Pelo país, categorias aprovam adesão e preparam a Greve Geral

Trabalhadores dos transportes, construção civil, metalúrgicos, petroleiros, entre outras, estão aprovando e preparando a Greve Geral de 30 de junho

30 de outubro de 2013

Todo apoio aos professores municipais de Caçapava!

30/10/2013 - Professores municipais de Caçapava realizaram nesta terça-feira, dia 29, um protesto em frente à Câmara Municipal contra a campanha de difamação que vereadores da cidade estão fazendo à categoria.

A manifestação reuniu cerca de 150 pessoas, das 18h às 20h30, e teve o apoio do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Oposição Alternativa da Apeoesp, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Caçapava, Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Movimento Mulheres em Luta (MML), CSP-Conlutas e o PSTU.

Sensacionalismo
O presidente da Câmara Paulo Lanfredi (PRB) usou a tribuna da Câmara para atacar os professores após uma festa realizada no último dia 18, em comemoração ao Dia do Professor.

A festa contou com a banda "Mala Direta", que costuma fazer apresentações e animações específicas das músicas tocadas. Ao final da festa, ao animar a música "It´s raining men", dançarinos entraram no palco.

As fotos da apresentação foram divulgadas no Facebook, de forma sensacionalista, com acusações de "orgia", "indecente", "escândalo", "vergonha", "imoral" e "prostituição".

Desde então, uma campanha contra os professores tem sido feita por vereadores e setores conservadores da cidade.

"Fizeram uso indevido da imagem dos professores, que estavam participando de uma festa fechada. Além disso estamos questionando também o juízo de valor. Esse vereador nos julgou e nos condenou, causando prejuízo à honra dos professores", disse Solange Assunção de Castro, da executiva regional da Apeoesp.

"Ele não tem o direito de julgar o que é ou não imoral para nós fazermos no nosso horário de descanso. Queremos uma retratação porque repudiamos as palavras usadas por ele", afirmou Margareth Porto Silva, presidente do Sindicato dos Servidores.

Guerra política
O caso está sendo utilizado em uma guerra política entre a Prefeitura e a oposição.
Vereadores atacam os professores para responsabilizaar o governo e o secretário de Educação Sidney Sanita. Por outro lado, o prefeito Henrique Rinco (PSDB), que esteve na festa, está tentando tirar o corpo fora, de forma lamentável.

"É absurdo que o presidente da Câmara e vereadores ataquem uma categoria que já vem sendo alvo da desmoralização, com a falta de investimentos e precarização da educação pública", afirma Cleusa Trindade, da Oposição Alternativa da Apeoesp.

"É uma campanha desrespeitosa e machista. Os vereadores podem fiscalizar o uso de dinheiro público se acharem que há algo irregular, mas não podem fazer uma guerra política para atacar os professores, inclusive incitando a população contra as companheiras, ameaçando até sua segurança. Não vamos admitir esse tipo de postura", disse Janaína dos Reis, do Movimento Mulheres em Luta.

Revolução Síria é tema de palestra nesta sexta, no Sindicato dos Metalúrgicos

30/10/2013 - A CSP-Conlutas e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos promovem nesta sexta-feira, dia 1°, uma palestra que discutirá a revolução na Síria e a guerra civil contra o regime sanguinário de Bashar Al Assad.  A palestra acontece às 18h, na sede do Sindicato.

Os palestrantes serão Abou Maen, líder do Comitê Local de Manbej (território livre da Síria), e Sara Al Suri, ativista da revolução Síria. Eles falarão sobre a resistência dos rebeldes e sua luta contra o regime de Assad.

A revolução síria é um dos acontecimentos mais importantes na atualidade no cenário mundial. A atividade faz parte de uma campanha de apoio à revolução, impulsionada pela CSP-Conlutas e seus sindicatos em todo o país. Até dezembro, os militantes sírios participarão de palestras e debates pelo Brasil.

Guerra civil continua
A ONG “Observatório Sírio dos Direitos Humanos” estima que, desde o início do conflito, iniciado em 2011, mais de 115 mil sírios tenham sido assassinados, dos quais 47 mil seriam civis.

No mês de agosto, cerca de 1.500 sírios, grande parte crianças, morreram após ataques de armas químicas do governo de Assad. O ataque causou grande comoção mundial, o que levou os Estados Unidos a se aproveitarem da situação e ameaçarem uma retaliação.

No mundo todo, inclusive no próprio país, manifestantes saíram às ruas para dizer não ao governo de Assad e também repudiar um possível ataque imperialista. Os EUA recuaram e fizeram um acordo que determinou a destruição das armas químicas para evitar esse tipo de ataque.

No entanto, o massacre de rebeldes e de civis sírios continua com ataques aéreos, uso de tanques militares e bombardeios.

O fato é que Assad sempre foi um importante aliado para os norte-americanos na região. Os EUA e a ONU só discutem o conflito porque não confiam mais na capacidade de Assad garantir a estabilidade política do país.

Contudo, não querem a vitória dos rebeldes e uma quebra radical do regime. O que os Estados Unidos querem é desarmar os rebeldes, sufocar a revolução e garantir um governo que assegure a manutenção de seu domínio na região.

É importante que os ativistas participem da palestra para conhecer a situação na Síria e enviar sua solidariedade à revolução”, afirmou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Renato Junio de Almeida.

Com informações:  www.sindmetalsjc.org.br


29 de outubro de 2013

Montadoras enviam ao exterior US$ 2,57 bilhões faturados no Brasil, um aumento de 87%

29/10/2013 - O Brasil continua sendo o paraíso para as montadoras, que voltaram a ser este ano o setor no Brasil que mais envia lucros às suas matrizes no exterior.

Segundo dados do Banco Central divulgados na sexta-feira, 25, de janeiro a setembro, as remessas dos fabricantes de veículos somaram US$ 2,57 bilhões.

O valor está 87% acima dos US$ 1,37 bilhão enviados no mesmo período de 2012 e já supera o total do ano passado inteiro (US$ 2,44 bilhões).

Esta remessa do setor automotivo representa sozinha 15,7% dos pagamentos de dividendos ao exterior feitos por todos os setores.

O aumento expressivo das remessas de lucros das montadoras acontece mesmo em um momento de pequena desaceleração do mercado brasileiro de veículos, com retração de 0,3% nas vendas de janeiro a setembro em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

As montadoras também conseguiram de alguma forma elevar o pagamento de dividendos em moeda estrangeira, apesar da alta em torno de 25% do dólar em relação ao real desde o início de 2012, o que exige faturar mais em reais para pagar uma mesma quantia em dólares.

Em 2011, quando o dólar fechou o ano cotado perto de R$ 1,90, as montadoras remeteram em lucros às matrizes o recorde de US$ 5,6 bilhões. No ano seguinte esse montante caiu para menos da metade, US$ 2,44 bilhões, mas ainda assim o setor continuou entre os maiores pagadores de dividendos externos, na segunda posição.

Agora, mesmo com o ambiente econômico mais adverso para essa operação do que esteve em 2011 e 2012, com vendas estagnadas e dólar em alta acima de R$ 2,20, os fabricantes de veículos voltam a liderar o ranking dos pagamentos de lucros e caminham para fechar 2013 com remessas em torno de US$ 3 bilhões.

Já os investimentos...
Embora as remessas de lucros estejam aumentando, os investimentos estrangeiros diretos (IED) das matrizes das montadoras no Brasil não avançam na mesma proporção.

De janeiro a setembro deste ano, as montadoras injetaram US$ 1,3 bilhão em IED em suas subsidiárias no Brasil. O valor é 58% maior do que os US$ 823 milhões registrados no mesmo período de 2012, mas o setor fica na nona posição e representa só 3,8% do total de IED captado pelo País nos primeiros nove meses deste ano.

Tudo com a ajuda do governo
Vale registrar ainda que são as montadoras o principal setor beneficiado pela política de isenções e incentivos fiscais do governo federal.

Segundo a Secretaria da Receita Federal somente em 2012, com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras, o país deixou de arrecadar R$ 2,85 bilhões. Este ano, a renúncia já passou de R$ 2 bilhões.

Ou seja, é dinheiro público que sai direto do país para encher os cofres das matrizes no exterior.


Fonte: Automotive Business

Carta aberta ao PSOL e ao PCB: uma alternativa de classe e socialista nas eleições de 2014

29/10/2013 - O debate acerca das eleições do ano que vem já está nas ruas. É alimentado pela imensa máquina de propaganda do governo da presidenta Dilma Rousseff, ela mesma candidata à reeleição, e também pelo esforço de seus principais adversários: Aécio Neves, do PSDB, e pela aliança Eduardo Campos/Marina Silva, do PSB e REDE. A esquerda socialista brasileira precisa se apresentar neste debate e, ao fazê-lo, apontar uma alternativa de classe e socialista para os trabalhadores e a juventude do nosso país.

As eleições de 2014 vão acontecer após o terceiro mandato petista à frente do governo federal, e também das manifestações que varreram o país no mês de junho passado e que mudaram substancialmente a situação política brasileira. Os governos do PT souberam usar a situação diferenciada do Brasil na economia (crescimento na era Lula e recuperação rápida na crise de 2008), para angariar apoio popular, ao mesmo tempo em que mantiveram e aprofundaram um modelo econômico que em nada ficou devendo àquele aplicado pelos governos tucanos de FHC.

Este apoio popular começou a sofrer uma forte erosão a partir das manifestações de junho. Milhões foram às ruas, com a juventude à frente, para protestar contra a situação dos transportes, da saúde pública, da educação, da corrupção, e um longo etc.

Este imenso processo de mobilização colocou o movimento de massas na ofensiva em nosso país, deixando na defensiva a classe dominante e seus governos. Mas avança também a experiência dos trabalhadores com o governo petista em episódios como o do leilão de Libra, que avançou na privatização das reservas de petróleo do nosso país, e ainda com a utilização do Exercito na repressão aos movimentos sociais.

Este quadro político eleva o grau de desgaste do governo petista e amplia o espaço e as possibilidades para a construção de alternativas à esquerda. Neste sentido, não deixa de ser uma referência o resultado eleitoral, muito positivo, que teve a esquerda socialista argentina nas eleições parlamentares ocorridas recentemente naquele país.

Precisamos apresentar uma alternativa que, ao mesmo tempo faça um balanço dos governos do PT numa perspectiva de classe e socialista, e também, por óbvio, faça a crítica das outras opções da burguesia que estão disputando a consciência da população, como é o caso de Aécio Neves e Eduardo Campos/Marina.

Marina Silva buscou construir para si, durante todo este período em que tentou viabilizar o seu partido, a Rede Sustentabilidade, uma imagem de alternativa à chamada velha política, centrando sua proposta na defesa do meio ambiente e das demandas das ruas expressas nas mobilizações de junho. No entanto, o seu passado no governo do PT, onde apoiou a legalização dos transgênicos no Brasil e a Lei que autorizou o arrendamento de áreas da floresta amazônica às madeireiras internacionais, desmentem claramente qualquer compromisso com o meio ambiente. E a apressada aliança com Eduardo Campos do PSB, para viabilizar uma candidatura no próximo ano mostra que a defesa da “nova política” e das demandas de junho não passa de pura retórica.

Todos sabemos que as eleições não são o terreno fundamental da luta que devemos travar contra a burguesia e o capitalismo. O espaço fundamental deste enfrentamento é a luta direta, a organização e a mobilização dos trabalhadores e jovens em defesa de seus direitos e interesses.

Mas também sabemos todos que a disputa que acontecerá nas eleições do ano que vem será, sim, um momento importante desta luta. Estará em jogo a disputa pela consciência da nossa classe em torno aos diferentes projetos para o país. E disputar a consciência e o voto da nossa classe para uma alternativa de classe e socialista é obrigação da esquerda socialista brasileira.

É a partir desta compreensão que o PSTU entende ser necessária a apresentação de uma candidatura classista e socialista nas eleições do ano que vem. Uma candidatura que, não necessariamente, precisa ser do nosso partido. Pode ser a expressão de uma frente de esquerda envolvendo os partidos da esquerda socialista que estão na oposição ao governo Dilma.

Nesta carta aberta ao PSOL (que prepara o seu Congresso nacional neste momento) e ao PCB, queremos explorar esta possibilidade. A de que a candidatura classista e socialista às eleições do ano que vem seja expressão de uma Frente de Esquerda envolvendo o PSTU, PSOL e PCB.

Uma candidatura desta natureza precisa obedecer a vários critérios. Deve levantar um programa de classe, anticapitalista, que aponte a transição necessária do sistema em que vivemos para uma sociedade socialista; precisa ser isenta de qualquer relação ou participação de setores da burguesia, sob pena de repetir a trajetória do PT; precisa ser independente politicamente da burguesia, e para isso, como é obvio, não pode receber dela nenhum tipo de financiamento; e precisa ser uma candidatura a serviço das lutas e do fortalecimento da organização dos trabalhadores e da juventude.

Adiantamos estas opiniões aqui porque nos preocupam processos e exemplos que estão em curso neste momento, com a participação do PSOL, e que apontam em sentido diverso. É o caso da situação na prefeitura de Macapá. A aliança feita para eleger o prefeito e, depois, para governar, envolvendo vários setores da burguesia, está levando a um governo que ao invés de se apoiar nas lutas dos trabalhadores para mudar a vida do povo, acaba se enfrentando com as lutas para defender a manutenção do status quo. É o que ocorreu na última greve dos professores naquela cidade. Tampouco podemos ignorar os episódios de financiamento por empresas, de candidaturas deste partido nas eleições passadas.

A Frente de Esquerda que possa abrigar uma candidatura de classe e socialista precisa, antes de mais nada, se colocar de acordo acerca dos critérios políticos acima apresentados, ainda que não tenhamos acordo acerca dos elementos de balanço aqui expostos. E, superadas estas questões, precisa ser organizada de forma a respeitar os espaços de cada um dos partidos que venham a compô-la, seja no que diz respeito à candidatura a vice, na utilização do tempo de TV, e mesmo nas definições de coligações nos estados.

Nós vivemos um momento ímpar em nosso país. As manifestações que ocorreram no Brasil a partir de junho passado mudaram o quadro político nacional e aproximaram o Brasil do cenário político mundial, marcada pelas lutas heroicas dos trabalhadores e jovens do Norte da África e Oriente Médio, pela resistência dos povos da Europa.

A esquerda socialista brasileira está ante o desafio de, nesta nova situação, fazer avançar a luta e a organização dos trabalhadores e todos os setores explorados e oprimidos em nosso país. Só assim o recrudescimento das lutas do nosso povo nos levará a umas mudanças efetivas no país e na vida dos trabalhadores e jovens brasileiros. A disputa colocada nas eleições do ano que vem será um momento importante deste desafio. Precisamos nos colocar à altura dele.

Saudações socialistas,

Zé Maria – presidente nacional do PSTU

28 de outubro de 2013

Governo Carlinhos e servidores: intransigência e ataques aos direitos

28/10/2013 - Foi com pressão que os servidores municipais conseguiram na quinta-feira, dia 23, impedir a votação do projeto do prefeito Carlinhos (PT) que criava o banco de horas. A galeria da Câmara ficou cheia com o funcionalismo e a mobilização garantiu que os vereadores retirassem o projeto da pauta de votação.

O banco de horas é um grave ataque aos trabalhadores, pois, na prática, significa o fim do pagamento de um direito que é a remuneração de horas extras.

De acordo com o projeto da Prefeitura, o banco de horas seria usado para a compensação de horas extras feitas pelo funcionalismo. O texto não define, porém, como funcionaria essa compensação. A medida faz parte de um pacote de medidas da Prefeitura para cortar custos.

Greve dos coletores do lixo
Por outro lado, uma nova greve dos coletores de lixo colocou em xeque a Prefeitura. Os trabalhadores da coleta seletiva, funcionários da Urbam (Urbanizadora Municipal), iniciaram uma greve no último dia 21 e ficaram paralisados por cinco dias. Eles reivindicavam melhores salários, taxa de insalubridade e uma hora para almoço.

A Urbam chegou a ameaçar terceirizar o serviço para a Cavo Serviços e Saneamento, assim como fez no mês passado durante a greve dos coletores do lixo comum. Por pressão do Sindicato da categoria, a Urbam acabou recuando e foi fechado um acordo que pôs fim à greve.

A velha desculpa da falta de verba
O fato é que após 16 anos de governo do PSDB, os servidores municipais continuam sendo tratados com descaso. Este ano, Carlinhos também não concedeu reajuste real aos salários da categoria, a exemplo do que fizeram Cury e Emanuel em seus governos.

Greves são tratadas com intransigência e repressão, como no caso dos coletores de lixo.

A velha desculpa é a falta de verba. Mas o Orçamento de 2014 tem uma previsão de crescimento de 17,75%, num valor total de R$ 2,17 bilhões. São José é uma cidade rica. O que precisamos discutir é para quem. Carlinhos precisa parar de governar para os ricos e atender as reivindicações dos trabalhadores e do povo”, afirma Ernesto Gradella, presidente interino do PSTU.

Estado brasileiro reconhece oficialmente o papel da Convergência Socialista na luta contra a ditadura

28/10/2013 - Trinta e cinco anos depois de perseguir, prender e torturar vários de seus militantes, o Estado brasileiro finalmente pediu desculpas e reconheceu o papel cumprido pela Convergência Socialista na luta contra a ditadura militar. Esse reconhecimento histórico ocorreu nesse dia 25 de outubro, durante a 77ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, realizado especialmente para analisar os pedidos de anistia dos perseguidos e presos políticos da Convergência.

O auditório do Tuca, tradicional teatro da PUC-SP e palco de momentos históricos da luta contra a ditadura, ficou pequeno para as 700 pessoas que assistiram o ato. Além de velhos militantes e jovens ativistas, entre organizações de esquerda e sindicatos, caravanas de escolas públicas e estudantes da própria PUC compareceram ao evento.

A caravana teve dois momentos diferentes. O primeiro na parte da manhã, marcado por um emocionante ato que relembrou a luta da Convergência Socialista e prestou homenagem a seus militantes, e a parte da tarde onde foram realizados os julgamentos dos pedidos de anistia e reparação.

Memóra, Verdade e Justiça
A mesa do ato foi composta pelo presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, pela reitora da universidade que sediava o evento, Rosalinda Santa Cruz, pelo deputado estadual e membro da Comissão da Verdade da ALESP, Adriano Diogo (PT), a deputada federal Luiza Erundina (PSB) e Zé Maria, representando os presos e perseguidos políticos da Convergência. Também esteve na mesa Idibal Pivetta, histórico advogado de presos políticos.

O ato foi aberto pela reitora da PUC, que marcou a importância de se colocar para a juventude a necessidade da busca pela reparação e, principalmente, responsabilização dos crimes cometidos pela ditadura. "É impossível reconstruir a memória e buscar a verdade sem a responsabilização", disse. Ela disse ainda que, sem uma reinterpretação da Lei da Anistia, "vai se chegar um ponto em que teremos esclarecimento, mas sem julgamento dos criminosos, a impunidade permanecerá e ficaremos com as mãos amarradas”.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, relembrou a simbologia de aquele evento estar se realizando no Teatro Tuca. "Estamos aqui para afirmar o papel de memória e dizer que o que ocorre hoje, com desaparecimentos como o de Amarildo, não é nenhuma novidade", disse, relembrando ainda violências cometidas pelo Estado que seguem mesmo com o fim da ditadura, como a repressão policial às manifestações públicas, as prisões arbitrárias e a violência cometida contra os LGBT's e às mulheres.

"O histórico de repressão e violência do Estado é anterior à ditadura, é um padrão que vem desde a dizimação das populações indígenas e da escravidão", assinalou Abrão. "A ditadura, por sua vez, não queria matar uma pessoa, queria matar uma ideia, a ideia e os sonhos daqueles que acreditavam no socialismo e no comunismo", disse ainda, afirmando que aquele auditório completamente cheio era "a melhor expressão de que eles foram derrotados".

Paulo Abrão, porém, fez questão de reafirmar que aquele momento não era apenas de relembrar as atrocidades da ditadura, mas também de homenagem, naquele dia, especialmente, a "um dos grupos políticos que mantiveram a altivez e a cabeça erguida e pagaram um alto preço por isso", referindo-se à organização antecessora do PSTU. "A Comissão de Anistia dedica essa sessão pública à Convergência Socialista, reconhecendo o seu papel na luta contra a ditadura e também contra as injustiças sociais desse país", declarou, fazendo questão de citar especialmente o nome de Nahuel Moreno, antigo dirigente e fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores, organização internacional da qual a CS fazia parte.

Luta não terminou
Bastante aplaudido e emocionado, José Maria de Almeida, o Zé Maria, presidente nacional do PSTU, também relembrou o significado daquele espaço. Na segunda vez em que foi preso pela ditadura, em 1978, junto com vários companheiros da Convergência, uma greve de fome pedindo sua libertação foi realizada ali. "Várias pessoas entraram em greve de fome, e uma delas era a minha mãe", relembra.

"É muito importante para a esquerda socialista o que disse o Paulo Abrão aqui, reconhecendo o papel da Convergência Socialista", disse, lembrando que a organização na época, e a Liga Operária, sua antecessora, não optaram pela luta armada, como tantas outras organizações, mas pelo movimento de massas. "Nossa luta, assim, se mistura à luta dos metalúrgicos, dos professores, dos operários da construção civil, dos estudantes", afirmou.

Zé Maria fez questão de ressaltar ainda que, embora não tivessem partido para a luta armada, a organização teve diversos companheiros assassinados. Com a voz embargada, relembrou Zé Luís e Rosa Sundermann, assassinados em 1994 quando ajudavam a organizar uma greve de cortadores de cana. Relembrou ainda Gildo, militante do PSTU morto pela polícia durante uma greve de servidores públicos em Brasília e Túlio Quintiliano, fundador do grupo que originaria a CS e que "sequer chegou ao Brasil, pois foi assassinado pela ditadura chilena".

"Temos que exigir punição aos ditadores, e essa é uma tarefa que não se refere apenas ao passado, mas também ao futuro", disse. "Há duas semanas dois jovens foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional, a mesma em que eu fui", denunciou. "Nessa segunda-feira, vimos ainda o Exército na rua para reprimir trabalhadores e estudantes, como naquela época", lembrou, fazendo questão de ressaltar que a luta daqueles que tombaram não havia terminado com o fim do regime de exceção: "Nossa luta é por uma sociedade mais igualitária, sem a exploração do homem pelo homem".

Erundina: “Um reencontro com a CS”
A deputada federal Luiza Erundina, convidada ao evento, fez questão de afirmar que se sentia "grata por estar comemorando os 35 anos da Convergência Socialista". Ela chamou aquele momento de um "reencontro". "Quando, há 35 anos atrás, eu era assistente social e fazíamos a primeira greve do funcionalismo contra a ditadura, foram os militantes da Convergência Socialista que  vieram nos ajudar".

Erundina defendeu ainda o seu projeto de lei de revisão da anistia. "A lei de hoje é um arremedo de lei para auto-anistiar os torturadores", denunciou. O projeto está parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Porém, como ela assinalou, "cresce na consciência da sociedade que esta lei não pode continuar existindo nos termos que existe", lembrando que há uma condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o país devido à impunidade nos crimes da ditadura.

Já o deputado Adriano Diogo, árduo militante no tema, relembrou aos mais jovens ali a razão das paredes do Tuca serem rebocadas, sem acabamento. "É para lembrar as duas vezes que a ditadura mandou tacar fogo nesse espaço", disse. O deputado lamentou que, na tríade de tarefas "memória, verdade e justiça", estejamos ainda na primeira delas e elogiou a "Convergência Socialista, hoje o PSTU, que faz da questão não algo do passado, mas do presente".

Luiz Carlos Prates, o Mancha, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e já anistiado político, fechou o ato que emocionou a todos ali. "Estamos diante de um fato histórico, do Estado reconhecendo o papel da Convergência Socialista, uma organização trotsquista, da 4ª Internacional, na luta pela derrubada da ditadura militar", afirmou, sendo muito aplaudido.

"Ole, ole, ole, olá, somos a morte do capital/ somos trotsquistas da 4ª  internacional", entoou o auditório nesse momento, encerrando aquele ato memorável com a Internacional.

Fonte: www.pstu.org.br

24 de outubro de 2013

Enquanto moradia for um privilégio, ocupar é um direito!

Assembleia na Ocupação William Rosa, em Contagem
24/10/2013 - O Brasil tem oficialmente um déficit habitacional de quatro milhões de moradias. A depender do método estatístico utilizado, o número pode subir para cerca de 10 milhões.

Mas, é na vida real que esse número se expressa no drama de milhões de famílias, obrigadas a viver em condições precárias, tendo de escolher entre pagar aluguel ou comer, morar de favor na casa de parentes ou simplesmente dormir nas ruas.

Diante desta situação, milhares de famílias tem ido à luta e mostrado que enquanto ter um teto digno for um privilégio no Brasil, ocupar é um direito.

A Ocupação Pinheirinho, em São José, iniciada em 2004 e que por oito anos abrigou cerca de oito mil pessoas, foi um exemplo simbólico dessa luta por moradia no país, tendo repercussão internacional, principalmente após a desocupação feita pelos governos do PSDB, em 2012.

Este ano, somente nos últimos dois meses, duas grandes novas ocupações tiveram início sob a organização do Movimento Luta Popular, filiado à CSP-Conlutas.

Ocupação Esperança
Em Osasco, cerca de 1.100 famílias ocupam um terreno no bairro Santa Fé. Desde o dia 23 de agosto, as famílias seguem avançando em sua organização interna e na luta por moradia, que já ganhou repercussão nacional.

Após o proprietário entrar com pedido de reintegração de posse, no dia 18 de setembro houve uma audiência judicial entre as partes, em que foi concedido um prazo de 30 dias de suspensão no processo, para que se chegar a uma proposta de consenso entre as famílias, o proprietário e a Prefeitura.  De lá para cá, o movimento tem se organizado, realizado manifestações e buscado os governos para encontrar uma solução que atenda a necessidade de moradia das famílias.

Porém, a postura da prefeitura de Osasco, que é do PT, tem sido de descaso. Com declarações que fazem lembrar as do ex-prefeito Eduardo Cury (PSDB) antes da tragédia social que foi o despejo do Pinheirinho, o prefeito Jorge Lapas (PT) insiste em tratar com descaso o grave problema social da falta de moradias no município.

O prazo encerrava-se no último dia 18 e a luta do movimento é para pressionar a Prefeitura e os governos federal e estadual para se chegar a um acordo que evite uma tragédia.

As lideranças da Ocupação Esperança estão sendo ameaçadas de morte. Moradores foram abordados por homens armados, que perguntaram pelos líderes do movimento e mandaram ameaças de morte.

O Movimento Lula Popular ressalta que todas as esferas de governo, na medida em que não resolvem os problemas habitacionais das famílias, são responsáveis por qualquer violência que aconteça dentro da ocupação.

Numa luta que questiona diretamente a propriedade privada, os inimigos que fazemos são muitos, muito poderosos e portadores de toda a sorte de interesses. Mas não nos intimidaremos!”, destaca o movimento.

Ocupação William Rosa 
No último dia 12, na cidade de Contagem, região Metropolitana de Belo Horizonte, 330 famílias ocuparam um terreno. No dia seguinte, mais de mil famílias também montaram acampamento no local e hoje mais de três mil se instalaram na área.

A luta também é organizada pelo Movimento Luta Popular, com o apoio do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e da Associação dos Geógrafos do Brasil.

A ocupação recebeu o nome de William Rosa em homenagem ao professor do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais. William era militante aguerrido das lutas populares e faleceu vítima de um acidente automotivo em 1º de dezembro de 2012.

O terreno, de cerca de 210 mil metros quadrados, é uma área do governo federal, que deveria ter sido destinada à expansão do Ceasa, o que após 43 anos não aconteceu. As famílias reivindicam que esta área seja destinada à construção de moradias populares. A justificativa tradicional dos governantes municipais de que os terrenos são muito caros não se justifica neste caso. Afinal, trata-se de um terreno público.

Reforma urbana, já: uma luta necessária
Estivemos na Ocupação Esperança para prestar nossa solidariedade e todo o apoio. O fato é que precisamos avançar nas lutas por moradia no Brasil e no debate da necessidade de uma reforma urbana urgente no país”, disse Raquel de Paula, ex-candidata do PSTU a vice-prefeita nas eleições de 2012 e integrante da ADMDS (Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais), que reúne as famílias do Pinheirinho.

 “É preciso atacar a concentração fundiária e a especulação imobiliária que transformaram o direito à moradia em um grande negócio. Queremos reforma urbana já, com a expropriação de terrenos sem fins sociais, taxação dos mais ricos com a cobrança do IPTU progressivo, bancos de terras públicas, entre outras medidas”, disse Raquel.


Com informações CSP-Conlutas e Movimento Luta Popular





Comissão de Anistia julga nesta sexta-feira presos e perseguidos políticos da Convergência Socialista

24/10/2013 - Nesta sexta-feira, dia 25, a partir das 9h, acontece em São Paulo, no Teatro Tuca na PUC, a 77ª Caravana da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Durante o evento, serão julgados requerimentos de anistia de militantes da ex-Convergência Socialista (CS), organização politica que deu origem ao PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

As Caravanas da Anistia têm como objetivo realizar sessões externas de julgamento de processos de Anistia Política, em que são julgados processos de cidadãos perseguidos durante o regime militar.

Nesta 77ª edição, no entanto, não será um julgamento individual. Especialmente, será reconhecida oficialmente a perseguição a uma organização política e, consequentemente, o papel da Convergência Socialista na luta pelo fim da ditadura militar. Serão 29 ex-militantes da CS que poderão ter anistia e reparação política e financeira.

"Não se trata apenas de reconhecimento e reparação a todos que foram perseguidos. Trata-se da recuperação da memória da luta do povo brasileiro. Trata-se da luta pelo esclarecimento de toda a verdade, de todos os crimes cometidos pela ditadura civil-militar, e pela punição dos torturadores, assassinos, seus mandantes e financiadores", afirma Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos e anistiado político.

Breve história da Convergência Socialista
A Convergência Socialista teve sua origem em outra organização, a Liga Operária, que, desde meados da década de 1970, destacou-se como uma das mais atuantes organizações no combate à ditadura. Posteriormente, em 1994, a Convergência seria a principal corrente que formou o PSTU.

Foi a CS que teve a ousadia de realizar a primeira reunião pública de socialistas ainda durante a ditadura, em 1978. Participou do 1º de maio de 1980 na Vila Euclides, em São Bernardo, junto com os mais de 100 mil trabalhadores. Em 1981, esteve na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), defendendo e fazendo parte da Comissão Nacional Pró-CUT.

Da mesma maneira, militantes da CS estiveram à frente dos piquetes da Greve Geral de 1983, com muitos militantes sendo presos e golpeados pela polícia. Em 1984, suas colunas também estavam presentes nas marchas pelas Diretas Já.

"Toda esta luta vem sendo reconhecida pelo Estado e pelo movimento dos trabalhadores através dos processos de anistia e reparação política nos últimos anos", afirma Américo Gomes, da Comissão de Presos e Perseguidos Políticos da ex-Convergência Socialista. Américo lembrou que muitos militantes foram assassinados, torturados, presos e perseguidos.

Na região, a CS teve papel ativo, tendo participado das greves nas décadas de 70 e 80, criação de sindicatos na mudança da direção do Sindicato dos Metalúrgicos em 1981, quando a Oposição de
Esquerda venceu as eleições sindicais, na formação do PT e outras lutas. Militantes da região terão requerimentos julgados.

Recentemente, companheiros como Ernesto Gradella, Toninho Ferreira e Luiz Carlos Prates, o Mancha, todos militantes da ex-Convergência Socialista, foram anistiados.

A Comissão da Verdade do Sindicato dos Metalúrgicos organiza uma delegação da região para participar do ato. Ônibus sairão às 6h30 da sede da entidade para São Paulo nesta sexta-feira.

Veja o documentário sobre a Convergência e a luta contra a ditadura
http://www.pstu.org.br/node/20101

23 de outubro de 2013

Confira boletim do PSTU sobre a luta do Pinheirinho e a situação de moradia em São José dos Campos

23/10/2013 - A construção de 1.800 casas às famílias do Pinheirinho, despejadas em 2012, é o assunto de um jornal especial do PSTU de São José dos Campos. 

O material informa que o movimento vai acompanhar todo o processo e reivindica da Prefeitura infra-estrutura e serviços públicos na região do Putim 2, onde serão construídas as moradias.

O panfleto aborda ainda o problema de moradia que ainda continua na cidade, com os bairros irregulares. Queremos que o prefeito Carlinhos (PT) cumpra o que prometeu e regularize todos os bairros!

Leia e compartilhe!

22 de outubro de 2013

Petroleiros da Revap seguem em greve por tempo indeterminado

22/10/2013 - Um dia depois de o governo Dilma realizar a maior entrega do petróleo brasileiro, os petroleiros de todo o país seguem em greve por tempo indeterminado. Em São José dos Campos, os trabalhadores da Revap aprovaram a continuidade da paralisação, em assembleia nesta terça-feira, dia 22.

Com isso, segue forte a greve da categoria iniciada no último dia 17 e que protesta contra o leilão do Campo de Libra, bem como por avanços na Campanha Salarial e para barrar o PL 4330 que libera terceirizações sem limites no setor privado e público.

Ontem, a Petrobras adiou a reunião agendada com a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), no Rio de Janeiro, em razão do leilão de Libra. Contudo, a federação já foi informada da nova proposta da empresa que não avança nos principais pontos da pauta de reivindicações da categoria.

A proposta, já apresentada também à Federação Única dos Petroleiros (FUP), não oferece o aumento real nos salários reivindicado, bem como ainda discrimina os aposentados, não trata da tabela congelada, do Plano de Cargos e Salários e até o abono oferecido é menor do que o valor pago no ano passado.

Nas falas durante a assembleia de hoje, dirigentes do Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos, da CSP-Conlutas e outros sindicatos da região denunciaram o leilão e o ataque à soberania do país que ele representa, e criticaram a intransigência da Petrobras. A empresa segue com medidas antissindicais e sem respeitar o direito de greve dos petroleiros, além de não avançar para atender as reivindicações da categoria.

A greve unificada petroleira já é a maior dos últimos 18 anos. A última paralisação nacional de petroleiros aconteceu sob o governo FHC.

Uma nova reunião foi agendada para esta terça-feira, dia 22, às 15h.


Com informações: Sindipetro-SJC


Artigo: Leilão do petróleo é crime de lesa-pátria

22/10/2013 - A presidente Dilma (PT) fez sua campanha eleitoral em 2010 criticando as privatizações do PSDB. Afirmou que não permitiria a entrega do patrimônio nacional e a privatização da Petrobras. Foi, inclusive, um dos trunfos de sua campanha, que teve grande apoio popular. Contudo, não é o que o PT tem feito.

Neste dia 21, o governo transformou o Rio de Janeiro numa área sitiada, com o Exército e a Força Nacional, para reprimir manifestações e realizar a maior privatização de petróleo do país. O leilão do Campo de Libra é um dos maiores ataques à soberania nacional, pois entrega a empresas estrangeiras a maior oferta de um reservatório de petróleo no mundo.

O campo, localizado em Santos, é a maior descoberta de petróleo do pré-sal no Brasil, fruto de anos de pesquisa da Petrobras. No local existe cerca de 15 bilhões de barris, o equivalente a R$ 3 trilhões.

Contudo, Dilma ofertou a área por apenas US$ 15 bilhões para a assinatura do contrato. Nos próximos 30 anos, o governo prevê receber US$ 300 bilhões em royalties e US$ 600 bilhões em repasses (lucro-óleo).
É como se o barril, que custa atualmente cerca de US$ 100, fosse vendido a preço de banana! É um verdadeiro crime de lesa-pátria!

A Petrobras é que achou petróleo em todas as bacias sedimentares do Brasil. Já as multinacionais não quiseram investir em pesquisas no fundo do mar na década de 70 e agora querem por a mão no pré-sal descoberto pela Petrobras.

A alegação do governo é que o país não tem recursos para investir no pré-sal. Mas é mentira. Somente em 2012, o governo gastou R$ 753 bilhões no pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Segundo a Petrobras, o custo médio de extração em 2012 foi de US$ 13,92 por barril. Logo, para produzir toda a reserva do pré-sal existente no Brasil, estimada em 100 bilhões de barris, gastaríamos US$ 1,3 trilhão e arrecadaríamos US$ 10 trilhões. Isso renderia o equivalente a US$ 8,7 trilhões!

O governo diz que vai utilizar o dinheiro dos royalties do petróleo para investir na educação. Mas isso é uma enganação. Dos royalties, apenas 75% irá para a educação, o equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto, o que é muito menos dos 10% necessários para atender garantir investimentos do setor.

O fato é que os royalties têm sido destinados para o pagamento da Dívida Pública, em violação às leis que destinam tais recursos para áreas como meio ambiente, ciência e tecnologia. Segundo estudos da Auditoria Cidadã da Dívida, em 2008, R$ 20 bilhões de royalties foram destinados indevidamente à amortização da dívida, em operação considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União.

Ao contrário da propaganda do governo Dilma, passados 60 anos da campanha “O Petróleo é Nosso”, que levou à criação da Petrobras, um dos principais patrimônios brasileiros está ameaçado. Além disso, a entrega do petróleo significa empregos que deixam de ser criados no país, além de combustível e alimentos mais caros no futuro.

Os petroleiros realizaram uma histórica greve nacional contra o leilão. Manifestações se espalharam pelo país. São brasileiros como eles que dão orgulho de nosso povo, pois se colocaram à frente na defesa dos interesses do país.

O PSTU está junto nessa luta. Fazemos um chamado a todos os trabalhadores e à população para participar das mobilizações e exigir que a presidente Dilma anule o leilão e pare a entrega de nossas riquezas às multinacionais.


Ernesto Gradella, ex-deputado federal e presidente interino do PSTU de São José dos Campos

Artigo publicado no jornal O Vale, em 22 de outubro de 2013

Crime lesa-pátria: PT concretiza maior privatização do petróleo da história

22/10/2013 - O petróleo é nosso. Mas as multinacionais é que lucrarão com ele. Esse é o resultado do leilão do Campo de Libra concretizado nesta segunda-feira, dia 21, pela presidente Dilma. Foi a maior privatização do petróleo da história do país.

Um único consórcio, reunindo as multinacionais Total (francesa), Shell (anglo-holandesa), as chinesas CNPC e CNOOC e a Petrobras, participou do leilão e ganhou o direito de explorar e produzir o petróleo de Libra, a maior reserva de petróleo do pré-sal do mundo.

Um verdadeiro "negócio da China" para as multinacionais, que têm a certeza de que têm à disposição uma das maiores reservas de petróleo do mundo e com baixo risco, pois é garantida a existência dessa riqueza na bacia de Campos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) fixou em 41,65% a parcela mínima da União no leilão de um campo já perfurado, testado e comprovado que abriga reservas fantásticas. Enquanto as multinacionais ficaram com 60% da participação, restou à Petrobras 40%.

"Enquanto no resto do mundo os países exportadores de petróleo ficam com 80% do óleo-lucro – uma média de 72% do óleo produzido –, o governo brasileiro fixou para o leilão de Libra o pagamento mínimo de 41,65% à União. Em um campo sem riscos, de óleo de excelente qualidade, não seria razoável menos de 80%. Estamos leiloando um bilhete premiado. Nenhum país soberano e independente faz esse tipo de leilão", denunciou o vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira.

Pressionada pela repercussão do leilão e pelos protestos, Dilma se viu obrigada a falar em rede nacional de rádio e TV. A presidente classificou o leilão como "um marco na história do país". Citou supostos ganhos que significarão uma "revolução" na educação.

Pura manipulação dos dados. Apesar da tentativa do governo em dar um tom de vitória, este leilão é o maior ataque à soberania e às riquezas do Brasil.

Estima-se que no Campo de Libra existe cerca de 15 bilhões de barris, o equivalente a R$ 3 trilhões.
Contudo, o governo ofertou a área por apenas US$ 15 bilhões para a assinatura do contrato. Nos próximos 30 anos, o governo prevê receber US$ 300 bilhões em royalties e US$ 600 bilhões em repasses (lucro-óleo). É como se o barril, que custa atualmente cerca de US$ 100, fosse vendido a preço de banana! É um verdadeiro crime de lesa-pátria!

A Petrobras tem condições e deveria assumir a exploração do pré-sal sozinha, como faz outros países produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, por exemplo, onde empresas estrangeiras prestam serviço, mas o petróleo e o lucro é do país.

Segundo a Petrobras, o custo médio de extração em 2012 foi de US$ 13,92 por barril. Logo, para produzir toda a reserva do pré-sal existente no Brasil, estimada em 100 bilhões de barris, gastaríamos US$ 1,3 trilhão e arrecadaríamos US$ 10 trilhões. Isso renderia o equivalente a US$ 8,7 trilhões!

Leilão é privatização, sim!
Em seu pronunciamento ontem, Dilma fez questão de afirmar que o leilão não é privatização. Afinal, ela
fez sua campanha eleitoral criticando as privatizações do PSDB e prometeu que defenderia o patrimônio nacional e a Petrobras. Mas, ao contrário, o fato é que o PT avança na privatização do patrimônio nacional.

Uma riqueza do povo brasileiro, que deveria ser utilizada 100% para melhorar as condições de vida,
garantir saúde, educação, moradia de qualidade à população, foi apropriada por empresas estrangeiras e o dinheiro será usado para pagar a Dívida Pública, como manda o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O mais lamentável ainda é que para garantir a entrega do patrimônio nacional, o governo transformou uma parte do Rio de Janeiro numa área sitiada, com mais de mil soldados do Exército e da Força Nacional.
Nem bem os manifestantes começaram a se concentrar para o ato, foram recebidos com extrema violência pelos policiais, com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás pimenta.

A luta continua
Os petroleiros realizam uma histórica greve nacional contra o leilão que já entra no sexto dia, nesta terça-feira, dia 22. Manifestações se espalharam pelo país.

Fazemos um chamado a todos os trabalhadores e à população para participar das mobilizações e exigir que
a presidente Dilma anule o leilão e pare a entrega de nossas riquezas às multinacionais.


21 de outubro de 2013

Em dia de leilão, petroleiros da Revap aprovam continuidade da greve

21/10/2013 - No dia em que o governo Dilma realiza o leilão do Campo de Libra, os petroleiros da Revap, em São José dos Campos, aprovaram a continuidade da greve em assembleia nesta segunda-feira, dia 21. A paralisação entra no quinto dia.

Os petroleiros, em greve nacional desde o último dia 17, protestam contra o leilão do pré-sal, bem como exigem avanços nas negociações da Campanha Salarial e lutam para barrar o PL 4330 que pode ampliar as terceirizações no país.

Durante todo o final de semana, dirigentes sindicais de vários sindicatos da região e ativistas fizeram vigília na portaria da Revap.

A Petrobras tem tomado várias medidas antissindicais, desrespeitando o direito de greve dos trabalhadores. A empresa obteve um interdito proibitório, para impedir o uso de faixas e piquetes, e chegou a manter funcionários dentro da refinaria em cárcere privado.

Solidariedade internacional

Dirigentes sindicais estrangeiros participaram da assembleia na Revap nesta segunda-feira. Wendy Thompson, metalúrgica aposentada da GM e ex-presidente do sindicato local da UAW em Detroit, e Deam Parm, metalúrgico aposentado da GM e vice-presidente do sindicato local da UAW de Michigan, saudaram os trabalhadores.

Wendy parabenizou a luta da categoria e falou da importância da defesa do petróleo e da soberania do país. Parm lembrou das manifestações que agitam o país desde junho e disse que a esquerda norte-americana está atenta, pois o que acontece no Brasil é exemplo para outras lutas no mundo.

Os dirigentes estão em visita ao país para conhecer o movimento sindical brasileiro, inclusive a luta dos metalúrgicos de São José dos Campos e da CSP-Conlutas.

Mais sobre a greve nacional da categoria no site da FNP - Federação Nacional dos Petroleiros




Com Exército e Força Nacional de Segurança, governo faz hoje maior privatização da história

21/10/2013 - Nesse dia 21 de outubro, parte do Rio de Janeiro se transformou numa área sitiada e militarizada. Tudo para garantir o que deve ser a maior privatização da história, com o leilão do megacampo de Libra, da bacia de Santos.

A presidente Dilma e o governador Sérgio Cabral (PMDB) criaram um verdadeiro esquema de guerra para garantirem a entrega do campo ao capital privado internacional. O esquema inédito de segurança deve reunir pelo menos 1,1 mil homens entre militares do Exército e da Marinha, policiais federais, policiais militares e civis e agentes da Força Nacional de Segurança, que sozinho, deverá deslocar 200 homens. Aparato articulado diretamente pela Secretaria Geral da Presidência.

O leilão está marcado para as 15h desta segunda no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca. Desde a madrugada de domingo, as ruas que dão acesso ao hotel estão bloqueadas. Ônibus ou qualquer outro veículo estão proibidos de circularem pelo perímetro. Moradores da área só podem entrar com comprovante de residência.

Maior entrega da história
O leilão do Campo de Libra é o primeiro da área do Pré-sal a ser vendido e representa a maior privatização da história, superando, em valores, todas as outras realizadas desde o governo FHC. Só para se ter uma ideia, até hoje a Petrobras descobriu, em seus 60 anos de existência, o equivalente a 15 bilhões de barris de petróleo. Espera-se que só Libra tenha capacidade de produzir ao menos 12 bilhões. Nos últimos dias, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) refez seus cálculos sobre a capacidade de produção diária do campo, aumentando de 1 para 1,4 milhão de barris.

Neste sábado, diante da pressão e da repercussão do caso, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi obrigado a ir a público se pronunciar sobre o leilão. Disse em entrevista coletiva que "de qualquer maneira ocorrerá o leilão", ainda que apenas um consórcio participe. "Não sabemos dizer quantos consórcios vão participar, isso pouco importa", chegou a dizer, demonstrando que a prioridade do governo é entregar o megacampo, não importando as circunstâncias ou nem mesmo a contrapartida econômica.

Além do forte aparato repressivo para evitar as manifestações durante o leilão, a Advocacia Geral da União se colocou de prontidão nesse final de semana para evitar que os 24 pedidos de suspensão liminar do processo protocolados na Justiça impeçam a entrega. Dezoito já foram derrubadas enquanto seis ainda aguardam análise.

O governo chegou a antecipar o leilão, que inicialmente iria ocorrer em novembro, a fim de garantir os R$ 15 bilhões que deve conseguir de bônus pela venda do bloco e, desta forma, assegurar o cumprimento do Superávit Primário, ou seja, a economia para pagar os juros da dívida pública. No entanto, especula-se que os valores totais representados pelo petróleo de Libra superem 1,5 trilhão de dólares (ou algo como R$ 3 trilhões).

Greve e manifestações
Enfrentando uma série de medidas repressivas e autoritárias da Petrobrás, os petroleiros realizam uma forte greve nacional e unificada que tem como ponto principal o cancelamento do leilão de Libra. Apesar de toda a intimidação e aparato repressivo colocado a serviço do leilão, petroleiros e movimentos sociais realizam diversas manifestações nesta segunda contra a entrega do petróleo e por uma Petrobrás 100% estatal.

Fonte: www.pstu.org.br

19 de outubro de 2013

Cresce pressão contra leilão do petróleo. Na região, Revap entra no terceiro dia de greve

19/10/2013 - A greve nacional dos petroleiros entra no terceiro dia com muita força. Segundo informações da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a adesão da categoria é de 90% a 100% em todas as unidades da Petrobras, com forte participação dos trabalhadores terceirizados e do administrativo.

Já é uma mobilização histórica. A última vez que a categoria petroleira tomou uma decisão como essa foi em 1995, durante o governo FHC. Agora, a categoria realiza uma paralisação nacional unificada contra o leilão do Campo de Libra, marcado pelo governo Dilma para o dia 21 (segunda-feira). A luta também é pela Campanha Salarial e para barrar o PL 4330, que legaliza a terceirização nas atividades fins, representando um duro ataque aos trabalhadores de todo o país.

Na Revap, em São José dos Campos, a segunda maior refinaria da Petrobras no país, mesmo enfrentando as ações antissindicais da Petrobras, os trabalhadores aprovaram a continuidade da greve até segunda-feira, dia 21.

Interdito proibitório
Desrespeitando o direito de greve dos trabalhadores, na sexta-feira, dia 18, além do grande contingente de policiais nas portarias, a Revap obteve um interdito proibitório, para impedir o uso de faixas e piquetes nas portarias. A empresa também está mantendo vários funcionários em cárcere privado nas unidades.

É uma prática da Petrobras manter a operação com equipes de contingência, formadas por gerentes, supervisores e outros profissionais sem experiência nas tarefas de rotina, o que coloca em risco a segurança das equipes e das próprias unidades. Na Bacia de Campos, já foram registrados vazamentos nas plataformas PCE-1 e P-15.

Na manhã deste sábado, dia 19, após denúncia do Sindipetro-SJC, um oficial da Justiça esteve na empresa para averiguar a situação de que trabalhadores que estão há mais de 36h dentro da refinaria.

A empresa fez de tudo para atrasar a entrada da oficial de Justiça na refinaria e tentou impedir o Sindicato de acompanhar a fiscalização. Mas depois de 1h conseguimos entrar na empresa e verificar que ela está mantendo dezenas de trabalhadores desde quarta-feira, o que é totalmente irregular”, afirma o diretor do Sindipetro Lucas Guerrisso.

Ficaremos todo o final de semana de vigília nas portarias da empresa para evitar qualquer manobra que impeça o direito de greve dos trabalhadores”, afirma Lucas.

Dilma, pare os leilões do petróleo
A presidente Dilma está lançando mão de todas as ações possíveis (judiciais e repressivas) para garantir a realização da maior privatização da história do país.

Para realizar o leilão do Campo de Libra, nesta segunda-feira, dia 21, o governo anunciou que enviará tropas do Exército e da Força Nacional para o local em que acontecerá o leilão, no Rio de Janeiro, numa postura claramente antidemocrática e que nos remete aos anos de chumbo da ditadura militar. Mais de mil homens serão destacados para esta tarefa.

O leilão do Campo de Libra é um dos maiores ataques à soberania e às riquezas do nosso país, pois entrega às empresas estrangeiras, em um único leilão, a maior oferta de petróleo no mundo a preço de banana.
Dilma está colocando à venda o equivalente a uma Petrobras. O leilão é superior até mesmo a todas as privatizações do governo neoliberal de FHC nos anos 1990.

Além da greve nacional dos petroleiros, manifestações têm ocorrido em todo o país nos últimos dias. No dia 21, uma grande manifestação está marcada para barrar o leilão.

Com informações FNP e FUP





18 de outubro de 2013

Liberdade já aos presos políticos! Basta de repressão e criminalização dos movimentos sociais!

18/10/2013 - Já há alguns meses que vivemos um processo de recrudescimento da repressão aos movimentos sociais em nosso país. Tivemos a retomada da Lei de Segurança Nacional em São Paulo e, em Porto Alegre, vários ativistas, incluindo um militante do PSTU, tiveram suas casas invadidas pela polícia e estão enfrentando um processo que os coloca como líderes de “organizações criminosas”. Mas o que vimos nesse dia 15 de outubro, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, escapa de todos os limites.

Na capital paulista, a Polícia Militar de Geraldo Alckmin (PSDB) atacou de forma absolutamente covarde uma manifestação de estudantes que exigia, entre outras coisas, democracia na universidade. A PM encurralou os manifestantes, os perseguiu dentro de uma loja e acabou prendendo cerca de 60 pessoas, entre eles 16 militantes do PSTU, sem qualquer flagrante ou mandado judicial. Estudantes foram espancados pela polícia com requintes de crueldade.

Já no Rio de Janeiro, a polícia de Sérgio Cabral (PMDB) protagonizou cenas de barbárie. Ao final de um ato chamado pelos educadores em greve, a PM desatou uma repressão generalizada que transformou o centro da cidade em uma verdadeira praça de guerra. Imagens filmadas e difundidas na Internet mostram policiais usando armamento letal para reprimir a manifestação. Pessoas também foram espancadas e um garoto foi baleado no braço no que poderia ter se transformado numa tragédia.

Ao final do ato, mais de 200 pessoas foram detidas. A polícia teve que colocar vários ônibus para dar conta de tanta gente. No dia seguinte, 64 pessoas seguiam presas, incluindo 27 manifestantes autuadas na Lei do Crime Organizado, enquadradas em crimes como formação de quadrilha, roubo e incêndio. Entre eles 2 militantes do PSTU: um carteiro e um estudante. Nesse dia 18, a maioria dos manifestantes arbitrariamente presos foi libertada. Mas ainda restam muitos ativistas detidos, inclusive com prisão preventiva decretada.

Não podemos ver esses fatos como episódios banais da já conhecida violência da Polícia Militar, esse entulho autoritário da ditadura que persiste em nosso país. O que assistimos nesse dia 15 é um capítulo da escalada repressiva que os governos, a polícia e a burguesia, com a ajuda de um setor importante da imprensa, empreendem para retomar o controle das ruas. E para isso não medem esforços.

Enquadrar manifestantes como integrantes de quadrilha criminosa chega a ser uma provocação quando Alckmin permanece impune diante da revelação do cartel nos contratos de trens e metrôs que custaram bilhões aos cofres públicos. O mesmo se pode dizer de Sérgio Cabral e suas ligações com o empreiteiro Cavendish e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ou seja, políticos se unirem a empresários para praticar todo tipo de falcatrua pode, mas ir para as ruas em defesa da educação é formação de quadrilha?

É fato que a ação de grupos isolados, como os “Black Bloc’s”, jogam água no moinho da repressão. Acabam servindo para justificarem, aos olhos da opinião pública, a ofensiva policial contra as manifestações e a criminalização do movimento, jogando contra a massificação dos protestos. É uma polêmica que fazemos e seguimos travando. Mas isso não justifica a repressão contra esses jovens nem contra qualquer outro setor, muito pelo contrário.

Dilma, pare a repressão!
Se o lado de lá se une contra os movimentos sociais e as mobilizações, é hora do lado de cá somar forças. É preciso pôr em prática uma ampla campanha contra essa escalada repressiva que toma as ruas não só do Rio e em São Paulo, mas em várias partes do país. É hora de nos mobilizarmos contra a repressão às manifestações, assim como as prisões arbitrárias e os inquéritos fraudados que, sabemos, tem como único objetivo atingir os ativistas e suas organizações.

Temos que exigir de Dilma, que já sofreu na pele a violência de um regime de exceção e foi, assim como eu, uma presa política, que se pronuncie sobre isso. No Rio, os manifestantes estão sendo autuados numa lei de organização criminosa que ela própria sancionou, evidentemente não para este fim. Ela não pode se omitir diante da gravidade dos casos que vivenciamos. Dilma pare a repressão!

Mas para já, é preciso exigir a libertação dos manifestantes presos no Rio. Sérgio Cabral impôs um verdadeiro estado de exceção para acabar com os protestos. É hora dizer "basta de repressão! Nenhum lutador na cadeia! A ditadura já acabou!".

José Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU

17 de outubro de 2013

Boletim especial do PSTU denuncia leilão do Campo de Libra no próximo dia 21

17/10/2013 - Leia e compartilhe o boletim especial do PSTU do Vale do Paraíba que denuncia o leilão do Campo de Libra, maior reserva de petróleo do pré-sal brasileiro, marcado pelo governo Dilma para acontecer no próximo dia 21.

O material será distribuído nas fábricas, feiras e centro da cidade nos próximos dias.

O panfleto traz ainda matéria sobre a escalada de repressão e criminalização das lutas no país e defende medidas como o fim da Tropa de Choque e da PM. Acesse:  http://issuu.com/73220/docs/boletim_petroleo_regional_final----

Artigo: Combater a violência contra as mulheres

17/10/2013 - A violência contra as mulheres tem sido tema recorrente na mídia e no movimento de mulheres. Como afirma a própria ONU (Organização das Nações Unidas), a situação já se tornou uma pandemia no mundo.

No Brasil, apesar do discurso dos governos Lula e Dilma, o PT manteve uma política neoliberal, priorizando os interesses dos empresários, com incentivos fiscais e privatizações. Enquanto isso, sem uma política efetiva em defesa das mulheres, a violência aumentou apesar da Lei Maria da Penha e a diferença de salários entre homens e mulheres voltou a crescer.

Com a participação de 2.300 mulheres, o tema da violência foi o debate central do 1° Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML), realizado em Sarzedo/MG, nos últimos dias 5 e 6. Foi um dos maiores eventos feministas dos últimos 20 anos.

Em um reflexo do novo momento que vive o Brasil, participaram trabalhadoras de diversas categorias, juventude, aposentadas, donas de casa e desempregadas de todo o país. Esteve presente ainda uma delegação internacional, com mulheres do Paraguai, Bolívia, Argentina, Peru, Espanha, Inglaterra, Índia e Síria.

Mais do que um evento feminista, a principal marca deste encontro do MML, filiado à CSP-Conlutas, foi o classismo. Avançamos ali na consolidação de um movimento de mulheres independente dos patrões e do governo, para lutar contra o machismo e a opressão.

A principal resolução aprovada foi uma Campanha Nacional contra a Violência às Mulheres, que enfocará a violência do Estado, doméstica, sexual, no trabalho e urbana.

Vamos lutar para que a lei Maria da Penha saia do papel, com investimentos dos governos. Queremos o fim do assédio moral e sexual, dos estupros, da desigualdade salarial. Vamos exigir o arquivamento dos projetos de lei do Estatuto do Nascituro e da Bolsa Estupro que tramitam no Congresso.

Aqui em São José dos Campos, vamos cobrar do governo Carlinhos (PT) a resposta à nossa pauta de reivindicações de construção de creches e de Casa Abrigo às vítimas de violência, e construir um grande dia de luta em 25 de novembro, Dia Latino-Americano Contra a Violência à Mulher.


Janaína dos Reis é da direção do MML do Vale do Paraíba e da Executiva Nacional
Artigo publicado no jornal O Vale, de 17/10/2013



16 de outubro de 2013

Financiada com dinheiro público, Embraer leva produção para outros países e ameaça empregos no Brasil

16/10/2013 - Passados quase 20 anos da privatização da Embraer, a maior fabricante de aviões do país e terceira maior do mundo, é cada vez menos uma empresa brasileira. Isso ocorre não apenas pela predominância de capital estrangeiro no seu controle acionário, mas também pelo fato de que a Embraer está transferindo boa parte de sua produção para outros países, num processo crescente de desnacionalização.

Está havendo um verdadeiro desmonte da produção no Brasil, que já ameaça milhares de postos de trabalho no país. Mesmo sendo financiada com dinheiro público, principalmente por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a empresa já importa cerca de 70% dos componentes usados na produção de seus aviões.

Na época da privatização, o único pré-requisito feito pelo BNDES para continuar financiando a Embraer era a nacionalização da produção. Isso fez com que uma série de fabricantes estrangeiras, como Latecoere (francesa), C & D (americana), Aernnova (espanhola), Sobraer (belga) e Alestis (espanhola) abrissem filiais no Brasil para fornecer componentes à empresa.

Ao longo dos anos, entretanto, este pré-requisito foi esquecido pelo governo e com um processo de desnacionalização da produção colocado em prática pela Embraer, as chamadas empresas parceiras correm o risco de fechar até 2016, o que coloca em risco e emprego de mais de 1.100 trabalhadores.

A C&D, instalada em São José, já perdeu espaço para a mexicana Zodiac Group que, a partir de 2014, passará a produzir o interior dos jatos 170 e 190. A empresa já teve 210 trabalhadores e atualmente tem apenas 70. A previsão é de que o cenário piore ainda mais, podendo chegar a 13 funcionários no setor produtivo.

A Embraer também abriu concorrência internacional para fabricação do centro de fuselagem da nova família de jatos comerciais E-Jets, que teve tecnologia financiada pelo BNDES. Uma das empresas escolhidas foi a norte-americana Triumph Aerostructures-Vought Aircraft Division, que assinará um contrato de US$ 1,7 bilhão. Com este contrato, as peças que antes eram produzidas na Latecoere, de Jacareí, passarão a ser fabricadas nos Estados Unidos.

Plantas no exterior
Além de firmar contratos com empresas para produção fora do Brasil, a Embraer também abriu suas próprias unidades nos Estados Unidos, Portugal e China.

A empresa construiu duas fábricas em Évora, Portugal, onde são fabricados os componentes para o Legacy 500.  Os materiais produzidos em Évora são exportados para montagem final nas unidades do Brasil, Flórida (Estados Unidos) e Harbin (China).

No próximo ano, as unidades europeias também passarão a fabricar as peças para o cargueiro KC 390, avião militar que faz parte do PAC da Defesa. Com financiamento do BNDES, o avião começou a ser desenvolvido pela Embraer em 2009 e contará com um orçamento de R$ 959 milhões, apenas para a etapa de 2014.

A Força Aérea Brasileira (FAB) já investiu US$ 1,3 bilhão no projeto do KC 390 e encomendou 28 aeronaves para uso do exército.

Segundo Edmir Marcolino da Silva, um dos autores do livro “A Embraer é nossa! Desnacionalização e reestatização da Empresa Brasileira de Aeronáutica” e trabalhador da empresa, a tendência é que o percentual de importação aumente.

O mais contraditório é que mesmo em uma compra direta do governo federal, não se atende as regras estabelecidas pelo próprio governo, que determina que os produtos adquiridos devem ter 70% de conteúdo nacional”, denunciou.

Dinheiro público, só para nacionalização


Foto: Tanda Melo

Em consequência da ameaça de demissões provocada pelo processo de desnacionalização da Embraer, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos lançou a campanha “Dinheiro Público, só pra Nacionalização. Contra o desemprego e a exploração nas fábricas de avião”. O objetivo é denunciar a atitude da empresa e exigir que o governo federal e o BNDES parem de financiar projetos da Embraer fora do Brasil e exijam a nacionalização da produção.

Na luta em defesa dos empregos e outros direitos, os metalúrgicos da Alestis e Latecoere realizam duas das mais longas greves da categoria este ano. Em uma grande demonstração de força, foram nove dias parados na Alestis, inclusive com um acampamento na porta da fábrica, e 19 dias na Latecoere.

Durante a mobilização, os trabalhadores realizam atos de rua e foram até a sede do BNDES, no Rio de Janeiro, onde apresentaram dados que comprovam a desnacionalização do setor. Reunião no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio também já aconteceu.

Sustentada pelo governo
A generosa ajuda do governo federal tem garantido os lucros da Embraer. Em 2012, a receita total da empresa foi de R$ 12,2 bilhões, com lucro líquido de R$ 699 milhões, montante quatro vezes maior que os R$ 156 milhões do ano anterior.

Parte desse lucro é fruto da política de desoneração fiscal do governo Dilma, que trouxe uma economia de encargos sociais de 18,18%, segundo o próprio balanço da empresa. A Embraer é beneficiada pela desoneração da folha de pagamento e, graças a isso, teve a contribuição do INSS reduzida de R$ 480 milhões para R$ 393 milhões.

Para este ano, a Embraer mantém a expectativa de receita líquida entre US$ 5,9 bilhões e US$ 6,4 bilhões para 2013. Até o fim de setembro, os pedidos da empresa já somavam US$ 17,8 bilhões, um crescimento de 40% em relação a setembro do ano passado.

A Embraer foi uma empresa estatal construída com o dinheiro do público dos impostos pagos pela maioria da população. Privatizada por um valor irrisório, R$ 154,1 milhões, a empresa nunca deixou de depender do governo e, hoje, está avaliada em nada menos que R$ 20,4 bilhões.

Se a Embraer vive um bom momento, é por conta do dinheiro público que recebe. Para se ter uma ideia, apenas entre 1997 até 2008, o BNDES desembolsou US$ 8,39 bilhões para que a Embraer colocasse seus aviões no mercado internacional. Vale lembrar que, um dos argumentos usados pelo governo para defender a privatização era justamente a falta de recursos para investir na empresa.

Em 2009, o então presidente Lula (PT) fechou os olhos quando a Embraer demitiu, de forma injustificada, 4.200 trabalhadores. O governo do PT não pode continuar conivente com a política da empresa de fechar postos de trabalho no Brasil, financiada com dinheiro público”, afirma Edmir.

A presidente Dilma precisa impedir o processo de desnacionalização da produção do setor aeronáutico e reestatizar a Embraer. Somente assim a empresa, estratégica para o país, voltará a ser, de fato, uma empresa brasileira a serviço dos interesses da população, com desenvolvimento tecnológico e geração de empregos de qualidade”, concluiu.

Por Manuela Moraes

15 de outubro de 2013

Síria: Exigir ou não armas do imperialismo?

15/10/2013 - Artigo de Ronald León Núñez

Ao analisarmos a situação da guerra civil na Síria, é quase um consenso a conclusão de que a ditadura de al-Assad detém uma superioridade militar sobre o Exército Livre da Síria (ELS) e a ampla rede de milícias que luta pela derrubada de sua tirania.

Enquanto o regime sírio massacra a população civil e ataca as posições rebeldes com sistemáticos bombardeios que destroem cidades inteiras; com tanques, mísseis e até armas químicas, na frente rebelde falta o mais básico: armas, munições, alimentos, médicos e medicamentos, máscaras antigases, etc.

Nesta situação dramática, a falta da posse de qualquer tipo de armamento pesado (artilharia antiaérea, aviões, mísseis e sistemas de defesa antimísseis) pela imensa maioria das milícias rebeldes é o caso mais crítico, pois são absolutamente essenciais não só para se defender, mas também para pensar seriamente em uma vitória militar sobre o exército da ditadura.

Como em qualquer guerra, e mais ainda nestas condições, o problema do armamento é vital para ganhar ou perder a guerra, ou o que dá no mesmo: para a vitória ou a derrota da revolução síria.

Ante esta questão, no contexto de nosso programa para o conjunto da revolução, a LIT-QI defende a necessidade de desenvolver uma política de ampla solidariedade internacional com a causa do povo sírio. Isto significa, concretamente, uma campanha de apoio, incondicional e em todos os sentidos, para a vitória militar rebelde.

Assim, sustentamos que uma tarefa imperiosa é impulsionar a mais ampla mobilização para exigir dos governos de nossos países e de todos os governos do mundo, inclusive os dos países imperialistas, o envio imediato de modernas armas pesadas, medicamentos e todo tipo de ajuda material para as milícias rebeldes do ELS e aos Comitês de Coordenação Local, sem condições de nenhuma natureza.

Nossa exigência de armas não inclui as brigadas unidas à al-Qaeda, ao Estado Islâmico do Iraque ou ao Levante, cuja visão sectária e confessional-religiosa do conflito levou-as a romper a frente militar contra a ditadura e, em várias zonas, atacar milícias curdas e do ELS, atuando como “quinta coluna” do regime.

Esta política de exigência esquentou ainda mais as duras polêmicas que a revolução síria levanta entre os diversos setores da esquerda mundial.

Evidentemente, o amplo arco de organizações de corte stalinista, especialmente o castro-chavismo, é completamente contrário à exigência de armas para os rebeldes. Esta posição é parte de sua política contrarrevolucionária nesses processos, coerente com o apoio incondicional que estas correntes outorgam à ditadura, apresentando al-Assad como um suposto “líder anti-imperialista e antissionista” que estaria sendo vítima de uma “conspiração do imperialismo”. Consequentes com esta caracterização, localizam-se no campo militar de al-Assad contra o povo sírio.

No entanto, o curioso é que existe uma série de organizações centristas e até algumas que se reclamam trotskistas, como a Fração Trotskista (FT) encabeçada pelo PTS argentino, que diz estar a favor da “derrubada revolucionária” de al-Assad mas, ao mesmo tempo, opõem-se à exigência de armas para que os rebeldes tenham condições de derrotá-lo na guerra civil em curso.

Apesar de sua afirmação de que essa exigência não é um “problema de princípios para os revolucionários”[1], a FT-PTS diz claramente que “não estamos de acordo com a exigência feita pela LIT-PSTU (…) para que ‘os governos do mundo enviem armas e remédios para os rebeldes sírios’”[2].

Como fica claro, o resultado concreto desta política é o mesmo que o da posição castro-chavista: não se devem enviar armas para os rebeldes que combatem Assad.

O problema é que a FT chega a esta posição reivindicando o legado teórico e a tradição do trotskismo. Isto, além de ser completamente falso, confunde ainda mais uma série de ativistas honestos e militantes revolucionários, e só contribui para enfraquecer e inibir a solidariedade incondicional que a revolução síria precisa com tanta urgência.

É por isso que se faz necessário continuar a polêmica com estas posições.

Qual é nossa trincheira na Síria?
Em primeiro lugar, a posição da FT sobre as armas para os rebeldes sírios tem relação com um problema prévio e mais profundo: sua caracterização política e sua localização militar na própria guerra civil.

Como já discutimos em outros artigos, ante o confronto militar na Síria – e como fizeram antes na Líbia –, esta corrente se posiciona em um desastroso “nem-nem” (nem Assad nem rebeldes), porque as milícias rebeldes não têm uma direção revolucionária e nem existe uma “hegemonia da classe operária” no processo.

Neste sentido, criticam-nos dizendo: “Não temos acordo com a exigência feita pela LIT-PSTU quando afirma que a política hoje para a Síria é ‘total apoio aos rebeldes’” [3].

Apoiam sua posição contra um “total apoio aos rebeldes” no fato de que “ainda não existe a classe trabalhadora como um sujeito político independente lutando pela derrubada revolucionária de Assad, que dê lugar a um Estado de transição ao socialismo rumo a uma Federação de Repúblicas Socialistas do Oriente Médio” [4].

Como a luta das massas está encabeçada por direções burguesas e o imperialismo atua, como sempre fez, com uma política para derrotar a revolução, todo o processo acaba sendo “cooptado” ou “subordinando-se” a essas direções contrarrevolucionárias segundo esta corrente.

No caso da Líbia, por exemplo, sentenciaram que, a partir do momento em que os ataques aéreos da OTAN começaram, todos os combatentes líbios tinham sido “cooptados” e se transformado em “tropa terrestre”[5] do imperialismo.

Agora dizem o mesmo na Síria: “Como vimos na Líbia, e inclusive no Egito, a luta das massas acaba sendo utilizada conscientemente pelas direções burguesas e pequeno-burguesas rebeldes e pelo imperialismo para evitar a derrubada revolucionária do regime e das instituições fundamentais do Estado burguês. Na Síria a história se repete” [6].

A partir desta análise do processo, quando dizemos que a LIT-QI “apoia incondicionalmente a luta armada do povo sírio, independentemente de sua direção política”[7], acusam-nos de “abandono de qualquer perspectiva revolucionária”[8].

Primeiro, desembaracemo-nos de uma falsa polêmica.

Nós concordamos que no conflito sírio ainda não existe “a classe trabalhadora como sujeito político independente” que esteja lutando por um programa socialista revolucionário rumo à “Federação de Repúblicas Socialistas do Oriente Médio”.

Pelo contrário, todos nós sabemos que a imensa maioria das milícias rebeldes é comandada por direções burguesas, como o Conselho Nacional Sírio (CNS) ou a cúpula do ELS que, ademais, são profundamente pró-imperialistas. Também é inegável que a classe operária, como sujeito social, não só não é a dirigente da revolução, mas que atua na resistência contra a ditadura em forma diluída.

Ante isto, é elementar a questão de que os revolucionários devem lutar com todas as forças para impulsionar a hegemonia operária e para dotar o processo sírio de uma direção política socialista revolucionária.

Então, esta nunca foi a discussão.

A discussão é: ante a inexistência atual da “classe trabalhadora como sujeito político independente” e de uma direção que lute pela “Federação de Repúblicas Socialistas do Oriente Médio”, e enquanto isso não ocorrer, qual deve ser a posição militar dos revolucionários no confronto armado entre os rebeldes (que têm o CNS e a cúpula do ELS como direção) e a ditadura de Assad? Damos “total apoio” à causa da revolução síria e lutamos ombro a ombro com os rebeldes, apesar dessas direções burguesas e pró-imperialistas; sim ou não?

Nossa posição é clara: estamos na trincheira rebelde (com todas suas contradições) contra Assad, e combatemos as direções burguesas e o imperialismo a partir dessa localização militar.

A FT tem uma posição e uma política opostas. Como a realidade não se ajusta às suas condições (não existe uma direção revolucionária nem uma hegemonia operária), não apoia nem se localiza militarmente no lado rebelde. Isto é, não combate a ditadura síria na forma concreta em que essa luta ocorre na realidade.

Portanto, a rejeição a prestar “apoio total” à vitória militar rebelde em meio a um confronto armado tem como consequência, concreta e inevitável, o favorecimento da vitória militar de Assad.

Por isso o marxismo sempre ensinou que nunca pode ser confundido, como faz a FT, o caráter objetivo dos processos com sua direção. Da mesma forma que não devemos confundir a justeza de uma greve operária com sua direção burocrática, não devemos confundir a justa causa pela qual luta o povo sírio com suas direções traidoras.

Campos militares e independência de classe
A FT ataca-nos dizendo que na Síria atuamos com uma “lógica de dois campos e só dois, localizando-nos no progressista”[9]. Esta suposta “lógica semicampista”[10] seria equivocada, pois leva a uma “adaptação” às direções burguesas, quando a tarefa é “fortalecer um ‘terceiro campo’ operário”[11].

Para entender esta discussão é necessário separar e compreender dois conceitos que a FT confunde. Referimo-nos aos conceitos de campo militar e independência de classe.

Os revolucionários nunca apoiam politicamente a burguesia nem o imperialismo; jamais apoiamos a qualquer governo capitalista, nem sequer aquelas medidas que se mostram “progressistas”. Para o marxismo, a burguesia é contrarrevolucionária em seu conjunto. Isto significa que não existem “campos burgueses progressistas”, como os mencheviques, Stalin e Mao defendiam. Por isso, perante cada confronto concreto da luta de classes, sempre mantemos nosso programa revolucionário e completa independência política em relação à burguesia e ao imperialismo.

No entanto, em certos momentos, a luta de classes chega a seu máximo grau e se expressa através do choque físico, da guerra, podendo tratar-se de guerras interimperialistas, colonialistas, de libertação nacional ou guerras civis.

Nestes casos extremos são formados campos militares, que têm relação, exclusivamente, com os lados que se enfrentam fisicamente em um determinado conflito armado. A existência destes campos militares e sua composição específica, na imensa maioria dos casos, é independente da vontade dos revolucionários.

Ocorrem, então, situações contraditórias. Por exemplo, é muito comum que em determinados confrontos armados, sobretudo naqueles onde se combate contra uma ditadura ou contra o imperialismo, a burguesia se divida e setores da classe exploradora participem da luta armada junto à classe operária e ao povo em geral, chegando inclusive a dirigir politicamente esse campo militar.

Por exemplo, durante a revolução russa de 1917, o campo militar contra o golpe de Kornilov foi dirigido política e militarmente pelo governo burguês de Kerensky. A luta armada contra a invasão japonesa à China, iniciada em 1937, foi comandada por Chiang Kai-Shek, burguês e assassino de comunistas. Em 1982, o campo militar da Argentina contra o imperialismo inglês durante a guerra de Malvinas era dirigido política e militarmente pela sanguinária ditadura argentina.

Nestes casos, para ter uma posição e uma política revolucionárias, é necessário seguir Lenin que, reivindicando a premissa de von Clausewitz, dizia que toda “guerra é a continuação da política por outros meios” e, nesse sentido, ante qualquer confronto armado, a primeira coisa a se fazer é sempre “analisar a natureza da guerra” com base no estudo da “política que precede a guerra”.

A partir desta premissa, os revolucionários sempre devem se perguntar: existe um campo militar “progressista” do ponto de vista do avanço da revolução?

Pode ser que não exista nenhum campo militar “progressista” e que, portanto, os revolucionários devam adotar a política do derrotismo revolucionário, isto é, batalhar pela derrota de todos os lados em luta. Esta foi, por exemplo, a política de Lenin e Trotsky ante o confronto entre as potências imperialistas na Primeira Guerra Mundial.

Mas, se existir um campo militar “progressista”, os revolucionários, preservando sua total independência política e denunciando as direções burguesas, têm a obrigação de participar dele e de apoiar sua vitória militar de maneira incondicional. Dito de outra forma, nesses casos, os marxistas mantêm sempre sua independência política e seu programa revolucionário dentro do campo militar “progressista”.

Como se aplica estas lições do marxismo na Síria? Se a “guerra é a continuação da política por outros meios” e desde o começo das mobilizações na Síria estivemos ao lado do povo sírio e pela derrota de Assad, quando esse confronto deu um salto e derivou em luta armada localizamo-nos no campo militar junto ao povo sírio. Isto é assim porque na Síria existem dois e não três campos militares. O “terceiro campo operário independente” do qual fala a FT só pode ser fortalecido a partir do combate no campo militar rebelde.

Este sempre foi o critério de Lenin e de Trotsky. Quando a tentativa de golpe contrarrevolucionário de Kornilov ocorreu, nossos mestres, sem deixar de combater e denunciar o governo burguês, não duvidaram em participar do campo militar de Kerensky. “Apoiamos nosso fuzil no ombro de Kerensky, depois saldamos contas”, tal foi a política bolchevique.

Da mesma forma, nas Malvinas, o morenismo não teve dúvidas em posicionar-se no campo militar argentino para derrotar o imperialismo inglês, apesar de que essa guerra fosse conduzida pela ditadura militar. E a partir dessa localização denunciou implacavelmente os militares genocidas argentinos.

Esta foi a mesma posição de Trotsky, como veremos em seguida, durante a revolução e a guerra civil espanhola.

A tarefa essencial é ser “os melhores soldados” contra al-Assad
A revolução espanhola expressou-se como uma guerra civil (1936-1939) na qual se enfrentaram dois campos militares: o republicano e o fascista.

Ambos os campos militares eram dirigidos por setores burgueses e apoiados por diferentes imperialismos.

O lado fascista era comandado pelo general Franco, que tinha o apoio dos imperialismos nazista-fascistas da Alemanha e da Itália. O lado republicano, no qual participava a classe operária e o povo pobre através de suas milícias e organizações, era comandado por um governo burguês de Frente Popular que, por sua vez, era apoiado pelos imperialismos “democráticos” da França e da Inglaterra, e também por Stalin.

Ante esse confronto de campos militares sob direções burguesas, existia um campo militar “progressista” para Trotsky? A resposta é um sim categórico: o campo militar republicano contra o fascista.

Por que era “progressista”, apesar da direção traidora republicana? Porque uma vitória de Franco significaria uma derrota histórica do proletariado e da revolução espanhola e uma vitória da contrarrevolução, como infelizmente se deu.

Definiu-o desta maneira: “Negar-se a apoiar os exércitos republicanos é algo que só podem deixar de fazer os covardes e os traidores agentes do fascismo. O dever elementar de todo revolucionário é lutar contra Franco, Mussolini e Hitler”[12].

Quando lhe perguntaram qual deveria ser a “atitude do partido revolucionário espanhol” ante a guerra civil, Trotsky deu um claro exemplo de como devem ser diferenciados claramente os conceitos de apoio político e campo militar:

Eu diria: “Nada de aliança política com a burguesia”, como primeira condição. A segunda: “Deveis ser os melhores soldados contra os fascistas”. A terceira: “Deveis dizer aos soldados, aos demais soldados e aos camponeses: ‘Devemos fazer de nosso país o país do povo. Quando tivermos ganhado às massas, expulsaremos a burguesia, tomaremos o poder e faremos a revolução social”[13].

Tomando estes critérios de Trotsky para a guerra civil espanhola, é fundamental perguntar-nos: existe um campo militar “progressista” na Síria, no qual os revolucionários têm o “dever elementar” de combater como “os melhores soldados”?

Nós sustentamos que sim, é o campo militar rebelde que combate a ditadura de Assad.

Os ensinamentos de Trotsky, em nossa opinião, aplicam-se perfeitamente à guerra civil na Síria. Por isso, para a LIT-QI, quem se considera revolucionário deve, em primeiro lugar, ser “os melhores soldados” contra Assad.

Só a partir desta localização no enfrentamento armado, como fez Trotsky na Espanha, poderemos apresentar “aos demais soldados” nosso programa socialista revolucionário e disputar a direção política desse campo militar contra as direções burguesas e servis do imperialismo, construindo a indispensável direção operária e revolucionária que o povo sírio precisa para ganhar a guerra e poder avançar não só até a derrubada da ditadura, mas até a tomada do poder e a construção do socialismo na Síria e na região.

A FT, que não diferencia os campos políticos dos campos militares e que confunde o processo objetivo com suas direções, está fazendo o oposto do que dizia Trotsky para a revolução espanhola.

Quem aplicar a lógica desta corrente, e compará-la com a de Trotsky, não poderá evitar esta pergunta: mas os “exércitos republicanos” não eram, por acaso, dirigidos por um governo burguês (a Frente Popular)?

Eis que a FT tem um problema grave ao sustentar suas posições para a Síria e para a Líbia na tradição trotskista.

Perguntamos-lhes: Trotsky atuou com uma “lógica semicampista” quando se localizou militarmente no lado republicano, sim ou não? Ao “apoiar os exércitos republicanos”, Trotsky capitulou completamente a seus dirigentes burgueses, pequeno-burgueses e stalinistas e transformou-se no “melhor soldado” da burguesia (“tropa terrestre da Frente Popular espanhola”), sim ou não?

Se for coerente com sua lógica, a FT deveria responder que sim. Ou então dizer que a direção republicana na Espanha era uma direção revolucionária.

Dir-nos-ão: a Espanha é diferente da Síria! Pois existiam “fortes organizações da classe trabalhadora”[14]. Isso é verdade. Existem muitas diferenças entre a revolução espanhola e a atual revolução síria. Mas existem duas coincidências fundamentais: as duas revoluções expressaram-se como guerras civis e nenhuma foi dirigida por um partido revolucionário nem a classe operária atuou como um “sujeito político independente”.

A partir deste profundo erro teórico, toda sua política é estéril, não somente frente ao problema militar, mas também em relação à própria construção de uma direção revolucionária.

Ao “nem-nem” da FT, o velho Trotsky responderia com os mesmo termos usados para polemizar com vários setores ultraesquerdistas que, frente à guerra civil espanhola, viam um mero confronto “entre campos burgueses”[15] e levantavam a política do “derrotismo revolucionário”:

Imagine um revolucionário no meio dos dois campos da guerra civil com sua bandeira: ‘Nem vitória nem derrota’. Esta palavra de ordem é válida para Poncio Pilatos, não para um revolucionário […] Participamos da luta contra Franco como os melhores soldados, e ao mesmo tempo, no interesse da vitória sobre o fascismo, agitamos a revolução social e preparamos a derrubada do governo derrotista de Negrín. Só uma atitude semelhante pode aproximar-nos das massas[16].

Uma calúnia na discussão
A discussão com a FT sobre este assunto começa necessariamente pela denúncia de uma calúnia.

Ao dizer que o problema das armas “não é simplesmente militar”[17], mas uma “questão de (…) lutar por uma política de independência de classe (…) em relação aos setores mais abertamente pró-imperialistas, como o Conselho Nacional de Transição sírio, mas também da direção do Exército Sírio Livre”[18], afirmam que a LIT-QI não defende essa posição, pois sua “política para a Síria apaga toda e qualquer delimitação de classe, ao limitar-se a se adaptar acriticamente ao setor opositor hegemonizado pela burguesia”[19].

Esta acusação é completamente falsa. Sempre denunciamos o papel inconsequente e traidor dessas direções, exatamente por seu caráter burguês de classe. Isto pode ser comprovado por qualquer uma de nossas declarações.

Mas, para mostrar uma vez mais o método calunioso, oposto ao trotskismo, que a FT desenvolve, duas citações são suficientes como exemplos. A primeira, em relação ao CNS e ao ELS:

É de vida ou morte que, ao calor da luta contra o regime de Assad, seja o povo, seja a classe trabalhadora síria que se auto-organize e se autodetermine na hora de definir os destinos de sua luta. Dirigentes como os atuais, tanto do CNS como do ELS, podem estar momentaneamente no mesmo campo militar que o povo pobre, contra Assad, mas por seu caráter de classe acabarão, mais cedo ou mais tarde, traindo as reais aspirações populares, não só econômicas, mas também no terreno das liberdades democráticas. A única saída para uma vitória estratégica é construir uma direção revolucionária e internacionalista que tome as rédeas do processo[20].

Sobre o CNT líbio, sustentávamos: “O CNT pretende desmontar a revolução através da canalização dos anseios por mudanças, fazendo promessas de eleições e de uma assembleia constituinte controlada por cima. As milícias populares não podem depositar confiança no CNT sequer um minuto. Isso equivaleria ao fim da revolução (...)” [21]. E assim poderíamos citar dezenas.

Perguntamos: onde está a “adaptação acrítica ao setor opositor hegemonizado pela burguesia”? Onde está a “falta de independência de classe” e de uma “estratégia revolucionária”? Onde está o “abandono” pela LIT-QI da tarefa de construir uma direção revolucionária? Só nas afirmações mentirosas da FT.

A partir do momento em que a LIT-QI se diferencia e denuncia o papel das direções traidoras do campo militar rebelde, tanto na Líbia quanto na Síria, ao mesmo tempo em que lutamos pela construção de uma direção revolucionária, a única crítica da FT que se mantém é que “exigimos armas para os rebeldes”. Esta é a verdadeira discussão.

E isto não deve estranhar a ninguém. É uma derivação lógica de sua posição contrária a serem “os melhores soldados” contra a ditadura, uma postura que, como vimos no caso da Espanha, Trotsky atribuía só aos “covardes” e “traidores”.

Não exigir armas para os rebeldes sírios é facilitar a derrota da revolução
A FT justifica esta posição dizendo: “Não se trata de pedir armas para direções burguesas (…)” [22].

Neste sentido, no caso da Líbia afirmam que “não bastava o armamento de ‘milícias’, pois o problema de sua composição social, o caráter da organização e de sua direção são decisivos”. Fazem questão disto dizendo que “A questão política decisiva se concentrava (…) na falta de um polo independente com influência de massas que pudesse pesar na rebelião” [23].

Perguntamos-lhes: enquanto não existir um partido revolucionário e um “polo proletário revolucionário” não respondemos ao problema concreto do armamento? Deixamos que essa revolução seja aplastada e afogada em sangue? O povo sírio deve renunciar a um direito democrático tão básico como o de pedir armas para se defender só porque ainda não conseguiu construir essa direção revolucionária?

Apelando novamente às lições históricas da revolução espanhola, a FT deveria responder: não foi unânime em toda a esquerda, no Estado espanhol e no mundo, a exigência de armas e apoio material à República quando os trabalhadores e o povo se enfrentavam com as tropas de Franco? Não se exigiam essas armas, especialmente à Inglaterra e à França? Inglaterra e França não eram países imperialistas? O não envio desse armamento não passou para a história como uma demonstração da negação ao apoio à República, o que ajudou no triunfo de Franco?

Outro argumento é que a exigência de armas para os rebeldes seria “no mínimo utópica e semeadora de ilusões no imperialismo”, pois o conjunto das potências “não tem essa política” e impulsionam “uma saída negociada”[24].

Pois bem, desde quando os revolucionários deixam de fazer uma justa exigência a algum governo capitalista porque tal medida “não é a política” desse governo?

Exatamente por isso, a exigência de armas aos países imperialistas tem a utilidade política de desmascarar essas potências como inimigas da revolução, precisamente para combater as ilusões dos que confiam nos discursos “democráticos” do imperialismo.

Mas suponhamos que, por uma combinação de contradições, a política do imperialismo fosse a de armar os rebeldes; chamaríamos os combatentes sírios a recusarem essas armas mesmo que estejam sendo massacrados? Chamaríamos a classe operária dos Estados Unidos, da França ou da Inglaterra a sabotar os possíveis carregamentos de armas para os rebeldes sírios?

Toda política tem consequências concretas. Neste caso, não exigir ou ser contrário a aceitar armas para os rebeldes sírios equivale, nos fatos, permitir que o povo sírio continue sendo massacrado pelo tirano al-Assad.

Uma política contrária à de Trotsky na Guerra Civil Espanhola
A FT, na sua angústia, cita Trotsky, quando este disse que na Espanha: "Não eram armas nem ‘gênios’ militares que faziam falta em Madrid ou Barcelona, mas um partido revolucionário” [25].

É verdade que na Espanha faltava um partido revolucionário, mas isso não impediu que Trotsky, ao tentar construí-lo, tivesse uma política clara para conseguir as armas necessárias para os revolucionários espanhóis.

Neste sentido, há um texto extremamente esclarecedor de Trotsky com o título sugestivo de "Aprenda a pensar. Um conselho amigável a certos ultraesquerdistas". Neste artigo de 1938 Trotsky afirma claramente sua posição geral em aceitar ou não as armas do imperialismo:

Suponha que amanhã uma rebelião exploda na colônia francesa da Argélia sob a bandeira da independência nacional e o governo italiano, motivado por seus próprios interesses imperialistas, prepara-se para enviar armas aos rebeldes. Qual deve ser a atitude dos trabalhadores italianos, neste caso? Intencionalmente tomei como exemplo uma rebelião contra a intervenção do imperialismo democrático e a intervenção a favor dos rebeldes por um imperialismo fascista. Devem os trabalhadores italianos evitar o envio de armas para os argelinos? Deixemos que os ultraesquerdistas ousem responder a esta pergunta afirmativamente. Qualquer revolucionário, juntamente com os trabalhadores italianos e os rebeldes argelinos, rejeitaria esta resposta afirmativa com indignação. Mesmo que, ao mesmo tempo, uma greve geral dos portuários eclodisse na Itália fascista, os grevistas deveriam abrir uma exceção em favor dos navios que levariam ajuda aos escravos coloniais rebelados, caso contrário, não seriam nada mais que sindicalistas vis, e não revolucionários proletários.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores portuários da França, mesmo que não estejam em greve, serão obrigados a fazer todo esforço para bloquear o carregamento de munição destinada a ser utilizada contra os rebeldes. Somente tal política, por parte dos trabalhadores italianos e franceses, é a política do internacionalismo revolucionário.

Mas isso não significa que os trabalhadores italianos devam moderar sua luta, neste caso, contra o regime fascista? Nem um pouco. O fascismo oferece "ajuda" para os argelinos apenas para enfraquecer seu inimigo, a França, e estender sua mão predatória sobre suas colônias. Os trabalhadores revolucionários italianos não se esquecem disso em nenhum momento. Chamam os argelinos a não confiar em seu "aliado" traiçoeiro e, ao mesmo tempo, continuam sua própria luta implacável contra o fascismo, “o principal inimigo em seu próprio país”. Só desta forma se pode obter a confiança dos rebeldes, ajudar a rebelião e fortalecer sua própria posição revolucionária[26].

Trotsky agiu com os mesmos critérios durante a guerra civil espanhola.

Em primeiro lugar, sempre denunciou como uma traição favorável à vitória do fascismo na Espanha, o "Pacto de Não Intervenção", promovido pelo governo da Frente Popular francesa, liderada pelo socialista Leon Blum e fortemente apoiado pela Inglaterra.

Esta “pérfida não intervenção”[27], nas palavras de Trotsky, entre outras medidas, baseou-se na promoção de um “embargo de armas” para ambos os lados do conflito[28]. Este embargo, como os trotskistas e toda a esquerda republicana denunciaram, foi uma gigantesca farsa que só favoreceu ao fascista Franco, que nunca deixou de receber armas e soldados dos imperialismos alemão e italiano.

Em um texto intitulado “Contra o ‘derrotismo’ na Espanha”, Trotsky insiste novamente sobre a questão dos revolucionários em relação às armas, no contexto da existência de um campo militar “progressista”:

Tomemos um exemplo: Dois barcos com armas e munições saem da França ou dos Estados Unidos, um para Franco e outro para Negrín. Que atitude deveriam tomar os trabalhadores? Sabotar o transporte dos dois ou só o de Franco? Não somos neutros. Deixaríamos passar o barco com munições para Negrín. Sem ilusões, sabemos que destas balas, nove em cada dez serão dirigidas contra os fascistas, mas ao menos uma contra nossos camaradas. Mas das munições destinadas a Franco, dez de dez serão dirigidas contra nossos camaradas. Não somos neutros. Não deixaríamos passar o barco com munições para Franco. Entenda-se bem, se fosse produzida na Espanha uma insurreição operária armada, tentaríamos fazer com que as armas e as munições chegassem até as massas de operários insurrectos. Mas enquanto não tiverem suficiente força para isto, escolheríamos o mal menor[29].

Em outro texto, polemizando com Craipeau, um camarada francês, Trotsky diz:

As reuniões de trabalhadores vibraram por meses com o grito: “Aviões para a Espanha”. Imaginem por um momento que Blum tivesse decidido enviar alguns. Imaginem que neste preciso momento estivesse em curso uma greve de estivadores ou marinheiros. Que teria feito Craipeau? Teria se oposto à palavra de ordem “Aviões para a Espanha”? Teria aconselhado os trabalhadores em greve a abrir uma exceção para este carregamento de aviões? Mas a União Soviética enviou realmente aviões (a um preço bastante alto e com a condição de apoiar o regime capitalista, isso eu sei muito bem). Os bolcheviques leninistas deveriam ter exortado os trabalhadores soviéticos a sabotar estes carregamentos? Sim ou não?[30].

É claro que, ante o confronto armado, Trotsky aceitaria os “aviões” do imperialista Blum, e é claro que não ficou sentado nem comentando que os “operários insurretos” ainda não “tinham força suficiente” para se posicionar pela vitória militar contra o fascismo nem para “deixar passar” armas para Negrín, o “mal menor” do ponto de vista militar.

Obviamente, isto nunca significou um apoio político ao governo republicano, a ponto tal que Trotsky se opôs a apoiar os créditos de guerra que Negrín solicitou às Cortes.

A FT cita uma frase de Trotsky que diz:

Enquanto partido revolucionário, mobilizamos hoje em dia voluntários para Negrín? Isto significaria enviá-los às garras da G.P.U. Coletar dinheiro para o governo Negrín? Absurdo! Coletaremos dinheiro para nossos próprios camaradas na Espanha, e se enviarmos camaradas, será clandestinamente, para nosso próprio movimento. Nossa atitude frente a comitês como o Comitê Americano para a Democracia na Espanha, frente aos encontros, ações sindicais, etc.? Defenderemos a ideia de que os sindicatos devem coletar dinheiro, não para o governo, mas para os sindicatos espanhóis, para as organizações operárias.[31]

A leitura dessa citação fora de seu contexto poderia levar a pensar que Trotsky só estava a favor de mandar e receber ajuda material para certas milícias ou “sindicatos operários” independentes do governo de Negrín. Mas isso não é assim, como o próprio Trotsky explica no parágrafo seguinte, que a FT não cita:

Se alguém nos responder dizendo que os sindicatos espanhóis estão unidos ao governo, e que, portanto, seria inadmissível lhes mandar dinheiro, responderemos mencionando um único exemplo: durante a greve dos mineiros da Inglaterra em 1926, enviamos dinheiro aos sindicatos de mineiros, cujos dirigentes estavam estreitamente unidos ao governo britânico. Os comitês de greve podem ser reformistas, podem ser traidores, podem ter relações com os patrões. Mas não podemos deixar de levar em conta que enquanto os mineiros não forem capazes demudá-los, enviaremos dinheiro a eles, correndo o risco de que traiam os operários[32].

Disto, podemos concluir:

1) Trotsky defendia a vitória militar dos republicanos contra o fascismo. Isto significa que batalhou pela vitória do campo militar republicano de conjunto, apesar de ser dirigido por burgueses, pequenos burgueses e stalinistas traidores. Por isso esteve a favor de “deixar passar” o “barco com munições para Negrín”, vindo da “França ou dos Estados Unidos”, e declarou que “ajudaria Caballero com todos os meios materiais, contra o fascismo” [33], sabendo que estes eram governos burgueses.

2) No entanto, “enquanto partido revolucionário”, isto é, referindo-se à campanha própria e específica dos trotskistas, não juntaria nem mandaria voluntários ou dinheiro para o governo de Negrín, mas para os sindicatos espanhóis. Isso é correto. Mas, em relação a esse critério, Trotsky é categórico quando esclarece que mandaria essa ajuda coletada pelo “partido revolucionário” mesmo se esses sindicatos fossem “reformistas”, tivessem “relações com os patrões” e estivessem “unidos ao governo”.

3) Isto mostra duas questões na polêmica com a FT. A primeira é que Trotsky, na hora de exigir ou aceitar armas, nunca teve o critério da FT de que “não se trata de pedir armas para uma direção burguesa”. A segunda é que o velho revolucionário não esperou sentado que aparecesse uma direção revolucionária, nem sequer um “polo proletário independente”, para mandar ajuda material, como a FT exige em relação à Síria.

Da mesma forma que Trotsky agiu, a LIT-QI exige e aceitaria armas e “aviões” da “França ou dos Estados Unidos”, ou de qualquer governo, para o campo rebelde em geral, mesmo que a maior parte destas armas parasse nas mãos das direções burguesas desse campo e, em nossa própria campanha, mandamos a ajuda que coletarmos àqueles setores mais progressistas e independentes da resistência síria.

Tudo isto mostra que as diferenças da FT com a LIT-QI são, na verdade, diferenças com Trotsky.

Estas são lições muito importantes para atuar nas revoluções atuais. Neste sentido, em nossa opinião, cabem aos ultraesquerdistas de hoje exatamente o mesmo julgamento feito por Trotsky aos fraseólogos “derrotistas” na guerra civil espanhola:

Aqueles ultraesquerdistas que não querem pensar como marxistas –é disso que se trata– serão surpreendidos pela guerra. Sua política em tempos de guerra será a fatal consumação de sua política em tempos de paz. O primeiro tiro da artilharia enviará os ultraesquerdistas à inexistência política ou os levará ao campo do social-patriotismo, exatamente como os anarquistas espanhóis, aqueles absolutos "negadores" do estado, que pelas mesmas razões converteram-se em ministros burgueses quando chegou a guerra. Para poder levar adiante uma política correta em tempos de guerra, devemos aprender a pensar corretamente em tempos de paz.[34]

Da mesma forma, todo o raciocínio ultraesquerdista da FT nas guerras civis da Síria e da Líbia localizou-os, ante “o primeiro tiro da artilharia”, objetivamente contra essas revoluções.

Fonte: www.pstu.org.br




[1]ISHIBASHI, Simone. Abaixo a intervenção imperialista na Síria. Disponível em: http://www.ler-qi.org/Abaixo-a-intervencao-imperialista-na-Siria.

[2] ISHIBASHI, Simone. A crise síria e a necessidade de uma política revolucionária. Disponível em: http://www.ler-qi.org/A-crise-Siria-e-a-necessidade-de-uma-politica-revolucionaria .

[3]Idem.

[4] Idem.

[5] CINATI, Claudia. La OTAN busca asegurarse el control de Libia. Disponível em: http://www.pts.org.ar/La-OTAN-busca-asegurarse-el-control-de-Libia (todas as traduções são nossas).

[6]  ISHIBASHI, Simone. A crise síria e a necessidade de uma política revolucionária.

[7] Idem.

[8] Idem.

[9] MOLINA, Eduardo e ISHIBASHI, Simone. A un año y medio de la “primavera árabe”. Disponível em: http://www.ft-ci.org/A-un-ano-y-medio-de-la-primavera-arabe

[10] Idem.

[11] Idem.

[12] TROTSKY, Leon: Por la victoria de la Revolución española. Disponível em: http://www.ceipleontrotsky.org/Por-la-victoria-de-la-Revolucion-espanola (Sublinhados nossos).

[13] TROTSKY, Leon. Los revolucionarios en la guerra civil. Disponível em: http://www.ceip.org.ar/160307/index.php?option=com_content&task=view&id=990&Itemid=114 (Sublinhados nossos).

[14] ISHIBASHI, Simone. A crise síria e a necessidade de uma política revolucionária. 

[15] A FT apresentou a luta na Líbia como um enfrentamento entre “campos burgueses” ou simplesmente entre “a ditadura em decomposição e um bloco rebelde manipulado pela cooptação imperialista”. Ver A un año y medio de la “primavera árabe”, já citado. 

[16] TROTSKY, Leon. Contra el “derrotismo” en España. Disponível em: http://ceipleontrotsky.org/Contra-el-derrotismo-en-Espana (sublinhados nossos).

[17] ISHIBASHI, Simone. Abaixo a intervenção imperialista na Síria.

[18] Idem.

[19] Idem.

[20] LEÓN, Ronald. Comenzó la guerra civil en Siria. Disponível em: http://litci.org/inicio/newspaises/asia/siria/3016-comenzo-la-guerra-civil-en-siria.

[21] LEÓN, Ronald. ¿Dónde está la revolución y dónde la contrarrevolución en Libia? Disponível em: http://www.litci.org/artigos/747-libia/2958-idonde-esta-la-revolucion-y-donde-la-contrarrevolucion-en-libia.

[22] ISHIBASHI, Simone. A crise síria e a necessidade de uma política revolucionária.

[23] MOLINA, Eduardo e ISHIBASHI, Simone. A un año y medio de la “primavera árabe” (Sublinhados nossos).

[24] ISHIBASHI, Simone. A crise síria e a necessidade de uma política revolucionária.

[25] TROTSKY, Leon. Lección de España; última advertencia. Disponível em: http://www.ceipleontrotsky.org/Leccion-de-Espana-ultima-advertencia

[26] TROTSKY, Leon. Aprendan a pensar. Disponível em: http://ceipleontrotsky.org/Aprendan-a-pensar (Sublinhado nosso).

[27] Trotsky, polemizando com Craipeau, dirigente francês do Movimento pela Quarta Internacional, escreveu: “Se Blum em vez de declarar a pérfida “não intervenção” – sempre sob as ordens do capital financeiro – houvesse apoiado Caballero e Negrín com sua democracia capitalista, Craipeau teria renunciado à sua oposição irredutível contra o governo de “Frente Popular”? Ou teria renunciado ao dever de distinguir entre os dois campos que se enfrentavam na Espanha e adaptar sua política a esta distinção?”. Em “Una vez más: la Unión Soviética y su defensa”, disponível em: http://www.marxists.org/espanol/trotsky/1940s/dm/36.htm.

[28] Em agosto de 1936, 27 estados europeus firmaram o “Acordo de Não Intervenção na Espanha” mediante o qual decidiram "abster-se rigorosamente de toda ingerência, direta ou indireta, nos assuntos internos desse país" e proibiram “a exportação... re-exportação e o trânsito à Espanha, possessões espanholas ouà zona espanhola de Marrocos, de toda classe de armas, munições e material de guerra”.

[29] TROTSKY, Leon. Contra el “derrotismo” en España. (Sublinhados nossos).

[30] TROTSKY, Leon. Una vez más: la Unión Soviética y su defensa. Disponível em: http://www.marxists.org/espanol/trotsky/1940s/dm/36.htm

[31] TROTSKY, Leon. Contra el “derrotismo” en España.

[32] Idem.

[33] TROTSKY, Leon. Los revolucionarios en la guerra civil. (Sublinhados nossos).

[34] TROTSKY, Leon. Aprendan a pensar. (Sublinhados nossos).