Fábricas paradas, protestos e manifestações marcam dia de Greve Geral em São José e região

Houve manifestações e paralisações em metalúrgicos, petroleiros, químicos, construção civil, rodoviários e bancários

31 de outubro de 2014

No Salão do Automóvel, metalúrgicos fazem protesto e exigem estabilidade no emprego

31/10/2014 - Um protesto de trabalhadores de empresas montadoras de veículos e de autopeças, realizado nesta sexta-feira, dia 31, no Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo, cobrou medidas efetivas do governo Dilma Rousseff (PT) para garantir os empregos no setor.

A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e pela CSP-Conlutas, reuniu 100 pessoas e exigiu da presidente a edição de uma lei que garanta estabilidade no emprego aos trabalhadores. Os manifestantes permaneceram na área de entrada do Salão, das 14h às 16h.

Hoje, há milhares de metalúrgicos em todo o país em lay-off (medida que suspende os contratos de trabalho). Na GM de São José dos Campos, há 930 trabalhadores desde setembro nesta condição. Na planta de São Caetano, no ABC paulista, a companhia norte-americana vai afastar 850 trabalhadores a partir do dia 10 de novembro. Demissões já estavam sendo realizadas na unidade.

Ao contrário do que tenta fazer acreditar o governo, o nível de emprego tem caído nas montadoras. Segundo o Dieese - subseção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, houve perda de 10,4 mil postos de trabalho no setor entre setembro de 2013 e setembro de 2014 em todo o país. Nas empresas de autopeças, os empregos dos trabalhadores também estão ameaçados.

Protesto
Metalúrgicos permaneceram na entrada do Salão, no Anhembi, exibindo faixas e cartazes com inscrições em defesa dos empregos. Houve também distribuição de sete mil folhetos que, entre outros aspectos, destaca a bilionária isenção fiscal promovida pelo governo em benefício das fabricantes de veículos e o aumento da produtividade das empresas.

Representantes das montadoras estão pressionando o governo a conceder mais benefícios fiscais, mas, como tem acontecido nos últimos anos, não garantem a permanência dos trabalhadores em seus postos de trabalho.

"Os trabalhadores afastados pela GM estão apreensivos. Queremos com o protesto mostrar a nossa batalha em defesa dos empregos. Queremos divulgar o que está acontecendo, com as empresas recebendo bilhões em isenções fiscais e os trabalhadores à míngua, abandonados à própria sorte", disse o metalúrgico da GM Demócrito Soares, 46 anos, que está afastado da empresa pelo sistema de lay-off.

Além da estabilidade no emprego, os metalúrgicos reivindicam a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, adoção de um Contrato Coletivo Nacional e proibição da remessa de lucros das empresas para suas matrizes no exterior. O protesto também se solidarizou com a luta de trabalhadores de outros países contra o fechamento de plantas, como na GM Opel, em Bochum (Alemanha), e pelo direito de se sindicalizar, como na Nissan, nos Estados Unidos.

"Vamos continuar mobilizados para cobrar da presidente medidas reais contra as demissões e a edição da lei que garanta estabilidade dos trabalhadores", afirmou o secretário-geral do Sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.



Confira o panfleto distribuído pelos metalúrgicos no Salão do Automóvel





Neste sábado, manifestantes vão às ruas perguntar: Alckmin, cadê a água?


31/10/2014 - O governo Alckmin (PSDB) acabou com a água em São Paulo e tudo indica que com a paciência dos paulistas também. Manifestantes programam para este sábado, dia 1°, uma manifestação no Largo do Batata, a partir das 14h, para protestar contra a grave crise hídrica no estado.

A CSP-Conlutas, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), estudantes da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (Anel), Juntos, DCE da USP e outras diversas entidades sindicais, estudantis e populares participarão do protesto.

A falta de água já atinge, total ou parcialmente, mais de 70 municípios, como Guarulhos, Campinas, Itu, Bauru, Mauá, fora a capital paulista, e prejudica milhões de pessoas.

A participação da CSP-Conlutas foi definida na plenária realizada no último dia 23, que reuniu várias entidades e discutiu a gravidade da situação de abastecimento de água no estado.

Há relatos de cortes no fornecimento de água por mais de um dia em vários locais. A população já começou a armazenar água em baldes, galões e tonéis. Caminhões pipa já são uma realidade para muitas pessoas que têm de disputar umas com as outras para conseguir um pouco de água.

Como sempre, os mais penalizados são os bairros das periferias, a população mais pobre.


Os protestos começam a se espalhar. O racionamento de água em Itu já dura quase nove meses e alguns moradores dizem que ficam até um mês sem receber uma gota nas torneiras. Já ocorreram vários protestos, com bloqueio de avenidas e barricadas de pneus com fogo.

Em São Paulo, um caso ocorrido no dia 14 de outubro chamou a atenção. O motorista de caminhão Fábio Roberto dos Santos, 37 anos, chegou ao local onde trabalha, em Diadema (Grande SP), abasteceu o caminhão-pipa, mas não o levou para atender as demandas da empresa como de costume.

Sem pedir autorização, ele dirigiu até o Jardim Novo Pantanal (Zona Sul de SP), onde mora, e distribuiu 16 mil litros d’água para cerca de 800 pessoas. O bairro estava sem água havia quatro dias.
Uma emocionante demonstração de solidariedade dos trabalhadores e do povo pobre.

“Alckmin ainda tem a cara de pau de continuar negando a gravidade da crise de falta d´água e que a população já está sofrendo com o racionamento. Só com mobilização vamos pressionar os governantes e exigir a solução para essa situação”, afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal.



Vídeo da Anel denuncia falta de água e convoca ato






Presidente Dilma revolta aposentados durante entrevista ao Jornal da Bandd

31/10/2014 - Reeleita para o cargo de presidente da República, Dilma Rousseff (PT) revoltou aposentados que assistiram sua entrevista no Jornal da Band, nesta terça-feira (28), direto do Palácio do Alvorada.

Perguntada pelo jornalista Ricardo Boechat sobre a possibilidade de olhar com maior atenção a situação dos aposentados, que reclamam das perdas em seus vencimentos, Dilma simplesmente fugiu da questão e deu a entender, infelizmente, que nada vai mudar.

O âncora relatou que na rádio Band News FM, onde ele também tem um programa, vários aposentados “desesperados” mandaram mensagens pedindo que a mandatária fosse questionada sobre medidas que pudessem reverter a perda do valor em suas aposentadorias, causada pela defasagem frente ao salário mínimo e pelo fator previdenciário.

“Muitos ouvintes escreveram: ‘[Boechat,] consegue uma boa notícia para os aposentados da presidente, hoje à noite’. A senhora tem essa boa notícia para eles?”, questionou o jornalista.

Ao responder, a presidente nada trouxe de bom aos beneficiários do INSS. “Eu tenho uma imensa responsabilidade com a Previdência, tanto com aqueles que estão aposentados e lutam por uma melhoria em suas aposentadorias, como pelos que vão se aposentar”, disse Dilma, que, de forma enviesada, queria sugerir que dar ganhos reais aos inativos seria uma irresponsabilidade.

O raciocínio da presidente se revela uma verdadeira “pérola”, já que recuperar as perdas dos aposentados e beneficiar milhares de homens e mulheres que dedicaram suas vidas inteira ao trabalho é uma temeridade, enquanto tirar dinheiro do caixa da Previdência em benefício dos empresários, como acontece com a política de desoneração da folha de pagamento criada em seu governo, é louvável. Quanta contradição!

Pensamento torto
A presidente ainda procurou fazer um autoelogio ao governo quando proclamou que “69% de todos os aposentados tiveram ganho real, acima da inflação”. Eis mais um pensamento apresentado de maneira torta. Dilma se refere aos aposentados que recebem apenas o piso previdenciário, que, por lei, não pode ser inferior a um salário mínimo.

O que a petista não diz é que, ano a ano, os aposentados e pensionistas que ganham acima do piso estão tendo os seus benefícios achatados, empurrados para apenas um salário mínimo, com reajustes que mal cobrem a inflação. Para se ter uma dimensão da gravidade do problema, desde a implantação do Real, em 1994, a desvalorização dos benefícios de quem recebe acima do piso previdenciário chega a 81,5% em relação ao salário mínimo. A permanecerem as coisas como estão hoje, em poucos anos, a quase totalidade dos aposentados estarão recebendo apenas um salário mínimo.

O governo mostra claramente que não tem a intenção de acabar com o achatamento das aposentadorias e, da mesma forma, colocar fim ao nefasto fator previdenciário, que sequer foi citado na resposta. A entrevista da presidente Dilma é revoltante”, condenou Josias de Oliveira Mello, diretor da Admap (Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas) do Vale do Paraíba e da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos).

A propaganda eleitoral anunciava ‘governo novo, ideias novas’. Mas, passadas as eleições, vemos que era mais uma peça de marketing. O pensamento, infelizmente, continua o mesmo: aos banqueiros e empresários, tudo; aos aposentados e trabalhadores em geral, nada. Só nos resta promover grandes mobilizações pressionando o governo a atender nossa pauta. Precisamos sair às ruas e mostrar nossa revolta”, acrescentou Josias.


Fonte: vozdoaposentado.org.br

29 de outubro de 2014

PM é proibida de usar armas e balas de borracha em manifestação


29/10/2014 - A Polícia Militar de São Paulo está proibida de utilizar armas e balas de borracha para dispersar manifestações. A decisão é uma liminar  concedida, no último dia 24, pelo juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da Fazenda Pública, em ação movida pela Defensoria Pública e pela ONG Conectas de defesa dos direitos humanos.

Segundo a decisão da justiça, a PM tem 30 dias para informar publicamente um plano de ação em protestos de rua, que não inclua o uso deste tipo de equipamento, sob o risco de multa diária no valor de R$ 100 mil, que devem ser imputada ao governo do Estado em caso de descumprimento. Cabe recurso ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Ainda conforme a decisão todos os envolvidos nas ações da PM deverão ter a identificação dos nomes dos policiais afixada na farda de forma visível. Em caso de necessidade de dispersão, deverá ser indicado o nome de quem a ordenou.

Basta de criminalização dos movimentos
A decisão é um primeiro passo na luta contra a criminalização dos movimentos sociais. O aumento da repressão e da violência policial contra ativistas e manifestantes tem sido a resposta dos governos e da PM, principalmente após as jornadas de junho de 2013. O objetivo é intimidar a organização dos trabalhadores e as mobilizações.

Esta semana um grave episódio confirma essa situação de criminalização dos lutadores sociais. Matheus Gomes, militante do PSTU que esteve à frente dos protestos de junho de 2013 e foi
candidato a deputado federal nestas eleições, foi intimidado e ameaçado por policiais em Porto Alegre (RS).

Na terça-feira, 28, Matheus foi abordado por dois policiais armados de forma coerciva e intimidatória. Ele caminhava próximo à sua residência e estava indo para uma passeata dos trabalhadores em greve da empresa Contax. Os PMs não pediram sequer documento, apenas o questionaram sobre sua participação nas mobilizações e sobre suas posições políticas e o ameaçaram.

Matheus é um dos seis ativistas que estão sendo processados por organizar o Bloco de Lutas de Porto Alegre, fórum de entidades dos movimentos sociais e partidos políticos. O Bloco organizou as manifestações de 2013 contra o aumento da passagem de ônibus. Essa não é a primeira ameaça que o ativista sofre.

Há centenas de ativistas no país que atualmente são alvo de processos fraudulentos e perseguição, numa clara perseguição política.

A proibição do uso de armas e balas de borracha pela PM é uma vitória e é preciso pressionar o governador Geraldo Alckmin para que cumpra a medida. Mas a luta precisa continuar. Só com mobilização e unidade podemos enfrentar essa onda da criminalização dos movimentos sociais e barrar os ataques dos governos”, opinou Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal.



Deputados já preparam seu aumento de salário e a previsão é quase R$ 36 mil


29/10/2014 - Enquanto muitos trabalhadores ainda lutam para conseguir seu reajuste salarial, como metalúrgicos e condutores em nossa região, deputados e senadores têm a vida um pouco mais fácil. Passada a época das promessas de campanha eleitoral, eles já articulam o aumento nos próprios salários.

Atualmente, os congressistas recebem R$ 26,7 mil por mês, além de outros benefícios (confira no final deste texto) que já lhes garante uma vida bem mansa, mas o que já se fala nos corredores do Congresso é equiparar os salários aos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que pode chegar a R$ 35,9 mil.

A intenção dos parlamentares é aprovar o reajuste ainda este ano para que possam entrar em vigor já em 2015.

Um absurdo em um país onde 25,2% da população ganha até um salário mínimo no valor de R$ 724.

Cara de pau é o que define a postura desses deputados e senadores que não têm nenhum pudor em pensar aumentar seus salários em até 35%, enquanto milhares de trabalhadores têm de fazer greve, enfrentar a truculência dos patrões, governos e da polícia para conseguir nem 5% de aumento real”, critica Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal.

Essa postura, quando nem bem acabou a campanha eleitoral, é uma demonstração de que os desmandos e os ataques desse Congresso continuarão e aos trabalhadores e a população cabe lutar para conquistar suas reivindicações”, afirma Toninho.

O PSTU defende a redução dos salários atuais de todos os políticos e o fim das mordomias e privilégios. Um parlamentar deve ganhar o mesmo que um trabalhador.


ALÉM DO SALÁRIO, PARLAMENTARES RECEBEM:

AUXÍLIO-MORADIA
R$ 3.800 mensais
Pago a parlamentares que não ocupam imóveis funcionais

COTÃO
R$ 27,9 mil a R$ 41,6 mil mensais (Câmara)
R$ 21 mil a R$ 44,2 mil mensais (Senado)
Para gastos com gasolina, alimentação, aluguel de escritório, passagens aéreas e divulgação do mandato. Depende do Estado de origem.

VERBA DE GABINETE
R$ 78 mil/mês
Para a contratação de até 25 funcionários na Câmara
R$ 82 mil/mês
Valor estimado para contratar até 55 funcionários no Senado, que não divulga o valor oficial

27 de outubro de 2014

Dilma venceu, mas só a luta pode garantir mudanças e impedir retrocessos

27/10/2014 - Dilma Roussef (PT) venceu as eleições com 51,64% dos votos contra 48,36 % de Aécio Neves (PSDB). A apuração do 2º turno fechou ainda com 25,73% de votos nulos, brancos e abstenções. A eleição que terminou nesse domingo, 26, foi a mais polarizada do país desde 1989.

O que fez esta eleição tão diferente foi o enorme desejo de mudança que, desde junho de 2013, pulsa cada vez mais forte entre os trabalhadores, a juventude e os setores populares.

Esse desejo se manifestou de maneira bastante deformada nas eleições, pois muitos votaram em Aécio (e antes em Marina) acreditando nas mentiras que o tucano dizia, ou simplesmente por vontade de dar um voto castigo no PT. Muitos outros votaram no PT para impedir um mal maior, a “volta da direita”, ou por medo de que as coisas pudessem ficar piores.

Governar com quem?
Depois da apuração dos votos, os discursos de Aécio e Dilma repetiam as palavras “conciliação” para superar uma “divisão do país”. O PSDB e a imprensa cobravam união, na prática, conclamando o PT a governar em acordo com eles.

No ato da vitória, Dilma começou agradecendo os partidos de sua coligação (lembremos que suas alianças vão do PMDB de Renan Calheiros, passando pelo PP de Paulo Maluf e chegam a Collor de Melo, hoje no PTB). Logo em seguida, falou em construir pontes e estendeu as mãos uma vez mais aos banqueiros e empresários, falando em diálogo com todos, como se isso não fosse a repetição dos 12 anos de governo do PT. Que mudança há nisso?

A classe trabalhadora e a juventude querem a redução da jornada sem redução dos salários; aumento real e substantivo dos salários, educação, saúde e transporte público de qualidade, o fim do Fator Previdenciário, o fim da especulação imobiliária, de aluguéis pela hora da morte e da falta de moradia digna, a reforma agrária; a desmilitarização das PM’s e o fim da repressão e criminalização dos movimentos sociais.

Nada disso é possível de ser garantido sem enfrentar banqueiros e grandes empresários; sem suspender o pagamento da dívida aos bancos, impedir as demissões e garantir a estabilidade no emprego, expropriar o agronegócio e o latifúndio, impedir a remessa de lucros das multinacionais para o exterior, reestatizar as estatais privatizadas e estatizar o sistema financeiro.

País dividido, mas entre patrões e trabalhadores
A verdadeira divisão existente no Brasil não é entre o Nordeste e Sudeste, ou entre São Paulo e o Nordeste, mas sim entre aqueles que trabalham, a maioria do povo, de um lado, e os banqueiros, empreiteiros e grandes empresários que dominam o Brasil de outro.  Aécio e Dilma escondem esta verdadeira divisão.  Aécio representa esses últimos e governaria para eles se ganhasse. Mas Dilma e o PT também governam em acordo com eles e aplicam uma política econômica que tem como compromisso número um manter e ampliar os lucros dessa gente.

É por isto que as mudanças para o povo foram pequenas nestes 12 anos de governo, porque um punhado de capitalistas é beneficiado e se enriquece todos os dias com nossa exploração. Uma parcela da classe operária de São Paulo, que fundou o PT, está desiludida e em ruptura com o PT.  Nestas eleições, o Partido dos Trabalhadores, além de ganhar por pouco, perdeu em regiões chaves como o ABC paulista, berço e antigo bastião do partido. Em São Bernardo, o candidato tucano ganhou  de 55% contra 44%, em Santo André a diferença foi ainda maior, 63% a 36%.

Muitos ainda votaram no PT, mesmo não o apoiando, para impedir uma vitória do PSDB, mas uma parcela grande e significativa ou votou Aécio ou votou nulo, ou simplesmente não votou. Basta ver que a votação de Dilma diminuiu muito em relação às últimas eleições. Em 2010, a então quase desconhecida sucessora de Lula vencia José Serra com 56% dos votos contra 43,9%, numa diferença que dava mais de 12 milhões de votos, quase quatro vezes mais que a vantagem que lhe garantiu a reeleição agora.

Estes trabalhadores que acabaram não votando em Dilma e escolheram Aécio não apoiam o programa neoliberal do PSDB, eles simplesmente querem mudança e estão fartos do PT.

Ataques
Agora está chegando uma crise e os capitalistas, além de não quererem mudanças a favor do povo, vão querer aumentar a nossa exploração, retirar direitos para sobrar mais dinheiro para os bancos e também tornar a nossa mão-de-obra ainda mais barata, mais precarizada e flexível para que os empresários arrochem mais nossos salários e possam produzir mais pagando menos.

E esse governo, com o apoio do PSDB e de Aécio, vai atacar nosso nível de vida, em nome da “pátria”, para garantir os lucros indecentes dos banqueiros, empreiteiras e multinacionais. Vem por aí aumento de tarifas, as demissões na indústria estão correndo soltas e ninguém ouviu nenhum anúncio de mudança concreta que nos favoreça.

O  PSTU defendeu o voto nulo no 2º turno porque pensamos que somente esse gesto político poderia preparar e fortalecer a luta dos trabalhadores, ganhasse um ou ganhasse outro.

Agora eleita Dilma, nós do  PSTU, dizemos que somos oposição e refazemos o chamado para que organizemos a luta. Precisamos preparar as lutas contra o Governo Federal e dos estados (e também contra a patronal) pelas mudanças que queremos e para impedir qualquer retrocesso ou ataque às nossas condições de vida. São Paulo mesmo já começa a organizar a luta contra a falta d’água.

Nas lutas, a outra grande tarefa da classe trabalhadora é construir uma alternativa política própria, independente da burguesia, que possa unir verdadeiramente todos os trabalhadores, a juventude, o povo pobre e oprimido desse país contra os ricos de verdade, os banqueiros, empresários e estes partidos patronais, de direita e de oligarcas com os quais o PT governa.

Os pobres e os trabalhadores não são apenas os 51, 64% que votaram em Dilma, são a enorme maioria do Brasil. O problema é que o PT está aliado com uma parte dos 1% verdadeiramente ricos e governa para eles.

Não há como derrotar esse 1% sem que os trabalhadores se organizem e lutem de maneira independente dos patrões. E não há outra maneira de fazê-lo que não se enfrentando com os governos dos estados e com o Governo Federal.

 O governo do PT, de compromisso e aliança com a banqueirada,  com o agronegócio, com as multinacionais, com o empresariado, com Maluf, Collor, Kátia Abreu e um largo etc., com a repressão às lutas e aos lutadores, não fará as mudanças que necessitamos. Aqueles setores que seguem alentando, depois de 12 anos de governos do PT, que este governo reeleito está em disputa e pode “ir para a esquerda” desarma a classe trabalhadora e faz o jogo da direita e da patronal. A classe trabalhadora precisa retomar a vanguarda das lutas e o caminho da independência de classe, e isso se reconstrói enfrentando a verdade e não semeando ilusões.

Vamos à luta! As mudanças virão das ruas, das greves, da mobilização e organização da classe trabalhadora, da juventude e da maioria do povo pobre deste país.

Direção Nacional do PSTU


Fonte: http://www.pstu.org.br/node/21119

Por emprego, metalúrgicos preparam manifestação no Salão do Automóvel em São Paulo

27/10/2014 - A CSP-Conlutas e os metalúrgicos de São José dos Campos vão realizar sua primeira manifestação para pressionar o governo federal após o período de eleição presidencial. Na próxima sexta-feira, dia 31, a partir das 14h, acontecerá uma manifestação no Salão do Automóvel, em São Paulo, para exigir medidas em defesa do emprego nas montadoras.

Os trabalhadores defendem, especialmente, a assinatura de uma medida provisória que garanta estabilidade no emprego. Hoje, há milhares de metalúrgicos em todo o país em lay-off (medida que suspende os contratos de trabalho) e férias coletivas.

Na GM de São José dos Campos, há 930 trabalhadores em lay-off desde setembro. Na planta de São Caetano, região do ABC paulista, a montadora pretende demitir 200 e abrir lay-off para mais de 800.

Ao contrário do que tenta fazer acreditar a presidente Dilma Rousseff, o nível de desemprego segue em ritmo crescente nas montadoras. Segundo o Dieese - subseção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, houve perda de 10,4 mil postos de trabalho entre setembro de 2013 e setembro de 2014 no setor em todo o país.

No ato do Salão do Automóvel, a CSP-Conlutas vai distribuir panfletos ao público com informações sobre a realidade de quem trabalha nas empresas fabricantes de veículos. Além da estabilidade no emprego, a categoria também reivindica redução da jornada de trabalho, adoção de um Contrato Coletivo Nacional e proibição da remessa de lucros das empresas para suas matrizes no exterior.

As montadoras estão jogando duro para redução de custos com mão de obra. O governo federal já concedeu bilhões em incentivos fiscais para a indústria e, mesmo assim, os trabalhadores continuam sendo penalizados. Seja qual for o resultado das urnas no próximo domingo, vamos pressionar o governo para que tome medidas urgentes em favor dos trabalhadores”, afirma o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e membro da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

O Salão do Automóvel será no Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

24 de outubro de 2014

Conta de luz fica, em média, 20% mais cara no Vale e deve vir mais tarifaço por aí

24/10/2014 - Esta semana, desde o dia 23, as contas de luz ficaram mais caras. Em 19 cidades do Vale do Paraíba atendidas pela EDP Bandeirante foi aplicado um reajuste médio de 21,93%.
Para as residências, consideradas como baixa tensão, a alta será de 20,60% na região. Os grandes consumidores, como as indústrias, terão reajuste de 23,78%.

O reajuste vale para as cidades de Caçapava, Cachoeira Paulista, Canas, Caraguatatuba, Cruzeiro, Guaratinguetá, Jacareí, Jambeiro, Lorena, Monteiro Lobato, Pindamonhangaba, Potim, Roseira, Santa Branca, São José dos Campos, São Sebastião, Taubaté e Tremembé.

É o maior aumento dos últimos dois anos. Em 2013, o aumento foi de 6,85% (baixa tensão) e 4,50% (alta e média tensão). Em 2012, de 6,82% (baixa tensão) e 7,82% (alta e média).

Em outras 27 cidades do Vale do Paraíba e Região Bragantina, atendidas pela concessionária Elektro, o reajuste será ainda mais salgado: 37%.

O reajuste foi muito acima da inflação acumulada nos últimos 12 meses, que é de 6,47%.

Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) o reajuste maior foi autorizado em razão do encarecimento da energia no país nos últimos meses, provocado pela queda no nível dos reservatórios das principais hidrelétricas, o que levou à compra da energia de termelétricas, que é mais cara.

Em todo o país, o reajuste médio autorizado pela Aneel, afetando 68,7 milhões de unidades, foi de 17,63%. A alta superou a projeção do Banco Central, que estimava um aumento de 16,8% este ano.

Vem mais por aí
Analistas são quase unânimes em alertar que vem mais por aí. A tarifa de água e o preço da gasolina também deverão ter reajustes.

“Energia e gasolina terão o maior peso no aumento dos preços administrados. O da gasolina está defasado, mas não acreditamos em reajuste este ano, por causa da impopularidade da medida. Mas em 2015, nossa previsão é de aumento de 10% nas bombas e 15% nas refinarias”, disse Adriana Molinari, analista de inflação da consultoria Tendências, ao jornal O Globo.

Na estimativa da LCA, a conta de água (outro item administrado) também será um fator de pressão para a inflação em 2015. A consultoria previu um reajuste de 12,3% na conta de água e esgoto, frente a uma queda de 0,96% este ano.

“O programa de descontos na tarifa para quem economizar água, introduzido pela Sabesp, termina em janeiro de 2015. Essa redução foi incorporada no cálculo do IPCA. Para o ano que vem, os reajustes voltam neste item”, disse também em entrevista ao jornal O Globo o economista da LCA Étore Sanchez.

Para atender a ganância por lucros dos acionistas de empresas privatizadas ou que estão em boa parte nas mãos de acionistas privados, como a Petrobras, o governo vai autorizar aumentos que vinham sendo represados em ano eleitoral. A população será penalizada, pois são itens que influenciam nos preços de outros itens e pressionam a inflação. Por isso, alertamos desde já que os trabalhadores precisam se organizar desde já para enfrentar esses e outros ataques que virão”, afirma Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal.







Escândalo: em gravação, presidente da Sabesp afirma que recebeu ordens para não falar sobre crise da água


24/10/2014 - Nesta sexta-feira, dia 24, foi divulgado pela imprensa o áudio de uma reunião em que a presidenta da Sabesp, Dilma Pena, afirma que recebeu ordens de “superiores” para não falar sobre a gravidade da crise de falta d´água no estado de SP e pedir à população para que economizasse água.

No áudio (https://soundcloud.com/revistaforum/audio-sabesp-dilma-pena), a presidente da Sabesp demonstra que estaria em desacordo com o que os “superiores” estão fazendo. “A Sabesp tem estado muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar na mídia, com os superintendes locais, nas rádios comunitárias, Paulo [Massato] falando, eu falando, o Marcel falando, todos falando, com um tema repetido, um monopólio: ‘Cidadão, economize água’.”

A gente tem que seguir orientação… A orientação não tem sido essa, mas é um erro. Tenho consciência absoluta e falo para pessoas com quem converso sobre esse tema, mesmo meus superiores, acho um erro essa administração da comunicação dos funcionários da Sabesp, que são responsáveis por manter o abastecimento, com os clientes”, afirmou Dilma Pena.

Uma vez que Dilma Pena é presidente da Sabesp, acima dela só o governo de São Paulo e os acionistas da empresa, que tem ações na Bolsa de Valores. Portanto, o áudio confirma o que já se imaginava: o governo do PSDB escondeu a gravidade da crise de falta d´água para não prejudicar a reeleição de Alckmin e a campanha de Aécio Neves.

Um verdadeiro estelionato eleitoral! Um crime!

Como já dissemos anteriormente, é criminosa a postura da Sabesp e do governo Alckmin diante dessa crise de abastecimento de água. A falta de água já atinge, total ou parcialmente, mais de 70 municípios e prejudicam milhões de pessoas. Mas Alckmin e a Sabesp seguem negando que estão impondo racionamento à população.

Como sempre, os mais penalizados são os bairros das periferias, a população mais pobre.
O governo do estado e a Sabesp têm de ser responsabilizados por essa situação. Não só por esse estelionato eleitoral, por essa tentativa de enganar a população, mas por que, de fato, eles são os responsáveis por essa crise de desabastecimento.

Não é a falta de chuvas a causa dessa situação. A estiagem só agravou o problema que já vinha sendo alertado desde 2003. Mas, como a Sabesp também é controlada por acionistas privados que visam apenas o lucro, a empresa e o governo do PSDB deixaram de fazer os investimentos necessários.

Passado o 2° turno das eleições, a verdade e a crise virão cada vez mais à tona. A população já começou a se mobilizar Os protestos já começaram. Este é o caminho. É assim que vamos cobrar a punição dos responsáveis e exigir medidas para resolver essa grave crise social.

Por Toninho Ferreira, presidente PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal

Marina Silva: o novo e o velho nas eleições 2014

24/10/2014 - O programa eleitoral de Aécio Neves (PSDB) contou na última quarta-feira, dia 22, com a presença e declaração de apoio de Marina Silva (PSB) em mais um episódio da adesão da ex-candidata à campanha do tucano. Apesar de dizer em junho que não subiria no palanque do PSDB em “hipótese nenhuma”, Marina chega ao final do processo eleitoral “com mala e cuia” na campanha tucana.

Nas primeiras eleições realizadas após as grandes manifestações de junho de 2013, fato que mudou a situação política do país, a campanha eleitoral deste ano foi uma das mais disputadas e marcadas por reviravoltas, como há muito tempo não se via. Nesse sentido, um dos fenômenos que marcou essa eleição foi a candidatura de Marina.

A ex-candidata obteve 22.176.619 votos no 1° turno (15,53% dos votos válidos), sendo a terceira mais votada para a presidência da República. Sua candidatura capitalizou em certa medida o desejo de mudança das massas, expressado nas grandes manifestações de junho.

Muitos trabalhadores e jovens deram seu voto à Marina, com esse pensamento. Mas a ex-candidata que fala em “mudança” e em uma “nova forma de fazer política” teve uma campanha marcada por mudanças de posições políticas, contradições e se aliou ao que há de mais conservador na política brasileira.

A velha política
Com um capital político de mais de 19 milhões de votos obtidos em 2010, muito se especulava em torno da figura de Marina ainda no ano passado, quando ela anunciou a criação da Rede Sustentabilidade, que seria um novo partido com uma “nova forma de fazer política”. Mas, com a não legalização da Rede pela justiça, Marina se filiou ao PSB, tradicional partido da burguesia.

A morte de Eduardo Campos deu o tom inesperado e dramático à campanha, colocando Marina na disputa presidencial. Nas primeiras semanas, a candidata chegou a ameaçar seriamente Aécio e até mesmo Dilma.

Contudo, ao longo da campanha, as ações de Marina foram mostrando que de nova política sua candidatura não tinha nada. Desde os seus financiadores de campanha (grandes empresas, bancos e o agronegócio), alianças, propostas e ações, Marina foi repetindo o mesmo toma-lá-da-cá da política tradicional da direita.

Não bastasse a adesão ao PSB por interesses eleitoreiros, Marina teve como seu vice o deputado federal Beto Albuquerque, um dos integrantes mais ativos da chamada bancada ruralista no Congresso. Financiado por várias empresas do agronegócio e da indústria de armas, Albuquerque foi a tentativa de mostrar o compromisso de Marina com o setor. E assim foi sua campanha.

Apesar de insistente discurso da mudança, Marina apresentou as mesmas propostas neoliberais que o PT e o PSDB aplicaram nos últimos 20 anos. Contra o fim do Fator Previdenciário, a favor de reformas na Previdência, defesa da autonomia do Banco Central, entre outras. A reforma agrária sequer foi tema de seus programas. Sem contar, a postura extremamente conservadora em relação ao combate às opressões, como a homofobia, se aliando a políticos reacionários como Silas Malafaia e Marco Feliciano.

Parte do prestígio de Marina é sua trajetória política e pessoal, a sua atuação na luta na Amazônia e o seu discurso ambiental. Mas isso é um passado muito distante.

Em um dos primeiros debates, na Rede Bandeirantes, Marina causou indignação ao dizer que o sindicalista e ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1991 e com quem militou, era da “elite” assim como Guilherme Leal, dono da Natura e seu vice nas eleições de 2010.

Osmarino Amâncio, que militou com Chico e a própria Marina no Acre, na luta seringueira, repudiou e denunciou a fala da candidata. “Marina é quem foi para o lado da elite. A elite que assassinou Chico Mendes. Ela teve uma história bonita com a gente. Mas isso já deixou de existir há muito tempo. Hoje, ela defende uma política em favor do grande capital, que não traz nenhum beneficio para a luta da Amazônia e do campo”, disse Osmarino em entrevista ao jornal Opinião Socialista.

E, de fato, a atuação de Marina como senadora e ministra do Meio Ambiente, no governo Lula, revela que ela foi abandonando suas convicções. Foi durante seu período como ministra, que os transgênicos foram liberados, foi aprovada a Lei de Gestão de Florestas Públicas (na prática, a permissão para a privatização da Amazônia) e até mesmo a permissão para que pneus usados de outros países (puro lixo ambiental) viesse para o país.

Hoje, Marina fala em sustentabilidade. Mas, financiada por grandes empresas, bancos e pelo agronegócio, Marina demonstra de que lado está.  E não é ao lado dos oprimidos e explorados. Por isso, a adesão de mala e cuia neste segundo turno à campanha do PSDB não é surpresa.

Nestas eleições, Marina foi o novo, por ter criado uma inicial polarização na campanha, mas no final das contas, faz a velha política de sempre: de conchavo com setores conservadores e a serviço dos interesses dos ricos e poderosos.


23 de outubro de 2014

Não basta derrotar Aécio. Dilma também não governa para os trabalhadores

Zé Maria, presidente nacional do PSTU
23/10/2014 - O porquê do voto nulo no segundo turno

A discussão que percorre amplos setores da população neste momento – em quem votar para presidente no próximo dia 26 – também ocorre no interior da chamada esquerda socialista de nosso país. O PSTU e o PCB definiram apoio ao voto nulo. O PSOL divulgou nota chamando voto contra Aécio, e seus principais dirigentes (sua bancada parlamentar federal, por exemplo) chama o voto em Dilma. O argumento: seria o “menos ruim” ou, dito de outra forma, para evitar o “mal maior”. Sem dúvida um raciocínio que navega a favor da corrente de pressão em favor do voto útil em Dilma para evitar a volta do PSDB, bastante disseminado hoje em dia. Mas é um raciocínio correto?  Escrevo esta nota para problematizar um pouco este debate.

A candidatura de Aécio Neves, do PSDB, recebe merecido repúdio de parcelas amplas da classe trabalhadora e, em particular da esquerda. Sim, merecido, porque esta candidatura representa diretamente os interesses dos bancos, multinacionais (o apoio da revista “The Economist” não deixa lugar a duvida) e da maioria do grande empresariado (maioria, pois uma boa parte segue apoiando Dilma). O PSDB quando governou o Brasil com FHC, privatizou o patrimônio público (quebrou o monopólio estatal do petróleo, privatizou o setor de telecomunicações, grande parte do setor de energia, etc). Atacou os direitos dos trabalhadores aplicando um modelo econômico sob encomenda para atender os interesses do sistema financeiro e do grande empresariado. No governo, o PSDB reprimiu e criminalizou fortemente as lutas dos trabalhadores – os petroleiros nunca vão se esquecer dos tanques do Exército dentro das refinarias para reprimir sua greve em 1995. Nada diferente do que faz Geraldo Alckmin em São Paulo ou o próprio Aécio fez quando governou Minas Gerais. Não por acaso, esta candidatura é o endereço natural do apoio dos setores direitistas e reacionários de todas as matizes.

Aqui abro um parêntesis para diferenciar desta situação àqueles trabalhadores que, cansados de esperar as mudanças prometidas pelo PT, revoltados com a traição deste partido, resolveram dar um “voto castigo” no PT votando no candidato do PSDB, ou seja, um voto em Aécio para castigar o PT. Não são poucos. Entendo a revolta destes trabalhadores, mas quero dizer que acho um erro terrível a decisão de votar no PSDB. Aécio no governo não vai castigar o PT, vai castigar e atacar duramente a nós trabalhadores, aposentados, as mulheres, a juventude, especialmente a juventude negra e pobre das periferias. Vai reprimir duramente nossas lutas. Não vai realizar nenhuma das mudanças que queremos e necessitamos, pelo contrário, vai aumentar a exploração, as privatizações e desmontar ainda mais os serviços públicos para jogar os custos da crise econômica que está chegando nas nossas costas para salvar os lucros astronômicos da banca e das grandes empresas. Fecho parêntesis.

No entanto, tampouco podemos dizer que as mudanças virão da continuidade do governo do PT, ou seja, com a reeleição de Dilma. Os doze anos de governo do PT, contrariando as expectativas que os trabalhadores tinham quando este partido chegou ao governo, não deixam lugar a duvida: quando decidiu se aliar aos bancos e grandes empresas, para ganhar as eleições e, depois, para governar, o PT perdeu qualquer condição de mudar o país para beneficiar o povo. Os governos do PT aplicaram programas que diminuíram a miséria e o sofrimento de uma parte da parcela dos mais pobres do país, mas poderiam e deveriam ter feito muito mais e não fizeram. Isto porque continuou a privilegiar os interesses dos bancos e das grandes empresas como fazia o governo anterior, a garantir o lucro destes setores. Nos governos do PT os bancos e grandes empresas tiveram ainda mais lucro do que com FHC.

É para os bancos que segue sendo canalizado o grosso da riqueza produzida pelo trabalho do povo. Isso fica claro quando se compara o que o governo petista gasta do orçamento com os pobres e com os banqueiros. O Bolsa Família consome cerca de R$ 24 bilhões /ano; já a “Bolsa Banqueiro” consome cerca de R$ 900 bilhões/ano para o pagamento da mal chamada dívida pública aos banqueiros e especuladores do sistema financeiro. Qual é mesmo a prioridade? É o Bolsa Família? Ainda tem os subsídios fiscais para o grande empresariado enquanto a saúde, educação, o transporte público, agonizam num completo caos, sacrificando a população pobre que depende dos serviços públicos. Sem falar que as privatizações que FHC começou, continuam no governo petista, com os leilões do Pré-sal, só para dar um exemplo.

Aécio defende a redução da maioridade penal como forma de aumentar ainda mais a criminalização das lutas e da pobreza. E Dilma propõe expandir o sistema de repressão utilizado durante a Copa do Mundo contra as greves e os movimentos sociais (quando até a Força Nacional de Segurança, Polícia federal e Exército Brasileiro foram colocados nas ruas para reprimir as lutas dos trabalhadores e da juventude). As duas candidaturas são financiadas pelos mesmos bancos, empreiteiras e grandes empresas do agronegócio. Vão governar para estas empresas, caso ganhem as eleições, e não para os eleitores que votaram nelas.

Ou seja, as mudanças que os trabalhadores precisam para que todos possam ter vida digna não virão da candidatura do PSDB. E tampouco virão da continuidade do governo petista. São duas alternativas que atendem aos interessas do grande empresariado. Não há alternativa “menos ruim”. As duas vão atacar os trabalhadores depois das eleições, por isso o desafio imediato é organizar a luta para resistir e defender nossos direitos.  Os trabalhadores precisam construir nas lutas e nas ruas a sua própria alternativa, classista e socialista que possa, de verdade, mudar o país: por um governo dos trabalhadores, sem patrões.

Uma alternativa de classe, de luta e socialista
Uma alternativa de classe e socialista implica defender um programa anticapitalista, que aponte para as mudanças que o país precisa para avançar rumo a uma sociedade socialista, livre das injustiças e desigualdades em que vivemos hoje.  Um programa que garanta o salário mínimo igual ao calculado pelo Dieese (em torno dos R$ 2900); redução da jornada de trabalho sem redução dos salários e o fim das terceirizações; aplicação de  10% do PIB para a educação e para a saúde pública, já; transporte público de qualidade com tarifa zero, fim das máfias do transporte e estatização deste serviço público; fim do fator previdenciário já e a anulação da reforma da Previdência de 2003; suspensão imediata do pagamento da dívida pública aos banqueiros e auditoria dos contratos desta dívida; proibição de remessa de lucros das multinacionais e bancos para o exterior; estatização do sistema financeiro; nacionalização da terra com a expropriação do latifúndio e das grandes empresas do agronegócio para fazermos uma ampla reforma agrária no país; fim da criminalização dos movimentos sociais e das lutas, desmilitarização das PM’s e fim do genocídio da juventude pobre e negra das periferias; combate ao machismo, ao racismo e á LGBTfobia; dentre outras questões.

Um programa como esse não vai ser defendido, e muito menos realizado pelo candidato do PSDB, mas também não pela Dilma, do PT. Só um governo dos trabalhadores, sem patrões, um governo da nossa classe, que enfrente os banqueiros, grandes empresários e as multinacionais através de um amplo processo de mobilização social e política dos trabalhadores e da juventude vai realizar este programa e libertar nosso país do jugo dos ricos e poderosos.

Este é o desafio estratégico que está colocado para a classe trabalhadora e todos e todas que lutam pelo socialismo. Já estão postas tarefas práticas para logo depois do segundo turno, pois sabemos que as duas candidaturas que estão em disputa neste momento preparam um ajuste fiscal para depois das eleições, conseqüência da desaceleração e da crise na economia que os jornais noticiam todos os dias. Mais uma vez vão querer jogar nas costas dos trabalhadores o custo da ganância e da anarquia capitalista. Precisamos então, desde já, preparar nossa classe para a luta, para a resistência em defesa de seus direitos e interesses.

Porque o voto nulo?
Do ponto de vista mais imediato, então, o desafio é organizar a luta para resistir e derrotar os ataques que virão contra nossos direitos, seja qual for a candidatura vitoriosa. O desafio mais estratégico, por outro lado, é fortalecer uma alternativa de classe, de luta e socialista para o país. E, nos dois casos, isso se faz em contraposição a qualquer das duas candidaturas em disputa no segundo turno. Como, então, falar em “menos ruim” ou “mal maior” para justificar o chamado ao voto em uma destas candidaturas?

As eleições em nosso país são controladas pelo poder econômico, muito longe de qualquer coisa que se possa dizer democrática. Mas o voto não deixa de ser um gesto político. Gesto que fortalece politicamente quem o recebe. Se tanto a alternativa estratégica que queremos construir, como os desafios da luta imediata nos colocam em um campo oposto ao da candidatura do PSDB, mas também em um campo oposto ao da candidatura do PT, não é razoável chamar o voto (ou seja, fortalecer) qualquer destas duas candidaturas. É evidente que não se pode indicar o voto em Aécio, por todo o retrocesso que representa para os trabalhadores. Mas se estamos dizendo que o PT está aliado aos bancos e grandes empresas e governa para eles e não para nossa classe, como explicar uma indicação do voto em Dilma?

O MES (corrente interna do PSOL à qual Luciana Genro é ligada) divulgou nota onde desenvolve um raciocínio enviesado sobre escolher entre “amputar o braço com anestesia” ou “amputar o braço sem anestesia”. Iguala votar em Dilma a “amputar com anestesia” e Aécio a amputar “sem anestesia”, afirmando que no caso das eleições só há estas duas alternativas, “pois um deles será vencedor”. Ora, pura tergiversação para tentar justificar o injustificável – o fato de as principais figuras políticas do PSOL já estarem fazendo campanha para Dilma. Não há apenas duas alternativas para os trabalhadores nas eleições – votar em Dilma ou em Aécio. Os trabalhadores podem negar o voto aos dois, pois o voto fortalece quem o recebe. Podem votar nulo, ao mesmo tempo em que fortalecem sua organização e se preparam para a luta contra os ataques que virão.

Esta postura dos dirigentes do PSOL acaba por fortalecer ilusões entre os trabalhadores de que um governo do PT em aliança com banqueiros, empresários e com partidos e políticos burgueses como Sarney, Collor, Maluf, Jader barbalho possa ser “menos ruim”. E faz isso justo no momento em que estas ilusões já começaram a se dissipar na cabeça de milhões de trabalhadores brasileiros, que estão rompendo com o PT, cansados de suas traições. É importante registrar que, mesmo uma parte dos trabalhadores que estão votando no PT, o fazem mais por medo da volta do PSDB do que por esperança neste partido. Já a perderam.

E é esta ruptura de setores inteiros da classe trabalhadora com o PT que amplia as condições para a imprescindível construção de uma alternativa de classe e socialista no país. Os dirigentes do PSOL com a sua teoria do “menos ruim” ou do “mal menor”, ao não combaterem de forma coerente a alternativa representada pelo PT e seus aliados do grande empresariado podem até estar a favor da “opinião pública” em geral. Mas estão na contramão da construção de uma via de independência de classe, de um campo da classe trabalhadora, independente e contra a burguesia. Na contramão do processo de ruptura com o PT que está em curso, e da educação classista e socialista que é obrigação dos partidos que se reclamam da luta socialista propiciar aos trabalhadores e à juventude.

O maior de todos os prejuízos causados á classe trabalhadora brasileira por Lula e pelo PT foi desconstruir o campo de independência de classe, que os trabalhadores brasileiros construíram com suas lutas heróicas no final dos anos 70 e nos anos 80. Foi ferrenha a luta travada por Lula e pelo PT para levar os trabalhadores a um campo de colaboração de classes, de aliança dos trabalhadores com a classe dominante. Ao ceder à idéia do “mal maior”, estes dirigentes do PSOL atuam alem de tudo, para legitimar uma campanha reacionária que setores do PT não se cansam de fazer contra qualquer intento de nossa classe em se mobilizar ou se organizar de forma independente dos patrões e do governo: a acusação de “fazer o jogo da direita” para, com este raciocínio, tentar aprisionar os trabalhadores no casulo do apoio ao PT e ao seu governo de aliança com a burguesia, negando-lhes o direito á uma alternativa de independência de classe e socialista para o país.

É por isso também que o PSOL não vê problemas em receber financiamento de empresas, como da Gerdau e do Grupo Zaffari ou em fazer alianças com partidos burgueses em prefeituras e estados, como faz o senador Randolfe no Amapá. Esta postura é coerente também com a defesa que faz o PSOL de um programa que só vai até a defesa da radicalização da democracia, sem avançar até medidas que ataquem as bases do sistema capitalista. A defesa de um programa assim pode perfeitamente conviver com a ausência da independência de classe, num ambiente de colaboração e conciliação de classes.

A defesa que o PSTU faz do voto nulo neste segundo turno se impõe por  uma visão oposta, ou seja, a de buscar fortalecer e desenvolver a organização e a luta dos trabalhadores em base a um critério de independência de classe e para construir uma alternativa operária, de luta e socialista para o Brasil. Esta é a necessidade maior da classe trabalhadora e, portanto, o desafio fundamental da esquerda socialista em nosso país.

*Zé Maria é presidente nacional do PSTU

22 de outubro de 2014

Após greve de 24h, trabalhadores da Embraer fazem novo protesto e pressionam por aumento salarial

Fotos: Sindmetalsjc/Tanda Melo
22/10/2014 - Com toda pompa, na terça-feira, dia 21, a Embraer apresentava em Gavião Peixoto/SP sua mais nova aeronave, o cargueiro KC 390. Mas, em São José dos Campos, onde está a maior parte dos funcionários da empresa no país, uma greve de 24h era a expressão da revolta dos trabalhadores.

A paralisação, aprovada em assembleias em todos os turnos, teve a adesão dos cerca de 7 mil trabalhadores da produção e do setor administrativo da unidade Faria Lima (a maior da empresa). Nesta quarta, dia 22, os trabalhadores fizeram uma nova assembleia e atrasaram a entrada em três horas em novo protesto.

As mobilizações são a resposta a mais uma postura de intransigência da Embraer, empresa conhecida pela superexploração e desrespeito às reivindicações dos trabalhadores.

Na Campanha Salarial da categoria deste ano, a empresa ofereceu apenas 6,6% de reajuste salarial, o que é equivalente à inflação mais míseros 0,24% de aumento real. As paralisações também têm a ver com o pagamento da primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) 2014.

Cada trabalhador receberá um fixo de R$ 912,31 mais 12,44% sobre o salário. Um funcionário que recebe R$ 3 mil, por exemplo, terá uma PLR de R$ 1.285,51. Apesar de ser uma das maiores empresas do país e passar por um momento de vendas em alta, esta é uma das PLRs mais baixas da categoria.

No primeiro semestre deste ano, o lucro da Embraer cresceu 955% em relação ao mesmo período de 2013. A carteira de pedidos firmes de aeronaves chegou ao fim do terceiro trimestre deste ano em US$ 22,1 bilhões, o maior patamar da história da empresa. O avanço na comparação com o segundo trimestre foi de 22,1%.

A recusa em pagar uma PLR maior e 10% de reajuste salarial vai contra a realidade da empresa, que tem plenas condições de atender as reivindicações da categoria. Em fábricas muito menores e com condições bem menos favoráveis do que a Embraer, os metalúrgicos conquistaram PLRs superiores e reajustes de até 11%. Não podemos admitir que a direção da empresa dê continuidade a essa política de desvalorização dos trabalhadores”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Herbert Claros da Silva.

Descontentamento crescente
Após as mobilizações, o Sindicato voltará a pressionar a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para marcar nova negociação e cobrar o atendimento das reivindicações dos trabalhadores, que estão a cada dia mais insatisfeitos e dispostos a lutar por seus direitos.

No ano passado, foi com greve que os metalúrgicos da empresa conseguiram seu reajuste salarial. Após duas décadas sem greves unificadas entre os trabalhadores do setor administrativo e da produção, a Embraer viu seus hangares e salas parados por três vezes. No dia 8 de outubro, na fábrica da Avenida Faria Lima, e dia 23, na unidade do distrito de Eugênio de Melo, houve paralisações de quatro horas. Já no dia 31 de outubro, foi deflagrada a greve de 24 horas.

O fato é que depois de 20 anos de privatização da estatal, uma das mais estratégicas do país, a superexploração dos trabalhadores e o processo de desnacionalização da empresa são cada vez maiores.

Há anos, a Embraer impõe ataques como PLR e reajuste salarial rebaixados, forte assédio moral e uma reestruturação produtiva que aumenta cada vez mais a exploração, a precarização das condições de trabalho e as doenças ocupacionais na empresa.

A Embraer foi uma estatal construída com o dinheiro do público dos impostos pagos pela população brasileira. Privatizada por um valor irrisório, R$ 154,1 milhões, hoje está avaliada em cerca de R$ 20,4 bilhões, mas a empresa nunca deixou de depender do governo. Vale lembrar que um dos argumentos usados pelo governo para defender a privatização era justamente a falta de recursos para investir na empresa.

Se hoje a Embraer vive um bom momento é por conta do dinheiro público que recebe. Apenas entre 1997 e 2008, o BNDES desembolsou US$ 8,39 bilhões para que a Embraer colocasse seus aviões no mercado internacional. Somente em 2013, a empresa deixou de pagar R$ 300 milhões em impostos por causa da desoneração da folha de pagamento. Há ainda outros programas de incentivos, como o Reintegra, Drawback e Inova Aerodefesa.

Por outro lado, um forte processo de desnacionalização é outro fator que marca a situação da empresa na atualidade e é mais um elemento que afeta os trabalhadores.

O próprio KC-390, que teve seu protótipo apresentado publicamente no mesmo dia da greve de 24h dos trabalhadores da Embraer de São José dos Campos, é uma das principais apostas de sucesso da empresa, mas é também a expressão desse processo. A aeronave é a que mais tem componentes importados. Cerca de 70% de sua fuselagem será fabricada fora do país.

O que deveria gerar emprego está gerando demissões, em razão da transferência de produção para outros países. É o que ocorre com outros dois modelos, por exemplo. A montagem dos aviões Phenon e Legacy seguirá para os Estados Unidos.

Empresas da região, como a C&D e a Latecoere sofrem efeitos dessa política, e correm o risco de fechar as portas e demitir trabalhadores até 2016.

Os anos de privatização da empresa e a política de exploração cada vez agressiva para gerar lucros a acionistas estrangeiros tem deteriorado as condições de trabalho e isso está na base da insatisfação cada vez maior dos funcionários”, avalia Herbert.

Para os trabalhadores, o único caminho para que possam garantir seus direitos é aumentar sua auto-organização e sua mobilização. Temos claro também que para que a Embraer possa voltar a servir aos interesses do país, é preciso impedir esse processo de desnacionalização e devolver a empresa para o povo brasileiro com sua reestatização sob controle dos trabalhadores”, afirma Herbert.


Saiba mais:
Financiada com dinheiro público, Embraer leva produção para outros países e ameaça empregos

Artigo: As contradições da Embraer


20 de outubro de 2014

Sobre a “onda conservadora” e eleições



20/10/2014 - Estamos diante das eleições mais imprevisíveis das últimas décadas. No momento em que escrevo este artigo, não há quem arrisque a dizer, com um mínimo de segurança, qual candidatura sairá vitoriosa do segundo turno, se Dilma Rousseff do PT ou Aécio Neves do PSDB. E como não poderia deixar de ser, essa situação gera muita discussão nos círculos políticos e na imprensa. Neste artigo, quero tratar de dois aspectos deste debate. Na semana que vem, escrevo sobre o voto no segundo turno e os desafios que vejo para os trabalhadores depois das eleições.

Uma das discussões que perpassam hoje no debate político nacional, inclusive em setores da esquerda, é sobre a chamada “onda conservadora”. Ela estaria, segundo algumas visões, tomando conta do país e determinando o cenário político nacional. Também entra nesta conta, a votação surpreendente de Aécio Neves no primeiro turno das eleições. Primeiramente, vou tratar aqui o conceito de “onda conservadora”. E, mais adiante, trato da sua repercussão na votação do candidato do PSDB.

Avanço conservador ou polarização social e política?

Há na realidade, de fato, muitos elementos que poderiam indicar a situação descrita pelos que defendem a ideia da onda conservadora como elemento determinante do cenário político do país. É evidente o recrudescimento da repressão e da criminalização das lutas da juventude e dos trabalhadores; o perfil cada vez pior (se isso é possível) dos deputados eleitos para a Câmara Federal; a maior intensidade de manifestações direitistas, como a recente reação dos militares às atividades da Comissão da Verdade e a violência e manifestações preconceituosas (homofóbicas, racistas e machistas). Estes e outros elementos presentes na realidade política do país seriam a expressão do retrocesso que estaria em curso, segundo uma das visões em debate. É isso mesmo?

Me parece que não. Se é verdade que estes elementos estão sim, presentes no cenário político, também é verdade que este cenário é bem mais complexo que isso. Eles compõem apenas uma parte, de uma totalidade que é mais ampla e contraditória. É preciso evitar uma visão parcial, portanto equivocada, do processo. Não por acaso, os vários textos que tratam da “onda” remetem seu início às manifestações de junho e julho do ano passado. Na verdade, estas reações direitistas e preconceituosas têm, sim, emergido no cenário político com mais força desde então. Mas é preciso contextualizá-las.

Sabemos das limitações que marcaram aquelas mobilizações. Elas não contaram com a participação da classe trabalhadora organizada; foram marcadas por imensa confusão política e ideológica sobre qual seria a alternativa a “tudo que está aí”.  Isso é natural numa explosão espontânea de descontentamento de setores amplos da população. Aliás, não é por outro motivo que a candidatura que mais empalmou aquele processo foi justamente a de Marina Silva, com toda a ambigüidade de seu projeto político que acabou desembocando no apoio Aécio Neves.

No entanto, não podemos deixar de ver o principal daquele processo. Aquelas mobilizações se constituíram num amplo processo de contestação política de tudo que está aí, uma revolta de um setor grande da população, principalmente da juventude estudantil e trabalhadora. Contestação que se expressou num amplo processo de mobilizações de massas contra os governos de plantão (das três esferas) exigindo mudanças no país, exigindo o atendimento das demandas populares. Manifestações que se enfrentaram e derrotaram o enorme aparato repressivo mobilizado para tentar conter a revolta. Foi, portanto, um processo muito progressivo.

Esta ofensiva de massas levou a uma nova situação política no país, a uma mudança na relação de forças na sociedade, mais favorável aos trabalhadores. É também verdade que ela não se mantém da mesma forma, diminuiu muito a participação das pessoas nas mobilizações de rua. No entanto, o processo segue e se aprofunda por outros meios, pelas centenas de greves, ocupações e outras formas de luta que tem sacudido o país nos últimos meses.

O avanço da contestação social, da exigência de mudanças no país para atender as demandas populares, por conseqüência implica em maior ameaça aos privilégios dos que sempre exploraram e oprimiram nosso povo. Vem daí a reação do poder econômico (que se materializa de forma mais clara na violência da polícia e no processo de criminalização das lutas, mas não só), na ação da mídia e também na reação dos setores mais direitistas e preconceituosos da sociedade. E tudo isto acaba por compor um quadro de maior polarização social e política no país. Esta é uma característica da nova situação da luta de classes aberta pelas mobilizações de junho de 2013.

É importante compreendermos esta totalidade, buscando evitar uma análise simplesmente jornalística do cenário político. É preciso ir ao processo mais estrutural, identificando os movimentos mais profundos das massas e da classe trabalhadora. Enxergar a reação dos setores mais à direita sem ver, do outro lado, a ofensiva das massas que a detonaram vai levar a uma leitura errada da conjuntura.

A expressão deste processo na eleição de deputados se deve a mais fatores, que vão desde o fato de que as eleições refletem de maneira muito distorcida a realidade, à influência do poder econômico até a própria forma de votação (se a votação para Presidente da República viesse em primeiro lugar na urna eletrônica, teríamos, certamente, uma abstenção talvez até majoritária na votação para deputados). Aliás, a soma de votos brancos, nulos e abstenções é a segunda colocada no primeiro turno das eleições, o que não deixa de ser expressão também da própria crise de representatividade do sistema que ficou escancarada em junho/2013.

A responsabilidade do PT na votação de Aécio

É absolutamente certo que a votação de Aécio reflete a opinião da maior parte dos banqueiros e grandes empresários de quem ele é o principal representante na disputa eleitoral em curso (parte importante segue ainda apoiando o PT). É expressão também do voto da maioria dos setores mais direitistas da sociedade, a maioria dos setores mais atrasados, machistas, homofóbicos e defensores de toda sorte de preconceitos. Mas, se fosse só isso, a vitória do PT não estaria ameaçada.

Aqui, há um problema que é o seguinte: enxergar o crescimento da votação de Aécio apenas pelo viés da tal “onda conservadora” ajuda o PT a esconder a sua responsabilidade neste quadro. Oculta o fato de que muitos dos votos dados a Aécio, milhões deles, vem de trabalhadores, trabalhadoras e jovens que simplesmente se decepcionaram e sentiram-se traídos pelos governos do PT.

Sentiram-se abandonados por um governo que aliou-se aos banqueiros e grandes empresários garantindo seus privilégios e manteve essencialmente o mesmo modelo econômico aplicado pelos governos do PSDB, negando aos trabalhadores e à juventude as mudanças que estes reclamam nas ruas e nas greves. E, pior ainda, repetindo pura e simplesmente a velha prática das alianças espúrias e da corrupção como prática de governo.

Não fosse isso, o que explicaria que Aécio tenha ganho a eleição no primeiro turno no Campo Limpo, Jardim São Luis, Ermelino Matarazzo, Sapopemba, bairros da periferia da cidade de São Paulo, redutos tradicionais do voto petista? Ou o crescimento da candidatura do PSDB dentro das grandes fábricas do ABC Paulista e da zona sul de São Paulo, antes também reduto do PT? Ou ainda, a derrota deste partido em todas as cidades do ABC Paulista?

Estes milhões de voto são votos de oposição a tudo que aí está, são votos por mudanças, por melhoria nas condições de vida dos trabalhadores e do povo pobre. E, mais uma vez, pela funcionalidade (para o poder econômico, é claro) do sistema eleitoral brasileiro, este descontentamento é canalizado para a candidatura que aparece com chances de derrotar o atual governo, o PT. São “votos de castigo” no PT, e para isto os trabalhadores usam o que têm às mãos, a candidatura do PSDB. Mas não tem nenhum tipo de alinhamento programático com o candidato tucano.

Pelo contrário, é o voto de milhões de trabalhadores que muito provavelmente estarão nas lutas contra um eventual governo Aécio (pois se o candidato tucano ganhar vai fazer mais ataques contra o nível de vida dos trabalhadores, e não as mudanças que o povo quer). E que estarão nas ruas lutando também contra um eventual governo Dilma que não prepara nada diferente do PSDB para a vida dos trabalhadores caso ganhe a eleição. Aliás, do outro lado, muitos dos trabalhadores que seguem votando em Dilma o fazem mais por medo da volta do PSDB do que por apoio mesmo à candidata do PT, tal o desgaste deste partido.

Passadas as eleições, veremos como se desenvolve este quadro de polarização política e social que se abriu em junho de 2013.


Por Zé Maria, presidente nacional do PSTU
Publicado em sua coluna no site Congresso em Foco, 20/10/2014

ARTIGO: As contradições da Embraer

20/10/2014 - A Embraer vive um de seus melhores momentos financeiros. Esta semana, a empresa anunciou o balanço da carteira de pedidos do terceiro trimestre de 2014, com um recorde histórico de US$ 22,1 bilhões. Segundo a própria empresa, parte desse resultado se deve ao contrato assinado com o governo federal para a produção do cargueiro KC-390.

Com este cenário de otimismo e lucros nas alturas, esperava-se que os verdadeiros responsáveis pela produção das aeronaves – os trabalhadores – fossem reconhecidos pela empresa. Também se esperava que a sociedade brasileira fosse beneficiada com esses resultados positivos, já que a Embraer recebe bilhões em incentivos fiscais, financiamentos públicos via BNDES e contratos com o governo federal.

Infelizmente, não é isto que estamos vendo. Vamos à realidade. Em relação aos trabalhadores, depois de um período de tantos contratos, a Embraer se recusa a conceder um aumento salarial de verdade para seus funcionários. Nesta Campanha Salarial, a única proposta apresentada pela empresa é de 6,6% de reajuste, o que representa apenas 0,24% de aumento acima da inflação. Os trabalhadores reivindicam 10% de reajuste. (3,43% acima da inflação)

Se algum leitor considerar que esta reivindicação é alta demais, aí vai mais um número: somente no primeiro semestre deste ano, o lucro líquido da Embraer cresceu 1.000%. Esta bolada foi direto para o bolso dos acionistas, que nunca apertaram um parafuso sequer dos aviões produzidos pela Embraer.

Mas não são apenas os funcionários da empresa que estão sendo depreciados. O próprio país está sendo deixado de lado pela Embraer. Nos últimos anos, acentuou-se a tendência de desnacionalização de aeronaves da empresa, que está levando a fabricação de peças e componentes para fora do país. O resultado é óbvio: fechamento de postos de trabalho nas empresas fornecedoras com plantas no Brasil. Enquanto isso, a Embraer abriu 600 vagas em sua fábrica nos Estados Unidos e ampliou suas unidades na China e em Portugal. Já as fábricas instaladas em nossa região fecharam cerca de 4 mil postos de trabalho nos últimos cinco anos.

Esta é uma prática inaceitável, se considerarmos que a Embraer é uma das grandes beneficiadas pela política de incentivos fiscais do governo federal. Somente em 2013, a empresa deixou de pagar R$ 300 milhões em impostos por causa da desoneração da folha de pagamento. É dinheiro que deixou de entrar nos cofres públicos para beneficiar uns poucos acionistas. Mas há ainda outros programas de incentivos, como o Reintegra, Drawback e Inova Aerodefesa.

Além disso, a Embraer tem con¬tratos bilionários com o governo federal, como o projeto KC-390 e a montagem do F-X2. O KC-390 vai custar à Força Aérea Brasileira nada menos do que R$ 7,2 bilhões.

Só para lembrar: o primeiro cargueiro será oficialmente apresentado no próximo dia 21, graças ao trabalho duro de muitos metalúrgicos, engenheiros e tantos outros profissionais. São para estes trabalhadores que a Embraer se recusa a dar mais do que 0,24% de aumento real.

Todos esses números reforçam a necessidade do governo federal sair de cima do muro e intervir em favor do país e dos trabalhadores. Seja quem for o próximo presidente, é preciso adotar medidas para impedir a continuidade da desnacionalização do setor aeronáutico e garantir o emprego dos trabalhadores brasileiros.

A mobilização dos metalúrgicos na porta das fábricas já começou. Mas queremos contar com o apoio da população nesta luta, que é de todos nós.


Artigo publicado no jornal O Vale, em 17 de outubro de 2014

Por Herbert Claros, 
vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região






17 de outubro de 2014

Desaparecimento de estudantes do México causa indignação em todo o mundo. Toda solidariedade!

17/10/2014 - Representantes da CSP- Conlutas e da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), juntamente com outras entidades do movimento sindical e estudantil, reuniram-se nesta quinta-feira, dia 16, com o cônsul geral do México de São Paulo, José Gerardo Traslosheros Hernández, para tratar do desaparecimento de 43 estudantes daquele país.

As entidades entregaram uma carta ao cônsul com a assinatura de mais de 50 organizações, cobrando justiça e a imediata apuração e punição dos responsáveis pelo desaparecimento dos estudantes da cidade de Iguala, desde o dia 26 de setembro.

O dirigente da CSP-Conlutas Mauro Puerro informou que o cônsul mostrou-se aberto ao diálogo e se prontificou a entregar a carta para os órgãos competentes no México. “Reafirmamos na audiência o conteúdo do documento e fizemos a exigência de apuração dos desaparecimentos e assassinatos. Esperamos que essa conversa se concretize em ações para que os responsáveis sejam punidos”, disse Puerro.

Campanha internacional
A iniciativa da CSP-Conlutas é parte da campanha internacional deflagrada após o desaparecimento dos estudantes. Em todo o México e em vários países, o terrível ataque tem gerado indignação e solidariedade.

No dia 26 de setembro, 80 estudantes da escola rural para professores Raúl Isidro Burgos, de Ayotzinapa, na cidade de Iguala, estado de Guerrero, viajavam em ônibus. Segundo informações divulgadas pela imprensa, eles estavam se organizando para coletar fundos.

Os relatos falam de que os estudantes foram atacados por policiais e grupos paramilitares, ligados ao narcotráfico. O saldo foi de seis mortos, três dos quais estudantes, e vinte feridos. Cinquenta e sete estudantes desapareceram, sendo que vinte deles, como afirmam testemunhas oculares, foram levados à força por policiais de Iguala e do Estado de Guerrero. Desde então, 43 estudantes ainda estão desaparecidos.

O prefeito de Iguala, José Luis Abarca, suspeito de ter vínculos com a quadrilha dos irmãos Beltrán Leyva, fugiu da cidade e permanece foragido, juntamente com sua esposa.  Nas últimas semanas vieram à tona os vínculos entre a polícia municipal de Iguala e o grupo criminoso conhecido como Guerreiros Unidos. Bem como, o governador de Guerrero, também é acusado de omissão no caso e ligações com paramilitares.

A escola de Ayotzinapa é uma das escolas rurais do México. Em 1926, como parte de um projeto de combate ao analfabetismo e à pobreza em comunidades rurais, o governo criou uma rede de escolas especiais, chamadas de Escolas Normais, em que o objetivo era formar alunos com potencial de se tornarem líderes comunitários.

Das 29 unidades da rede, 13 sobreviveram. A Escola Normal de Ayotzinapa é conhecida como uma espécie de "celeiro de guerrilheiros". Dois dos principais líderes de luta armada da história mexicana, os professores Lúcio Barrientos e Genaro Rojas, vieram de Ayotzinapa.

"Os alunos que estudam naquela escola são militantes e têm maior conhecimento político que a média. Pelo menos é assim que são vistos pelo governo mexicano", disse o correspondente da BBC no México Juan Carlos Perez, que recentemente visitou Ayotzinapa.

Na segunda-feira, dia 13, estudantes da mesma escola foram às ruas de Chilpancingo, capital do Estado de Guerrero. Manifestantes enfrentaram a polícia e atearam fogo em partes do Palácio do Governo.

A repressão brutal do Estado não é novidade no México: em 12 de dezembro de 2011, a polícia assassinou dois estudantes que protestavam contra as condições da escola para professores de Ayotzinapa, em um tiroteio que deixou mais de 20 feridos.

Nada mudou”, afirma Abel Barrera, diretor da organização de defesa de direitos humanos Tlachinollan, ativa em Guerrero, que está cuidando do caso dos jovens estudantes. “É o mesmo padrão de impunidade das forças policiais que permite que continuem cometendo os mesmos delitos. Não houve qualquer julgamento político por parte do procurador de Justiça do Estado, nem do secretário de Segurança Pública”.

Em nota, a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional) questiona que seja apenas o narcotráfico o responsável pelo ataque e desaparecimentos dos estudantes, ressaltando uma série de fatos que colocam em dúvida essa versão amplamente defendida pelo governo.

O governo do México tem feito todos os esforços para prejudicar as investigações da sociedade civil. Em 11 de outubro, não foi permitido o acesso da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) às covas onde os corpos foram encontrados. A EAAF é uma organização de peritos especializados em violações de direitos humanos que foi chamada por parentes dos desaparecidos e organizações da sociedade civil para investigar a origem dos corpos.

A falta de colaboração do governo mexicano pode ser uma tentativa para acobertar os responsáveis pelo crime e mais do que isso uma tentativa de barrar a luta dos estudantes.

Segundo a LIT o governo do presidente Peña Neto tomou posse sob a sombra de fraude eleitoral e está a frente de um Estado que carece de credibilidade e o setor mais penalizado é a juventude mexicana, que não tem emprego, educação e seguridade social.  Um ataque aos estudantes e ativistas de Ayotzinapa poderia ser uma tentativa de amedrontar e manter a estabilidade política no país.

O que acontece no México é absurdo e revela as relações criminosas do Estado com organizações paramilitares e do narcotráfico. Tudo sob a omissão e conivência dos Estados Unidos, que fecha os olhos às violações dos direitos humanos no México. É preciso uma grande campanha de solidariedade internacional para que este caso não fique impune”, defende Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal.

"E como dizem as famílias dos estudantes desaparecidos, vivos os levaram, vivos os queremos", afirmou Toninho.



Leia a nota da LITAyotzinapa: algunas de las claves de la masacre

15 de outubro de 2014

FALA TONINHO: É criminosa a postura da Sabesp e do governo Alckmin diante da falta d´água

15/10/2014 - A falta de água em várias regiões do Estado vem sendo denunciada pela população há várias semanas. Nos últimos dias, contudo, os relatos confirmam que o racionamento antes restrito a algumas horas no final do dia em alguns bairros já chega a ocorrer por mais de um dia em várias regiões.

A população já começou a armazenar água em baldes, galões e tonéis para minimizar a falta de água. Caminhões pipa já são uma realidade para muitas pessoas que têm de disputar umas com as outras para conseguir um pouco de água.

E a situação pode piorar ainda mais. Nesta quarta-feira, o nível do reservatório Cantareira chegou ao menor da história: 4,3%.

Em depoimento na Câmara Municipal de São Paulo, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, afirmou que se não chover, a água acaba em novembro na cidade de São Paulo. Um absurdo! A presidente da Sabesp só admitiu essa triste realidade agora passadas as eleições!

O fato é que a Sabesp e o governador Geraldo Alckmin seguem tentando minimizar a gravidade da situação. Sem qualquer transparência, negam informações sobre a real situação da falta de água. Só sabem dizer que há problemas “pontuais”, enquanto os relatos de desabastecimento só aumentam.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) vai acionar o Ministério Público e o Procon-SP contra a Sabesp por omitir informação sobre os locais na cidade em que ocorre diminuição da pressão de água e possível falta de abastecimento.

A falta de água em São Paulo é uma tragédia anunciada e uma demonstração do descaso criminoso do governo Alckmin com um serviço tão essencial à população. É o apagão das águas do PSDB.

Desde 2003, técnicos vêm alertando o governo sobre os riscos do sistema Cantareira. Mas Alckmin e a Sabesp, subordinada ao governo, ignoraram os avisos e não investiram para evitar a falta d’água.

Desde 2009, o reservatório Cantareira, composto por quatro represas, atua no limite. Um relatório elaborado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), o Plano da Bacia do Alto Tietê, de dezembro de 2009, já apontava a “necessidade de contar com regras operativas que evitem o colapso de abastecimento das regiões envolvidas e minimizem a influência política nas decisões”.

O Vale do Paraíba também poderá ser afetado. Os reservatórios da região estão com um nível de 12,3%, o menor registrado nos últimos dez anos.

Alckmin poderia ter determinado investimentos em infraestrutura para evitar o alto desperdício existente na rede de abastecimento, antecipado mudanças no manejo da água e ter definido medidas de racionalização do consumo.  Mas preferiu favorecer os interesses dos acionistas privados que controlam mais da metade do capital acionário da Sabesp, transformando a água, um bem essencial à vida, em simples mercadoria.

Defendemos a Sabesp 100% estatal, sob controle dos trabalhadores, bem como o fim das terceirizações para garantir os investimentos necessários para o abastecimento de água e um serviço de qualidade à população.

Toninho Ferreira, presidente do PSTU de São José dos Campos e 1° suplente de deputado federal


Leia também: As reais causas do apagão das águas do governo Alckmin


14 de outubro de 2014

O domínio econômico na eleição de deputados

14/10/2014 - Levantamento feito pela Transparência Brasil, com base na segunda prestação de contas das campanhas dos deputados federais eleitos no último dia 5, revela que um grupo de 30 empresas foi responsável pela doação de 63% do dinheiro recebido pelos candidatos.

No total, os 513 deputados eleitos para a próxima legislatura declararam ter recebido R$ 168,3 milhões em doações feitas por 1.916 empresas. As 30 empresas, que correspondem a 1,5% do total de doadores, foram responsáveis por R$ 105,4 milhões para esses políticos. Ou seja, de cada R$ 3, esse grupo foi responsável por doar R$ 2.

O maior financiador, com base nesta segunda prestação de contas à justiça eleitoral, é a empresa JBS, dona de marcas como a Friboi e a Seara, que tornou-se uma gigante do setor de frigoríficos com uma ajuda de R$ 10 bilhões do BNDES. Até setembro, os deputados haviam recebido R$ 27 milhões do grupo. As principais bancadas beneficiadas foram a do PTB (R$ 8,3 milhões), do PP (R$ 7,3 milhões) e do PR (R$ 5,5 milhões).

A OAS, com R$ 14,5 milhões, foi a segunda maior doadora. A empreiteira ajudou a eleger congressistas de nove partidos, com destaque para o PT (R$ 10 milhões em doações para os deputados petistas eleitos no domingo).

Em terceiro lugar, estão as empresas do Grupo Vale que doaram R$ 11,2 milhões a deputados eleitos por 13 partidos. Os maiores beneficiários foram os parlamentares do PMDB (R$ 3,1 milhões).
Em seguida, vêm a Ambev, com R$ 5,2 milhões. A empreiteira Queiroz Galvão foi a quinta maior doadora para a nova legislatura da Casa (R$ 3,5 milhões doados).

No total, nove empreiteiras estão na lista das 30 maiores doadoras. Além da Queiroz Galvão, se destacam a UTC Engenharia (R$ 3,1 milhões) e a Odebrecht (R$ 2,5 mi).

A base da corrupção
O prazo final para a contabilidade definitiva das candidaturas só sai em novembro. Mas o poder econômico das empresas privadas nas eleições sem dúvida só será confirmado.

O fato é que o financiamento privado está no início do ciclo de corrupção que toma as relações com o setor público no Brasil. É o que explica, por exemplo, escândalos como o do superfaturamento das obras do Metrô de São Paulo, envolvendo pagamento de propina a políticos do governo PSDB. Recente levantamento revelou que sete dos dez maiores doadores de campanha em 2010 são suspeitos de corrupção.

Para Toninho Ferreira, presidente municipal do PSTU e candidato a deputado federal nas eleições deste ano, fica cada vez mais comprovado a urgência em se proibir o financiamento privado de campanha. “Não existe doação. Trata-se de um toma lá, dá cá, em que as empresas realizam um investimento para obter vantagens em dobro. Após as eleições, os candidatos eleitos abrem os cofres públicos para contratos superfaturados de obras, favorecimento em licitações, caixa dois, além de leis que favorecem as empresas. Os políticos são comprados ainda na campanha eleitoral”, criticou.

O PSTU não aceita dinheiro de grandes empresas. Fizemos nossas campanhas apenas com o apoio da militância e trabalhadores que acreditam em nossas propostas. Fomos o único partido a ingressar com ação na Justiça, junto com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), pedindo a proibição do financiamento privado de campanhas”, disse.

Defendemos a proibição da doação de empresas no processo eleitoral e aos partidos. Esta seria uma das formas de garantir o mínimo de igualdade de competição no processo eleitoral, marcado por tantas desigualdades, bem como combater a influência de empresas nas eleições e a corrupção”, concluiu Toninho.



Com informações jornal Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014

Jacareí e Caçapava têm novo protesto de motoristas e cobradores. Todo apoio!

13/10/2014 - Depois da greve de dois dias dos motoristas e cobradores da ABC Transportes, de Taubaté, nesta segunda-feira, dia 13, foi a vez dos condutores de Jacareí e de Caçapava protestarem.

Os trabalhadores atrasaram a saída dos ônibus até às 8 horas da manhã. A mobilização atingiu as empresas JTU, Viação Jacareí e ABC Transportes de Caçapava.

A paralisação é um protesto ao impasse na Campanha Salarial da categoria que se arrasta desde maio. Na semana passada, a justiça determinou um reajuste de 5,82%, que corresponde apenas à reposição da inflação. Indignados, os condutores de Taubaté foram à greve nos dias 9 e 10.

Após a greve, que sofreu brutal repressão da empresa e da PM e da própria Justiça, que impôs multa ao Sindicato, uma nova audiência foi marcada para a próxima terça-feira, dia 14, às 14h, em Campinas.

Unidade e mobilização
A Oposição dos Condutores, ligada à CSP-Conlutas, apoiou e participou das mobilizações e defende que só a luta da categoria pode garantir aumento real de salário.

Paulo Ferreira da Silva, o Paulinho dos Condutores, criticou duramente a ganância das empresas de ônibus. "Esse percentual está muito abaixo do conquistado pela categoria em outras cidades onde, com luta, os trabalhadores conseguiram reajustes maiores, como em Sorocaba (10,64%), São Paulo (13,9%), Rio de Janeiro (24,6%) e Recife (10%)", disse o trabalhador da JTU.

Para Paulinho, a direção do Sindicato fez corpo mole na Campanha e agora os trabalhadores pagam o preço. "O Sindicato, em razão de interesses políticos, principalmente por seu atrelamento com a Prefeitura de São José dos Campos, atrasou para mobilizar os trabalhadores e pressionar as empresas. Por isso, até hoje estamos sem a definição do nosso aumento", criticou.

"Nossa experiência já mostrou que é preciso mobilização para pressionar os patrões. Se nesta terça, não avançar na justiça, a luta vai ter de aumentar e teremos de voltar a parar, inclusive São José, para unificar e fortalecer os trabalhadores", defende Paulinho.

O PSTU repudia a intransigência das empresas de ônibus, que seguem cobrando tarifas caras, em troca de serviços ruins à população, e ainda querem superexplorar os trabalhadores.

Todo apoio à mobilização dos motoristas e cobradores da região, por melhores salários e condições de trabalho.


Carta de rechaço à renovação do mandato da Minustah no Haiti

13/10/2014 - Ao Secretário General da ONU, Sr. Ban Ki-moon
Aos Estados integrantes do Conselho de Segurança da ONU
Aos Estados integrantes do Grupo de Países de Apoio ao Haiti
Aos governos e parlamentos dos países com tropas militares ocupando Haiti
Às instituições de integração latino-americana e caribenha
Aos povos do mundo


Ref: Rechaço à renovação do mandato da MINUSTAH no Haiti


No próximo dia 15 de outubro de 2014 termina o mandato anual da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), estabelecida em 2004 após a deposição ilegal de um presidente democraticamente eleito.

No dia anterior, 14 de Outubro, o Conselho de Segurança da ONU decidirá se renova mais uma vez a permanência desta força de ocupação, que inicialmente estava prevista para durar apenas seis meses, mas que se prolonga até o hoje.

10 anos de ocupação: BASTA! 
Em toda América Latina, Caribe e outras partes do mundo, movimentos populares, organizações e entidades da sociedade civil, sindicatos, parlamentares e personalidades políticas progressistas se solidarizam com a resistência do povo haitiano e exigem à ONU e aos governos que enviam soldados a retirada imediata das tropas estrangeiras que ocupam o país caribenho e o fim da Minustah.

Esta não é a primeira intervenção das potências estrangeiras no Haiti, que foi colonizado pela França até 1804 e invadido pelos Estados Unidos entre 1915 e 1934. A ONU também interveio no país com duas missões de suas “forças de paz”, em 1991 e 1994, antes da ocupação atual, cujos objetivos declarados – estabilização e promoção de direitos humanos – não foram alcançados.

Hoje, uma década após a chegada da Minustah, o Haiti tem uma sociedade que de maneira alguma está “estabilizada”. Enfrenta uma crise sistêmica que pirou com a ocupação, com uma deterioração grave da vida institucional e crescente violência, decorrente, dentre outros fatores, do aumento do tráfico de drogas em direção ao mercado norte-americano.

Por outro lado, em vez de defender os direitos humanos, os soldados da Minustah se converteram em violadores: estupros, repressão de manifestações, abuso de autoridade, interferência no processo eleitoral, dentre outros atos inaceitáveis amplamente documentados.

Outro dos efeitos adversos mais graves desta ocupação militar foi a introdução da bactéria causadora do cólera pelas forças da ONU em 2010, gerando uma epidemia que, até o momento, custou a vida de nove mil haitianos e deixou um rastro de 730 mil infectados pelo país.

Em 2014 se prevê que mais 45 mil pessoas sejam infectadas e incontáveis mortes mais aconteçam, ao passo que os investimentos feitos para erradicar a epidemia e cumprir com o direito humano a água potável são totalmente insuficientes.

O orçamento da Minusah para 2014 é de U$ 600 milhões, porém se projetam apenas U$ 121 milhões para a luta contra o cólera – sem nenhuma certeza acerca de sua eventual entrega-, dado que revela as prioridades pouco humanitárias da comunidade internacional.

Até o momento, nem a ONU nem os países participantes da Minustah tem reconhecido sua responsabilidade nesta crise social provocada pela epidemia, mesmo diante das petições explícitas feitas pelo Especialista Independente da ONU sobre Direitos Humanos e Haiti, dentre outras. Por isso, um grupo de advogados que representa as famílias das vitimas apresentou uma demanda no tribunal federal de Nova Iorque, exigindo a indenização das vitimas e suas comunidades e reparações aos danos cometidos contra o país.

Em 23 de Outubro, os haitianos se apresentarão em uma audiência no tribunal de Manhattan e espera-se que a justiça norte-americana não aceite a invocação da imunidade diplomática, argumentada pela ONU para manter sua impunidade diante da piora da crise humanitária no Haiti.

As forças de “estabilização” reprimem os sindicatos e movimentos sociais locais que lutam por melhores salários e condições de vida para os/as trabalhadores/as haitianos/as, ajudando as empresas transnacionais a seguir explorando a mão-de-obra barata haitiana.

A tomada de terras, riquezas naturais e dos recursos estratégicos da economia por parte dessas empresas também tem sido diretamente favorecidas pela presença da Minustah.

Nos meses de agosto e setembro de 2014, uma nova onda de repressão da Minustah às manifestações populares aconteceu em Porto Príncipe, quando mulheres que tiveram filhos com soldados da ONU protestavam pelos militares que se foram do país sem deixar um endereço postal ou assistência financeira aos filhos que tiveram durante seu período de serviço no Haiti.

Nas vésperas do centenário da primeira invasão norte-americana do Haiti, repudiamos o fato de que governos e parlamentares de nossos países aceitem participar na terceirização desta nova ocupação e do processo de recolonização em marcha, ignorando a vontade do povo desse país e os pedidos feitos pelo Senado haitiano.

Por tudo isso, exigimos a retirada imediata das tropas de ocupação militar da sociedade haitiana e o fim da tutela internacional sobre o Haiti.

Reivindicamos, sobretudo aos governos da América Latina (responsáveis pela maior parte do contingente da MINUSTAH) e do Caribe o apoio para a geração de uma verdadeira força de solidariedade entre nossa região e o povo do Haiti.

Desde 2005, movimentos sociais e organizações populares de nossa região e do mundo promovem visitas e ações de solidariedade, atos e campanhas pela liberação do povo haitiano desta forma atual de dominação.

Hoje, ao completar-se dez anos do novo ciclo de intervenções militares e econômicas, exigimos o reconhecimento do fracasso da missão da ONU, seu término e a reparação dos crimes cometidos.

O Haiti precisa que a comunidade internacional escute seu povo e apóie suas propostas para a defesa de seus direitos e para a reconstrução de seu país. Precisa de solidariedade para a saúde, soberania alimentar, água, educação, moradia – mas não de tropas estrangeiras.

O Haiti precisa, sobretudo, de liberdade e independência para que suas forças populares construam a democracia haitiana e distribuam a riqueza de seu país.

Todo apoio aos movimentos sociais haitianos!

Basta de ocupação militar da vida!

MINUSTAH fora do Haití!



Fonte: http://www.litci.org/