país para derrotar os ataques dos governos e dos patrões.

"No tempo das vacas gordas, as montadoras não chamaram os trabalhadores para dividir os lucros. Ao contrário, receberam dinheiro dos governos. Na hora da crise, eles continuam enchendo o bolso com a demissão de trabalhadores. Por isso, precisamos de uma greve geral e estabilidade no emprego para todos", disse.

Para Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José, os metalúrgicos da GM estão mostrando o caminho. "Já são cinco dias de uma forte greve, em que os próprios trabalhadores estão se auto-organizando e decidindo sobre a mobilização. É um exemplo de luta que precisa ser seguido pelos trabalhadores das outras montadoras que enfrentam situação semelhante. A vitória contra as demissões na GM será uma vitória de todos os trabalhadores do país! É hora de unificar a luta contra as demissões e em defesa do emprego!", afirmou.

Audiência no TRT
Na segunda-feira, dia 17, GM e Sindicato encontram-se pela primeira vez para discutir sobre as demissões. Haverá uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho – 15ª Região, em Campinas, às 13h30. A GM entrou com pedido de dissídio coletivo contra a greve. Um grupo de trabalhadores vai à Campinas acompanhar a audiência.







12 de agosto de 2015

Construir, na luta, uma saída de classe para a crise que o país enfrenta

12/8/2015 - Nas últimas semanas, uma combinação entre o aprofundamento da crise na econômica e os desdobramentos do escândalo de corrupção investigado na operação Lava Jato levou ao agravamento da crise política que consome o governo da presidenta Dilma Roussef, do PT.

Resultado dos ataques que se repetem quase diariamente aos direitos dos trabalhadores, a ruptura que vem se verificando dos trabalhadores e do povo pobre com o governo petista vai se transformando em revolta. A classe média, tanto sua parcela conservadora, como seu setor mais progressivo, contra a corrupção, girou fortemente para a oposição ao governo.

A oposição burguesa procura capitalizar o descontentamento popular recrudescendo as críticas ao governo, usando cinicamente as denúncias de corrupção, que ela também pratica, e os ataques aos direitos dos trabalhadores, que ela tem ajudado o governo a fazer, no Congresso Nacional, para desgastar o PT. Na verdade, apesar de alguns setores falarem em impeachment, toda a oposição burguesa, seja a do PSDB, seja a do PMDB ou do DEM, está unida ao PT para aprovar o ajuste fiscal e atacar aos nossos direitos.

Este quadro traz ao centro do cenário político do país a discussão sobre o governo, a discussão sobre quem governa, como, e para quem. A oposição burguesa, encabeçada por Aécio Neves do PSDB, Eduardo Cunha do PMDB, tenta se apresentar como alternativa, e mentem, buscando apoio nas classes médias e entre os trabalhadores. Para isso estão convocando manifestações para o dia 16 de agosto.

Por outro lado, o governismo dentro das organizações dos trabalhadores, chefiados pelo MST, pela CUT, CTB, UNE, PT, tentam convencer os trabalhadores a irem às ruas para defender o governo petista “contra a direita” - como se a direita não estivesse também dentro do governo do PT - convocando manifestações para o dia 20.

Na opinião do PSTU, nem o governo do PT, nem a oposição burguesa servem aos interesses dos trabalhadores. Não estamos propondo o impeachment, pois isso significaria colocar nas mãos deste Congresso Nacional corrupto a solução da crise, e não nos adiantaria nada tirar Dilma para colocar Temer, Eduardo Cunha ou Aécio Neves. São farinha do mesmo saco.

Os trabalhadores precisam, sim, ir para as ruas, mas não é para defender um ou outro, é para lutar contra os dois. Nem as manifestações do dia 16, nem a do dia 20 vão defender, de fato, os direitos e os interesses dos trabalhadores.

Basta de Dilma (PT), Aécio (PSDB), Eduardo Cunha e Temer (PMDB)!
Por um governo dos trabalhadores, sem patrões e sem corruptos!
Os trabalhadores e o povo pobre precisam tomar as ruas, mas é para dar um basta a tudo isso que está aí, os ataques aos nossos direitos, o desemprego, o arrocho dos salários, o aumento dos preços, a falta de moradia, o caos na saúde e na educação, à corrupção, à violência e à humilhação.

Dar um basta ao governo Dilma do PT, mas também a Aécio e o PSDB, a Eduardo Cunha e Temer e o PMDB, a todos os responsáveis pela situação em que vivemos. Não propomos o impeachment porque seria entregar a este Congresso corrupto a solução para a crise, e não adiantaria nada tirar Dilma para colocar Aécio Naves, Eduardo Cunha ou Michel temer. Mas achamos que os trabalhadores, sim, podem e devem ir à ruas para colocar para fora o governo da presidenta Dilma, e junto com ele, Aécio, Eduardo Cunha e companhia. Sem isso ao país não vai mudar.

O PSTU acredita que é preciso, na luta contra o governo do PT e a oposição burguesa, construir uma alternativa de governo para o nosso país, que seja dos trabalhadores, sem patrões e sem corruptos.

Um governo que suspenda imediatamente o pagamento da dívida pública e aplique estes recursos na saúde, educação, aposentadoria, moradia, transporte, saneamento; que reduza a jornada de trabalho sem reduzir salários e garanta emprego para todos; que preserve e amplie os direitos dos trabalhadores acabando, por exemplo, com a terceirização; que pare as privatizações e reestatize as empresas privatizadas; que proíba a remessa de lucros das multinacionais para o exterior; que acabe com a corrupção, puna com prisão e confisco dos bens aos corruptos e corruptores. E que governe apoiando-se nas organizações e na luta de todos os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade, garantindo plena liberdade de organização, expressão e manifestação política, sindical e popular a todo o povo brasileiro. Só assim nossa vida vai mudar.

Mobilizar e unir os trabalhadores rumo à Greve Geral!
Plenárias sindicais e populares nos estados e regiões em agosto e mobilização nacional em setembro!
Neste sentido, foi muito importante o passo dado pela CSP-Conlutas e pela plenária sindical e popular realizada em São Paulo no dia 30 de julho e que contou com centenas de sindicalistas e lutadores populares e da juventude de todo o país, alem de partidos como o PSTU, o PCB e setores do PSOL.

Aí foi lançado um chamado nacional à construção de um campo de classe que impulsione um processo de mobilização nacional contra o governo Dilma, para derrotar o seu ajuste fiscal e os ataques que tem feito aos direitos dos trabalhadores, e também contra a oposição burguesa encabeçada pelo PSDB, PMDB e o DEM. É por este caminho que construiremos as condições para mudar o nosso país.

Assim, é muito importante que todos os sindicatos, movimentos populares, organizações estudantis e da juventude se somem a este processo, jogando toda força na organização das plenárias sindicais e populares nos estados e regiões para preparar e desencadear este processo de mobilização. E que todos se somem á construção das ações de massa previstas para o mês de setembro.

CUT, CTB, UNE e o MST precisam romper com o governo para virem somar-se a este processo de lutas!
A unidade da classe trabalhadora para lutar em defesa de seus direitos é uma necessidade imperiosa. Não há outra forma de derrotar os ataques aos seus direitos que vem sendo impostos pelo governo Dilma e pelo grande empresariado, sem uma ampla mobilização nacional, uma Greve Geral que pare o país e faça valer os interesses da nossa classe. Se quiserem ter qualquer coerência com a defesa dos direitos e interesses da nossa classe, a CUT, UNE, CTB e MST precisam romper com o governo que ora defendem, assim como a Força Sindical deve romper com suas ligações com o PSDB, para virem somar-se ao chamado da CSP-Conlutas para convocação de uma Greve Geral. Os sindicatos que são filiados a estas centrais precisam cobrar isso de suas direções e, em caso de negativa delas, devem eles mesmos romper com suas direções e somar-se à construção deste campo de classe.

Um chamado especial aos companheiros do PSOL e do MTST
A esquerda socialista brasileira tem diante de si uma tarefa de primeira grandeza, no cenário político atual. Cabe a ela em primeiro lugar, a responsabilidade de estar na linha de frente da construção deste campo de classe em alternativa às duas alternativas burguesas representadas pelo governo do PT, por um lado, e pela oposição burguesa por outro. A decisão tomada, até agora, pela direção do PSOL, pela direção do MTST, e pela direção da Intersindical/Central, de juntar-se ao governismo para convocar a manifestação do dia 20 de agosto, que é declaradamente para defender o governo, não condiz com esta responsabilidade.

Um ato que não seja categoricamente contra o governo que aí está é, objetivamente, a favor dele, pois este governo não para de atacar os trabalhadores. Independência não é neutralidade. A única forma de se praticar a independência frente a um governo da burguesia - e o governo do PT é um governo burguês - é na luta implacável contra ele. No cenário político atual, fazer um ato contra a direita, e que se limita a criticar as políticas econômicas do governo petista corresponde, de fato, a uma defesa deste governo frente à crise que ele enfrenta e aos questionamentos que lhe fazem os próprios trabalhadores. Esta é a política da CUT, MST e companhia. Se os companheiros não mudam seu posicionamento, acabam cúmplices desta política.

Assim, queremos insistir no chamado feito pela CSP-Conlutas e aprovado na plenária sindical e popular, e convidar os companheiros do PSOL e do MTST, da Intersindical/Central, da Intersindical, a que venham somar-se á construção deste campo de classe contra o governo Dilma e a oposição burguesa, e da mobilização nacional que precisamos construir para derrotar um e outro.

Zé Maria é presidente nacional do PSTU - artigo publicado no dia 6 de agosto no site do PSTU

Montadoras em luta: Trabalhadores da Volks de Taubaté aprovam estado de greve contra ameaça de demissões

12/8/2015 - Os trabalhadores da Volkswagen de Taubaté/SP, em assembleia, votaram nesta quarta-feira, dia 12, estado de greve contra a ameaça de demissões na montadora.

Depois da rejeição de um acordo pelos trabalhadores no começo desta semana, a Volks publicou ameaças dizendo que lamentava a reprovação da proposta e de que irá "tomar as medidas necessárias".

Na segunda feira, os metalúrgicos de Taubaté rejeitaram um acordo, negociado pela empresa e pelo sindicato (CUT), que previa um aditamento do acordo firmado em 2012 com validade até março de 2017. O aditamento previa vários ataques, entre eles, o desligamento de 500 empregados via PDV (Plano de Demissão Voluntária), congelamento salarial, rebaixamento do piso e da PLR.

A Volks fez muita pressão para que os trabalhadores aprovassem a proposta. Até chegou a parar a produção para tentar coagi-los.

Uma das maiores montadoras do mundo tenta utilizar a desculpa do "atual cenário econômico" para retirar direitos e aumentar a produtividade. O que a montadora campeã de faturamento no Brasil (21 bilhões de reais somente no ano passado) não conta é que a perspectiva do mercado até 2018 é de crescimento.

Segundo a própria empresa, a projeção deve sair dos atuais 3,5  milhões de unidades em 2015 para 4,2 milhões em 2018, ou seja, um crescimento de 20%. Não é o que queria a ganância insaciável dos acionistas, mas muito mais do que o suficiente para garantir os empregos e direitos de todos.

Somente no primeiro semestre deste ano, as montadoras enviaram cerca de 121 milhões de dólares em remessas ao exterior.

Porém,  mesmo com toda a pressão da chefia e do RH, os trabalhadores deram um show de unidade e de disposição de luta. Os que estavam com os contratos suspensos por conta do lay-off também compareceram em peso na assembleia, na segunda-feira, para fortalecer a luta.

Neste momento, trabalhadores da GM, Mercedes, Volkswagen e todas as outras devem se unir na luta contra as demissões e a retirada de direitos.

O governo, que já concedeu bilhões em isenção fiscal e via BNDES, nada faz para impedir que as empresas sigam demitindo. Precisamos nos unir para exigir da presidente Dilma (PT) que assine uma medida provisória que garanta estabilidade no emprego para todos os trabalhadores do país.

As centrais sindicais como  a CSP-Conlutas, CUT e a Força Sindical devem estar juntas em uma mobilização nacional pela defesa dos empregos e direitos. Os patrões já lucraram muito nas nossas costas e querem continuar tendo lucros cada vez maiores.

Os companheiros da Volkswagen de Taubaté ao votar estado de greve contra a ameaça de demissões mostram que as empresas podem vir com pressão que os trabalhadores darão sua resposta na luta e na mobilização!

- Contra as demissões!  Dilma, assine uma MP para garantir estabilidade no emprego!

- Unidade pra lutar!  Unificar as lutas e parar as fábricas em uma mobilização nacional contra os ataques dos patrões e do governo!

Por Emilia Lobato, do Vale do Paraíba

Greve na GM contra demissões entra no terceiro dia. É preciso cercar esta luta de solidariedade e apoio!



12/8/2015 - A greve na GM de São José dos Campos continua. Pelo terceiro dia, os metalúrgicos aprovaram a continuidade da paralisação contra as demissões feitas pela montadora. Os trabalhadores reafirmaram que a greve segue por tempo indeterminado até que a empresa suspenda as demissões e inicie negociações com o Sindicato.

Nesta quarta-feira, dia 12, como há muito tempo não se via, familiares de trabalhadores demitidos, esposas e filhos(as) foram à assembleia na porta da fábrica. Uma das esposas de um metalúrgico demitido falou no caminhão do Sindicato e fez um chamado aos demais trabalhadores para também somarem suas famílias.

Minha família veio comigo para mostrarmos que estamos unidos nesta luta em defesa dos empregos. O que a GM fez é de uma covardia tremenda e uma demonstração de total falta de respeito às pessoas. É uma falta de ética e de respeito a valores básicos. Temos de nos unir e mostrar nossa força para anular as demissões”, disse o metalúrgico Pedro(*).

O sentimento dos trabalhadores é de frustação e indignação. Liguei para um colega no sábado para dar apoio depois de saber de sua demissão. Na segunda fiquei sabendo da minha, por que fui atrás me informar. Até ontem tinha gente sendo informado por whatsapp. Um absurdo o que a GM está fazendo e ela não está preocupada com os trabalhadores. Por isso, temos de lutar, pois é a única chance de reverter as demissões”, disse outro metalúrgico demitido, que também levou a companheira e os filhos.

O Sindicato marcou para a próxima sexta-feira, dia 14, uma nova assembleia, às 8 horas, na fábrica e indicou a realização de uma manifestação. O objetivo é engrossar a mobilização com ainda mais familiares e realizar
uma atividade pública para esclarecer a população sobre os ataques que a GM está fazendo.


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Exigir dos governos que intervenham para anular demissões
O Sindicato reuniu-se nesta terça-feira, dia 12, com o secretário estadual de Emprego e Relações de Trabalho, José Luiz Ribeiro, para discutir a situação dos trabalhadores. A entidade cobrou uma reunião com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a intervenção do governo para reverter as demissões.

“Assim como o governo federal, o governo do estado também beneficia a indústria automotiva com programas de incentivos. O poder público não pode se omitir numa situação tão grave como esta. As empresas já têm benefícios demais. Agora é hora de o governo agir em defesa do trabalhador”, afirmou o presidente do Sindicato, Antônio Macapá.

Nesta quarta-feira, a reunião é com a Prefeitura de São José dos Campos.

Os governos Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Carlinhos (PT) foram fiadores da GM durante as negociações em 2013 que também discutiram demissões e investimentos. Todos os governos defendem medidas de incentivos e isenções às montadoras. É preciso exigir que cobrem a empresa e intervenham para anular as demissões e garantir os empregos.

O que a GM está fazendo é um terrorismo contra os trabalhadores e com toda a população. Até agora a empresa sequer informou o número oficial de demissões, que o Sindicato estima passar de 500. É preciso denunciar os ataques da montadora e esclarecer que esta multinacional quer aumentar a exploração no país a níveis chineses e não tem nenhum compromisso com a geração de empregos ou com a cidade”, afirmou Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e suplente de deputado federal.

Vamos cercar de solidariedade a greve na GM. Os sindicatos e movimentos populares de todo o país devem se manifestar em apoio aos companheiros, exigindo da empresa e das autoridades medidas concretas para reverter as demissões e para garantir o emprego. Só a luta pode reverter essa situação”, afirmou.

Leia também: Metalúrgicos da GM aprovam greve por tempo indeterminado